{"id":8653,"date":"2020-12-05T00:06:08","date_gmt":"2020-12-05T00:06:08","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/mecanismos-cognitivos-meditacao\/"},"modified":"2020-12-05T00:06:08","modified_gmt":"2020-12-05T00:06:08","slug":"mecanismos-cognitivos-meditacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/05\/mecanismos-cognitivos-meditacao\/","title":{"rendered":"RECONSTRUINDO E DESCONSTRUINDO O EU: Mecanismos cognitivos na pr\u00e1tica da medita\u00e7\u00e3o &#8211; Dahl, Lutz &#038; Davidson"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>RECONSTRUINDO E DESCONTRUINDO O SELF: MECANISMOS COGNITIVOS NA PR\u00c1TICA DA MEDITA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cortland J. Dahl, Antoine Lutz e Richard J. Davidson<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resumo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa cient\u00edfica ressalta o papel fundamental de processos psicol\u00f3gicos espec\u00edficos, em particular aqueles relacionados ao eu, em v\u00e1rias formas de sofrimento e florescimento humanos. Esta vis\u00e3o \u00e9 compartilhada pelo budismo e outras tradi\u00e7\u00f5es contemplativas e human\u00edsticas, que desenvolveram pr\u00e1ticas de medita\u00e7\u00e3o para regular esses processos. Em continuidade com um artigo publicado anteriormente nesta revista, n\u00f3s propomos um novo sistema de classifica\u00e7\u00e3o que categoriza estilos espec\u00edficos de medita\u00e7\u00e3o nas fam\u00edlias atencional, construtiva e desconstrutiva, com base em seus mecanismos cognitivos prim\u00e1rios. N\u00f3s sugerimos que metaconsci\u00eancia, autoquestionamento e tomada de perspectiva com reavalia\u00e7\u00e3o cognitiva podem ser mecanismos importantes em fam\u00edlias espec\u00edficas de medita\u00e7\u00e3o, e que essas altera\u00e7\u00f5es nesses processos podem ser usadas para atingir estados de fus\u00e3o experiencial, esquemas autom\u00e1ticos desadaptativos e reifica\u00e7\u00e3o cognitiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Palavras-chaves:<\/strong>\u00a0medita\u00e7\u00e3o, aten\u00e7\u00e3o plena, metaconsci\u00eancia, fus\u00e3o experimental,\u00a0<em>insight<\/em>, autoquestionamento<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mecanismos Cognitivos da Pr\u00e1tica de Medita\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem-estar \u00e9 um fen\u00f4meno complexo relacionado a uma variedade de fatores, incluindo diferen\u00e7as culturais, condi\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica, sa\u00fade, qualidade das rela\u00e7\u00f5es interpessoais e processos psicol\u00f3gicos espec\u00edficos [1,2]. Enquanto a aten\u00e7\u00e3o plena (ver Gloss\u00e1rio), compaix\u00e3o, e outras formas de medita\u00e7\u00e3o s\u00e3o cada vez mais estudadas, como interven\u00e7\u00f5es para aliviar o sofrimento e promover o bem-estar [3\u201310], ainda n\u00e3o est\u00e1 claro como diferentes estilos de medita\u00e7\u00e3o afetam processos cognitivos espec\u00edficos, nem como as altera\u00e7\u00f5es nesses processos podem afetar os n\u00edveis de bem-estar. Aqui, n\u00f3s abordamos essa quest\u00e3o na perspectiva da psicologia e neuroci\u00eancia cognitiva. para compreender melhor como as mudan\u00e7as no bem-estar s\u00e3o mediadas por altera\u00e7\u00f5es em diferentes processos cognitivos e na estrutura e funcionamento das redes cerebrais correspondentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um artigo pr\u00e9vio nesta revista, n\u00f3s propusemos uma abordagem preliminar para discutir as formas de medita\u00e7\u00e3o de aten\u00e7\u00e3o plena praticadas comumente [11]. Modelos te\u00f3ricos recentes desenvolveram ainda mais nossa compreens\u00e3o na tentativa de identificar o potencial cognitivo e os mecanismos neurais de diferentes tipos de medita\u00e7\u00e3o e de classificar diferentes formas de pr\u00e1tica contemplativa[12\u201317]. Apesar de alguns modelos terem proposto processos cognitivos e biol\u00f3gicos espec\u00edficos, que esclarecem a pr\u00e1tica de medita\u00e7\u00e3o de aten\u00e7\u00e3o plena [18\u201320], faltam relatos te\u00f3ricos de outras fam\u00edlias de medita\u00e7\u00e3o, especialmente modelos que identifiquem mecanismos importantes em outros estilos de pr\u00e1ticas. Esses trabalhos pioneiros fornecem\u00a0<em>insights<\/em>\u00a0fundamentais para o estudo cient\u00edfico da medita\u00e7\u00e3o, mas ainda s\u00e3o necess\u00e1rios esfor\u00e7os rigorosos para examinar os processos psicol\u00f3gicos envolvidos nas diferentes fam\u00edlias de medita\u00e7\u00e3o, buscando entender o modo preciso pelo qual eles poderiam afetar v\u00e1rios aspectos do bem-estar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste artigo, n\u00f3s expandimos nossa abordagem inicial para acomodar uma faixa mais ampla de pr\u00e1ticas de medita\u00e7\u00e3o tradicionais e contempor\u00e2neas, agrupando-as nas fam\u00edlias atencional, construtiva e desconstrutiva. De acordo com este modelo, os mecanismos cognitivos prim\u00e1rios nessas tr\u00eas fam\u00edlias s\u00e3o (1) regula\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o e metaconsci\u00eancia, (2) tomada de perspectiva e reavalia\u00e7\u00e3o, e (3) autoquestionamento, respectivamente. Para ilustrar o papel desses tr\u00eas processos em diferentes formas de medita\u00e7\u00e3o, n\u00f3s discutimos como eles podem atingir a fus\u00e3o experiencial, o autoesquema desadaptativo, e a reifica\u00e7\u00e3o cognitiva de formas diferentes, no contexto da medita\u00e7\u00e3o budista, integrando outras perspectivas contemplativas, filos\u00f3ficas e cl\u00ednicas, quando relevantes. Os mecanismos e alvos que n\u00f3s propomos s\u00e3o oriundos da ci\u00eancia cognitiva e da psicologia cl\u00ednica. Embora esses processos psicol\u00f3gicos sejam complexos teoricamente, assim como as pr\u00e1ticas de medita\u00e7\u00e3o que os pretendem atingir, n\u00f3s propomos essa nova abordagem como primeiro passo na identifica\u00e7\u00e3o dos mecanismos cognitivos espec\u00edficos para ajudar no estudo cient\u00edfico de diferentes fam\u00edlias de medita\u00e7\u00e3o e no efeito dessas pr\u00e1ticas no bem-estar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Fam\u00edlia Atencional: Metaconsci\u00eancia e Fus\u00e3o Experiencial<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grupo de pr\u00e1ticas meditativas ao qual nos referimos aqui como \u2018fam\u00edlia atencional\u2019 treina uma variedade de processos relacionados \u00e0 regula\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o. Estes incluem a capacidade de manipular a orienta\u00e7\u00e3o e a amplia\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o, monitorar, detectar e afastar-se das distra\u00e7\u00f5es, bem como reorientar a aten\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o a um objeto escolhido. [20\u201323]. N\u00f3s entendemos que uma caracter\u00edstica compartilhada por todas as pr\u00e1ticas de medita\u00e7\u00e3o nesta fam\u00edlia \u00e9 o treinamento sistem\u00e1tico da capacidade de intencionalmente iniciar, dirigir e\/ou sustentar esses processos atencionais, enquanto se fortalece a capacidade de estar consciente dos processos de pensar, sentir e perceber (veja Quadro 1 e Tabela 1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na literatura cient\u00edfica, o termo\u00a0<em>metaconsci\u00eancia<\/em>\u00a0tem sido empregado para descrever a fun\u00e7\u00e3o cognitiva de estar consciente dos processos da consci\u00eancia [24]. Na aus\u00eancia da metaconsci\u00eancia, n\u00f3s nos \u201cfundimos\u201d com o que experienciamos. N\u00f3s podemos estar conscientes dos objetos de aten\u00e7\u00e3o, embora inconscientes dos processos de pensar, sentir e perceber. No estudo da metacogni\u00e7\u00e3o, esse estado de fus\u00e3o experiencial tem sido referido utilizando-se uma variedade de termos, incluindo \u201cfus\u00e3o cognitiva\u201d e \u201cmodo objeto\u201d [25,26].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consideremos aqui um exemplo para ilustrar a diferen\u00e7a entre metaconsci\u00eancia e fus\u00e3o experiencial. Imagine que voc\u00ea est\u00e1 assistindo a um filme envolvente. Em um dado momento, voc\u00ea pode estar experiencialmente fundido com o filme, a ponto de n\u00e3o estar mais consciente de que est\u00e1 sentado em uma sala de cinema. No momento seguinte, voc\u00ea pode, repentinamente, se tornar consciente de seu entorno e do fato de estar vendo imagens em uma tela. Em ambos momentos, voc\u00ea pode estar atento ao filme, mas somente no segundo momento voc\u00ea est\u00e1 tamb\u00e9m consciente do processo de estar assistindo ao filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse exemplo, prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s imagens e sons que constituem o filme \u00e9 uma forma de estar consciente. Se algu\u00e9m tocasse no seu ombro e perguntasse a voc\u00ea o que tinha acabado de acontecer no filme, voc\u00ea poderia responder. Entretanto, se perguntassem se voc\u00ea estava ou n\u00e3o consciente de estar sentado em uma sala de cinema no momento anterior \u00e0 pergunta, voc\u00ea provavelmente diria que n\u00e3o. A consci\u00eancia de que voc\u00ea estava assistindo a um filme, neste caso, seria apenas retrospectiva. Dentre uma gama de tradi\u00e7\u00f5es contemplativas tradicionais e contempor\u00e2neas, a aus\u00eancia de metaconsci\u00eancia \u00e9 vista como impedimento a v\u00e1rias formas de automonitoramento, autorregula\u00e7\u00e3o e autoquestionamento [27\u201329].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fus\u00e3o Experiencial e o Treinamento da Aten\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A falta de habilidade de regular os processos de aten\u00e7\u00e3o tem sido associada ao TDAH [30], depend\u00eancia qu\u00edmica [31] e outras formas de psicopatologia [32,33], e a anormalidades da estrutura e funcionamento do c\u00e9rebro [34].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fus\u00e3o experiencial, em particular, tem recebido muita aten\u00e7\u00e3o em diversas interven\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas contempor\u00e2neas. Embora esteja associada a conceitos superpostos, como \u201cdistanciamento cognitivo, \u201cdesfus\u00e3o cognitiva\u201d e \u201cdescentraliza\u00e7\u00e3o,\u201d a revers\u00e3o de estados de fus\u00e3o experiencial pelo cultivo da metaconsci\u00eancia \u00e9 considerada especialmente importante no cultivo da sa\u00fade mental [26,35\u201338].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudos cl\u00ednicos mostraram que uma habilidade reduzida para o indiv\u00edduo se afastar e observar os processos internos de pensamento e sentimento tem um papel importante em uma variedade de problemas psiqui\u00e1tricos, incluindo depress\u00e3o [39] e ansiedade [40]. Em um estudo recente, os autores encontraram redu\u00e7\u00f5es nos processos psicol\u00f3gicos relacionados com a fus\u00e3o experiencial em pacientes submetidos a tratamento para depress\u00e3o, que receberam treinamento em terapia cognitiva com base na aten\u00e7\u00e3o plena, mas n\u00e3o no grupos controles. Essas mudan\u00e7as estavam associadas a mudan\u00e7as positivas na sintomatologia depressiva [41]. Resultados semelhantes t\u00eam sido encontrados em casos de tratamento de dependentes qu\u00edmicos [42]. Um estudo sobre parar de fumar, por exemplo, demonstrou que a pr\u00e1tica da aten\u00e7\u00e3o plena atenuou o comportamento de fumar cigarros, particularmente por alterar a rela\u00e7\u00e3o entre a avidez da depend\u00eancia e o comportamento de fumar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como discutido recentemente, as pr\u00e1ticas relacionadas \u00e0 aten\u00e7\u00e3o plena t\u00eam possibilitado treinar muitos processos atencionais aqui descritos e induzir mudan\u00e7as funcionais e estruturais nas redes cerebrais relacionadas \u00e0 aten\u00e7\u00e3o [9,44]. Por exemplo, h\u00e1 evid\u00eancia crescente de que a estabilidade da aten\u00e7\u00e3o aumenta com o treino de aten\u00e7\u00e3o plena, como medido pela redu\u00e7\u00e3o na variabilidade do tempo de resposta e da variabilidade da resposta do eletroencefalograma do c\u00e9rebro, durante tarefas de desempenho cont\u00ednuo [7,45]. De maneira semelhante, o treinamento intensivo de medita\u00e7\u00e3o tem mostrado reduzir ambos marcadores (comportamental e do encefalograma) do piscar atencional, um fen\u00f4meno que reflete a propensividade de a aten\u00e7\u00e3o se fundir com um alvo perceptual [46]. Esse efeito \u00e9 tamb\u00e9m modulado por diferentes formas de medita\u00e7\u00e3o, com maiores redu\u00e7\u00f5es no piscar atencional em compara\u00e7\u00e3o com a medita\u00e7\u00e3o de monitoramento aberto em pr\u00e1ticas de aten\u00e7\u00e3o focada [47] (veja Quadro 1). Quando a fus\u00e3o experiencial com experi\u00eancias emocionais se reduz, a regula\u00e7\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es deveria mais f\u00e1cil, uma vez que sua persevera\u00e7\u00e3o \u00e9 reduzida. Essa previs\u00e3o est\u00e1 alinhada com os resultados obtidos com mediadores especializados, que exibiram menor atividade da am\u00edgdala em resposta a est\u00edmulos emocionais negativos em compara\u00e7\u00e3o com o grupo controle [48]. Efeito semelhante foi encontrado quando pacientes com problemas de ansiedade foram submetidos a treinamento em medita\u00e7\u00e3o de aten\u00e7\u00e3o plena [49].