{"id":8671,"date":"2020-12-05T00:56:39","date_gmt":"2020-12-05T00:56:39","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/"},"modified":"2020-12-05T00:56:39","modified_gmt":"2020-12-05T00:56:39","slug":"compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/","title":{"rendered":"COMPAIX\u00c3O EM UM PANORAMA DE SOFRIMENTO &#8211; Feldman &#038; Kuyken"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>COMPAIX\u00c3O EM UM PANORAMA DE SOFRIMENTO<\/strong><\/p>\n<p><strong>Christina Feldman e Willem Kuyken<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resumo.<\/strong> Neste artigo, investigamos a compaix\u00e3o e seu papel nas abordagens com base em mindfulness. Compaix\u00e3o \u00e9 uma orienta\u00e7\u00e3o da mente que reconhece a dor e a universalidade da dor na experi\u00eancia humana, assim como a capacidade de receber esta dor com gentileza, empatia, equanimidade e paci\u00eancia. N\u00f3s destacamos como o aprendizado de receber a dor com compaix\u00e3o \u00e9 parte de como as pessoas aprendem a conviver com condi\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas, por exemplo, a da depress\u00e3o recorrente. Ainda que a maior parte das abordagens baseadas em mindfulness n\u00e3o ensinem explicitamente a compaix\u00e3o, n\u00f3s descrevemos como a estrutura do programa e a incorpora\u00e7\u00e3o pelos professores permite aos participantes cultivar a compaix\u00e3o em um panorama de sofrimento. N\u00f3s descrevemos um exemplo de caso de como este processo se desenrolou para algu\u00e9m sob os cuidados da terapia cognitiva baseada em mindfulness.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dawn sofreu de muitos epis\u00f3dios de depress\u00e3o em sua vida. Cada novo epis\u00f3dio parecia ter vida pr\u00f3pria e ela usou a seguinte analogia para descrever sua experi\u00eancia: \u201c\u00e9 como seu estivesse sendo dragada pelas cataratas do Ni\u00e1gara\u201d. Para ela, esta analogia capturava as sensa\u00e7\u00f5es de inevitabilidade, desamparo e horror de cada epis\u00f3dio depressivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dawn descreveu um ponto de virada em sua recupera\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cGradualmente eu fui realizando que conforme eu adicionava uma nova camada de julgamento diante do que eu estava sentindo, eu sofria mais. Ao inv\u00e9s de responder \u00e0 pergunta \u201cpor que eu n\u00e3o consigo sair da cama?\u201d com \u201cporque eu sou um fracasso\u201d, eu comecei a ver que este fato, minha letargia e pensamentos negativos, eram todos elementos essenciais de uma depress\u00e3o que demoraria para se recuperar. Isto ofereceu um fio de esperan\u00e7a do que era poss\u00edvel come\u00e7ar a cultivar. Era quase aceit\u00e1vel estar deprimida e come\u00e7ar a me nutrir de pequenas maneiras. Ao inv\u00e9s de lutar contra a depress\u00e3o, eu passei a ser mais gentil comigo mesma. Olhando em retrospecto, foram estes os primeiros passos para sair da depress\u00e3o.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dawn, 48 anos.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h4><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">\nO que \u00e9 compaix\u00e3o?<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos ensinamentos cl\u00e1ssicos da tradi\u00e7\u00e3o Budista, compaix\u00e3o \u00e9 definida como o cora\u00e7\u00e3o que estremece diante do sofrimento. Algumas vezes, compaix\u00e3o \u00e9 traduzida como o cora\u00e7\u00e3o que pode tremer em face do sofrimento. Ela \u00e9 considerada a qualidade mais nobre do cora\u00e7\u00e3o humano, aspirada como tal e \u00e9 a motiva\u00e7\u00e3o subjacente \u00e0 todos os caminhos meditativos de libera\u00e7\u00e3o e cura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compaix\u00e3o \u00e9 uma resposta ao sofrimento; a adversidade inevit\u00e1vel que todo ser humano encontrar\u00e1 no decorrer da vida, seja na forma de dor imbricada na engenharia do envelhecimento, doen\u00e7a e morte ou na forma de afli\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas e emocionais que debilitam a mente. Compaix\u00e3o \u00e9 o reconhecimento que nem toda dor pode ser \u201cresolvida\u201d ou \u201csolucionada\u201d, mas todo sofrimento se torna mais palat\u00e1vel em um panorama de compaix\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compaix\u00e3o \u00e9 uma resposta multitexturizada \u00e0 dor, ao sofrimento e \u00e0 ang\u00fastia. Ela envolve gentileza, empatia, generosidade e aceita\u00e7\u00e3o. Os aspectos da coragem, toler\u00e2ncia, equanimidade est\u00e3o todos entrela\u00e7ados no tecido da compaix\u00e3o. Acima de tudo, compaix\u00e3o \u00e9 a capacidade de se abrir para a realidade do sofrimento e aspirar pela sua cura. O Dalai Lama disse uma vez \u201cse voc\u00ea quer saber qual a apar\u00eancia da compaix\u00e3o, olhe para os olhos de uma m\u00e3e ou pai quando seguram no colo sua crian\u00e7a doente ou febril\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que as concep\u00e7\u00f5es Budistas de compaix\u00e3o fa\u00e7am parte de uma linhagem que ultrapassa os 2500 anos, psic\u00f3logos s\u00f3 come\u00e7aram a considerar mais recentemente o papel da compaix\u00e3o no sofrimento e na resili\u00eancia. Paul Gilbert v\u00ea a compaix\u00e3o enquanto uma capacidade psicol\u00f3gica desenvolvida que \u00e9 parte do sistema de presta\u00e7\u00e3o de cuidados dos seres humanos. A compaix\u00e3o aumenta nossa habilidade de prezar pela vida dos mais jovens e, neste sentido, ela \u00e9 \u201cinata\u201d (Gilbert, 2009). Ele d\u00e1 uma defini\u00e7\u00e3o ampla de compaix\u00e3o, que inclui a dimens\u00e3o de cuidado, pacifica\u00e7\u00e3o, comisera\u00e7\u00e3o, empatia e n\u00e3o-julgamento. Impl\u00edcita \u00e0 esta compreens\u00e3o est\u00e1 uma teoria que integra as sutilezas biol\u00f3gicas do comportamento humano, evolu\u00e7\u00e3o e o apego humano. Um artigo recente apresenta um argumento similar, que a compaix\u00e3o evolui para ajudar os grupos sociais a proteger os seus fracos e os que est\u00e3o em sofrimento (Goetz, Keltner e Simon-Thomas, 2010). \u00c9 interessante observar que o trabalho de Gilbert sobre compaix\u00e3o surgiu em parte como uma rea\u00e7\u00e3o ao seu trabalho anterior sobre depress\u00e3o, e o papel proeminente, conforme ele observou, da autocr\u00edtica, vergonha e sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia na depress\u00e3o (Gilbert, 1984, 2000).