{"id":8664,"date":"2020-12-05T00:32:18","date_gmt":"2020-12-05T00:32:18","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/mindfulness-e-bondade-amorosa-sharon-salzberg\/"},"modified":"2020-12-05T00:32:18","modified_gmt":"2020-12-05T00:32:18","slug":"mindfulness-e-bondade-amorosa-sharon-salzberg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/mindfulness-e-bondade-amorosa-sharon-salzberg\/","title":{"rendered":"MINDFULNESS E BONDADE AMOROSA &#8211; Sharon Salzberg"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MINDFULNESS E BONDADE AMOROSA<\/strong> <\/br><br \/>\n<strong>Sharon Salzberg<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resumo.\u00a0<\/strong><em>Mindfulness<\/em>, conforme \u00e9 comumente usada nos ensinamentos contempor\u00e2neos sobre medita\u00e7\u00e3o, se refere tanto \u00e0 consci\u00eancia perante a experi\u00eancia do momento presente, quanto \u00e0 rela\u00e7\u00e3o com a experi\u00eancia sem anseio, avers\u00e3o ou delus\u00e3o. Todas estas tr\u00eas tend\u00eancias habituais distorcem a nossa percep\u00e7\u00e3o do que est\u00e1 acontecendo, e nos levam \u00e0 esfor\u00e7os f\u00fateis e mal orientados de nega\u00e7\u00e3o ou controle de nossa experi\u00eancia. Bondade amorosa \u00e9 uma qualidade de cora\u00e7\u00e3o que reconhece o qu\u00e3o conectados todos n\u00f3s estamos. Bondade amorosa \u00e9 essencialmente uma forma de inclus\u00e3o em nosso campo de cuidado, contr\u00e1ria \u00e0 categoriza\u00e7\u00e3o dos outros em termos de afei\u00e7\u00e3o por uns e rejei\u00e7\u00e3o por outros \u2013 aqueles que podem facilmente ser exclu\u00eddos, ignorados ou debochados. Toda redu\u00e7\u00e3o em nossa tend\u00eancia de recair \u00e0 apego, avers\u00e3o e delus\u00e3o ajuda a refinar e a expandir a for\u00e7a da bondade amorosa. Um aprofundamento no discernimento ir\u00e1 inevitavelmente incluir o reconhecimento que nossas vidas est\u00e3o inextricavelmente interconectadas. A diminui\u00e7\u00e3o do anseio, da avers\u00e3o e da delus\u00e3o e o aumento do discernimento s\u00e3o raz\u00f5es pelas quais <em>mindfulness<\/em> naturalmente conduz \u00e0 uma maior bondade amorosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos ensinamentos de medita\u00e7\u00e3o contempor\u00e2neos, a palavra <em>mindfulness<\/em> \u00e9 usada de muitas formas diferentes \u2013 como um gesto de lembran\u00e7a volunt\u00e1ria, como uma aten\u00e7\u00e3o ao momento presente e, de forma muito comum, como um tipo de composto que, em P\u00e1li, a linguagem dos textos Budistas originais, \u00e9 chamado <em>sati-sampajanna<\/em> ou consci\u00eancia e compreens\u00e3o clara combinadas. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma forma de encarar tudo isso \u00e9 dizer que <em>mindfulness<\/em> \u00e9 um processo relacional \u2013 <em>mindfulness<\/em> n\u00e3o se resume \u00e0 apenas reconhecer o que est\u00e1 acontecendo, como \u201cneste momento, eu estou escutando um barulho\u201d. A aten\u00e7\u00e3o em <em>mindfulness<\/em> consiste em reconhecer que estamos escutando um barulho de uma determinada forma \u2013 livre de anseio, avers\u00e3o ou delus\u00e3o. Um dos meus primeiros professores de medita\u00e7\u00e3o, Anagarika Munindra, frequentemente enfatizava este aspecto de <em>mindfulness<\/em>, dizendo que era precisamente em fun\u00e7\u00e3o desta caracter\u00edstica em particular que falamos sobre viver de um modo que nunca est\u00e1 separado da <em>mindfulness<\/em>; viver de modo sempre conectado com <em>mindfulness<\/em>. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conquanto estar simplesmente mais atento ao momento em que escutamos um som, ou saboreamos um sabor, certamente traz grandes e importantes benef\u00edcios, \u00e9 o fato da <em>mindfulness<\/em> estar livre de anseio (avidez), avers\u00e3o (raiva) e delus\u00e3o que significa que ela oferece uma plataforma para uma transforma\u00e7\u00e3o e discernimento mais prolongados. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s falamos de encontrar um caminho que nos afaste da avidez, da raiva e da delus\u00e3o porque estas s\u00e3o for\u00e7as que distorcem a nossa percep\u00e7\u00e3o do que \u00e9 real e nos amarram em h\u00e1bitos antigos, mesmo quando eles repetidamente nos causam sofrimento. O caminho na dire\u00e7\u00e3o oposta destas distor\u00e7\u00f5es naturalmente nos conduz \u00e0 uma maior bondade amorosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bondade amorosa \u00e9 uma qualidade de cora\u00e7\u00e3o que reconhece o qu\u00e3o conectados todos n\u00f3s estamos. As vezes ela \u00e9 descrita como uma amizade estendida \u00e0 n\u00f3s mesmos e aos outros \u2013 n\u00e3o em um sentido de gostar de todo mundo, ou de uma aprova\u00e7\u00e3o universal por todas as coisas, mas mais enquanto um reconhecimento interno de que nossas vidas est\u00e3o inextricavelmente interconectadas. Quando n\u00f3s experienciamos a bondade amorosa, n\u00f3s reconhecemos que cada um de n\u00f3s partilha do mesmo desejo de ser feliz, e muitas vezes tamb\u00e9m da mesma confus\u00e3o quanto a como obter esta felicidade. N\u00f3s tamb\u00e9m reconhecemos que partilhamos da mesma vulnerabilidade \u00e0 mudan\u00e7a e ao sofrimento, o que faz emergir uma sensa\u00e7\u00e3o de cuidado universal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em parte, <em>mindfulness<\/em> conduz \u00e0 uma maior bondade amorosa a partir da diminui\u00e7\u00e3o das rea\u00e7\u00f5es habituais dolorosas como a do anseio, avers\u00e3o e delus\u00e3o em nossas mentes, e parcialmente porque esta diminui\u00e7\u00e3o se transforma na plataforma para uma vis\u00e3o mais clara das verdades que sempre estiveram presentes, mas estavam ocultas, como da natureza interconectada de toda a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Mindfulness<\/em> \u00e9 um caminho para fora dos reflexos e rea\u00e7\u00f5es \u00e0 nossa experi\u00eancia, e por isso \u00e9 chamada de a grande protetora. Ela atua como uma prote\u00e7\u00e3o porque nos ajuda a romper com as lendas, mitos, h\u00e1bitos, vieses e mentiras que muitas vezes est\u00e3o entrela\u00e7ados em nossas vidas. N\u00f3s podemos aliviar a persist\u00eancia destas distor\u00e7\u00f5es e a sua familiaridade e vir a enxergar de forma muito mais clara por n\u00f3s mesmos o que \u00e9 verdade. Quando conseguirmos ver o que \u00e9 verdade, podemos formular nossas vidas de um outro jeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Retornemos ao momento onde escutamos um barulho com a aten\u00e7\u00e3o em <em>mindfulness<\/em>. H\u00e1 muitas maneiras de escutar um barulho. O momento da audi\u00e7\u00e3o pode ser uma abertura \u00e0 compreens\u00e3o, ao discernimento. Ou podemos ouvir um barulho e reagir a ele, ouvi-lo apenas da maneira convencional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando eu fui \u00e0 Burma para praticar medita\u00e7\u00e3o intensiva em 1985, eles estavam em obras por todo o per\u00edodo que fiquei por l\u00e1, construindo um novo refeit\u00f3rio a mais ou menos 100 jardas de dist\u00e2ncia \u2013 dia ap\u00f3s dia, hora ap\u00f3s hora, era poss\u00edvel ouvir o metal chocando com metal. Era uma muralha de barulho inimagin\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu fui