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um vertente pela qual a metaconsci\u00eancia poderia impactar o bem-estar est\u00e1 em sua rela\u00e7\u00e3o com a divaga\u00e7\u00e3o mental. A divaga\u00e7\u00e3o mental mostrou consumir cerca de 50% de nossa vida acordados e est\u00e1 atrelada ao nosso senso de bem-estar [50]. Se o treinamento em formas atencionais de medita\u00e7\u00e3o de fato fortalece a metaconsci\u00eancia, n\u00f3s devemos esperar que isso afete tanto a incid\u00eancia quanto o efeito da divaga\u00e7\u00e3o mental. Estudos recentes t\u00eam realmente encontrado que o treinamento da medita\u00e7\u00e3o altera padr\u00f5es do pensamento n\u00e3o relacionado \u00e0 atividade, mostrando que mesmo breves treinos em medita\u00e7\u00e3o em aten\u00e7\u00e3o plena decrescem os indicadores comportamentais da divaga\u00e7\u00e3o da mente [51,52]. Embora a metaconsci\u00eancia e os processos autorreferentes sejam dif\u00edceis de operacionalizar, alguns estudos recentes parecem indicar que as regi\u00f5es do c\u00e9rebro associadas ao processamento autorreferente [53\u201355], como o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal medial e o c\u00f3rtex cingulado posterior, podem ser suprimidas pelas pr\u00e1ticas relacionadas \u00e0 aten\u00e7\u00e3o plena [56,57]. Em um desses estudos, esse padr\u00e3o estava ligado ao crescente acoplamento dessas regi\u00f5es medianas com as redes atencionais do c\u00e9rebro com fun\u00e7\u00e3o executiva, como o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal dorsolateral e o c\u00f3rtex cingulado dorsal anterior [57]. No outro, esse padr\u00e3o esteve ligado \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da jun\u00e7\u00e3o entre o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal medial e uma regi\u00e3o interoceptiva, o c\u00f3rtex insular [56]. Especulou-se que esses padr\u00f5es refletiram redu\u00e7\u00e3o no pensamento autorreferente e maior consci\u00eancia no tempo presente [56,57]. Essas interpreta\u00e7\u00f5es requerem investiga\u00e7\u00f5es mais aprofundadas, particularmente porque a divaga\u00e7\u00e3o da mente recruta m\u00faltiplas regi\u00f5es do c\u00e9rebro, algumas das quais podem tamb\u00e9m ter algum papel na aten\u00e7\u00e3o e interocep\u00e7\u00e3o [54]. Tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 claro como a metaconsci\u00eancia afeta a habilidade de usar aspectos construtivos da divaga\u00e7\u00e3o da mente de maneira mais efetiva, e como os padr\u00f5es de ativa\u00e7\u00e3o nas regi\u00f5es do c\u00e9rebro associadas com pensamento autorreferente mudam quando per\u00edodos de divaga\u00e7\u00e3o da mente coincidem com a metaconsci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Fam\u00edlia Construtiva: Reavalia\u00e7\u00e3o, Tomada de Perspectiva e Autoesquema<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estilo de pr\u00e1tica a que nos referimos como \u2018fam\u00edlia construtiva\u2019 inclui uma variedade de pr\u00e1ticas de medita\u00e7\u00e3o que fortalecem padr\u00f5es psicol\u00f3gicos que promovem o bem-estar. N\u00f3s propomos que essas pr\u00e1ticas podem afetar o bem-estar por meio de localizar os autoesquemas desadaptativos e substitu\u00ed-los por concep\u00e7\u00f5es mais adaptativas de pr\u00f3prio indiv\u00edduo. Na psicologia cognitiva, acredita-se que cren\u00e7as e conceitos latentes sobre si mesmo, referidas como autoesquema, fundamentam e informam pensamentos e emo\u00e7\u00f5es [58] e impactam padr\u00f5es de fun\u00e7\u00f5es cerebrais [59]. Em contraste com as pr\u00e1ticas atencionais, as quais frequentemente focam em simplesmente monitorar padr\u00f5es cognitivos e afetivos, as medita\u00e7\u00f5es construtivas envolvem a altera\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do conte\u00fado dos pensamentos e emo\u00e7\u00f5es. Algumas pr\u00e1ticas construtivas s\u00e3o projetadas para cultivar qualidades como paci\u00eancia e equanimidade, que protegem a mente do estresse da vida di\u00e1ria. Outras visam promover uma reconstru\u00e7\u00e3o de prioridades e valores e uma reorienta\u00e7\u00e3o da mente em dire\u00e7\u00e3o ao que \u00e9 realmente significativo na vida. Ainda mais, lidam com as rela\u00e7\u00f5es interpessoais, por meio do cultivo de qualidades pr\u00f3-sociais como bondade e compaix\u00e3o (veja Quadro 2 e Tabela 1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ampla variedade de pr\u00e1ticas desta fam\u00edlia, assim como sua complexidade individual, torna a identifica\u00e7\u00e3o dos mecanismos cognitivos essenciais um desafio. Mesmo assim, um n\u00famero de processos parecem ser fundamentais em uma ampla gama de medita\u00e7\u00f5es construtivas. Dois mecanismos que parecem ter especial import\u00e2ncia nesta fam\u00edlia s\u00e3o a reavalia\u00e7\u00e3o cognitiva e a tomada de perspectiva. A reavalia\u00e7\u00e3o cognitiva se refere ao processo de mudar o modo de pensar em situa\u00e7\u00f5es e eventos de tal modo que a resposta a eles seja alterada [60]. A reavalia\u00e7\u00e3o \u00e9 uma estrat\u00e9gia importante na regula\u00e7\u00e3o da emo\u00e7\u00e3o [61] e recruta regi\u00f5es do c\u00e9rebro relacionadas com o controle cognitivo, incluindo o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal dorsomedial, dorsolateral e ventrolateral bem como o c\u00f3rtex parietal posterior [62]. Em um estudo de reavalia\u00e7\u00e3o em pacientes com transtorno de ansiedade social (TAS), por exemplo, os resultados mostraram que o uso da reavalia\u00e7\u00e3o reduziu os efeitos negativos em ambos, pacientes com TAS e controles saud\u00e1veis; mas nos controles saud\u00e1veis, diferentes padr\u00f5es de atividade nas regi\u00f5es regulat\u00f3rias do c\u00e9rebro estavam associados \u00e0 atividade da am\u00edgdala mais reduzida do que nos pacientes com TAS [63].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segundo processo essencial que n\u00f3s propomos para ser chave em muitas medita\u00e7\u00f5es construtivas \u00e9 a tomada de perspectiva, o ato de considerar como a pr\u00f3pria pessoa ou outra se sentiriam em uma dada situa\u00e7\u00e3o [64]. A tomada de perspectiva contribui especialmente para a experi\u00eancia de emo\u00e7\u00f5es sociais [65]. Como um componente cr\u00edtico das rela\u00e7\u00f5es interpessoais saud\u00e1veis, por exemplo, encontrou-se que ela \u00e9 reduzida em psicopatas [66] e \u00e9 tamb\u00e9m um mediador central na redu\u00e7\u00e3o do preju\u00edzo intergrupos [67]. Estudos de imagem indicam que n\u00e3o h\u00e1 nenhum mecanismo de um \u00fanico neur\u00f4nio relacionado \u00e0 tomada de perspectiva. Ao contr\u00e1rio, eles indicam que as diferen\u00e7as em perspectiva (imaginar-se experienciando dor\u00a0<em>versus<\/em>\u00a0outra pessoa experienciando dor, por exemplo) recrutam diferentes redes cerebrais [65].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em pr\u00e1ticas de medita\u00e7\u00e3o construtiva, a reavalia\u00e7\u00e3o cognitiva e a tomada de perspectiva parecem ser mecanismos importantes usados para detectar processos psicol\u00f3gicos desadaptativos ou neutros e substitu\u00ed-los por padr\u00f5es mais adaptativos. Um exemplo comum \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o da empatia em compaix\u00e3o (veja Quadro 3). Ouvir um beb\u00ea chorar em um avi\u00e3o, por exemplo, pode inicialmente provocar um sentimento de desconforto, seguido por avers\u00e3o. Essa experi\u00eancia pode ser transformada tomando a perspectiva da m\u00e3e do beb\u00ea, de modo a acionar uma sensa\u00e7\u00e3o de calor humano e compaix\u00e3o e tamb\u00e9m reinterpretar o som do choro do beb\u00ea, vendo a experi\u00eancia como uma oportunidade de cultivar a bondade e preocupa\u00e7\u00e3o ao inv\u00e9s de um impedimento ao pr\u00f3prio bem-estar. Por meio do cultivo sistem\u00e1tico da compaix\u00e3o dessa maneira, responder a est\u00edmulos aversivos com preocupa\u00e7\u00e3o altru\u00edsta pode, afinal, se tornar autom\u00e1tico. Tais mudan\u00e7as podem, portanto, ser estudadas dentro da abordagem de forma\u00e7\u00e3o de h\u00e1bito, que est\u00e1 associada com v\u00e1rias facetas do bem-estar f\u00edsico e psicol\u00f3gico [68].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 o momento, as pr\u00e1ticas de medita\u00e7\u00e3o construtivas t\u00eam recebido menos aten\u00e7\u00e3o do que outras formas de medita\u00e7\u00e3o na pesquisa cient\u00edfica, embora alguns estudos tenham come\u00e7ado a explorar pr\u00e1ticas relacionadas a essa fam\u00edlia, incluindo o cultivo da compaix\u00e3o [69,70] e medita\u00e7\u00f5es com base na imagina\u00e7\u00e3o [15]. O papel exato que a reavalia\u00e7\u00e3o e a tomada de perspectiva t\u00eam em estilos construtivos de medita\u00e7\u00e3o, portanto, ainda n\u00e3o \u00e9 conhecido, nem \u00e9 claro como esses processos se relacionam ao recrutamento de redes espec\u00edficas do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o obstante, pesquisas sobre o cultivo da compaix\u00e3o, um estilo de medita\u00e7\u00e3o amplamente praticado nesta fam\u00edlia, fornecem informa\u00e7\u00f5es \u00fateis sobre os mecanismos neurais e cognitivos das medita\u00e7\u00f5es construtivas. Resultados preliminares indicam que esta pr\u00e1tica pode afetar a regula\u00e7\u00e3o da emo\u00e7\u00e3o e as redes cerebrais correspondentes (veja Quadro 3). Apesar de serem necess\u00e1rios estudos complementares para esclarecer o papel da reavalia\u00e7\u00e3o e tomada de perspectiva em outras formas de medita\u00e7\u00e3o construtiva, estes dados sugerem um poss\u00edvel mecanismo pelo qual formas espec\u00edficas de medita\u00e7\u00e3o podem afetar o bem-estar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fam\u00edlia Desconstrutiva: Autoquestionamento e\u00a0<em>Insight<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grupo de medita\u00e7\u00f5es a que nos referimos como \u2018fam\u00edlia desconstrutiva\u2019 visa desfazer padr\u00f5es cognitivos desadaptativos por meio da explora\u00e7\u00e3o da din\u00e2mica da percep\u00e7\u00e3o, emo\u00e7\u00e3o e cogni\u00e7\u00e3o e da gera\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>insight<\/em>\u00a0nos modelos internos de si mesmo, dos outros e do mundo. N\u00f3s propomos que um mecanismo central na fam\u00edlia desconstrutiva seja o autoquestionamento, o qual n\u00f3s definimos como o processo de investigar a din\u00e2mica e a natureza da experi\u00eancia consciente. Apesar de o autoquestionamento ter recebido pouca aten\u00e7\u00e3o como tema de pesquisa cient\u00edfica, v\u00e1rias formas de questionamento s\u00e3o empregadas por uma gama de tradi\u00e7\u00f5es contemplativas [71-73]. O autoquestionamento pode envolver uma an\u00e1lise discursiva ou um exame direto da experi\u00eancia consciente, e frequentemente envolve a explora\u00e7\u00e3o de processos autorrelacionados (veja Quadro 4 e Tabela 1). A an\u00e1lise discursiva poderia favorecer a identifica\u00e7\u00e3o das hip\u00f3teses que fundamentam a reifica\u00e7\u00e3o de um objeto ou experi\u00eancia particulares e tamb\u00e9m a reflex\u00e3o subsequente e o questionamento sobre a consist\u00eancia l\u00f3gica dessas hip\u00f3teses. Se voc\u00ea \u00e9 ansioso, por exemplo, voc\u00ea poderia identificar as hip\u00f3teses de receio que fundamentam a emo\u00e7\u00e3o e ent\u00e3o questionar as bases racionais de suas cren\u00e7as. Outra abordagem seria examinar diretamente sua experi\u00eancia, por exemplo por meio da dissec\u00e7\u00e3o do sentimento de ansiedade em suas partes componentes e observar como os pensamentos, sentimentos e sensa\u00e7\u00f5es f\u00edsicas que comp\u00f5em a emo\u00e7\u00e3o mudam constantemente. No contexto da medita\u00e7\u00e3o budista, esse processo de questionamento \u00e9 geralmente aplicado \u00e0s cren\u00e7as sobre o eu, apesar de que pode tamb\u00e9m ser aplicado \u00e0 natureza