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma defini\u00e7\u00e3o alternativa foi oferecida por Kirstin Neff na qual ela articula tr\u00eas componentes da autocompaix\u00e3o: autogentileza, humanidade comum, e mindfulness (Neff, 2003a). Seu trabalho foi motivado por uma tentativa de descrever uma postura saud\u00e1vel diante de n\u00f3s mesmos que vai al\u00e9m de no\u00e7\u00f5es simpl\u00f3rias de autoestima. Ela descreve a autogentileza como \u201cser gentil e compreensivo consigo mesmo em circunst\u00e2ncias de dor e derrota\u201d; a humanidade comum como \u201cperceber a pr\u00f3pria experi\u00eancia como parte de uma experi\u00eancia humana mais ampla\u201d e mindfulness como \u201csustentar pensamentos e sensa\u00e7\u00f5es dolorosas em uma consci\u00eancia equilibrada\u201d (Neff, 2003, 85). Ela argumenta que estas qualidades s\u00e3o intr\u00ednsecas \u00e0 um sentido de self que, tomadas em conjunto, permitem \u00e0 pessoa administrar suas emo\u00e7\u00f5es em face de dificuldades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s oferecemos a seguinte defini\u00e7\u00e3o de compaix\u00e3o. Compaix\u00e3o \u00e9 uma orienta\u00e7\u00e3o da mente que reconhece a dor e a universalidade da dor na experi\u00eancia humana e a capacidade de receber esta dor com gentileza, empatia, equanimidade e paci\u00eancia. Conquanto a autocompaix\u00e3o nos direciona para nossa pr\u00f3pria experi\u00eancia, a compaix\u00e3o amplia este direcionamento para a experi\u00eancia dos outros.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">\nQu\u00e3o central \u00e9 a compaix\u00e3o no processo de cura?<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">A compaix\u00e3o permite a cura. Enquanto seres humanos, n\u00f3s compreensivelmente n\u00e3o gostamos e tememos a dor. Instintivamente, nossa tend\u00eancia \u00e9 a de se recolher, evitar e ficar ansioso diante de estresse f\u00edsico e emocional. E este padr\u00e3o habitual de rejei\u00e7\u00e3o est\u00e1 apenas a um passo de padr\u00f5es igualmente habituais de culpa, avers\u00e3o, julgamento e agita\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 a segunda camada de sofrimento que \u00e9 sobreposta \u00e0 primeira. O efeito desta camada de rea\u00e7\u00e3o \u00e9 o de ampliar a dimens\u00e3o da dor e do estresse, e principalmente engatilhar novos estresses emocionais na forma de desespero, depress\u00e3o e desamparo. Este ciclo fechado de reatividade se torna um v\u00f3rtice que se retroalimenta e impede qualquer possibilidade de encarar o sofrimento com coragem e compaix\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa pr\u00f3pria experi\u00eancia de ang\u00fastia e dor, assim como a pesquisa psicol\u00f3gica recente, nos diz que a compaix\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante para nosso bem-estar f\u00edsico e psicol\u00f3gico quanto o alimento \u00e9 para nossos corpos (Fredrickson et al. 2008; Gilbert e Procter 2006; Hutcherson, Lutz et al. 2008; Seppala e Gross 2008). Em tempos de grande estresse em nossas vidas, o que nos toca acima de qualquer coisa \u00e9 a compaix\u00e3o. Compaix\u00e3o oferece uma alternativa vital \u00e0 avers\u00e3o e ao medo. \u00c9 o que nos permite ir na dire\u00e7\u00e3o do estresse e da dor ao inv\u00e9s de fugir deles. Nos permite cercar o sofrimento com gentileza e curiosidade ao inv\u00e9s de vergonha e culpa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Medo e avers\u00e3o corroem nossa rela\u00e7\u00e3o com todas as coisas. Compaix\u00e3o \u00e9 o in\u00edcio de uma amizade com aquilo que previamente era rejeitado. Ao inv\u00e9s de ficar perdido nos extremos do empenho neur\u00f3tico de superar o estresse, ou de ser subjugado por ele, a compaix\u00e3o come\u00e7a com a descoberta da capacidade de \u201cestar com\u201d; de manter equil\u00edbrio e estabilidade em face da adversidade. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o com gentileza, calidez e conex\u00e3o. O processo de cura n\u00e3o implica necessariamente no desaparecimento ou na fixa\u00e7\u00e3o da dor \u2013 a cura \u00e9, via de regra, o relaxamento e dissolu\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia e avers\u00e3o que nos mant\u00eam presos em padr\u00f5es de medo e aliena\u00e7\u00e3o. A cura foi descrita por Jon Kabat-Zinn como \u201co fazer as pazes com as coisas como realmente s\u00e3o\u201d (Kabat-Zinn 2005). \u00c9 dizer, se relacionar com o sofrimento com equanimidade e compaix\u00e3o \u00e9 parte do processo de cura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maior parte dos desequil\u00edbrios emocionais s\u00e3o marcados por padr\u00f5es de pensamento e comportamento que, ainda que de determinado \u00e2ngulo sejam compreens\u00edveis, de outro agravam e sustentam o desequil\u00edbrio. Por exemplo, na depress\u00e3o, os pensamentos negativos podem ser uma tentativa de extrair sentido da experi\u00eancia e de se proteger de novas experi\u00eancias aversivas (Aldao, Nolen-Hoeksema e Schweizer 2010; Kuyken, Watkins e Beck 2005). Quando do seu epis\u00f3dio de depress\u00e3o mais recente, Dawn estava t\u00e3o amedrontada que tentou negar a si mesma o que estava acontecendo, trabalhando mais intensamente de modo a afastar a possibilidade de ser criticada pelos colegas, o que ela tanto temia. O sentimento de estar diante das Cataratas do Ni\u00e1gara era recebido com nega\u00e7\u00e3o: \u201c<em>se apenas eu remar mais intensamente, talvez eu consiga me livrar desta situa\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d (ver Figura 1). Em nenhuma ocasi\u00e3o, a oportunidade e espa\u00e7o para uma resposta compassiva ou a\u00e7\u00e3o h\u00e1bil foi diminu\u00edda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora que Dawn se encontra deprimida e de folga do emprego, ela se v\u00ea cercada dos seguintes pensamentos \u201c<em>Eu sou incapaz no meu trabalho<\/em>\u201d e \u201c<em>meus colegas n\u00e3o gostam de mim<\/em>\u201d. Ela chega a n\u00e3o voltar ao trabalho na inten\u00e7\u00e3o de evitar o que ela acredita ser uma situa\u00e7\u00e3o intrat\u00e1vel. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para Dawn se perguntar se estes pensamentos s\u00e3o baseados na realidade ou se a sua rea\u00e7\u00e3o provavelmente ir\u00e1 agravar a sua depress\u00e3o ou fazer parte do processo de cura. Estes pensamentos e cen\u00e1rios come\u00e7am a surgir em uma diversidade de situa\u00e7\u00f5es, criando uma ansiedade incapacitante com a qual ela procura lidar atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de comportamentos que buscam seguran\u00e7a. Paradoxalmente, estes mesmos comportamentos de seguran\u00e7a podem agravar e sustentar a ansiedade. A avers\u00e3o de Dawn ao contato social \u00e9 destinada a protege-la da temida possibilidade de cr\u00edticas e rejei\u00e7\u00e3o. No entanto, esta avers\u00e3o afasta as oportunidades destes medos serem desconfirmados ou de surgir nutri\u00e7\u00e3o emocional a partir do contato social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/post9.jpg\" alt=\"\" width=\"360\" height=\"522\"><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Figura 1<\/strong> a analogia das Cataratas do Ni\u00e1gara com a reca\u00edda depressiva<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trazer