{"id":8637,"date":"2020-12-04T23:43:08","date_gmt":"2020-12-04T23:43:08","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/04\/emocoes-agradaveis-paul-ekman\/"},"modified":"2020-12-04T23:43:08","modified_gmt":"2020-12-04T23:43:08","slug":"emocoes-agradaveis-paul-ekman","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/04\/emocoes-agradaveis-paul-ekman\/","title":{"rendered":"EMO\u00c7\u00d5ES AGRAD\u00c1VEIS &#8211; Paul Ekman"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: center;\">Emo\u00e7\u00f5es Agrad\u00e1veis<\/h3>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Paul Ekman<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Loretta Stirm e seus filhos esperavam pacientemente na pista de pouso da base da For\u00e7a A\u00e9rea de Travis enquanto um grupo de membros da Aeron\u00e1utica desembarcava do avi\u00e3o que os tinha levado de volta aos Estados Unidos. Como era o oficial superior, o tenente-coronel Robert Stirm, rec\u00e9m-liberto do campo de prisioneiros de guerra, no Vietn\u00e3, teve de fazer um pequeno discurso antes que as fam\u00edlias pudessem se reunir. Sua fam\u00edlia continuou esperando. Sal Vader, o fot\u00f3grafo que ganhou um pr\u00eamio Pulitzer por essa foto, escreveu: &#8220;Quando ele terminou o discurso, observou ao redor e viu sua fam\u00edlia projetando-se em dire\u00e7\u00e3o a ele, com os bra\u00e7os estendidos, sorrisos ardentes em uma verdadeira explos\u00e3o de alegria&#8221;. <strong><em>Alegria<\/em><\/strong> \u00e9 uma palavra melhor que <strong><em>satisfa\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong> para a emo\u00e7\u00e3o dessa foto, pois denota mais intensidade que satisfa\u00e7\u00e3o ou felicidade. No entanto, como essas palavras, a palavra <em>alegria<\/em> n\u00e3o nos diz precisamente que emo\u00e7\u00e3o agrad\u00e1vel foi sentida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acredito que existem mais de uma d\u00fazia de emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis, todas universais e diferentes, tais como as emo\u00e7\u00f5es de tristeza, raiva, medo, avers\u00e3o e desprezo s\u00e3o. Da mesma forma que h\u00e1 um conjunto de emo\u00e7\u00f5es distintivas, que n\u00f3s, em geral, n\u00e3o gostamos de sentir, h\u00e1 um conjunto de emo\u00e7\u00f5es distintivas que gostamos de sentir. O problema com as palavras <em>satisfa\u00e7\u00e3o<\/em> e <strong><em>felicidade<\/em><\/strong> \u00e9 que elas s\u00e3o espec\u00edficas; implicam um estado \u00fanico de esp\u00edrito e sentimento, da mesma forma que as palavras <strong><em>perturba\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong> e <strong><em>negativo<\/em><\/strong> n\u00e3o revelam se a pessoa est\u00e1 triste, zangada, amedrontada ou enojada. A l\u00edngua inglesa n\u00e3o possui palavras individuais para todas as emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis descritas aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, peguei palavras emprestadas de outras l\u00ednguas para expressar algumas importantes emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis que sentimos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda n\u00e3o sabemos muito a respeito das emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis, pois quase todas as pesquisas dedicadas \u00e0s emo\u00e7\u00f5es, inclusive a minha, enfocaram principalmente as emo\u00e7\u00f5es perturbadoras. A aten\u00e7\u00e3o se concentrou nas emo\u00e7\u00f5es que causam problemas a n\u00f3s e aos outros. Por isso, sabemos mais a respeito do dist\u00farbio que sa\u00fade mental. Isso est\u00e1 come\u00e7ando a mudar, pois h\u00e1 uma nova \u00eanfase sobre as emo\u00e7\u00f5es positivas. Acredito que podemos nos beneficiar muito sabendo mais a respeito das emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis, j\u00e1 