at\u00e9 l\u00e1 com uma amiga pr\u00f3xima que estava vivendo no quarto ao lado do meu. Um dia, eu estava praticando medita\u00e7\u00e3o caminhando, me movendo lentamente, percebendo cada passo, posicionando as pernas uma de cada vez, em meio ao estampido alucinante da constru\u00e7\u00e3o. Eu olhei a frente e l\u00e1 estava ela saindo do quarto, com uma lata de leite em p\u00f3 nas m\u00e3os, levantada sobre o ombro pronta para ser arremessada. Encarei a cena, peguei o seu bra\u00e7o e disse: \u201cn\u00e3o fa\u00e7a isto\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 muitas maneiras de escutar um barulho. N\u00f3s escutamos o som de uma constru\u00e7\u00e3o e nos enchemos de alegria pela generosidade dos muitos doadores, alguns muito pobres, que ofereceram por aquele esfor\u00e7o? N\u00f3s ouvimos o som e celebramos a expans\u00e3o do monast\u00e9rio? N\u00f3s escutamos o som e nos sentimos irados que o barulho est\u00e1 infiltrando nossa jornada pela paz? N\u00f3s ouvimos o som e raivosamente culpamos os trabalhadores, que est\u00e3o simplesmente trabalhando para poder alimentar suas fam\u00edlias (e doarem-se para um projeto nobre)?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Mindfulness<\/em> nos diz que h\u00e1 uma distin\u00e7\u00e3o entre simplesmente ouvir um barulho e a hist\u00f3ria com a qual cercamos este barulho, e quando encontrarmos o intervalos entre estas duas coisas, podemos observar a hist\u00f3ria e ver se queremos dar continuidade \u00e0 ela, agir motivado por ela ou n\u00e3o. N\u00f3s podemos ouvir o barulho e nos tornar mais e mais envolvidos, reativos e perturbados; n\u00f3s podemos ouvir o barulho e observar qual a natureza desta experi\u00eancia \u2013 o que de fato est\u00e1 acontecendo. Isto n\u00e3o quer dizer que n\u00f3s nunca tentaremos fazer nada quanto \u00e0 barulhos irritantes. Quer dizer que n\u00f3s encaramos nossas rea\u00e7\u00f5es para tentar compreende-las mais integralmente, e compreender se a a\u00e7\u00e3o que estamos prestes a cometer \u00e9 adequada. Atirar latas nas pessoas provavelmente n\u00e3o gerar\u00e1 bons resultados!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na psicologia Budista se diz que todas as nossas experi\u00eancias s\u00e3o vividas como agrad\u00e1veis, desagrad\u00e1veis ou neutras. Algumas pessoas temem que se elas desenvolverem muito <em>mindfulness<\/em>, se se tornarem proficientes na pr\u00e1tica de medita\u00e7\u00e3o, tudo vai se tornar uma am\u00e1lgama insossa e neutra, e elas n\u00e3o v\u00e3o mais sentir nada prazeroso ou doloroso. N\u00e3o \u00e9 assim. Esta tonalidade de sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 parte de tudo aquilo que pode ser conhecido \u2013 enxergar, ouvir, sentir, saborear, cheirar, pensar. O que acontece depois que n\u00f3s registramos esta tonalidade de sensa\u00e7\u00e3o de agrad\u00e1vel, desagrad\u00e1vel ou neutro, \u00e9 o local onde n\u00f3s aplicamos a <em>mindfulness<\/em> e adentramos a liberdade ou ent\u00e3o continuamos a sofrer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem tr\u00eas principais elementos ou meios de condicionamento que enxergamos muito claramente atrav\u00e9s da <em>mindfulness<\/em>. N\u00f3s observamos, primeiramente, que n\u00f3s somos condicionados \u00e0 nos apegar \u00e0 objetos prazerosos \u2013 sons, cen\u00e1rios, sensa\u00e7\u00f5es corporais, estados mentais. A qualidade do apego neste sentido em espec\u00edfico \u00e9 uma de fixa\u00e7\u00e3o, ansiedade, sofreguid\u00e3o. Esta \u00e2nsia cria inseguran\u00e7a e depend\u00eancia uma vez que aquilo que ansiamos \u00e9 fr\u00e1gil devido \u00e0 