e din\u00e2mica da percep\u00e7\u00e3o, ao desdobramento dos pensamentos e emo\u00e7\u00f5es ou \u00e0 natureza da consci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na fam\u00edlia desconstrutiva, o autoquestionamento \u00e9 praticada para propiciar o\u00a0<em>insight<\/em>. O\u00a0<em>insight<\/em>\u00a0tem sido concebido como uma altera\u00e7\u00e3o na consci\u00eancia, geralmente repentina, que envolve uma sensa\u00e7\u00e3o de saber, compreender, ou perceber algo que anteriormente tinha escapado ao entendimento de algu\u00e9m [74]. Estudos cient\u00edficos desse fen\u00f4meno t\u00eam focado na explos\u00e3o da compreens\u00e3o que pode ocorrer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 solu\u00e7\u00e3o de problemas sem\u00e2nticos ou de matem\u00e1tica simples [75]. A pesquisa encontrou que essa forma de\u00a0<em>insight<\/em>\u00a0est\u00e1 ligada a diferen\u00e7as hemisf\u00e9ricas no c\u00e9rebro, com estudos recentes demonstrando que a estimula\u00e7\u00e3o facilitat\u00f3ria do c\u00f3rtex frontal-temporal direito por corrente direta juntamente com a estimula\u00e7\u00e3o inibit\u00f3ria da regi\u00e3o correspondente do hemisf\u00e9rio esquerdo aumenta grandemente a capacidade de resolver problemas originada por\u00a0<em>insight<\/em>\u00a0[76,77]. At\u00e9 o momento, o estudo cientifico do\u00a0<em>insight<\/em>\u00a0n\u00e3o tem investigado formas de\u00a0<em>insight<\/em>\u00a0que possam surgir por meio do autoquestionamento, nem tem havido investiga\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica da rela\u00e7\u00e3o entre\u00a0<em>insight<\/em>\u00a0e bem-estar. Esta \u00e9 uma \u00e1rea que demanda pesquisa futura, especialmente porque uma variedade de tradi\u00e7\u00f5es meditativas sustentam que formas espec\u00edficas de\u00a0<em>insight<\/em>, como\u00a0<em>insight<\/em>\u00a0sobre a natureza do eu, t\u00eam particular import\u00e2ncia quando se trata de cultivar o bem-estar [27,71,78].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na pr\u00e1tica da medita\u00e7\u00e3o budista os\u00a0<em>insights<\/em>, que comumente seriam fr\u00e1geis e fugazes, s\u00e3o sistematicamente estabilizados e integrados com a experi\u00eancia da pessoa, primeiro em medita\u00e7\u00e3o formal e subsequentemente na vida cotidiana. A consci\u00eancia agu\u00e7ada da experi\u00eancia do momento presente, cultivada atrav\u00e9s das medita\u00e7\u00f5es atencionais, e o autoquestionamento realizado nas medita\u00e7\u00f5es desconstrutivas s\u00e3o, pois, considerados processos importantes, por\u00e9m distintos [79]. Para dar um exemplo da rela\u00e7\u00e3o entre esses dois processos, considere o sentimento de ser dominado pela raiva. Quando seu senso de eu est\u00e1 fundido com a presen\u00e7a da raiva (i.e., a sensa\u00e7\u00e3o \u201ceu estou com raiva\u201d), o surgimento da raiva n\u00e3o \u00e9 visto claramente, mas ela forma a lente atrav\u00e9s da qual voc\u00ea v\u00ea a experi\u00eancia. As pr\u00e1ticas da fam\u00edlia atencional treinam a capacidade de reconhecer a ocorr\u00eancia da raiva e de outros estados da mente, habilitando a pessoa a notar os pensamentos de raiva, as mudan\u00e7as psicol\u00f3gicas e as mudan\u00e7as na tonalidade afetiva. Esse processo de reconhecimento sustentado permite a investiga\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia de raiva, uma abordagem utilizada nas medita\u00e7\u00f5es desconstrutivas. Com esse elemento adicional, a pessoa n\u00e3o est\u00e1 meramente sustentando a consci\u00eancia da experi\u00eancia de raiva, mas tamb\u00e9m investigando seus v\u00e1rios componentes, questionando suas rela\u00e7\u00f5es com o pr\u00f3prio senso de eu, e\/ou descobrindo as cren\u00e7as impl\u00edcitas que informam o surgimento da raiva e, ent\u00e3o, questionando a validade dessas cren\u00e7as \u00e0 luz da experi\u00eancia do momento presente (veja Quadro 4). Esta investiga\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia da consci\u00eancia \u00e9 dita provocar uma experi\u00eancia de\u00a0<em>insight<\/em>, um relance de compreens\u00e3o intuitiva, que pode ser estabilizada quando aliada \u00e0 metaconsci\u00eancia. Assim, a metaconsci\u00eancia prepara a cena para o autoquestionamento e permite a estabiliza\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>insight<\/em>\u00a0que ele gera, embora sejam processos distintos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 o momento, somente um estudo investigou a rela\u00e7\u00e3o entre treino em medita\u00e7\u00e3o e\u00a0<em>insight<\/em>. Apesar de a forma de medita\u00e7\u00e3o empregada no estudo n\u00e3o ter sido de natureza desconstrutiva, os resultados mostraram que a criatividade na solu\u00e7\u00e3o de problemas foi maior com um treinamento de medita\u00e7\u00e3o de curto prazo do que com um treinamento de relaxamento muscular progressivo [80]. Essa diferen\u00e7a, al\u00e9m disso, estava ligada ao aumento da ativa\u00e7\u00e3o em uma variedade de regi\u00f5es do c\u00e9rebro, incluindo: giro cingulado direito, \u00ednsula, put\u00e2men, giro frontal inferior, giro frontal m\u00e9dio bilateral, l\u00f3bulo parietal inferior e giro temporal superior [80]. Estudos adicionais s\u00e3o necess\u00e1rios para determinar se formas espec\u00edficas de medita\u00e7\u00e3o, particularmente as medita\u00e7\u00f5es desconstrutivas, aumentam a capacidade de provocar e sustentar o\u00a0<em>insight<\/em>, e tamb\u00e9m investigar os correlatos psicol\u00f3gicos e biol\u00f3gicos das experi\u00eancias de\u00a0<em>insight<\/em>. Assim, o estudo da rela\u00e7\u00e3o entre diferentes formas de medita\u00e7\u00e3o e bem-estar pede uma considera\u00e7\u00e3o mais abrangente da variedade de\u00a0<em>insights<\/em>, seus correlatos neurais e as condi\u00e7\u00f5es e interven\u00e7\u00f5es que podem facilitar sua ocorr\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O C\u00e9rebro e os Processos Relacionados com o Eu<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como visto aqui, o questionamento sobre a natureza do eu \u00e9 uma pr\u00e1tica importante em uma variedade de tradi\u00e7\u00f5es contemplativas, incluindo a medita\u00e7\u00e3o budista e exerc\u00edcios contemplativos greco-romanos [27,28]. Um dos aspectos mais convincentes de nosso senso de eu \u00e9 a narrativa pessoal cont\u00ednua, que junta e entrela\u00e7a os v\u00e1rios aspectos de nossas vidas em uma experi\u00eancia coerente e unificada. Esse int\u00e9rprete interno tem sido relacionado \u00e0 atividade do hemisf\u00e9rio cerebral esquerdo em pacientes com desconex\u00e3o inter-hemisf\u00e9rica [81] e \u00e0 atividade no c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal medial e c\u00f3rtex cingulado posterior, utilizando-se a pesquisa por imagem do c\u00e9rebro [82\u201384]. O eu narrativo pode ser contrastado com a experi\u00eancia subjetiva em primeira pessoa, que n\u00e3o se estende no tempo. Esse aspecto de individualidade tem sido referido como \u201ceu m\u00ednimo\u201d e \u201ceu fenomenal m\u00ednimo\u201d [86] e acredita-se estar instanciado na atividade cortical de regi\u00f5es relacionadas \u00e0 interocep\u00e7\u00e3o, como a \u00ednsula anterior [87\u201389], na jun\u00e7\u00e3o temporo-parietal[90], assim como no hipot\u00e1lamo, tronco encef\u00e1lico e outras regi\u00f5es subcorticais associadas com o funcionamento homeost\u00e1tico [91].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como ainda h\u00e1 uma escassez de evid\u00eancias emp\u00edricas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pr\u00e1ticas de medita\u00e7\u00e3o desconstrutivas e seu efeito nos processos neurais, essa \u00e9 uma \u00e1rea que demanda estudos mais intensivos no futuro. Alguns dados destacam a possibilidade de usar medita\u00e7\u00e3o para intencionalmente manipular aspectos essenciais da identidade [57,92,93], apesar de n\u00e3o estar claro se um\u00a0<em>insight<\/em>\u00a0sobre a natureza da experi\u00eancia rompe processos r\u00edgidos e\/ou desadaptativos relacionados ao eu, nem est\u00e1 claro como altera\u00e7\u00f5es desses processos poderiam estar instanciadas no c\u00e9rebro. Entretanto, realmente parece haver alguma superposi\u00e7\u00e3o entre os\u00a0<em>insights\u00a0<\/em>ditos surgirem nas formas de medita\u00e7\u00e3o que exploram a natureza do eu e a pesquisa recente na arena da neuroci\u00eancia cognitiva, que sugere que o autoprocessamento no c\u00e9rebro n\u00e3o est\u00e1 instanciado em uma regi\u00e3o ou rede particular, mas sim estende-se por uma ampla faixa de processos neurais vari\u00e1veis, que n\u00e3o parecem ser espec\u00edficos do eu [94,95]. Estudos futuros podem explorar essa converg\u00eancia usando pr\u00e1ticas contemplativas, especificamente aquelas da fam\u00edlia desconstrutiva, para provar a maleabilidade dos processes relacionados com o eu, sua inst\u00e2ncia no c\u00e9rebro e sua rela\u00e7\u00e3o tanto com o sofrimento quanto com o bem-estar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00f5es e Dire\u00e7\u00f5es Futuras<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pesquisa cient\u00edfica sobre os efeitos da medita\u00e7\u00e3o ainda se encontra em est\u00e1gios muito iniciais. Apesar de os resultados preliminares sugerirem que a medita\u00e7\u00e3o e outras formas de treinamento mental podem produzir mudan\u00e7as demonstr\u00e1veis na experi\u00eancia subjetiva, comportamento, padr\u00f5es de atividade neural e biologia perif\u00e9rica, estudos rigorosos ainda s\u00e3o necess\u00e1rios para descobrir os mecanismos precisos que fundamentam essas mudan\u00e7as. Em particular, estudos aleatorizados, grupos de controles ativos e estudos longitudinais que examinem as mudan\u00e7as dentro e entre as disciplinas ao longo do tempo, assim como compara\u00e7\u00f5es entre pr\u00e1ticas, ser\u00e3o especialmente importantes para determinar a efic\u00e1cia dos paradigmas do treinamento da medita\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, correlatos subjetivos, comportamentais e cl\u00ednicos das mudan\u00e7as neurais relacionadas \u00e0 medita\u00e7\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rios para avaliar o efeito de diferentes estilos de medita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A abordagem apresentada destaca a necessidade de expandir o escopo da pesquisa cient\u00edfica para incluir uma ampla gama de pr\u00e1ticas de medita\u00e7\u00e3o. O estudo sobre a medita\u00e7\u00e3o de aten\u00e7\u00e3o plena permitiu uma abertura singular no treinamento de formas espec\u00edficas de aten\u00e7\u00e3o, bem como no efeito do treinamento atencional sobre a regula\u00e7\u00e3o da emo\u00e7\u00e3o, aprendizado e mem\u00f3ria, e de v\u00e1rias outras formas de psicopatologia. De maneira semelhante, outras formas de medita\u00e7\u00e3o podem produzir\u00a0<em>insights<\/em>\u00a0importantes sobre a regula\u00e7\u00e3o de processos relacionados ao eu e sua import\u00e2ncia para o bem-estar, sa\u00fade e biologia perif\u00e9rica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante notar que aqui n\u00f3s exploramos essas fam\u00edlias com as lentes da neuroci\u00eancia cognitiva e psicologia cl\u00ednica, focando nossa aten\u00e7\u00e3o nos mecanismos cognitivos prim\u00e1rios e alvos fenomenol\u00f3gicos de formas espec\u00edficas de medita\u00e7\u00e3o. Entretanto, se n\u00f3s quisermos compreender completamente essas pr\u00e1ticas, ser\u00e1 tamb\u00e9m importante estudar o contexto mais amplo no qual essas pr\u00e1ticas se enquadram. Esse contexto inclui, mas certamente n\u00e3o se limita, a \u00e9tica, incorpora\u00e7\u00e3o, din\u00e2mica interpessoal, configura\u00e7\u00e3o cultural, e o papel da cren\u00e7a e da expectativa na formata\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia subjetiva. Dada essa abordagem, mesmo que pare\u00e7a inadequada, n\u00f3s esperamos estimular futuras discuss\u00f5es sobre a natureza de pr\u00e1ticas contemplativas e sobre como o estudo cient\u00edfico da medita\u00e7\u00e3o pode nos ajudar a entender melhor as causas e condi\u00e7\u00f5es do florescimento humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quadro 1. Formas de Medita\u00e7\u00e3o Atencional<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em ambos contextos tradicional e cl\u00ednico, a capacidade de sustentar uma consci\u00eancia agu\u00e7ada de pensamentos, comportamentos, emo\u00e7\u00f5es e percep\u00e7\u00f5es \u00e9 vista como a caracter\u00edstica central da medita\u00e7\u00e3o de aten\u00e7\u00e3o plena [18,20,28,96-98]. Apesar da consider\u00e1vel discuss\u00e3o com respeito \u00e0 natureza exata da pr\u00e1tica de aten\u00e7\u00e3o plena e sua