aten\u00e7\u00e3o e compaix\u00e3o para estes sentimentos, pensamentos e comportamentos \u00e9 um primeiro passo na dire\u00e7\u00e3o da sa\u00edda desta reatividade e na da possibilidade de rea\u00e7\u00f5es mais habilidosas. Quando encontramos pessoas com hist\u00f3ricos de depress\u00e3o que foram encaminhadas para terapia cognitiva baseada em mindfulness (MBCT) de nossa abordagem, n\u00f3s explicamos o processo com base na met\u00e1fora das Cataratas do Ni\u00e1gara (Figura 1). N\u00f3s apontamos que o aprendizado de mindfulness permite \u00e0s pessoas perceberem a reatividade de suas mentes e a sa\u00edda dos padr\u00f5es habituais que inevitavelmente criam mais sofrimento. Elas podem se atentar ao som das cataratas ao longe, da \u00e1gua batendo nas rochas, do movimento do ar, e ent\u00e3o ancorarem-se no momento presente e escolher reagir de modo diferente. De maneiras sutis, mas profundas, o abandono da reatividade permite \u00e0 pessoa escolher um curso diferente, na dire\u00e7\u00e3o, por exemplo, de uma margem ou afluente. Com o tempo, elas at\u00e9 conseguir\u00e3o perceber todo o padr\u00e3o de reatividade como uma fabrica\u00e7\u00e3o de suas mentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Novamente, a teoria e pesquisa psicol\u00f3gica sobre compaix\u00e3o no processo de cura ainda est\u00e1 dando seus primeiros passos. No entanto, ainda que isto n\u00e3o ofere\u00e7a nada conclusivo, todos os estudos examinando a rela\u00e7\u00e3o entre compaix\u00e3o e construtos psicol\u00f3gicos sugere que a compaix\u00e3o est\u00e1 positivamente associada ao bem-estar e negativamente associada ao estresse (Fredrickson e Losada 2005; Fredrickson et al. 2008; Gilbert e Irons 2004a; Goetz et al. 2010; Kelly, Zuroff e Shapira 2009; Lutz et al. 2008; Neff 2003a, 2003b). \u00c9 muito cedo para dizer que ela est\u00e1 envolvida no <em>processo<\/em> de cura, mas n\u00f3s estabeleceremos abaixo um modelo de como a compaix\u00e3o \u00e9, no m\u00ednimo, parte da cura.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">\n\u00c9 poss\u00edvel cultivar compaix\u00e3o?<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maior parte das pessoas j\u00e1 viveu momentos de compaix\u00e3o natural e resoluta quando o cora\u00e7\u00e3o sofre em face do sofrimento, dor e desamparo. Imagens de crian\u00e7as sofrendo com a fome, pessoas expostas \u00e0 terr\u00edveis injusti\u00e7as, idosos lutando para atravessar uma rua movimentada, uma mulher exausta por carregar nos bra\u00e7os o pai ou a m\u00e3e idosa. Todas estas situa\u00e7\u00f5es evocam um desejo natural de se posicionar e alcan\u00e7ar o outro no meio de sua dor. Estes s\u00e3o momentos preciosos onde a divis\u00e3o entre um e eu e outros se flexibiliza, a narrativa de culpa e rancor se dissolve e habitamos, mesmo que por uns breves instantes, um mundo preenchido de gentileza e compaix\u00e3o. Muito frequentemente estes momentos preciosos s\u00e3o varridos de nosso campo mental pela ocupa\u00e7\u00e3o de nossas mentes e nos vemos rapidamente em territ\u00f3rio de agita\u00e7\u00e3o, culpa ou distra\u00e7\u00e3o outra vez. As tradi\u00e7\u00f5es meditativas de diferentes caminhos espirituais nos encorajam a cultivar uma forma de enxergar na qual estes lampejos de compaix\u00e3o n\u00e3o sejam deixados por conta do mero acaso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas tradi\u00e7\u00f5es espirituais apontam que momentos de compaix\u00e3o n\u00e3o precisar ser apenas acidentes fortuitos ou mist\u00e9rios. N\u00f3s n\u00e3o conseguimos nos for\u00e7ar a ser compassivos, no entanto todas as grandes tradi\u00e7\u00f5es espirituais afirmam que seguramente podemos aprender a nos inclinar na dire\u00e7\u00e3o de um cora\u00e7\u00e3o\/mente mais compassivo. A compaix\u00e3o, nestas tradi\u00e7\u00f5es, \u00e9 comparada a uma arte como qualquer outra, que \u00e9 desenvolvida a partir de uma pr\u00e1tica constante e dedicada. \u00c9 uma reeduca\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, um aprendizado do que significa preservar-se com gentileza e presen\u00e7a em meio ao sofrimento. Pesquisadores examinando aqueles que cultivaram autocompaix\u00e3o atrav\u00e9s das tradi\u00e7\u00f5es meditativas descobriram que o c\u00e9rebro passa a constituir novos caminhos neurais associados com a pr\u00e1tica sustentada de mindfulness (Lutz et al. 2008). \u00c9 uma desconstru\u00e7\u00e3o dos h\u00e1bitos de avers\u00e3o atrav\u00e9s do retorno cont\u00ednuo \u00e0 realidade da dor do momento com gentileza. N\u00f3s n\u00e3o podemos escolher se vamos ou n\u00e3o encontrar dor e sofrimento em nossas vidas, n\u00e3o podemos escolher se vamos ou n\u00e3o ser participantes da vida de nosso corpo e mente \u2013 s\u00f3 podemos escolher como vamos nos relacionar com estes encontros e a forma que participaremos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abordagens baseadas em mindfulness diante de problemas de sa\u00fade e depress\u00e3o cr\u00f4nicos cultivam este tipo de orienta\u00e7\u00e3o na mente e cora\u00e7\u00e3o (Kabat-Zinn 1990; Segal, Williams e Teasdale 2002). Nos est\u00e1gios iniciais do curso que usa o corpo como o foco da aten\u00e7\u00e3o, os participantes aprendem a desenvolver aten\u00e7\u00e3o sustentada e a trabalhar com o surgimento inevit\u00e1vel de apego e avers\u00e3o. Quando eles encontram dor, s\u00e3o encorajados \u00e0 receber esta dor com gentileza, empatia, equanimidade, aceita\u00e7\u00e3o e paci\u00eancia \u2013 como que estendendo um tapete de boas-vindas \u2013 da melhor forma poss\u00edvel. Como a MBSR e a MBCT s\u00e3o interven\u00e7\u00f5es baseadas em grupos, os participantes veem os outros experimentando tipos similares de dor, julgamento e desafio. O reconhecimento de que aquilo que o sujeito acreditava ser intimamente pessoal e \u00fanico tamb\u00e9m \u00e9 experienciado por outras pessoas ajuda a cultivar uma sensa\u00e7\u00e3o profunda quanto \u00e0 universalidade da dor e do sofrimento \u2013 como n\u00e3o estamos sozinhos nestas experi\u00eancias. Dawn se viu diante de dores na mand\u00edbula e no pesco\u00e7o durante uma sess\u00e3o de escaneamento do seu corpo e reconheceu o ciclo de avers\u00e3o e julgamento que, compreensivelmente, \u00e9 engatilhado de imediato nestas circunst\u00e2ncias (\u201cisto s\u00f3 est\u00e1 piorando\u201d; \u201ca dor \u00e9 insuport\u00e1vel\u201d). Durante as primeiras semanas, Dawn pode observar que esta segunda camada de sofrimento trazia uma maior contra\u00e7\u00e3o para seu corpo, e que esta tens\u00e3o em sua mand\u00edbula poderia rapidamente se espalhar pela sua cabe\u00e7a e engatilhar o in\u00edcio de uma enxaqueca. Foi necess\u00e1rio coragem e paci\u00eancia, mas com o tempo a gera\u00e7\u00e3o de compaix\u00e3o para as primeiras sess\u00f5es de dor na mand\u00edbula gerou condi\u00e7\u00f5es para um