natureza de constante mudan\u00e7a das coisas \u2013 a natureza impermanente de toda a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O inverno est\u00e1 chegando. O que acontece se n\u00f3s nos apegamos ao outono? O que acontece se nos apegamos \u00e0 nossa juventude? Se nos apegamos \u00e0 pr\u00f3pria vida? Percebemos que muitas pessoas consideram quase que uma humilha\u00e7\u00e3o pessoal a doen\u00e7a, o envelhecimento e a morte, como se elas fossem capazes de determinar o seu destino, e tivessem cometido um grave erro em algum ponto da vida. No entanto, n\u00e3o est\u00e1 no nosso controle. Como poder\u00edamos controlar? O corpo tem sua pr\u00f3pria natureza e est\u00e1 continuamente mudando. A mente tem sua pr\u00f3pria natureza. Se voc\u00ea pensar em quantos estados sua mente experienciou desde que voc\u00ea come\u00e7ou a ler este texto, qual deles n\u00e3o mudou? Qual deles era o verdadeiro \u201cvoc\u00ea\u201d? As pessoas mudam, fora do nosso controle. Como poder\u00edamos fazer isso parar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O apego ou avidez por desejar que as coisas operem de certo modo n\u00e3o \u00e9 algo ruim ou errado, a ser condenado ou criticado agressivamente. Conquanto n\u00e3o seja muito \u00fatil ver o apego como ruim ou errado, \u00e9 correto enxerga-lo como a causa de muito do sofrimento em nossas vidas. Estar apegado significa estar em desarmonia com como as coisas realmente s\u00e3o, em desarmonia com a verdade, e, portanto, iremos necessariamente encontrar dor. Iremos, necessariamente, nos deparar com conflito em algum lugar, em algum momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estar apegado significa que pensamos que dever\u00edamos estar no controle, que as coisas n\u00e3o deveriam mudar, que deveriam ser do jeito que n\u00f3s quer\u00edamos que fossem. Uma vez que a felicidade que experimentamos no estado de apego \u00e9 tempor\u00e1ria, fr\u00e1gil, ser\u00e1 arruinada vez ap\u00f3s vez. E qualquer tentativa de bondade amorosa \u00e9 suscet\u00edvel a ser atropelada pelas demandas do apego.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bondade amorosa \u00e9 essencialmente uma forma de generosidade, de oferenda de cora\u00e7\u00e3o, contr\u00e1ria \u00e0 categoriza\u00e7\u00e3o dos outros em termos de afei\u00e7\u00e3o por uns e rejei\u00e7\u00e3o por outros \u2013 aqueles que podem facilmente ser exclu\u00eddos, ignorados ou debochados. Bondade amorosa pode ou n\u00e3o se manifestar enquanto generosidade material, mas \u00e9 um tipo de generosidade de esp\u00edrito, que nos move da preocupa\u00e7\u00e3o normal com a gente mesmo para uma aten\u00e7\u00e3o completamente inclusiva para com todos os seres. O apego ir\u00e1 rapidamente soterrar a bondade amorosa com impaci\u00eancia, expectativa, uma necessidade de ser reconhecido, uma necessidade de ver resultados no comportamento do outro. Qualquer diminui\u00e7\u00e3o em nossa tend\u00eancia de recair em apego ajuda a refinar e expandir a for\u00e7a da bondade amorosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pr\u00f3ximo condicionamento habitual que reconhecemos em nossa mente \u00e9 a avers\u00e3o. Avers\u00e3o inclui raiva, medo, desejo de vingan\u00e7a, frustra\u00e7\u00e3o, impaci\u00eancia, desgosto e culpa corrosiva, que as vezes \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o de uma avers\u00e3o cr\u00f4nica \u00e0 si mesmo. Todos estes h\u00e1bitos mentais nos machucam \u2013 s\u00e3o estados mentais prejudiciais. Eles s\u00e3o dolorosos no momento em que os experimentamos, porque h\u00e1 uma esp\u00e9cie de queima\u00e7\u00e3o que