rela\u00e7\u00e3o com seu construto de aten\u00e7\u00e3o plena em abordagens do budismo tradicional [28,99-102], h\u00e1 uma concord\u00e2ncia geral de que o processo cognitivo a que nos referimos como metaconsci\u00eancia desempenha um papel fundamental em um amplo espectro de pr\u00e1ticas de medita\u00e7\u00e3o. Seguindo nossa categoriza\u00e7\u00e3o publicada anteriormente [11], aqui n\u00f3s propomos duas categorias principais de medita\u00e7\u00e3o atencional, juntamente com duas novas subcategorias que permitem uma discuss\u00e3o mais sutil de estilos diferentes de pr\u00e1tica nesta fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aten\u00e7\u00e3o focada (AF) \u2013\u00a0<\/strong>Pr\u00e1ticas de aten\u00e7\u00e3o focada envolvem um estreitamento do escopo da aten\u00e7\u00e3o e o cultivo da concentra\u00e7\u00e3o focada em um \u00fanico objeto [11,48]. A presen\u00e7a de metaconsci\u00eancia distingue a estabilidade atencional atingida por meio desta forma de medita\u00e7\u00e3o das outras formas de absor\u00e7\u00e3o, como aten\u00e7\u00e3o est\u00e1vel, que ocorre quando algu\u00e9m est\u00e1 engajado em uma conversa\u00e7\u00e3o envolvente ou jogando um jogo interessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Monitoramento aberto (MO)<\/strong>\u00a0\u2013 As pr\u00e1ticas de monitoramento tamb\u00e9m envolvem o cultivo da metaconsci\u00eancia, mas elas n\u00e3o envolvem a sele\u00e7\u00e3o de um objeto espec\u00edfico para orientar a aten\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. Ao contr\u00e1rio, o escopo de aten\u00e7\u00e3o \u00e9 expandido para incorporar o fluxo de percep\u00e7\u00f5es, pensamentos, conte\u00fado emocional, e\/ou consci\u00eancia subjetiva. A medita\u00e7\u00e3o MO pode ser dividida em\u00a0<strong>monitoramento aberto orientado pelo objeto<\/strong>, que envolve dirigir a aten\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo a quaisquer pensamentos, percep\u00e7\u00f5es e sensa\u00e7\u00f5es que entrem no campo da consci\u00eancia, e\u00a0<strong>monitoramento aberto dirigido \u00e0 consci\u00eancia<\/strong>, referindo-se ao reconhecimento sustentado da qualidade do saber da pr\u00f3pria consci\u00eancia. Ambos os tipos de medita\u00e7\u00e3o de monitoramento aberto s\u00e3o similares de muitas maneiras \u00e0s pr\u00e1ticas discutidas abaixo no contexto da fam\u00edlia desconstrutiva. O que os distingue das formas de medita\u00e7\u00e3o desconstrutiva \u00e9 que seu objetivo prim\u00e1rio \u00e9 a estabiliza\u00e7\u00e3o da metaconsci\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a uma configura\u00e7\u00e3o atencional particular. Como veremos abaixo, na fam\u00edlia desconstrutiva, uma configura\u00e7\u00e3o semelhante de aten\u00e7\u00e3o pode ser empregada, mas para prop\u00f3sitos diferentes (como o cultivo do\u00a0<em>insight<\/em>\u00a0sobre a natureza da experi\u00eancia sensorial, por exemplo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quadro 2. \u00c9tica e Formas de Medita\u00e7\u00e3o Construtiva<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cultivo de qualidades virtuosas \u00e9 um objetivo comum em muitas tradi\u00e7\u00f5es contemplativas e filos\u00f3ficas [27,79,103]. A fam\u00edlia de medita\u00e7\u00e3o construtiva \u00e9 um m\u00e9todo importante que permite esse cultivo. Embora as pr\u00e1ticas desta fam\u00edlia necessitem da presen\u00e7a da metaconsci\u00eancia, e tamb\u00e9m servem para fortalecer e sustentar a metaconsci\u00eancia, a abordagem tomada nesta fam\u00edlia \u00e9 marcadamente diferente das pr\u00e1ticas da fam\u00edlia atencional, na medida que este estilo de pr\u00e1tica envolve a mudan\u00e7a ativa de conte\u00fado cognitivo e afetivo, em oposi\u00e7\u00e3o a simplesmente observar ou notar a presen\u00e7a de pensamentos, emo\u00e7\u00f5es e percep\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de haver muitos diferentes estilos construtivos de medita\u00e7\u00e3o, n\u00f3s identificamos tr\u00eas importantes subgrupos, aos quais nos referimos como orienta\u00e7\u00e3o ao relacionamento, orienta\u00e7\u00e3o aos valores e orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 percep\u00e7\u00e3o. A\u00a0<strong>orienta\u00e7\u00e3o ao relacionamento<\/strong>\u00a0enfatiza cultivar rela\u00e7\u00f5es harmoniosas com os outros. Na medita\u00e7\u00e3o budista, este estilo de pr\u00e1tica frequentemente envolve estender a bondade e a compaix\u00e3o primeiramente a indiv\u00edduos espec\u00edficos, e finalmente a todos os seres [104]. Este subgrupo de medita\u00e7\u00e3o pode impactar fatores psicol\u00f3gicos espec\u00edficos, ao reduzir atitudes tendenciosas dentro do grupo, por exemplo [105], e por isso enriquecer dimens\u00f5es importantes do bem-estar, como rela\u00e7\u00f5es positivas e significado na vida [2].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pr\u00e1ticas no subgrupo\u00a0<strong>orienta\u00e7\u00e3o aos valores<\/strong>\u00a0envolvem a integra\u00e7\u00e3o de abordagens \u00e9ticas ou valores na perspectiva cont\u00ednua de algu\u00e9m. Uma pr\u00e1tica comum nesse subgrupo \u00e9 a contempla\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria mortalidade, que \u00e9 encontrada na pr\u00e1tica budista, assim como na filosofia greco-romana. Na filosofia plat\u00f4nica, por exemplo, contempla\u00e7\u00f5es da morte funcionaram para trazer o indiv\u00edduo em contato com um sentido de eu que transcende as margens e necessidades de um corpo f\u00edsico [27], enquanto que no budismo, contemplar a fragilidade e a natureza fugaz da vida \u00e9 frequentemente usado para reorientar a mente em rela\u00e7\u00e3o ao que \u00e9 realmente significativo na vida [106].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pr\u00e1ticas que envolvem a\u00a0<strong>orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 percep\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0buscam alterar h\u00e1bitos de percep\u00e7\u00e3o como modo de induzir mudan\u00e7as no autoesquema subjacente. Uma pr\u00e1tica comum no budismo tibetano, por exemplo, \u00e9 a chamada \u201cest\u00e1gio de desenvolvimento\u201d[107], uma forma de medita\u00e7\u00e3o que busca alterar tanto a percep\u00e7\u00e3o de objetos sensoriais quanto a pr\u00f3pria perspectiva subjetiva. Essa mudan\u00e7a da percep\u00e7\u00e3o pode ser instanciada ao imaginar-se como a incorpora\u00e7\u00e3o da compaix\u00e3o, por exemplo, e ver outros indiv\u00edduos e seu pr\u00f3prio ambiente a partir dessa perspectiva. Dados preliminares sugerem que esta pr\u00e1tica pode enriquecer a habilidade de acessar recursos processuais visuoespaciais ampliados [15].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quadro 3. Empatia, Compaix\u00e3o e o C\u00e9rebro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das pr\u00e1ticas mais amplamente estudadas na fam\u00edlia construtiva \u00e9 o cultivo da compaix\u00e3o. O treino da compaix\u00e3o \u00e9 realizado para alterar processos essenciais relacionados ao indiv\u00edduo, iniciando uma mudan\u00e7a de padr\u00f5es cognitivos, afetivos e comportamentais orientados ao pr\u00f3prio indiv\u00edduo para padr\u00f5es orientados ao bem-estar dos outros [108]. No campo da psicologia, a empatia \u00e9 caracterizada como a habilidade de compreender ou ressoar com o estado emocional do outro [109-112] e compaix\u00e3o como a preocupa\u00e7\u00e3o com o sofrimento de outro acompanhada pela motiva\u00e7\u00e3o de ajudar [109,113]. Na aus\u00eancia da compaix\u00e3o, o sofrimento emp\u00e1tico pode levar a um efeito negativo [64,114], enquanto a compaix\u00e3o est\u00e1 associada com bem-estar e emo\u00e7\u00f5es positivas [114,115].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisa com correlatos neurais da empatia encontraram que regi\u00f5es semelhantes, incluindo a \u00ednsula, os c\u00f3rtices cingulados anterior e medial, e a \u00e1rea motor suplementar s\u00e3o ativados por v\u00e1rias formas de empatia [111,116,117]. Por meio de contraste, a compaix\u00e3o est\u00e1 ligada a regi\u00f5es associadas com recompensa, influ\u00eancia positiva, e sentimentos de afei\u00e7\u00e3o, como o corpo estriado ventral e o c\u00f3rtex orbitofrontal medial [70,114]. Estudos sobre treino de compaix\u00e3o tamb\u00e9m encontraram maior ativa\u00e7\u00e3o nas regi\u00f5es associadas com fun\u00e7\u00e3o executiva, incluindo o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal dorsolateral [118] e o c\u00f3rtex cingulado anterior [70,119]. Apesar de serem necess\u00e1rias pesquisas suplementares para determinar os pap\u00e9is singulares que cada uma dessas regi\u00f5es desempenha no desenvolvimento da compaix\u00e3o, estes resultados preliminares sugerem que cultivar a compaix\u00e3o fortalece m\u00faltiplas redes, cada uma das quais pode afetar processos psicol\u00f3gicos distintos e, assim, contribuir para o bem-estar de diferentes modos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A empatia e a compaix\u00e3o tamb\u00e9m afetam a biologia perif\u00e9rica do corpo humano. Perceber o estresse em outro indiv\u00edduo tem sido ligado a elevados \u00edndices de cortisol, uma rela\u00e7\u00e3o que \u00e9 mais s\u00f3lida naqueles com grau de empatia alto [120], enquanto que a compaix\u00e3o tem sido ligada a n\u00edveis mais baixos de reatividade do cortisol [121]. Estudos preliminares de treinamento de compaix\u00e3o encontraram associa\u00e7\u00f5es entre o tempo dedicado ao treinamento da compaix\u00e3o e biomarcadores inflamat\u00f3rios; com mais treinamento de compaix\u00e3o levando \u00e0 redu\u00e7\u00e3o tanto de prote\u00edna c reativa quanto de interleucina (IL)-6 [122,123]. Esses resultados sugerem que a mente pode ser treinada a se orientar para o bem-estar de outros e que essa mudan\u00e7a de si mesmo para o outro afeta tanto o c\u00e9rebro quanto a biologia perif\u00e9rica do corpo, em particular o modo como o corpo responde ao estresse ambiental. Pesquisas adicionais s\u00e3o requeridas para elucidar os mecanismos precisos pelos quais esses estados afetam o corpo, e tamb\u00e9m investigar como as mudan\u00e7as na biologia perif\u00e9rica afetam reciprocamente os processos psicol\u00f3gicos e a rela\u00e7\u00e3o entre esses processos e o bem-estar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quadro 4. Reifica\u00e7\u00e3o Cognitiva e Formas de Medita\u00e7\u00e3o Deconstrutiva<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fam\u00edlia desconstrutiva representa uma gama de pr\u00e1ticas de medita\u00e7\u00e3o que emprega o autoquestionamento para provocar\u00a0<em>insight<\/em>\u00a0sobre a natureza e a din\u00e2mica da experi\u00eancia consciente. N\u00f3s identificamos tr\u00eas subgrupos da fam\u00edlia desconstrutiva:\u00a0<em>insight<\/em>\u00a0orientado ao objeto,\u00a0<em>insight<\/em>\u00a0orientado ao sujeito e\u00a0<em>insight<\/em>\u00a0n\u00e3o dual. Pr\u00e1ticas de\u00a0<strong><em>insight<\/em>\u00a0orientado ao objeto\u00a0<\/strong>empregam autoquestionamento para investigar os objetos da consci\u00eancia. Isso envolve, por exemplo, investigar sensa\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e notar como elas est\u00e3o mudando constantemente [102]. Pr\u00e1ticas de\u00a0<strong><em>insight<\/em>\u00a0orientado ao sujeito\u00a0<\/strong>envolvem questionamentos sobre a natureza do pensamento, percep\u00e7\u00e3o e outros processos cognitivos e afetivos. Neste estilo de pr\u00e1tica o indiv\u00edduo pode, por exemplo, dissecar pensamentos e emo\u00e7\u00f5es em suas partes componentes [72]. As\u00a0<strong>pr\u00e1ticas n\u00e3o duais<\/strong>\u00a0s\u00e3o planejadas para provocar uma mudan\u00e7a para um modo de experienciar no qual as estruturas cognitivas do eu\/outro e sujeito\/objeto n\u00e3o s\u00e3o mais o modo dominante da experi\u00eancia. Essas pr\u00e1ticas frequentemente enfatizam a import\u00e2ncia de liberar as tentativas de controlar, dirigir ou alterar a mente de qualquer modo e tamb\u00e9m servem para desfazer a reifica\u00e7\u00e3o de um \u201cobservador\u201d testemunha que seja separado dos objetos da consci\u00eancia [14,100]. O objetivo de todos os tr\u00eas estilos de pr\u00e1tica na fam\u00edlia desconstrutiva n\u00e3o \u00e9 simplesmente manter a consci\u00eancia de diferentes aspectos da experi\u00eancia, como n\u00f3s achamos na fam\u00edlia atencional, mas sim ganhar diretamente um<em>\u00a0insight<\/em>\u00a0experiencial sobre a natureza e a din\u00e2mica da experi\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de as medita\u00e7\u00f5es desconstrutivas serem usadas para questionar sobre muitas facetas da experi\u00eancia consciente, a natureza do eu \u00e9 um t\u00f3pico de questionamento em uma ampla gama de pr\u00e1ticas contemplativas e filos\u00f3ficas. Para dar dois importantes exemplos, o exame do eu est\u00e1 ligado ao \u201cbem maior\u201d na filosofia grega [27] e \u00e9 visto como a chave para dissolver o ciclo do sofrimento no budismo [78]. Na medita\u00e7\u00e3o budista, o alvo prim\u00e1rio de muitas pr\u00e1ticas de autoquestionamento \u00e9 a reifica\u00e7\u00e3o cognitiva, a cren\u00e7a impl\u00edcita de que os pensamentos, emo\u00e7\u00f5es e percep\u00e7\u00f5es s\u00e3o representa\u00e7\u00f5es acuradas da realidade [124]. Pr\u00e1ticas desconstrutivas nessa tradi\u00e7\u00e3o est\u00e3o especialmente relacionadas \u00e0 vis\u00e3o de que o eu \u00e9 s\u00f3lido e unit\u00e1rio, uma vez que se acredita que um senso reificado do eu seja a causa prim\u00e1ria do sofrimento e de estados de descontentamento [78]. Pr\u00e1ticas budistas desconstrutivas, portanto, frequentemente envolvem a explora\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia de subjetividade por meio de questionamento dos v\u00e1rios componentes que compreendem o eu, por exemplo [125], ou pelo exame da rela\u00e7\u00e3o entre o eu como agente ou observador e os objetos com que ele interage [126].