amolecimento e abertura que romperam com o ciclo que levava \u00e0 segunda camada de sofrimento. Posteriormente no curso, ela foi capaz de aplicar esta mesma aten\u00e7\u00e3o e compaix\u00e3o \u00e0 pensamentos de autocr\u00edtica e sensa\u00e7\u00f5es de vergonha associados com sensa\u00e7\u00f5es corporais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo que o cultivo de autocompaix\u00e3o em abordagens baseadas em mindfulness n\u00e3o seja muitas vezes direto \u2013 isto \u00e9, n\u00e3o h\u00e1 uma \u00eanfase expl\u00edcita em bondade amorosa ou compaix\u00e3o atrav\u00e9s das medita\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de cultivo destas qualidades \u2013 \u00e9 curioso observar que o treino e orienta\u00e7\u00e3o de oito semanas do programa de mindfulness faz surgir compaix\u00e3o de qualquer jeito. H\u00e1 pesquisas sugerindo que n\u00e3o s\u00f3 as interven\u00e7\u00f5es baseadas em mindfulness geram autocompaix\u00e3o, mesmo na aus\u00eancia de medita\u00e7\u00f5es explicitamente voltadas para a compaix\u00e3o, como ainda s\u00e3o eficazes no al\u00edvio do sofrimento em parte <em>porque<\/em> elas fazem gerar compaix\u00e3o (Kuyken et al. 2010).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00e1rias outras terapias psicol\u00f3gicas tamb\u00e9m miram no cultivo de compaix\u00e3o, seja expl\u00edcita ou implicitamente. Conforme j\u00e1 indicado, Gilbert demonstrou que a depress\u00e3o \u00e9 caracterizada por autocr\u00edtica e vergonha. Resultados preliminares de um programa no qual os terapeutas trabalham diretamente com seus pacientes no cultivo de auto-gentileza, auto-cuidado e aceita\u00e7\u00e3o t\u00eam demonstrado que esta abordagem \u00e9 tanto aceit\u00e1vel como eficaz, ao menos com alguns destes pacientes (Gilbert e Irons 2004b; Gilbert e Procter 2006).<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">\nO panorama do sofrimento<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na psicologia Budista, o panorama do sofrimento, seja a n\u00edvel f\u00edsico ou psicol\u00f3gico, \u00e9 as vezes explicado a partir da analogia das duas flechas. Nesta analogia, conta-se sobre a experi\u00eancia de uma pessoa atingida por uma flecha, o que causa uma sensa\u00e7\u00e3o inicial de dor. \u00c9 uma dor que seria experimentada por qualquer um na mesma situa\u00e7\u00e3o. A situa\u00e7\u00e3o prossegue, no que \u00e9 descrita a <em>rea\u00e7\u00e3o<\/em> da pessoa \u00e0 dor, e como uma pessoa \u201cignorante, inconsciente\u201d (\u00e9 dizer, sem qualidades de aten\u00e7\u00e3o \u2013 <em>mindfulness<\/em>) iria lamentar seu destino, se recusando a remover a flecha at\u00e9 que fique claro de onde ela veio, quem atirou, do que ela \u00e9 feita e porque ela foi atirada em primeiro lugar. Como consequ\u00eancia, a pessoa cai em desespero e ang\u00fastia, resistindo \u00e0 experi\u00eancia como um todo, se culpando ou culpando outros e por fim definhando na pr\u00f3pria dor. Tal rea\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira flechada adiciona toda uma nova camada de dor que apenas potencializa a experi\u00eancia inicial de sofrimento. O ponto importante aqui \u00e9 que esta camada de dor adicional \u00e9 opcional. A analogia est\u00e1 apontando para o fato de que em um modelo de comportamento reativo como esse, a pessoa est\u00e1 experimentando dois n\u00edveis de sofrimento \u2013 a dor inicial da primeira flecha e o sofrimento emocional advindo da rea\u00e7\u00e3o (a segunda flecha).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dawn descreve de maneira pungente este sofrimento adicional. Sua dificuldade em sair da cama, a letargia advinda de sua depress\u00e3o (a primeira flecha) era eventualmente recebida com autocr\u00edtica e culpabiliza\u00e7\u00e3o (a segunda flecha), que ent\u00e3o agravava e sustentava a depress\u00e3o. Ela descreveu vividamente tanto o medo e a avers\u00e3o que surgiam dentro dela, rea\u00e7\u00f5es humanas, habituais e totalmente compreens\u00edveis \u00e0 dor. As rea\u00e7\u00f5es variavam de desgosto, para resist\u00eancia, torpor, agress\u00e3o, julgamento e culpa. Em sua depress\u00e3o, os pensamentos recorrentes de fracasso pessoal, inadequa\u00e7\u00e3o e inutilidade simplesmente refor\u00e7avam a avers\u00e3o. Isto invariavelmente n\u00e3o s\u00f3 adicionava na dor inicial, tornando sua depress\u00e3o mais profunda, como, de modo mais significativo, paralisava a capacidade de Dawn de reagir com qualquer n\u00edvel de gentileza e criatividade diante das sensa\u00e7\u00f5es dolorosas de tristeza e desencanto. Dawn se viu, de fato, se amigando da depress\u00e3o ao inv\u00e9s de refor\u00e7ar o seu poder sobre ela, quando a \u201cagredia\u201d com culpa e julgamento. O lampejo de esperan\u00e7a que ela estava come\u00e7ando a experimentar tamb\u00e9m foi um primeiro sabor de aceita\u00e7\u00e3o da sua situa\u00e7\u00e3o com consci\u00eancia e autocompaix\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe um antigo dito grego que diz que as \u00fanicas pessoas que merecem compaix\u00e3o s\u00e3o aquelas que n\u00e3o merecem o seu sofrimento. A aus\u00eancia de uma valoriza\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3prio combinada com padr\u00f5es de h\u00e1bito de avers\u00e3o e culpa convence muitas pessoas de que o seu sofrimento \u00e9 culpa delas mesmas e um sinal de fracasso e inadequa\u00e7\u00e3o pessoais. Para Dawn, ter tirado uma folga do seu servi\u00e7o criou um v\u00e1cuo em sua mente que foi preenchido com culpabiliza\u00e7\u00e3o (\u201c<em>falhei outra vez, isto prova que eu n\u00e3o presto para meu trabalho e s\u00f3 decepciono os meus colegas<\/em>\u201d). Pensamentos assim n\u00e3o deixavam Dawn atender o telefone ou sair de casa, criando um terreno f\u00e9rtil para rumina\u00e7\u00e3o, um padr\u00e3o de absor\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3prios sentimentos, que culmina em uma tentativa sem fim e improdutiva de resolu\u00e7\u00e3o. \u201c<em>Se apenas eu conseguisse descobrir o que deu errado<\/em>\u201d. Isto reificava e solidificava sua experi\u00eancia, acabando com a possibilidade de o sofrimento ser recebido com compaix\u00e3o. Em sua analogia das Cataratas do Ni\u00e1gara, ela apenas se encolhia e esperava a inevit\u00e1vel queda no abismo das Cataratas (Figura 1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cultivo da autocompaix\u00e3o inclui um reexame e investiga\u00e7\u00e3o das principais cren\u00e7as do sujeito quanto \u00e0 sua pr\u00f3pria indignidade, repugn\u00e2ncia e imperfei\u00e7\u00e3o, que alimentam ciclos cont\u00ednuos de auto-rejei\u00e7\u00e3o e auto-condena\u00e7\u00e3o. Autocompaix\u00e3o envolve o aprendizado de se envolver, aproximar, investigar e destrinchar sistemas de cren\u00e7as basilares que foram absorvidos de outros ou constru\u00eddos nas funda\u00e7\u00f5es da experi\u00eancia