os acompanha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Avers\u00e3o \u00e9 o estado mental que rejeita o objeto conhecido no momento, e o ataca. \u00c9 um estado que deseja separa\u00e7\u00e3o do que est\u00e1 acontecendo, cria\u00e7\u00e3o de dist\u00e2ncia, n\u00e3o-conex\u00e3o. \u00c9 um estado que n\u00e3o se agarra, mas busca por defeitos. \u00c9 um estado de repulsa. Se se torna habitual, tendemos a encontrar experi\u00eancias desagrad\u00e1veis, mesmo inaceit\u00e1veis, em todos os lugares; todo lugar que olhamos achamos algo errado. N\u00f3s n\u00e3o gostamos do que a pessoa est\u00e1 vestindo, e n\u00e3o gostamos de quem est\u00e1 com ela, e n\u00e3o gostamos do papel de parede e assim por diante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando reagimos \u00e0 experi\u00eancias desagrad\u00e1veis com avers\u00e3o, isto significa que n\u00f3s as atacamos e simplesmente n\u00e3o queremos manter consci\u00eancia da sensa\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel. N\u00f3s nos retiramos da experi\u00eancia, nos separamos dela, tememos ela, ou somos impacientes diante dela. Talvez n\u00f3s capturemos o que est\u00e1 acontecendo no momento e projetemos atrav\u00e9s do tempo, como se a experi\u00eancia nunca fosse mudar. Ou ent\u00e3o giramos a situa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de associa\u00e7\u00f5es fabricadas quanto ao que est\u00e1 acontecendo, \u201c<em>Isto significa que eu vou ficar sozinho para sempre<\/em>\u201d; \u201c<em>por este motivo eu nunca serei feliz<\/em>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que <em>mindfulness<\/em> nos ensina \u00e9 que pode haver uma grande diferen\u00e7a entre dor e sofrimento. N\u00f3s podemos ouvir um som doloroso, ver uma imagem dolorosa, ou sentir algo doloroso em nosso corpo e mente, mas n\u00e3o precisamos acrescentar \u00e0 isso o sofrimento do medo, raiva ou ang\u00fastia mental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Geralmente h\u00e1 um grande fator de avers\u00e3o em expectativas que n\u00e3o s\u00e3o realizadas. Expectativas sobre n\u00f3s mesmos, sobre uma situa\u00e7\u00e3o, sobre outra pessoa. \u00c9 importante compreender que a raiva n\u00e3o existe inerentemente em nenhum objeto doloroso ou frustrante. Ela existe, de fato, em nossa rela\u00e7\u00e3o com este objeto. Em qualquer situa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 muitas respostas poss\u00edveis que atravessam o espectro da raiva para a compaix\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a raiva \u00e9 intensa, ela funciona como lentes que distorcem nosso olhar de modo que n\u00e3o conseguimos enxergar o que de fato est\u00e1 acontecendo. Quando sentimos raiva da dor, da perda e da mudan\u00e7a, isto significa que n\u00f3s sentimos raiva da pr\u00f3pria vida porque estes s\u00e3o elementos inevit\u00e1veis da exist\u00eancia. Quando a avers\u00e3o \u00e9 repetitiva, ela se torna habitual e conduz \u00e0 desarmonia, suspeita, falta de confian\u00e7a e falta de contentamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 claro que uma mente cheia de avers\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 inclinada na dire\u00e7\u00e3o da bondade amorosa. Ainda que seja importante n\u00e3o condenar ou odiar a raiva que vemos surgir dentro de n\u00f3s, mindfulness nos mostra sua natureza limitante e vinculante. Por exemplo, qual foi a \u00faltima vez que voc\u00ea sentiu raiva de si mesmo por algo indiscreto e tolo que veio a dizer, enquanto ao mesmo tempo se lembrava de outras 50 coisas boas que fez neste mesmo dia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Improv\u00e1vel