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quest\u00f5es Importantes<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Como as v\u00e1rias formas de treinamento das tr\u00eas fam\u00edlias interagem umas com as outras? Existe uma sequ\u00eancia \u00f3tima ou ela depende do indiv\u00edduo? Quais s\u00e3o os efeitos da ordem das pr\u00e1ticas individuais?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Em que n\u00edvel os efeitos de medita\u00e7\u00f5es espec\u00edficas se apoiam nas abordagens, cren\u00e7as e vis\u00f5es universais que sustentam essas pr\u00e1ticas?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Como os autoesquemas surgem ao longo da ontogenia, que fun\u00e7\u00f5es eles t\u00eam e como eles se relacionam com as diferentes facetas do bem-estar?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">A metaconsci\u00eancia \u00e9 distinta dos conceitos relacionados como o distanciamento psicol\u00f3gico e a introspec\u00e7\u00e3o? Como ela se relaciona com outras formas de aten\u00e7\u00e3o, como aten\u00e7\u00e3o comum? Quais s\u00e3o seus marcadores neurais e comportamentais?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Como a metaconsci\u00eancia media mudan\u00e7as em outros processos, como na regula\u00e7\u00e3o da emo\u00e7\u00e3o, em fun\u00e7\u00e3o gerencial e em desaprender h\u00e1bitos?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Como o treinamento em compaix\u00e3o e outras pr\u00e1ticas da fam\u00edlia construtiva afetam processos espec\u00edficos relacionados ao eu? Como as mudan\u00e7as nesses processos poderiam enriquecer diferentes campos do bem-estar?<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Como o\u00a0<em>insight<\/em>\u00a0e a reifica\u00e7\u00e3o cognitiva s\u00e3o efetivamente medidas no comportamento, no c\u00e9rebro e na fisiologia perif\u00e9rica?<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Destaques<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o propostos mecanismos espec\u00edficos e alvos de diferentes formas de medita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s apresentamos modelos de medita\u00e7\u00e3o atencional, construtiva e desconstrutiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s discutimos metaconsci\u00eancia, fus\u00e3o experiencial, autoesquema, autoquestionamento e <em>insight<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tabela 1. Tipologia de Pr\u00e1ticas de Medita\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00f5es Cl\u00ednicas Relacionadas<\/strong><\/br><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta tipologia agrupa as formas de medita\u00e7\u00e3o mais comuns e as interven\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas baseadas em medita\u00e7\u00e3o em subcategorias de cada uma das tr\u00eas fam\u00edlias. Note que enquanto muitas pr\u00e1ticas cont\u00eam elementos de todas as tr\u00eas fam\u00edlias, as categoriza\u00e7\u00f5es nesta abordagem s\u00e3o baseadas nos mecanismos prim\u00e1rios de pr\u00e1ticas individuais. Dada a complexidade de cada pr\u00e1tica listada aqui, n\u00f3s apresentamos este sistema como um passo inicial no longo processo de estudo da diversidade de pr\u00e1ticas de medita\u00e7\u00e3o. Veja Materiais Suplementares para descri\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas individuais e cita\u00e7\u00f5es relevantes.<\/p>\n<table style=\"height: 2152px;\" width=\"963\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"142\">\n<h4>\n<p style=\"text-align: center;\">Fam\u00edlia Atencional<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"142\">\n<h4>\n<p style=\"text-align: center;\">Fam\u00edlia Construtiva<\/h4>\n<\/td>\n<td width=\"142\">\n<h4>\n<p style=\"text-align: center;\">Fam\u00edlia Desconstrutiva<\/h4>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aten\u00e7\u00e3o Focada (AF)<\/strong><\/br><br \/>\n. Pr\u00e1tica de Jhana (Theravada)<br \/>\n. Contagem da Respira\u00e7\u00e3o (Zen)<br \/>\n. Pr\u00e1ticas de Consci\u00eancia Corporal (Zen\/Tibetano)<br \/>\n. Shamata\/Calmo Permanecer com Suporte (Tibetano)<br \/>\n. Recita\u00e7\u00e3o de Mantras (v\u00e1rias tradi\u00e7\u00f5es)<\/td>\n<td width=\"142\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Orienta\u00e7\u00e3o das Rela\u00e7\u00f5es (R-C)<\/strong><br \/>\n. Bondade Amorosa e Compaix\u00e3o (Theravada, Tibetano). <\/br>Bodhichitta\/Voto Bodhisattva (Tibetano\/Zen)<br \/>\n. Prece Centrada (Crist\u00e3)<br \/>\n. Treino de Cultivo da Compaix\u00e3o do CCARE (cl\u00ednico)<br \/>\n. Treinamento da Compaix\u00e3o com Base Cognitiva \u2013 Componente da Compaix\u00e3o (cl\u00ednico).<\/td>\n<td width=\"142\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Insights<\/em>\u00a0orientados ao objeto (I-OO)<\/strong><br \/>\n. Terapia Cognitiva baseada na Aten\u00e7\u00e3o Plena \u2013 Componente Cognitivo (cl\u00ednico)<br \/>\n. Primeira e Segunda Funda\u00e7\u00f5es da Aten\u00e7\u00e3o Plena (Theravada\/Tibetana)<br \/>\n. Vipassana\/<em>Insight<\/em>\u00a0(Theravada)<br \/>\n. Medita\u00e7\u00e3o Anal\u00edtica (Tibetana)<br \/>\n. Pr\u00e1tica do Koan (Zen)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Monitoramento Aberto (Orientado ao Objeto: MA-O)<\/strong><\/br><br \/>\n. Cultivo da Aten\u00e7\u00e3o (filosofia greco-romana)<br \/>\n. Consci\u00eancia sem Chance de Escolha (Tibetano)<br \/>\n. Redu\u00e7\u00e3o do Estresse Baseado na Aten\u00e7\u00e3o Plena (cl\u00ednica)<br \/>\n. Terapia de Comportamento Dial\u00e9tico \u2013 Componente de Aten\u00e7\u00e3o Plena (cl\u00ednica)<br \/>\n. Terapia Cognitiva Baseada da Aten\u00e7\u00e3o Plena \u2013 Componente da Aten\u00e7\u00e3o Plena (cl\u00ednica)<br \/>\n. Terapia de Aceita\u00e7\u00e3o e Compromisso \u2013 Componente da Aten\u00e7\u00e3o Plena (cl\u00ednica)<\/td>\n<td width=\"142\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Orienta\u00e7\u00e3o aos Valores (C-V)<\/strong><br \/>\n. As Seis Recorda\u00e7\u00f5es (Theravada)<br \/>\n. Os Quatro Pensamentos (Tibetano)<br \/>\n. Contempla\u00e7\u00f5es de Mortalidade (Theravada, Tibetano, Zen, filosofia greco-romana)<br \/>\n. Terapia de bem-estar (cl\u00ednica)<\/td>\n<td width=\"142\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Insight<\/em>\u00a0Orientado ao Sujeito (I-OS)<\/strong><br \/>\n. Terapia de Comportamento Cognitivo (cl\u00ednica)<br \/>\n. Terceira e Quarta Funda\u00e7\u00f5es da Aten\u00e7\u00e3o Plena (Theravada, Tibetano)<br \/>\n. Medita\u00e7\u00e3o Anal\u00edtica Mahamudra (Tibetana)<br \/>\n. Medita\u00e7\u00e3o Anal\u00edtica Dzogchen (Tibetana)<br \/>\nPr\u00e1tica do Koan (Zen)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td width=\"142\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Monitoramento aberto<\/strong><\/br><strong>(Orientado ao Sujeito: MAO-S)<\/strong><br \/>\n. Shamata\/ Calmo Permanecer sem Suporte (Tibetana)<\/td>\n<td width=\"142\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Orienta\u00e7\u00e3o \u00e0 Percep\u00e7\u00e3o (O-P)<\/strong><br \/>\n. Estagio de Desenvolvimento (Tibetano)<br \/>\n. Medita\u00e7\u00e3o de Foulness (Theravada)<\/td>\n<td width=\"142\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Insight<\/em>\u00a0com Orienta\u00e7\u00e3o N\u00e3o Dual. (I-ON)<\/strong><\/br><br \/>\nMuraqaba (Sufi)<br \/>\n. Mahamudra (Tibetano)<br \/>\n. Dzogchen (Tibetano)<br \/>\n. Shikantaza (Zen)<br \/>\n. Autoquestionamento (Advaita Vedanta)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><u>Materiais Suplementares<\/u><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se\u00e7\u00e3o 1. Descri\u00e7\u00f5es e Cita\u00e7\u00f5es para a Tipologia de Pr\u00e1ticas de Medita\u00e7\u00e3o e Interven\u00e7\u00f5es Cl\u00ednicas Relacionadas<\/strong><br \/>\nAs descri\u00e7\u00f5es seguintes correspondem \u00e0s pr\u00e1ticas de medita\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas listadas na Tabela 1 do artigo principal. Para ilustrar, n\u00f3s inclu\u00edmos uma cita\u00e7\u00e3o relevante para cada item. Ressaltamos que muitas das pr\u00e1ticas listadas a seguir s\u00e3o h\u00edbridas e portanto incluem elementos de m\u00faltiplas fam\u00edlias. Este sistema de classifica\u00e7\u00e3o agrupa as pr\u00e1ticas segundo seus\u00a0<em>mecanismos<\/em>\u00a0<em>cognitivos<\/em>\u00a0<em>prim\u00e1rios<\/em>. A inclus\u00e3o de pr\u00e1ticas individuais em fam\u00edlias espec\u00edficas n\u00e3o pretende indicar que elas estejam exclusivamente relacionadas \u00e0 aten\u00e7\u00e3o, ao cultivo de qualidades particulares, ou \u00e0 desconstru\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es cognitivos e\/ou afetivos desadaptativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fam\u00edlia Atencional \u2013 Aten\u00e7\u00e3o Focada (AF)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pr\u00e1tica de<\/strong>\u00a0<strong>Jhana\u00a0<\/strong>\u00e9 uma forma de medita\u00e7\u00e3o encontrada no budismo cl\u00e1ssico e amplamente praticada na Escola Theravada. Esta forma de medita\u00e7\u00e3o envolve manter a aten\u00e7\u00e3o em um \u00fanico objeto, como a respira\u00e7\u00e3o ou um estado afetivo, como a compaix\u00e3o [S1].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Contagem da Respira\u00e7\u00e3o<\/strong>, amplamente praticada em muitas tradi\u00e7\u00f5es budistas, envolve manter a aten\u00e7\u00e3o nos movimentos da respira\u00e7\u00e3o enquanto conta mentalmente as inala\u00e7\u00f5es e exala\u00e7\u00f5es [S2].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pr\u00e1ticas de Consci\u00eancia Corporal\u00a0<\/strong>envolvem dirigir a aten\u00e7\u00e3o a \u00e1reas espec\u00edficas do corpo, como o ponto abaixo do umbigo, e manter a consci\u00eancia nessa \u00e1rea por per\u00edodos prolongados de tempo. Esta forma de pr\u00e1tica \u00e9 comumente encontrada em muitas escolas de budismo. Nota: esta forma de pr\u00e1tica difere das pr\u00e1ticas de consci\u00eancia corporal que envolvem varredura do corpo e n\u00e3o em sustentar o foco em um ponto ou \u00e1rea [S3].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Shamatha (tamb\u00e9m conhecida como calmo permanecer ou tranquilidade) com Suporte<\/strong>, uma forma comum de treino de medita\u00e7\u00e3o no Budismo Tibetano, envolve repousar a aten\u00e7\u00e3o em um aspecto espec\u00edfico de experi\u00eancia. Este objeto pode ser uma percep\u00e7\u00e3o sensorial (como um objeto visual ou sensa\u00e7\u00e3o f\u00edsica), um pensamento (como uma palavra ou som repetidos mentalmente, ex. um mantra), ou uma emo\u00e7\u00e3o (como a compaix\u00e3o). Esta forma de medita\u00e7\u00e3o \u00e9 similar em muitos aspectos \u00e0 mencionada pr\u00e1tica de Jhana [S4].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recita\u00e7\u00e3o de mantras\u00a0<\/strong>\u00e9 praticada na maioria das principais religi\u00f5es e envolve a repeti\u00e7\u00e3o de uma palavra ou frase sagrada, por meio do que, a mente se torna gradativamente mais calma, e aspectos sutis da consci\u00eancia s\u00e3o acessados. Este estilo de medita\u00e7\u00e3o \u00e9 talvez mais amplamente praticado na Medita\u00e7\u00e3o Transcendental (MT), apesar de que MT tamb\u00e9m envolve elementos da fam\u00edlia desconstrutiva [S5].