pessoal de fracasso ou rejei\u00e7\u00e3o. O h\u00e1bito de julgar a si pr\u00f3prio com dureza apenas serve para continuamente refor\u00e7ar sensa\u00e7\u00f5es de inadequa\u00e7\u00e3o, desamparo e ansiedade, enfraquecendo a capacidade natural de aceita\u00e7\u00e3o, generosidade e compaix\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A autocompaix\u00e3o est\u00e1 vinculada \u00e0 ressignifica\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria narrativa. Ao inv\u00e9s de ansiedade, depress\u00e3o ou obsess\u00e3o serem encaradas como fracassos ou inadequa\u00e7\u00f5es pessoais, elas s\u00e3o vistas simplesmente como sofrimento, fazendo gerar a mesma compaix\u00e3o que ir\u00edamos ter diante de qualquer outra pessoa passando por esta experi\u00eancia. Gradualmente, vamos descobrindo que afli\u00e7\u00f5es emocionais podem ser acolhidas com gentileza e generosidade, perd\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o. Esta profunda mudan\u00e7a na rela\u00e7\u00e3o do sujeito com seu sofrimento come\u00e7a a transformar a vis\u00e3o de inadequa\u00e7\u00e3o e fracasso que \u00e9 subjacente ao fluxo aparentemente infinito de pensamentos aversivos que constituem a rumina\u00e7\u00e3o depressiva. A compaix\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas uma emo\u00e7\u00e3o agrad\u00e1vel. \u00c9 uma transforma\u00e7\u00e3o radical de nossa vis\u00e3o do sofrimento e do \u201cself\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dawn fala da transi\u00e7\u00e3o emocional que ela come\u00e7ou a fazer da culpa para a aceita\u00e7\u00e3o: \u201cEra quase tranquilo para mim estar deprimida e eu comecei a me nutrir de pequenas formas\u201d. A depress\u00e3o, ao inv\u00e9s de ser tomada como inimiga se tornou o panorama a partir do qual ela come\u00e7ou a cultivar maneiras de nutrir seu pr\u00f3prio bem-estar. Foi uma transi\u00e7\u00e3o da desesperan\u00e7a e desespero, que s\u00e3o elementares \u00e0 depress\u00e3o, para uma sensa\u00e7\u00e3o de maior engajamento e possibilidade de reagir dentro de uma gama de respostas nutritivas e salubres. A primeira flecha passou a ser investigada e examinada. Dawn conseguiu enxergar seus pensamentos negativos como emergentes de um estado emocional depressivo. Ao inv\u00e9s da depress\u00e3o ser tomada como um atestado de fracasso pessoal, e recebida com culpa e avers\u00e3o, ela se tornou uma experi\u00eancia que passou a ser recebida com gentileza e curiosidade. Atrav\u00e9s da mindfulness, ela come\u00e7ou a enxergar os pensamentos enquanto pensamentos, rompendo com o ciclo t\u00f3xico que ocorre quando os pensamentos depressivos s\u00e3o investidos de uma autoridade que somente refor\u00e7a e aprofunda a depress\u00e3o. Os pensamentos n\u00e3o mais ditavam as suas a\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es. Gwyneth Lewis escreveu sobre esta transi\u00e7\u00e3o radical em sua experi\u00eancia com a depress\u00e3o em seu relato autobiogr\u00e1fico da depress\u00e3o, <em>Sunbathing in the Rain<\/em> [tomando sol em tempos de chuva] (Lewis 2002). Quando ela finalmente parou de tentar escapar dos pensamentos e sensa\u00e7\u00f5es negativos (a chuva [em ingl\u00eas, <em>rain<\/em>]), ela foi capaz e apreciar a possibilidade de estar plenamente presente em sua experi\u00eancia, estivesse ou n\u00e3o chovendo. Isto abriu a possibilidade de ela se envolver com os pensamentos e sensa\u00e7\u00f5es negativos com interesse, cuidado e curiosidade. Esta transi\u00e7\u00e3o aparentemente sutil de rela\u00e7\u00e3o com o mundo interno acabou sendo tudo menos pequena, permitindo a ela que aprendesse com sua depress\u00e3o e fizesse as mudan\u00e7as necess\u00e1rias em sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante do sofrimento, esta transi\u00e7\u00e3o de avers\u00e3o para benevol\u00eancia, amizade e aceita\u00e7\u00e3o \u00e9 a transi\u00e7\u00e3o emocional e psicol\u00f3gica mais radical que uma pessoa pode realizar. \u00c9 a transi\u00e7\u00e3o, catalisada pela mindfulness, de v\u00edtima indefesa e sofrida sob jugo da depress\u00e3o para participante no processo de cura. Estes primeiros passos na dire\u00e7\u00e3o da compreens\u00e3o do panorama do sofrimento tamb\u00e9m s\u00e3o os primeiros passos na dire\u00e7\u00e3o do panorama da compaix\u00e3o. Gwyneth Lewis escreve sobre as mudan\u00e7as que realizou em sua vida, incluindo n\u00e3o retornar ao mesmo emprego que vinha sendo degradante, e buscar trabalhos e interesses que eram gratificantes e nutritivos. A leitura do livro de Gwyneth Lewis foi \u00fatil para Dawn enxergar que ela podia se amigar da depress\u00e3o. Dawn teve a felicidade de ter um chefe que a apoiou. Ela retornou gradualmente ao trabalho e foi capaz de enxergar pela primeira vez que muitos dos pensamentos negativos e desagrad\u00e1veis que ela nutria sobre si mesma e os colegas eram artefatos da depress\u00e3o, ao inv\u00e9s de descri\u00e7\u00f5es exatas da realidade. Com o tempo, Dawn se deu conta que mais ou menos como nas Cataratas do Ni\u00e1gara, turbul\u00eancia de pensamentos e emo\u00e7\u00f5es exigem um n\u00edvel de aten\u00e7\u00e3o somada a sabedoria. Ignorar os tempos de mau humor ou pensamentos negativos e simplesmente \u201cremar mais\u201d contribu\u00edam pouco diante da aparente inevitabilidade de ser dragada pelas Cataratas. Do contr\u00e1rio, aprender a se envolver com os sons das Cataratas ao longe, com os torvelinhos na \u00e1gua e a bruma em sua pele permitiu \u00e0 Dawn que se relacionasse com a situa\u00e7\u00e3o da seguinte forma: \u201c<em>Nestas horas, eu precisava cuidar de mim mesma, assegurar que eu continuasse a me exercitar e repousar \u2013 talvez conversar com meu chefe. Eu s\u00f3 precisava remar na dire\u00e7\u00e3o de um afluente que me levasse para um outro rio, distante do que parecia ir na dire\u00e7\u00e3o de uma queda inevit\u00e1vel nas Cataratas do Ni\u00e1gara<\/em>\u201d.