que isto sequer tenha acontecido! O mais prov\u00e1vel \u00e9 que nosso sentido de identidade \u2013 o que somos e o que seremos \u2013 colapse diante de um coment\u00e1rio infeliz. A bondade amorosa n\u00e3o \u00e9 insistir que este coment\u00e1rio foi brilhante e astuto \u2013 talvez tenha de fato sido tolo e trar\u00e1 consequ\u00eancias \u2013mas este momento indiscreto n\u00e3o \u00e9 a totalidade do seu ser. N\u00e3o poderia nunca ser. \u00c9 caracter\u00edstico da raiva fomentar este tipo de colapso \u2013 esta vis\u00e3o encabrestada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se n\u00f3s n\u00e3o nos perdemos na raiva que sentimos, ent\u00e3o n\u00e3o ca\u00edmos na armadilha de concretizar ou reificar uma caracter\u00edstica, uma pessoa, situa\u00e7\u00e3o ou pensamento. N\u00f3s n\u00e3o percebemos a \u201cperman\u00eancia da imperman\u00eancia\u201d, ou interpretamos um estado que tem potencial para mudan\u00e7a como algo que marca a n\u00f3s e aos outros para sempre. <em>Mindfulness<\/em>, que nos libera da tens\u00e3o da sensa\u00e7\u00e3o aversiva, nos da flexibilidade de aten\u00e7\u00e3o, leveza e espacialidade. Isto permite uma flexibilidade de olhar para nossa experi\u00eancia de diversos \u00e2ngulos, enxergando al\u00e9m de caracteriza\u00e7\u00f5es r\u00edgidas como \u201ceu sou um est\u00fapido e sempre ereo\u201d e \u201cvoc\u00ea \u00e9 t\u00e3o ruim e \u00e9 assim que ser\u00e1 para sempre\u201d. Ela permite o abrir da porta para a entrada da bondade amorosa e da compaix\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma terceira condi\u00e7\u00e3o habitual que domina nossas vidas \u00e9 a delus\u00e3o. A palavra delus\u00e3o \u00e9 usada de diversas maneiras no ensinamento Budista \u2013 como ignor\u00e2ncia, desconhecimento ou conhecimento equivocado. Aqui eu estou usando delus\u00e3o como desconex\u00e3o, torpor e confus\u00e3o perante ao que est\u00e1 acontecendo no momento presente. Especialmente quando a nossa experi\u00eancia \u00e9 sentida de maneira neutra \u2013 nem agrad\u00e1vel, nem desagrad\u00e1vel \u2013 temos a tend\u00eancia de cair no sono da delus\u00e3o. Nos condicionamos a n\u00e3o estar presentes, n\u00e3o estar plenamente acordados, quando algo n\u00e3o est\u00e1 nos atingindo como muito desagrad\u00e1vel ou muito agrad\u00e1vel. N\u00f3s flutuamos, nos desconectamos, n\u00e3o entendemos o que est\u00e1 se passando porque n\u00e3o damos a devida aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossa tend\u00eancia, regra geral, \u00e9 a de estar insens\u00edveis \u00e0s sutilezas e a de depender da intensidade para nos sentirmos vivos. Em terreno neutro, nossa aten\u00e7\u00e3o embota e escorrega. Este estado de delus\u00e3o \u00e9 caracterizado por ansiedade, incerteza, perplexidade, pregui\u00e7a e torpor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a delus\u00e3o se torna habitual, ela se espalha para al\u00e9m dos momentos em que nossa experi\u00eancia \u00e9 apenas neutra (o que por si s\u00f3 j\u00e1 problem\u00e1tico). Quando a mente est\u00e1 cheia de delus\u00e3o ou quando a delus\u00e3o \u00e9 forte em um momento em espec\u00edfico, n\u00f3s n\u00e3o conseguimos identificar o anseio e a avers\u00e3o quando eles est\u00e3o operando. Pode ser que quase n\u00e3o notemos a sensa\u00e7\u00e3o de insatisfa\u00e7\u00e3o interna, ou a dor da confus\u00e3o perante o que est\u00e1 se passando, e aquilo que notamos n\u00e3o nos interessa. H\u00e1 uma complac\u00eancia para com nossas vidas; n\u00f3s simplesmente n\u00e3o nos importamos o suficiente para