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fam\u00edlia Atencional \u2013 Monitoramento Aberto (Orientado ao objeto \u2013 MA-O)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O\u00a0Cultivo da Aten\u00e7\u00e3o<\/strong> foi considerado um exerc\u00edcio fundamental em v\u00e1rias formas de filosofia greco-romana, especialmente na Escola Estoica, onde foi referido como Do mesmo modo que a pr\u00e1tica de consci\u00eancia sem escolha descrita abaixo, o cultivo da aten\u00e7\u00e3o frequentemente envolvia trazer a consci\u00eancia para v\u00e1rios aspectos da experi\u00eancia do momento presente [S6].<\/p>\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Consci\u00eancia sem Escolha<\/strong>, uma pr\u00e1tica encontrada no Budismo Tibetano, envolve liberar o foco da aten\u00e7\u00e3o de um objeto espec\u00edfico e manter a consci\u00eancia em quaisquer pensamentos, sentimentos, ou percep\u00e7\u00f5es que surjam como objetos no campo da consci\u00eancia [S4].<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Redu\u00e7\u00e3o do Estresse baseada na Aten\u00e7\u00e3o Plena \u2013\u00a0<\/strong>\u00e9 uma interven\u00e7\u00e3o cl\u00ednica que emprega uma variedade de pr\u00e1ticas atencionais com elementos desconstrutivos, com a inten\u00e7\u00e3o de cultivar uma consci\u00eancia do momento presente, sem julgamentos, das v\u00e1rias facetas da experi\u00eancia psicofisiol\u00f3gica [S7].<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Terapia do Comportamento Dial\u00e9tico\u00a0<\/strong>\u00e9 uma interven\u00e7\u00e3o cl\u00ednica designada para ajudar no tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline. A consci\u00eancia do momento presente da experi\u00eancia \u00e9 um dos quatro principais componentes desta abordagem [S8].<\/p>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Terapia Cognitiva baseada na Aten\u00e7\u00e3o Plena\u00a0<\/strong>\u00e9 uma interven\u00e7\u00e3o cl\u00ednica que emprega elementos da Terapia de Comportamento Cognitivo (inclu\u00edda na fam\u00edlia desconstrutiva) juntamente com pr\u00e1ticas relacionadas \u00e0 medita\u00e7\u00e3o, que favorecem a consci\u00eancia do momento presente de processos cognitivos, afetivos e perceptivos [S9].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Terapia de Aceita\u00e7\u00e3o e Compromisso\u00a0<\/strong>\u00e9 um processo terap\u00eautico que inclui o cultivo da consci\u00eancia do momento presente como um de seus componentes prim\u00e1rios [S10].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fam\u00edlia Atencional \u2013 Monitoramento Aberto (Orientado ao Sujeito \u2013 MAO-S)<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Shamatha (tamb\u00e9m conhecida como calmo permanecer ou tranquilidade) sem Suporte<\/strong>, tamb\u00e9m referida como medita\u00e7\u00e3o da \u201cconsci\u00eancia aberta\u201d, \u00e9 uma forma comum de treino de medita\u00e7\u00e3o no Budismo Tibetano. Esta pr\u00e1tica envolve liberar a orienta\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o dirigida a um objeto e, em lugar disso, manter a consci\u00eancia no processo de saber [S4].<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fam\u00edlia Construtiva \u2013 Orientada ao Relacionamento (R-C)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bondade Amorosa e Compaix\u00e3o<\/strong>, comumente praticada no Budismo Tibetano e Theravada, envolve cultivar e manter, sistematicamente, o cuidado ativo e a preocupa\u00e7\u00e3o para aliviar o sofrimento (compaix\u00e3o) ou alimentar a felicidade (bondade amorosa) do objeto de medita\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m, que pode ser a pr\u00f3pria pessoa, outro ser, ou todos os seres [S11].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Medita\u00e7\u00f5es de Bodhichitta\u00a0<\/strong>s\u00e3o um corpo de pr\u00e1ticas, comumente praticadas tanto no Zen Budismo quanto no Budismo Tibetano, que giram em torno de cultivar a aspira\u00e7\u00e3o e o compromisso ativo de ajudar todos o seres a alcan\u00e7ar a completa libera\u00e7\u00e3o do sofrimento e insatisfatoriedade e a incorporar plenamente a sabedoria e a compaix\u00e3o [S12].<\/p>\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Prece de Centramento\u00a0<\/strong>\u00e9 uma pr\u00e1tica contempor\u00e2nea extra\u00edda da tradi\u00e7\u00e3o m\u00edstica cat\u00f3lica que envolve repetir uma palavra sagrada para se conectar com a presen\u00e7a do divino [S13].<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Treino de Cultivo da Compaix\u00e3o\u00a0<\/strong>(TCC) \u00e9 um programa que emprega pr\u00e1ticas contemplativas planejadas para aprimorar a resili\u00eancia, rela\u00e7\u00f5es interpessoais e bem-estar [S14].<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Treino de Compaix\u00e3o baseado na cogni\u00e7\u00e3o<\/strong>, enraizado nas pr\u00e1ticas contemplativas budistas, \u00e9 um programa de treinamento secular que inclui elementos de todas as tr\u00eas fam\u00edlias. A \u00eanfase principal nesta abordagem \u00e9 ajudar os indiv\u00edduos a treinar suas mentes de modo que as respostas compassivas se tornem autom\u00e1ticas [S15]<strong>.<\/strong><\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fam\u00edlia Construtiva \u2013 Orientada a Valores (C-V)<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As Seis Recorda\u00e7\u00f5es\u00a0<\/strong>s\u00e3o uma pr\u00e1tica tradicional do Budismo Theravada que envolve contemplar uma s\u00e9rie de t\u00f3picos, incluindo recorda\u00e7\u00f5es das qualidades positivas da virtude e generosidade, de modo a acalmar e estabilizar a mente [S16].<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os Quatro Pensamentos\u00a0<\/strong>s\u00e3o uma pr\u00e1tica tradicional do Budismo Tibetano que envolve contemplar a preciosidade da vida humana, morte e imperman\u00eancia, o princ\u00edpio da causalidade, e a natureza pervasiva do sofrimento e insatisfatoriedade. O objetivo principal dessas contempla\u00e7\u00f5es \u00e9 promover a prioriza\u00e7\u00e3o dos objetivos que ir\u00e3o conduzir ao bem-estar de longa dura\u00e7\u00e3o, ao inv\u00e9s de ganhos de curta dura\u00e7\u00e3o [S12].<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Contempla\u00e7\u00e3o da Mortalidade\u00a0<\/strong>\u00e9 uma pr\u00e1tica comum a muitas formas de Budismo na qual um indiv\u00edduo contempla a fragilidade da vida, as muitas circunst\u00e2ncias que podem levar \u00e0 morte, e outros t\u00f3picos que visem a colocar o meditante em contato com sua pr\u00f3pria mortalidade. H\u00e1 v\u00e1rios objetivos para estas pr\u00e1ticas, incluindo acalmar a mente e estabilizar a aten\u00e7\u00e3o, mas um dos objetivos prim\u00e1rios \u00e9 reorientar a mente em dire\u00e7\u00e3o ao que \u00e9 verdadeiramente significativo e de benef\u00edcio duradouro [S17].<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Terapia de Bem-estar\u00a0<\/strong>\u00e9 uma estrat\u00e9gia psicoterap\u00eautica desenhada para incrementar o bem-estar. \u00c9 baseada no modelo de Carol Ryff de bem-estar psicol\u00f3gico, que compreende seis \u00e1reas: dom\u00ednio ambiental, crescimento pessoal, prop\u00f3sito na vida, autonomia, autoaceita\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00f5es positivas com os outros [S18]<strong>.<\/strong><\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fam\u00edlia Construtiva \u2013 Orientada \u00e0 Percep\u00e7\u00e3o (O-P)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Est\u00e1gio de Desenvolvimento\u00a0<\/strong>\u00e9 uma forma de medita\u00e7\u00e3o comumente praticada no Budismo Tibetano que emprega a imagina\u00e7\u00e3o e visualiza\u00e7\u00e3o criativa. Uma t\u00e9cnica comum \u00e9 se imaginar como um ser iluminado que incorpora plenamente a sabedoria e a compaix\u00e3o. O objetivo destas pr\u00e1ticas \u00e9 romper os processos de percep\u00e7\u00e3o que estejam orientados a qualidades e circunst\u00e2ncias indesej\u00e1veis, e a cultivar uma vis\u00e3o do mundo e de outros indiv\u00edduos como incorpora\u00e7\u00f5es da sabedoria e compaix\u00e3o [S19].<\/p>\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Medita\u00e7\u00e3o em Foulness\u00a0<\/strong>\u00e9 uma forma de contempla\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o budista mais antiga e correntemente praticada na tradi\u00e7\u00e3o Theravada. O objetivo principal desta pr\u00e1tica \u00e9 enfraquecer a lux\u00faria e o desejo sexual atrav\u00e9s de imaginar o corpo humano em v\u00e1rios estados de decomposi\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m por dissecar mentalmente o corpo em suas partes componentes. Isto \u00e9 frequentemente praticado por monges e monjas celibat\u00e1rios com objetivo de ajudar a manter seus votos mon\u00e1sticos [S16].<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Insight\u00a0<\/em><\/strong><strong>Orientado ao Objeto (I-OO)<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Primeira e Segunda Funda\u00e7\u00f5es da Aten\u00e7\u00e3o Plena\u00a0<\/strong>s\u00e3o pr\u00e1ticas cl\u00e1ssicas budistas, comuns a todas as formas de Budismo, mas mais amplamente praticadas na Escola Theravada. Nas duas primeiras das quatro funda\u00e7\u00f5es, a \u00eanfase \u00e9 trazer consci\u00eancia a v\u00e1rios aspectos do corpo e condi\u00e7\u00f5es de sensibilidade de modo a realizar, por exemplo, sua natureza transit\u00f3ria [S20]<strong>.<\/strong><\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Medita\u00e7\u00e3o Vipassana\/<em>Insight<\/em>\u00a0<\/strong>\u00e9 um termo geral para uma classe de medita\u00e7\u00f5es, amplamente praticada no Budismo Theravada, que busca gerar\u00a0<em>insight\u00a0<\/em>experiencial na natureza da experi\u00eancia. Esta classe de medita\u00e7\u00f5es frequentemente inclui elementos de pr\u00e1ticas de\u00a0<em>insight\u00a0<\/em>orientadas tanto ao objeto quanto ao sujeito [S21].<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Medita\u00e7\u00e3o Anal\u00edtica<\/strong>, comumente praticada no Budismo Tibetano, refere-se a uma forma de contempla\u00e7\u00e3o na qual o indiv\u00edduo investiga experiencialmente e\/ou analisa logicamente cren\u00e7as e vis\u00f5es ontol\u00f3gicas, especialmente relacionadas \u00e0 natureza do eu [S22].<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Insight<\/em><\/strong><strong>\u00a0Orientado ao Sujeito (I-OS)<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Terapia de Comportamento Cognitivo\u00a0<\/strong>\u00e9 uma forma de psicoterapia que foca em aliviar sintomas de depress\u00e3o, ansiedade, e outros problemas psicol\u00f3gicos atrav\u00e9s de ajudar os pacientes a mudar seu modo de pensar, comportamento, respostas emocionais, e o autoesquema desadaptativo que os embasa [S23].<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Terapia Cognitiva Baseada na Aten\u00e7\u00e3o plena<\/strong>, mencionada anteriormente na se\u00e7\u00e3o de medita\u00e7\u00e3o atencional, emprega tanto t\u00e9cnicas de aten\u00e7\u00e3o plena quanto aspectos da Terapia de Comportamento Cognitivo [S9].<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Terceira e Quarta Funda\u00e7\u00f5es da Aten\u00e7\u00e3o Plena\u00a0<\/strong>s\u00e3o pr\u00e1ticas cl\u00e1ssicas budistas comuns a todas as formas de budismo, mas mais amplamente praticadas na Escola Theravada. Na terceira e quarta das quatro funda\u00e7\u00f5es, a \u00eanfase \u00e9 trazer consci\u00eancia a v\u00e1rios estados de consci\u00eancia e aos elementos da experi\u00eancia psicofisiol\u00f3gica (darmas) [S20]<strong>.<\/strong><\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&gt;Medita\u00e7\u00e3o Anal\u00edtica de Dzogchen e Mahamudra\u00a0<\/strong>s\u00e3o pr\u00e1ticas do Budismo Tibetano, que empregam investiga\u00e7\u00f5es experienciais da consci\u00eancia para verificar sua ess\u00eancia e natureza [S24].<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Insight<\/em><\/strong><strong>\u00a0\u2013 com Orienta\u00e7\u00e3o N\u00e3o-dual (I-ON)<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ul>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muraqaba<\/strong>\u00a0\u00e9 uma pr\u00e1tica contemplativa encontrada na tradi\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica Sufi na qual o senso de identidade individual se dissolve e o ser se funde com o divino. Na pr\u00e1tica, esta forma de medita\u00e7\u00e3o avan\u00e7a em est\u00e1gios que envolvem obter acesso a aspectos de consci\u00eancia progressivamente mais sutis [S25].