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">\nO cultivo da compaix\u00e3o<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os blocos de funda\u00e7\u00e3o da compaix\u00e3o est\u00e3o entrela\u00e7ados nas interven\u00e7\u00f5es baseadas em mindfulness. Aten\u00e7\u00e3o intencional \u00e9 cultivada nas tr\u00eas primeiras sess\u00f5es a partir do uso de uma gama de pr\u00e1ticas centrais no mindfulness \u2013 o escaneamento do corpo, o movimento atento (alongamento e caminhada) e mindfulness perante a respira\u00e7\u00e3o. Essas pr\u00e1ticas, al\u00e9m de desenvolverem nosso \u201cm\u00fasculo atencional\u201d, tornam evidentes nossos padr\u00f5es de pensamentos impulsivos e habituais, e a avers\u00e3o associada \u00e0 estes estados mentais e julgamentos negativos. Com a mindfulness, adquirimos uma habilidade crescente de esvaziar a autoridade das autocr\u00edticas e culpabiliza\u00e7\u00f5es, que apenas servem de combust\u00edvel para o pensamento depressivo, e enxergamos o que acontece quando n\u00f3s intencionalmente sa\u00edmos dos padr\u00f5es habituais de pensamento. Os clientes desenvolvem uma capacidade de maior aten\u00e7\u00e3o diante da respira\u00e7\u00e3o e do movimento corporal, cultivando presen\u00e7a no momento presente e uma maior consci\u00eancia sensorial. O calend\u00e1rio de acontecimentos agrad\u00e1veis que os pacientes preenchem em sua segunda semana demonstram uma capacidade oculta ou n\u00e3o reconhecida de aprecia\u00e7\u00e3o e conex\u00e3o com um mundo que n\u00e3o \u00e9 obscurecido pela sombra da depress\u00e3o. A cont\u00ednua \u00eanfase na curiosidade, gentileza e amabilidade desenvolve uma habilidade e uma funda\u00e7\u00e3o postural que pode ser recorrida no caso do surgimento de acontecimentos desagrad\u00e1veis, internos e externos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na segunda metade do curso, a mindfulness e a compaix\u00e3o s\u00e3o empregadas nas marcas espec\u00edficas de cada reca\u00edda depressiva da pessoa, de modo que ela seja capaz de gerar respostas habilidosas aos sinais de alerta iniciais de futuras reca\u00eddas. Por fim, as sess\u00f5es de investiga\u00e7\u00e3o em grupo constru\u00eddas com base nas interven\u00e7\u00f5es baseadas em mindfulness revelam para cada participante que a depress\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um fracasso pessoal, mas uma afli\u00e7\u00e3o que atinge muitos seres humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na psicologia budista se diz que \u201ca mente \u00e9 o precursor de todas as coisas\u201d. Quando a mente \u00e9 modelada pela depress\u00e3o, a depress\u00e3o se torna o precursor de todas as coisas, incluindo da pr\u00f3pria imagem, percep\u00e7\u00e3o e comportamento. Todos os passos do programa de oito semanas da MBCT s\u00e3o desenhados para gerar transforma\u00e7\u00f5es cognitivas, uma mudan\u00e7a na vis\u00e3o e compreens\u00e3o de si mesmo, que por sua vez transforma os processos mentais, h\u00e1bitos e comportamentos (Segal et al. 2002). Do mesmo modo, na psicologia Budista se diz que a mente existe em um estado de potencialidade, sendo modelada e consolidada por estados mentais, inten\u00e7\u00f5es, h\u00e1bitos, pensamentos e por qualquer coisa que seja identificada no momento (Feldman 1998).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos programas de MBCT, os clientes atravessam v\u00e1rios passos: aprender a colocar aten\u00e7\u00e3o sobre a mente e seus padr\u00f5es, instaurar gentileza e uma atitude de amabilidade ao inv\u00e9s de julgamento e resist\u00eancia e realizar a liberdade inata da mente perante \u00e0 fixidez em padr\u00f5es de h\u00e1bito que perpetuam o sofrimento. Isto d\u00e1 uma forma ao sofrimento, abre espa\u00e7o para di\u00e1logo com ele e oferece uma via alternativa para reagir \u00e0 dor e para curar o sofrimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A compaix\u00e3o n\u00e3o tem outra dire\u00e7\u00e3o sen\u00e3o a cura do sofrimento. A compaix\u00e3o tende a ser um territ\u00f3rio estrangeiro para muitas pessoas com hist\u00f3rico de depress\u00e3o. \u00c9 uma habilidade que pode ser aprendida, e \u00e9 acompanhada de uma postura que pode ser adotada ao mesmo tempo. Existem tr\u00eas mudan\u00e7as cognitivas importantes que ocorrem quando tentamos desenvolver as habilidades de mindfulness que permitem \u00e0 pessoa transitar da avers\u00e3o para a compaix\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A primeira mudan\u00e7a \u00e9 o cultivo de mindfulness \u2013 aprender a se relacionar com o pensamento e o comportamento depressivo com gentileza ao inv\u00e9s de culpa, e praticar isto vez ap\u00f3s vez. \u00c9 a capacidade de se perguntar \u201co que isso exige?\u201d ao inv\u00e9s de \u201ccomo eu me livro disso?\u201d. \u00c9 o come\u00e7o da compreens\u00e3o de que a depress\u00e3o \u00e9 uma afli\u00e7\u00e3o t\u00e3o digna de compaix\u00e3o como a doen\u00e7a ou dor f\u00edsica cr\u00f4nicas. Conforme Dawn descobriu em sua jornada para fora da depress\u00e3o, aquilo que cultivamos em nossas mentes e em nossas vidas \u00e9 uma escolha. E \u00e9 uma escolha que s\u00f3 pode ser feita quando estamos atentos, <em>mindful<\/em>, perante nossas mentes e nossas vidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda mudan\u00e7a \u00e9 a capacidade de encarar um pensamento enquanto um pensamento, uma emo\u00e7\u00e3o enquanto uma emo\u00e7\u00e3o, um h\u00e1bito enquanto um h\u00e1bito e come\u00e7ar a retirar o \u201ceu\u201d do processo. Aprender que as afli\u00e7\u00f5es podem ser toleradas ou amigadas ao inv\u00e9s de temidas \u00e9 a raiz da confian\u00e7a interior, uma qualidade notavelmente ausente do pensamento depressivo. \u00c9 uma transi\u00e7\u00e3o profunda ser capaz de reconhecer a tristeza, o medo, a solid\u00e3o e a d\u00favida como eventos impessoais que simplesmente se desdobram no presente momento a n\u00edvel da consci\u00eancia e n\u00e3o os encarar como atestados pessoais vinculados ao \u201ceu\u201d, como que dizendo \u201ceu sou triste, solit\u00e1rio e amedrontado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A terceira mudan\u00e7a \u00e9 um relaxamento da preocupa\u00e7\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o consigo mesmo atrav\u00e9s da mindfulness, que inevitavelmente favorece uma crescente consci\u00eancia perante a universalidade do sofrimento e afli\u00e7\u00e3o humana. Durante as sess\u00f5es de conversa em grupo, as pessoas ouvem e falam umas com as outras, e come\u00e7am a perceber e ver a si mesmas refletidas nos olhos, vidas e cora\u00e7\u00f5es dos outros participantes. Ao mesmo tempo, como parte tanto da pr\u00e1tica de medita\u00e7\u00e3o como das conversas em sala, elas est\u00e3o investigando profundamente a natureza de sua pr\u00f3pria experi\u00eancia e da dos outros. Aprender a escutar o outro sem culpa-lo, mas com carinho e cuidado \u00e9 uma habilidade que nos ilumina quanto a como n\u00f3s mesmos nos escutamos. Pessoas envolvidas em classes de mindfulness ofereceram relatos quanto \u00e0 como estes processos em grupo foram aspectos chave que os ajudaram a mudar (Allen et al. 2009).