mudar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Perdidos em delus\u00e3o, \u00e9 dif\u00edcil reconhecer o que sentimos e, portanto, ainda mais dif\u00edcil reconhecer o que os outros podem estar sentindo, o que \u00e9 uma funda\u00e7\u00e3o essencial tanto para a moralidade quanto para a empatia. Se vivemos em uma esp\u00e9cie de n\u00e9voa, nossa tend\u00eancia \u00e9 se isolar de nossas pr\u00f3prias rea\u00e7\u00f5es emocionais e simplesmente n\u00e3o reconhece o que \u00e9 se sentir exclu\u00eddo, magoado, enganado ou humilhado. Sem este tipo de sensibilidade, nos vemos privados de um ingrediente importante no desejo de ajudar ao inv\u00e9s de magoar; de incluir ao inv\u00e9s de excluir; de ser honesto ao inv\u00e9s de mentir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s tamb\u00e9m nos apoiamos neste tipo de sensibilidade para aprofundar a empatia. Relembrar da sensa\u00e7\u00e3o de ser humilhado nos ajuda a ressoar com aqueles que aparentam estar em situa\u00e7\u00e3o de humilha\u00e7\u00e3o. Baseados neste sustent\u00e1culo, podemos ver nosso cora\u00e7\u00e3o ser tocado, oferecer uma m\u00e3o amiga, cultivar solidariedade com a pessoa ao inv\u00e9s de olhar de cima, como se nossas vidas nunca tivessem sido tocadas por tal emo\u00e7\u00e3o ou situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto mais clareza temos perante nossas emo\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es, mais criamos uma funda\u00e7\u00e3o para responder de forma consciente e cuidadosa. Quanto maior for nossa compreens\u00e3o da natureza da vida, mais enxergaremos o quanto todos temos em comum. Descobrimos um sentido mais amplo de conex\u00e3o com toda a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os ensinamentos de <em>mindfulness<\/em> nos convidam a estar presentes e despertos, de modo equilibrado, sereno e penetrante, quando nossa experi\u00eancia for desagrad\u00e1vel, agrad\u00e1vel ou neutra. N\u00f3s enxergamos e aprendemos a nos livrar dos h\u00e1bitos de fixidez, avers\u00e3o e delus\u00e3o atrav\u00e9s do cultivo consistente de <em>mindfulness<\/em>. Esta liberdade \u00e9 o terreno atrav\u00e9s do qual floresce grande bondade amorosa para n\u00f3s mesmos e para os outros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MINDFULNESS E BONDADE AMOROSA Sharon Salzberg &nbsp; Resumo.\u00a0Mindfulness, conforme \u00e9 comumente usada nos ensinamentos contempor\u00e2neos sobre medita\u00e7\u00e3o, se refere tanto \u00e0 consci\u00eancia perante a experi\u00eancia &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/mindfulness-e-bondade-amorosa-sharon-salzberg\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">MINDFULNESS E BONDADE AMOROSA &#8211; Sharon Salzberg<\/span> Leia mais \u00bb<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8667,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"","site-content-layout":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[39],"class_list":["post-8664","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-ciencia-das-emocoes"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v27.6.1 (Yoast SEO v27.2) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>MINDFULNESS E BONDADE AMOROSA - Sharon Salzberg - Ci\u00eancia Contemplativa<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/mindfulness-e-bondade-amorosa-sharon-salzberg\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"MINDFULNESS E BONDADE AMOROSA - Sharon Salzberg - Ci\u00eancia Contemplativa\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"MINDFULNESS E BONDADE AMOROSA Sharon Salzberg &nbsp; 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