<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mahamudra\u00a0<\/strong>\u00e9 uma pr\u00e1tica budista tibetana pela qual um estudante \u00e9 guiado a uma experi\u00eancia direta da ess\u00eancia n\u00e3o-dual de consci\u00eancia, na qual n\u00e3o existe a sensa\u00e7\u00e3o de ser um observador ou agente que permanece fora dos objetos da consci\u00eancia. Ap\u00f3s essa introdu\u00e7\u00e3o, a pr\u00e1tica prim\u00e1ria envolve retornar a esse reconhecimento vez ap\u00f3s vez at\u00e9 que ele se estabilize e possa ser integrado a v\u00e1rias atividades e estados psicol\u00f3gicos [S26].<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dzogchen\u00a0<\/strong>\u00e9, como Mahamudra, uma pr\u00e1tica budista tibetana que enfatiza o repouso sem esfor\u00e7o na ess\u00eancia n\u00e3o-dual da consci\u00eancia [S27].<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pr\u00e1tica de Koan<\/strong>, comumente praticada no Zen Budismo, emprega hist\u00f3rias e frases paradoxais para demonstrar a inadequa\u00e7\u00e3o de conceitos e a propiciar uma experi\u00eancia direta de sabedoria n\u00e3o-conceitual [S28].<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Shikantaza\u00a0<\/strong>\u00e9 uma pr\u00e1tica zen-budista na qual o simples ato de sentar, sem esfor\u00e7o ou artif\u00edcio, expressa a presen\u00e7a da mente desperta, uma experi\u00eancia n\u00e3o-conceitual na qual a estrutura dual\u00edstica da consci\u00eancia se desfaz [S29].<\/p>\n<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Autoquestionamento<\/strong>\u00a0\u00e9 uma pr\u00e1tica de Advaita Vedanta, uma tradi\u00e7\u00e3o hindu de pr\u00e1tica contemplativa, que envolve cultivar uma consci\u00eancia sustentada do senso de identidade pessoal at\u00e9 que tudo se desfa\u00e7a, conduzindo a uma experi\u00eancia de consci\u00eancia n\u00e3o-dual [S30].<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cita\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S1 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Gunaratana, H. (1995)\u00a0<em>The path of serenity and insight: an explanation of the Buddhist Jh\u0101nas<\/em>, Motilal Banarsidass.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S2 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Aitken, R. (1982)\u00a0<em>Taking the path of Zen<\/em>, North Point Press.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S3 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Loori, J.D. (2002)\u00a0<em>The eight gates of Zen: A program of Zen training<\/em>, Shambhala Publications.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S4 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Swanson, E. and Rinpoche, Y.M. (2010)\u00a0<em>The joy of living: Unlocking the secret and science of happiness<\/em>, Random House.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S5 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Yogi, M. (1995)\u00a0<em>Science of being and art of living: Transcendental Meditation<\/em>, Meridian.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S6 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Hadot, P. (1995)\u00a0<em>Philosophy as a way of life: Spiritual exercises from Socrates to Foucault<\/em>, Oxford: Blackwell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S7 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Kabat-Zinn, J. (2013)\u00a0<em>Full catastrophe living: Using the wisdom of your body and mind to face stress, pain, and illness<\/em>, Bantam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S8 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Linehan, M.\u00a0<em>et al.<\/em>\u00a0(1999) Dialectical Behavior Therapy for patients with borderline personality disorder and drug-dependence.\u00a0<em>Am. J. Additictions<\/em>\u00a08, 279\u2013292<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S9 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Segal, Z. V.\u00a0<em>et al.<\/em>\u00a0(2012)\u00a0<em>Mindfulness-based cognitive therapy for depression<\/em>, Guilford Press.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S10 \u00a0\u00a0\u00a0 Hayes, S.C.\u00a0<em>et al.<\/em>\u00a0(2006) Acceptance and Commitment Therapy: Model, processes and outcomes.\u00a0<em>Behav. Res. Ther.<\/em>\u00a044, 1\u201325<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S11 \u00a0\u00a0\u00a0 Salzberg, S. (2002)\u00a0<em>Lovingkindness: The Revolutionary Art of Happiness<\/em>, Shambhala.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S12 \u00a0\u00a0\u00a0 Rinpoche, Y.M. (2014)\u00a0<em>Turning Confusion into Clarity: A Guide to the Foundation Practices of Tibetan Buddhism<\/em>, Snow Lion Publications.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S13 \u00a0\u00a0\u00a0 Keating, T. (2012)\u00a0<em>Invitation to Love: The Way of Christian Contemplation<\/em>, Bloomsbury Publishing.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S14 \u00a0\u00a0\u00a0 Jazaieri, H.\u00a0<em>et al.<\/em>\u00a0(2013) Enhancing Compassion: A Randomized Controlled Trial of a Compassion Cultivation Training Program.\u00a0<em>J. Happiness Stud.<\/em>\u00a014, 1113\u20131126<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S15 \u00a0\u00a0\u00a0 Reddy, S.D.\u00a0<em>et al.<\/em>\u00a0(2013) Cognitive-Based Compassion Training: A Promising Prevention Strategy for At-Risk Adolescents.\u00a0<em>J. Child Fam. Stud.<\/em>\u00a022, 219\u2013230<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S16 \u00a0\u00a0\u00a0 Buddhaghosa, B. (1991)\u00a0<em>The path of purification: Visuddhimagga<\/em>, Buddhist Publication Society.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S17 \u00a0\u00a0\u00a0 Halifax, J. (2009)\u00a0<em>Being with Dying: Cultivating Compassion and Fearlessness in the Presence of Death<\/em>, Shambhala Publications.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S18 \u00a0\u00a0\u00a0 Fava, G. a\u00a0<em>et al.<\/em>\u00a0(1998) Well-being therapy. A novel psychotherapeutic approach for residual symptoms of affective disorders.\u00a0<em>Psychol. Med.<\/em>\u00a028, 475\u2013480<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S19 \u00a0\u00a0\u00a0 Ray, R. (2002)\u00a0<em>Secret of the Vajra World<\/em>, Shambhala Publications.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S20 \u00a0\u00a0\u00a0 Goldstein, J. (2013)\u00a0<em>Mindfulness: A practical guide to awakening<\/em>, Sounds True.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S21 \u00a0\u00a0\u00a0 Goldstein, J. (2003)\u00a0<em>Insight Meditation: The Practice of Freedom<\/em>, Shambhala Publications.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S22 \u00a0\u00a0\u00a0 Lama, D. (2014)\u00a0<em>The Middle Way: Faith Grounded in Reason<\/em>, Wisdom Publications.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S23 \u00a0\u00a0\u00a0 Beck, A.T. (2005) The Current State of Cognitive Therapy.\u00a0<em>Arch. Gen. Psychiatry<\/em>\u00a062, 953\u2013959<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S24 \u00a0\u00a0\u00a0 Rinpoche, D.P. (2003)\u00a0<em>Wild Awakening: The Heart of Mahamudra and Dzogchen<\/em>, Shambhala Publications.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S25 \u00a0\u00a0\u00a0 Azeemi, K.S. (2005)\u00a0<em>Muraqaba: The Art and Science of Sufi Meditation<\/em>, Plato Publishing.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S26 \u00a0\u00a0\u00a0 Rinpoche, K.T. (2004)\u00a0<em>Crystal Clear: Practical Advice for Mahamudra Meditators<\/em>, Rangjung Yeshe Publications.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S27 \u00a0\u00a0\u00a0 Rinpoche, T.U. (2000)\u00a0<em>As It Is, Vol. 2<\/em>, Rangjung Yeshe Publications.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S28 \u00a0\u00a0\u00a0 Kapleau, P. (1980)\u00a0<em>The three pillars of Zen<\/em>, Doubleday.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S29 \u00a0\u00a0\u00a0 Dogen, E. (2004)\u00a0<em>Beyond thinking: A guide to Zen meditation. (K. Tanahashi, Trans.) Boston: Shambala.<\/em>, Shambhala Publications.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S30 \u00a0\u00a0\u00a0 Maharshi, R. (1985)\u00a0<em>Be as you are: The teachings of Sri Ramana Maharshi<\/em>, Arkana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/10\/07\/reconstruindo-e-desconstruindo-o-eu-mecanismos-cognitivos-na-pratica-da-meditacao\/#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0Waisman Laboratory for Brain Imaging and Behavior, University of Wisconsin-Madison, 1500 Highland Avenue, Madison, WI 53705-2280, USA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/10\/07\/reconstruindo-e-desconstruindo-o-eu-mecanismos-cognitivos-na-pratica-da-meditacao\/#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0Center for Investigating Healthy Minds, University of Wisconsin-Madison, WI 53705-2280, USA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/10\/07\/reconstruindo-e-desconstruindo-o-eu-mecanismos-cognitivos-na-pratica-da-meditacao\/#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>\u00a0Lyon Neuroscience Research Center, INSERM U1028, CNRS UMR5292, Lyon, France<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/10\/07\/reconstruindo-e-desconstruindo-o-eu-mecanismos-cognitivos-na-pratica-da-meditacao\/#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>\u00a0Lyon 1 University, Lyon, France<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/10\/07\/reconstruindo-e-desconstruindo-o-eu-mecanismos-cognitivos-na-pratica-da-meditacao\/#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>\u00a0Department of Psychology, University of Wisconsin-Madison, WI 53705-2280, USA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gloss\u00e1rio de Termos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fam\u00edlia Atencional<\/strong>\u00a0\u2013 Uma classe de pr\u00e1ticas de medita\u00e7\u00e3o que fortalece a autorregula\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios processos atencionais, especialmente a habilidade de iniciar e sustentar a metaconsci\u00eancia. Algumas formas de medita\u00e7\u00e3o desta fam\u00edlia envolvem um estreitamento do escopo de aten\u00e7\u00e3o, enquanto outras envolvem liberar o controle atencional e trazer a consci\u00eancia para o que quer que entre no campo da consci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Reifica\u00e7\u00e3o Cognitiva<\/strong>\u00a0\u2013 A experi\u00eancia de pensamentos, emo\u00e7\u00f5es e percep\u00e7\u00f5es como sendo representa\u00e7\u00f5es acuradas da realidade, em particular a cren\u00e7a impl\u00edcita de que o eu e os objetos da consci\u00eancia s\u00e3o inerentemente s\u00f3lidos, unit\u00e1rios e independentes das condi\u00e7\u00f5es e circunst\u00e2ncias do entorno. Na tradi\u00e7\u00e3o budista, a reifica\u00e7\u00e3o cognitiva \u00e9 um alvo prim\u00e1rio nos estilos desconstrutivos de medita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fam\u00edlia Construtiva<\/strong>\u00a0\u2013 Uma fam\u00edlia de pr\u00e1ticas de medita\u00e7\u00e3o que permite cultivar, alimentar ou fortalecer padr\u00f5es cognitivos e afetivos que promovem o bem-estar. Pr\u00e1ticas desta fam\u00edlia podem visar promover din\u00e2micas interpessoais saud\u00e1veis para fortalecer o compromisso com valores \u00e9ticos ou alimentar h\u00e1bitos de percep\u00e7\u00e3o que conduzam ao enriquecimento do bem-estar. A tomada de perspectiva e reavalia\u00e7\u00e3o cognitiva s\u00e3o mecanismos importantes neste estilo de medita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fus\u00e3o Experimental<\/strong>\u00a0\u2013 Um processo autom\u00e1tico pelo qual o indiv\u00edduo se absorve no conte\u00fado da consci\u00eancia, levando \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da capacidade de monitorar e\/ou regular processos psicol\u00f3gicos. Nos estilos atencionais de medita\u00e7\u00e3o este processo \u00e9 sistematicamente enfraquecido por meio do cultivo da metaconsci\u00eancia e regula\u00e7\u00e3o a aten\u00e7\u00e3o. A fus\u00e3o experiencial \u00e9 tamb\u00e9m indiretamente enfraquecida nas fam\u00edlias construtiva e desconstrutiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fam\u00edlia Desconstrutiva<\/strong>\u00a0\u2013 Uma fam\u00edlia de pr\u00e1ticas de medita\u00e7\u00e3o que emprega autoquestionamento para promover\u00a0<em>insight<\/em>\u00a0sobre o processo de percep\u00e7\u00e3o, emo\u00e7\u00e3o e cogni\u00e7\u00e3o. As pr\u00e1ticas de medita\u00e7\u00e3o desconstrutiva podem ser dirigidas aos objetos de consci\u00eancia ou \u00e0 pr\u00f3pria consci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Insight<\/em><\/strong>\u00a0\u2013 Uma mudan\u00e7a na consci\u00eancia que frequentemente \u00e9 repentina e envolve uma sensa\u00e7\u00e3o de saber, compreender ou perceber algo que anteriormente escapava \u00e0 compreens\u00e3o. Nas pr\u00e1ticas de medita\u00e7\u00e3o desconstrutivas, o\u00a0<em>insight<\/em>\u00a0\u00e9 frequentemente obtido atrav\u00e9s