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas pr\u00e1ticas de mindfulness, uma gama de m\u00e9todos para desenvolver compaix\u00e3o s\u00e3o delineados, baseados em habilidades b\u00e1sicas de escuta atenta e receptiva, n\u00e3o-identifica\u00e7\u00e3o, empatia e toler\u00e2ncia ao estresse. A compaix\u00e3o tamb\u00e9m contempla o reconhecimento que nosso desejo de se livrar da dor e da afli\u00e7\u00e3o \u00e9 uma \u00e2nsia compartilhada por todos os seres vivos. A compaix\u00e3o n\u00e3o tem hierarquia \u2013 as afli\u00e7\u00f5es da mente s\u00e3o t\u00e3o dignas de aten\u00e7\u00e3o como as afli\u00e7\u00f5es do corpo; s\u00e3o as ang\u00fastias e derrotas parte de toda a vida humana. Todas s\u00e3o dignas de compaix\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O papel do professor de mindfulness \u00e9 instrumental na capacidade de permitir aos participantes se envolver com seu sofrimento e cultivar compaix\u00e3o. O professor precisa acima de tudo ter desenvolvido atrav\u00e9s da pr\u00f3pria pr\u00e1tica de mindfulness a compaix\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua experi\u00eancia de vida. Este aprendizado experiencial \u00e9 um pr\u00e9-requisito para ensinar aos outros e \u00e9 experienciado pelos participantes na forma de um professor que \u201ccumpre o que prega\u201d. Esta encarna\u00e7\u00e3o das qualidades da compaix\u00e3o permeia a forma que as pr\u00e1ticas de mindfulness s\u00e3o ensinadas, o manejo das investiga\u00e7\u00f5es em grupo e individuais e a universalidade das experi\u00eancias que permeiam o grupo (Crane 2009; Crane et al. 2010).<\/p>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">\nConclus\u00e3o<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste artigo, n\u00f3s definimos compaix\u00e3o como a capacidade de receber a dor com gentileza, empatia, equanimidade e paci\u00eancia. Depress\u00e3o \u00e9 um panorama caracterizado pela avers\u00e3o, vis\u00f5es negativas e julgamento, o que paralisa a compaix\u00e3o. Quando a compaix\u00e3o \u00e9 cultivada, surge o relaxamento que permite a cura, acolhimento e uma s\u00e9rie de comportamentos habilidosos que ajudam a romper o padr\u00e3o de recorr\u00eancia depressiva e construir a resili\u00eancia da pessoa.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim das aulas de mindfulness, Dawn escreveu em seu formul\u00e1rio de feedback:<br \/>\n\u201c<em>Era como se minha mente tivesse criado um abismo de sofrimento, ensaiando todas as coisas negativas que haviam acontecido, se preocupando com o que poderia vir a acontecer, e distante da exist\u00eancia presente. Foi como se meu cora\u00e7\u00e3o tivesse oferecido um caminho para atravessar o abismo.<\/em>\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong><br \/>\nRefer\u00eancias<\/strong><br \/>\nALDAO, A., S. NOLEN-HOEKSEMA, e S. SCHWEIZER. 2010. Emotion-regulation strategies across psychopathology: A meta-analytic review. Clinical Psychology Review 30.<br \/>\nALLEN, M., A. BROMLEY, W. KUYKEN, e S. J. SONNENBERG. 2009. Participant\u2019s experiences of mindfulness-based cognitive therapy: \u2018It changed me in just about every way possible\u2019. Behavioural and Cognitive Psychotherapy 37: 413\u201330.<br \/>\nCRANE, R. 2009. Mindfulness-based cognitive therapy. London: Routledge.<br \/>\nCRANE, R., W. KUYKEN, R. P. HASTINGS, N. ROTHWELL, e J. M. G. WILLIAMS. 2010. Training teachers to deliver mindfulness-based interventions: Learning from the UK experience. Mindfulness : 74\u201386.<br \/>\nFELDMAN, C. 1998. Meditation plain and simple. London: Harper Collins.<br \/>\nFREDRICKSON, B. L., M. A. COHN, K. A. COFFEY, J. PEK, e S. M. FINKEL. 2008. Open hearts build lives: Positive emotions, induced through loving-kindness meditation, build consequential personal resources. Journal of Personality and Social Psychology 95: 1045\u201362.<br \/>\nFREDRICKSON, B. L., e M. F. LOSADA. 2005. Positive affect and the complex dynamics of human flourishing. American Psychologist 60: 678\u201386.<br \/>\nGILBERT, P. 1984. Depression: From Psychology to brain state. London: Lawrence Erlbaum Associates.<br \/>\nGILBERT, P. 2000. The relationship of shame, social anxiety and depression: The role of the evaluation of social rank. Clinical Psychology &amp; Psychotherapy 7: 174\u201389.<br \/>\nGILBERT, P. 2009. The compassionate mind. London: Constable.<br \/>\nGILBERT, P., e C. IRONS. 2004a. A pilot exploration of the use of compassionate images in a group of self-critical people. Memory 12: 507\u201316.<br \/>\nGILBERT, P., e C. IRONS. 2004b. A pilot exploration of the use of compassionate images in a group of self-critical people. Memory 12: 507\u201316.<br \/>\nGILBERT, P., e S. PROCTER. 2006. Compassionate mind training for people with high shame and self-criticism: Overview and pilot study of a group therapy approach. Clinical Psychology &amp; Psychotherapy 13: 353\u201379.<br \/>\nGOETZ, J. L., D. KELTNER, e E. SIMON-THOMAS. 2010. Compassion: An evolutionary analysis and empirical review. Psychological Bulletin 136: 351\u201374.<br \/>\nHUTCHERSON, C. A., E. M. SEPPALA, e J. J. GROSS. 2008. Loving-kindness meditation increases social connectedness. Emotion 8: 720\u20134.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">KABAT-ZINN, J. 1990. Full catastrophe living: How to cope with stress, pain and illness using mindfulness meditation. New York: Delacorte.<br \/>\nKABAT-ZINN, J. 2005. Coming to our senses: Healing ourselves and the world through mindfulness. London: Piatkus Books.<br \/>\nKELLY, A. C., D. C. ZUROFF, e L. B. SHAPIRA. 2009. Soothing oneself and resisting self attacks: The treatment of two intrapersonal deficits in depression vulnerability. Cognitive Therapy and Research 33: 301\u201313.<br \/>\nKUYKEN, W., E. WATKINS, e A. T. BECK. 2005. Cognitive-behavior therapy for mood disorders. In Psychotherapy in psychiatric disorders, ed. G. Gabbard, J. S. Beck, e J. Holmes, 113\u201328. Oxford: Oxford University Press.<br \/>\nKUYKEN, W., E. R. WATKINS, E. R. HOLDEN, K. WHITE, R. S. TAYLOR, S. BYFORD, S. EVANS, A. RADFORD, J. D. TEASDALE, e T. DALGLEISH. 2010. How does mindfulness-based cognitive therapy work? Behaviour Research and Therapy 48: 1105\u201312.<br \/>\nLEWIS, G. 2002. Sunbathing in the rain: A cheerful book about depression. London: Flamingo, Harper Collins.<br \/>\nLUTZ, A., J. BREFCZYNSKI-LEWIS, T. JOHNSTONE, e R. J. DAVIDSON. 2008. Regulation of the neural circuitry of emotion by compassion meditation: Effects of meditative expertise. PLoS ONE 3: e1897.<br \/>\nNEFF, K. D. 2003a. Self-compassion: An alternative conceptualization of a healthy attitude toward oneself. Self and Identity 2: 85\u2013101.<br \/>\nNEFF, K. D. 2003b. The development and validation of a scale to measure self compassion. Self and Identity 2: 223\u201350.<br \/>\nSEGAL, Z. V., J. M. G. WILLIAMS, e J. D. TEASDALE. 2002. Mindfulness-based cognitive therapy for depression: A new approach to preventing relapse. New York: Guilford Press.A<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>COMPAIX\u00c3O EM UM PANORAMA DE SOFRIMENTO Christina Feldman e Willem Kuyken Resumo. Neste artigo, investigamos a compaix\u00e3o e seu papel nas abordagens com base em &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">COMPAIX\u00c3O EM UM PANORAMA DE SOFRIMENTO &#8211; Feldman &#038; Kuyken<\/span> Leia mais \u00bb<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8673,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"","site-content-layout":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[39],"class_list":["post-8671","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-ciencia-das-emocoes"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v27.6.1 (Yoast SEO v27.2) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>COMPAIX\u00c3O EM UM PANORAMA DE SOFRIMENTO - Feldman &amp; Kuyken - Ci\u00eancia Contemplativa<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"COMPAIX\u00c3O EM UM PANORAMA DE SOFRIMENTO - Feldman &amp; Kuyken - Ci\u00eancia Contemplativa\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"COMPAIX\u00c3O EM UM PANORAMA DE SOFRIMENTO Christina Feldman e Willem Kuyken Resumo. Neste artigo, investigamos a compaix\u00e3o e seu papel nas abordagens com base em &hellip; COMPAIX\u00c3O EM UM PANORAMA DE SOFRIMENTO &#8211; Feldman &#038; Kuyken Leia mais \u00bb\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Ci\u00eancia Contemplativa\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2020-12-05T00:56:39+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"CienciaContemplativa\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"CienciaContemplativa\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"27 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/\"},\"author\":{\"name\":\"CienciaContemplativa\",\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#\/schema\/person\/5e027a517b89f2728c19310e08ce33b1\"},\"headline\":\"COMPAIX\u00c3O EM UM PANORAMA DE SOFRIMENTO &#8211; Feldman &#038; Kuyken\",\"datePublished\":\"2020-12-05T00:56:39+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/\"},\"wordCount\":6501,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"\",\"keywords\":[\"ci\u00eancia das emo\u00e7\u00f5es\"],\"articleSection\":[\"Artigos\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/\",\"url\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/\",\"name\":\"COMPAIX\u00c3O EM UM PANORAMA DE SOFRIMENTO - Feldman & Kuyken - Ci\u00eancia Contemplativa\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"\",\"datePublished\":\"2020-12-05T00:56:39+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/#primaryimage\",\"url\":\"\",\"contentUrl\":\"\"},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"COMPAIX\u00c3O EM UM PANORAMA DE SOFRIMENTO &#8211; Feldman &#038; Kuyken\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#website\",\"url\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/\",\"name\":\"Ci\u00eancia Contemplativa\",\"description\":\"Instituto de Ci&ecirc;ncias Contemplativas do Brasil\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#organization\",\"name\":\"Ci\u00eancia Contemplativa\",\"url\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/logo-icc-180x180-1.png\",\"contentUrl\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/logo-icc-180x180-1.png\",\"width\":178,\"height\":180,\"caption\":\"Ci\u00eancia Contemplativa\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#\/schema\/logo\/image\/\"}},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#\/schema\/person\/5e027a517b89f2728c19310e08ce33b1\",\"name\":\"CienciaContemplativa\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"CienciaContemplativa\"},\"url\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/author\/cienciacontemplativa\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO Premium plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"COMPAIX\u00c3O EM UM PANORAMA DE SOFRIMENTO - Feldman & Kuyken - Ci\u00eancia Contemplativa","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"COMPAIX\u00c3O EM UM PANORAMA DE SOFRIMENTO - Feldman & Kuyken - Ci\u00eancia Contemplativa","og_description":"COMPAIX\u00c3O EM UM PANORAMA DE SOFRIMENTO Christina Feldman e Willem Kuyken Resumo. Neste artigo, investigamos a compaix\u00e3o e seu papel nas abordagens com base em &hellip; COMPAIX\u00c3O EM UM PANORAMA DE SOFRIMENTO &#8211; Feldman &#038; Kuyken Leia mais \u00bb","og_url":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/","og_site_name":"Ci\u00eancia Contemplativa","article_published_time":"2020-12-05T00:56:39+00:00","author":"CienciaContemplativa","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"CienciaContemplativa","Tempo estimado de leitura":"27 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/"},"author":{"name":"CienciaContemplativa","@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#\/schema\/person\/5e027a517b89f2728c19310e08ce33b1"},"headline":"COMPAIX\u00c3O EM UM PANORAMA DE SOFRIMENTO &#8211; Feldman &#038; Kuyken","datePublished":"2020-12-05T00:56:39+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/"},"wordCount":6501,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"","keywords":["ci\u00eancia das emo\u00e7\u00f5es"],"articleSection":["Artigos"],"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/","url":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/","name":"COMPAIX\u00c3O EM UM PANORAMA DE SOFRIMENTO - Feldman & Kuyken - Ci\u00eancia Contemplativa","isPartOf":{"@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"","datePublished":"2020-12-05T00:56:39+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/#primaryimage","url":"","contentUrl":""},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/compaixao-em-um-panorama-de-sofrimento-feldman-kuyken\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"COMPAIX\u00c3O EM UM PANORAMA DE SOFRIMENTO &#8211; Feldman &#038; Kuyken"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#website","url":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/","name":"Ci\u00eancia Contemplativa","description":"Instituto de Ci&ecirc;ncias Contemplativas do Brasil","publisher":{"@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#organization","name":"Ci\u00eancia Contemplativa","url":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/logo-icc-180x180-1.png","contentUrl":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/logo-icc-180x180-1.png","width":178,"height":180,"caption":"Ci\u00eancia Contemplativa"},"image":{"@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#\/schema\/logo\/image\/"}},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#\/schema\/person\/5e027a517b89f2728c19310e08ce33b1","name":"CienciaContemplativa","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/?s=96&d=mm&r=g","caption":"CienciaContemplativa"},"url":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/author\/cienciacontemplativa\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8671","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8671"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8671\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8671"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8671"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8671"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}