do autoquestionamento e pertence a processos psicol\u00f3gicos autorrelacionados espec\u00edficos que informam o bem-estar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Metaconsci\u00eancia<\/strong>\u00a0\u2013 Consci\u00eancia ampliada dos processos da consci\u00eancia, incluindo os processos de pensar, sentir e perceber. Simultaneamente com a regula\u00e7\u00e3o do escopo e da estabilidade da aten\u00e7\u00e3o, o cultivo da metaconsci\u00eancia \u00e9 um importante objetivo nos estilos atencionais da pr\u00e1tica de medita\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 tamb\u00e9m refor\u00e7ado indiretamente nas fam\u00edlias construtiva e desconstrutiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aten\u00e7\u00e3o Plena<\/strong>\u00a0\u2013 Um termo que \u00e9 definido diferentemente em contextos budistas e contempor\u00e2neos, mas que frequentemente se refere a uma postura atencional autorregulada, orientada \u00e0 experi\u00eancia do momento presente, caracterizada pela curiosidade, abertura e aceita\u00e7\u00e3o. Em algumas contextos budistas tradicionais, a aten\u00e7\u00e3o plena \u00e9 equivalente aos processos psicol\u00f3gicos a que nos referimos aqui como metaconsci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tomada de Perspectiva<\/strong>\u00a0\u2013 O processo de considerar como um ou outro pensaria ou sentiria em uma situa\u00e7\u00e3o particular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Reavalia\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0\u2013 O processo de mudar o modo como algu\u00e9m pensa ou sente sobre situa\u00e7\u00f5es e eventos de tal maneira que a sua resposta a eles tamb\u00e9m se altera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Autoquestionamento<\/strong>\u00a0\u2013 A investiga\u00e7\u00e3o da din\u00e2mica e da natureza da experi\u00eancia consciente, particularmente em rela\u00e7\u00e3o aos pensamentos, sentimentos e percep\u00e7\u00f5es que pertencem ao sentido de eu. O autoquestionamento pode ser um mecanismo importante nas medita\u00e7\u00f5es desconstrutivas, pela sua contribui\u00e7\u00e3o em facilitar o\u00a0<em>insight<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Autoesquema<\/strong>\u00a0\u2013 Representa\u00e7\u00f5es mentais do eu que sintetizam informa\u00e7\u00f5es dos campos cognitivo e\/ou afetivo. Os estilos construtivos de medita\u00e7\u00e3o frequentemente envolvem o desenvolvimento e\/ou o fortalecimento de autoesquemas adaptativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Notas de Rodap\u00e9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota do publicador: Este \u00e9 um arquivo em PDF de um manuscrito n\u00e3o editado que foi aceito para publica\u00e7\u00e3o. Como um servi\u00e7o a nossos clientes, n\u00f3s estamos fornecendo esta vers\u00e3o pr\u00e9via. O manuscrito dever\u00e1 sofrer revis\u00e3o geral antes de ser publicado na sua forma final. Durante o processo de produ\u00e7\u00e3o podem ser descobertos erros que podem afetar o conte\u00fado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Informa\u00e7\u00f5es sobre o Artigo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trends. Cogn. Sci. Manuscrito do autor; dispon\u00edvel em PCM 2016, setembro, 1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Publica\u00e7\u00e3o final: Trends. Coggn. Sci. 2015 Sep; 19(9): 515-523. Published on-line 2015 Jul 28. Doi: 10.1016\/j.tics.2015.07.001<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PMCID:\u00a0PMC4595910<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NIHMSID:\u00a0NIHMS709555<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PMID:\u00a026231761<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cortland J. Dahl,<sup>1,2<\/sup>\u00a0Antoine Lutz,<sup>1,2,3,4<\/sup>\u00a0and\u00a0Richard J. Davidson<sup>1,2,5<\/sup><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><sup>1<\/sup>\u00a0Center for Investigating Healthy Minds, University of Wisconsin-Madison, WI 53705-2280, USA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><sup>2<\/sup>\u00a0Waisman Laboratory for Brain Imaging and Behavior, University of Wisconsin-Madison, 1500 Highland Avenue, Madison, WI 53705-2280, USA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><sup>3<\/sup>\u00a0Lyon Neuroscience Research Center, INSERM U1028, CNRS UMR5292, Lyon, France<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><sup>4<\/sup>\u00a0Lyon 1 University, Lyon, France<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><sup>5<\/sup>\u00a0Department of Psychology, University of Wisconsin-Madison, WI 53705-2280, USA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Corresponding author: Davidson, R.J. (<a style=\"color: #000000;\" href=\"mailto:dev@null\">ude.csiw@sdivadjr<\/a>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/about\/copyright\/\">Copyright notice<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC4595910\/?report=reader#FN1\">Publisher\u2019s Disclaimer<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">The publisher\u2019s final edited version of this article is available at\u00a0Trends Cogn Sci<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">See other articles in PMC that\u00a0<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC4595910\/citedby\/\">cite<\/a>\u00a0the published article.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li style=\"list-style-type: none;\">\n<ol>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diener E, et al. 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Neural Mechanisms of Cognitive Reappraisal of Negative Self-Beliefs in Social Anxiety Disorder.\u00a0Biol. Psychiatry.\u00a02009;66:1091\u20131099.[<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC2788040\/?report=reader\">PMC free article<\/a>]\u00a0[<u>PubMed<\/u>]<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lamm C, et al. The neural substrate of human empathy: effects of perspective-taking and cognitive appraisal.\u00a0J. Cogn. Neurosci.\u00a02007;19:42\u201358.\u00a0[<u>PubMed<\/u>]<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ruby P, Decety J. How Would You Feel versus How Do You Think She Would Feel ?\u00a0A Neuroimaging Study of Perspective-Taking with Social Emotions. J. Cogn. Neurosci.\u00a02004;16:988\u2013999.\u00a0[<u>PubMed<\/u>]<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\">Decety J, et al. An fMRI study of affective perspective taking in individuals with psychopathy: imagining another in pain does not evoke empathy.\u00a0Front. 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Differential pattern of functional brain plasticity after compassion and empathy training.\u00a0Soc. Cogn. Affect. Neurosci.\u00a02014;9:873\u2013879.[<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC4040103\/?report=reader\">PMC free article<\/a>]\u00a0[<u>PubMed<\/u>]<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maharshi R.\u00a0Be as you are: The teachings of Sri Ramana Maharshi.\u00a0Arkana; 1985.<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\">Karr A.\u00a0Contemplating Reality: A Practitioner\u2019s Guide to the View in Indo-Tibetan Buddhism.Shambhala Publications; 2007.<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\">Buddhaghosa .\u00a0The Path of Purification.\u00a0Buddhist Publication Society; 2011.<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\">Kounios J, Beeman M. The cognitive neuroscience of insight.\u00a0Annu. Rev. 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A meta-analysis of functional neuroimaging studies of self- and other judgments reveals a spatial gradient for mentalizing in medial prefrontal cortex.\u00a0J. Cogn. Neurosci.\u00a02012;24:1742\u201352.[<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC3806720\/?report=reader\">PMC free article<\/a>]\u00a0[<u>PubMed<\/u>]<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lemogne C, et al. Negative affectivity, self-referential processing and the cortical midline structures.\u00a0Soc. Cogn. Affect. Neurosci.\u00a02011;6:426\u201333.[<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC3150850\/?report=reader\">PMC free article<\/a>]\u00a0[<u>PubMed<\/u>]<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\">Brewer J. a, et al. What about the \u201cSelf\u201d is Processed in the Posterior Cingulate Cortex?\u00a0Front. Hum. 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Will studies of macaque insula reveal the neural mechanisms of self-awareness?\u00a0Neuron.\u00a02012;74:423\u20136.\u00a0[<u>PubMed<\/u>]<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\">Craig ADB. How do you feel\u2013now? The anterior insula and human awareness.\u00a0Nat. Rev. Neurosci.\u00a02009;10:59\u201370.\u00a0[<u>PubMed<\/u>]<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ionta S, et al. Multisensory Mechanisms in Temporo-Parietal Cortex Support Self-Location and First-Person Perspective.\u00a0Neuron.\u00a02011;70:363\u2013374.\u00a0[<u>PubMed<\/u>]<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\">Damasio A.\u00a0Self comes to mind: Constructing the conscious brain.\u00a0Random House; 2012.<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lutz A, et al. Long-term meditators self-induce high-amplitude gamma synchrony during mental practice.\u00a0Proc. Natl. Acad. Sci. U. S. 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Buddhism.\u00a02011;12:71\u201388.<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sharf RH. Is mindfulness Buddhist? (and why it matters).\u00a0Transcult. Psychiatry.\u00a02014\u00a0[<u>PubMed<\/u>]<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olendzki A. The construction of mindfulness.\u00a0Contemp. Buddhism.\u00a02011;12:55\u201370.<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eifring H, editor.\u00a0Meditation in Judaism, Christianity and Islam.\u00a0Bloomsbury Academic; 2015.<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\">Salzberg S.\u00a0Lovingkindness: The Revolutionary Art of Happiness.\u00a0Shambhala; 2002.<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\">Kang Y, et al. The nondiscriminating heart: lovingkindness meditation training decreases implicit intergroup bias.\u00a0J. Exp. Psychol. 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Open hearts build lives: positive emotions, induced through loving-kindness meditation, build consequential personal resources.\u00a0J. Pers. Soc. Psychol.\u00a02008;95:1045\u201362.\u00a0[<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC3156028\/?report=reader\">PMC free article<\/a>][<u>PubMed<\/u>]<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Vignemont F, Singer T. The empathic brain: how, when and why?\u00a0Trends Cogn. Sci.\u00a02006;10:435\u201341.\u00a0[<u>PubMed<\/u>]<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fan Y, et al. Is there a core neural network in empathy? An fMRI based quantitative meta-analysis.\u00a0Neurosci. Biobehav. Rev.\u00a02011;35:903\u201311.\u00a0[<u>PubMed<\/u>]<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\">Weng HY, et al. Compassion training alters altruism and neural responses to suffering.\u00a0Psychol. 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Engagement with Cognitively-Based Compassion Training is associated with reduced salivary C-reactive protein from before to after training in foster care program adolescents.\u00a0Psychoneuroendocrinology.\u00a02013;38:294\u20139.\u00a0[<u>PubMed<\/u>]<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\">Emmanuel SM, editor.\u00a0A Companion to Buddhist Philosophy.\u00a0Wiley-Blackwell; 2013.<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\">Buddhaghosa B.\u00a0The path of purification: Visuddhimagga.\u00a0Buddhist Publication Society; 1991.<\/li>\n<li>\n<p style=\"text-align: justify;\">Roberts PA.\u00a0Mahamudra and Related Instructions: Core teachings of the Kagyu Schools.\u00a0Wisdom Publications; 2011.<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cortesia da equipe de tradu\u00e7\u00f5es Contemplativas: Trad. Sueli Martinez, revis\u00e3o: Lama Jigme Lhawang<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: \u201cReconstructing and deconstructing the self: Cognitive mechanisms in meditation practice\u201d. Para ver o original em ingl\u00eas clique\u00a0<strong><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC4595910\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">AQUI<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RECONSTRUINDO E DESCONTRUINDO O SELF: MECANISMOS COGNITIVOS NA PR\u00c1TICA DA MEDITA\u00c7\u00c3O Cortland J. Dahl, Antoine Lutz e Richard J. 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