que s\u00e3o t\u00e3o fundamentais para nos motivar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comecemos com os <em><strong>prazeres sensoriais<\/strong><\/em>. H\u00e1 coisas agrad\u00e1veis de tocar, e ser tocado pode nos causar uma sensa\u00e7\u00e3o muito agrad\u00e1vel, especialmente quando o toque \u00e9 de algu\u00e9m por quem nos interessamos e feito de forma sensual ou carinhosa. H\u00e1 vis\u00f5es agrad\u00e1veis de contemplar, como um belo por do sol. H\u00e1 sons prazerosos, como as ondas do mar, a \u00e1gua correndo nas pedras em um riacho, o vento nas \u00e1rvores e uma grande variedade de m\u00fasicas. Consideramos os gostos e cheiros, em parte, quando abordamos a avers\u00e3o, mas os doces s\u00e3o saborosos para a maioria das pessoas, enquanto a capacidade de apreciar os gostos azedos, amargos ou condimentados parece ser adquirida com o tempo. O cheiro da deteriora\u00e7\u00e3o \u00e9 ruim para a maioria, mas alguns queijos muito apreciados t\u00eam o que se considera um cheiro terr\u00edvel. Suponho que h\u00e1 alguns temas universais e diversas varia\u00e7\u00f5es aprendidas para cada um dos cinco prazeres sensoriais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se sabe ao certo se os prazeres sensoriais s\u00e3o apenas rotas diferentes para a mesma experi\u00eancia emocional, e, portanto, devem ser considerados uma \u00fanica emo\u00e7\u00e3o, ou se devemos consider\u00e1-los cinco emo\u00e7\u00f5es diferentes: visual, t\u00e1til, olfativa, auditiva e gustativa. Algum dia, a pesquisa solucionar\u00e1 a quest\u00e3o, determinando se cada um dos prazeres sensoriais difere em suas sensa\u00e7\u00f5es subjetivas, nos sinais mostrados aos outros e nas mudan\u00e7as fisiol\u00f3gicas que os caracterizam. Por enquanto, tratarei os prazeres sensoriais como emo\u00e7\u00f5es diferentes, pois meu palpite \u00e9 que essa pesquisa revela que, sim, eles s\u00e3o diferentes e que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no \u00f3rg\u00e3o sensorial que o prazer est\u00e1 envolvido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meu mentor, Silvan Tomkins, n\u00e3o considerou os prazeres sensoriais como emo\u00e7\u00f5es. Para ele, uma emo\u00e7\u00e3o pode ser ativada por quase qualquer coisa, e cada um desses prazeres est\u00e1 restrito a apenas uma fonte sensorial. Isso n\u00e3o \u00e9 convincente para mim, pois, dentro da cada uma das fontes sensoriais, como o som, h\u00e1 in\u00fameros gatilhos diferentes. Embora alguns sejam universais, muitos n\u00e3o s\u00e3o, j\u00e1 que gostos, vis\u00f5es, cheiros, toques e sons muito diferentes geram prazer atrav\u00e9s das culturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As psic\u00f3logas Barbara Fredrickson e Christine Branigan tamb\u00e9m sustentaram que os prazeres sensoriais n\u00e3o devem ser considerados emo\u00e7\u00f5es, mas levantaram uma obje\u00e7\u00e3o diferente. Segundo elas, os prazeres sensoriais simplesmente acontecem para n\u00f3s sem requererem avalia\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o h\u00e1 avalia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 emo\u00e7\u00e3o. Discordo, pois muitas emo\u00e7\u00f5es negativas geralmente aceitas podem ser ativadas por eventos sensoriais imediatos. O prazer autom\u00e1tico que se sente ao ver um por de sol envolve menos avalia\u00e7\u00e3o que medo instant\u00e2neo de cair da cadeira ou de um carro que vem, de repente e em alta velocidade, a nosso encontro, quando atravessamos uma rua? N\u00e3o acho. Al\u00e9m disso, a maior parte do que nos proporciona prazer sensorial, seja pela vis\u00e3o, audi\u00e7\u00e3o, paladar ou olfato, e, em menor grau, pelo tato, s\u00e3o gatilhos aprendidos, muitas vezes envolvendo avalia\u00e7\u00f5es estendidas. O prazer sentido quando vemos uma pintura abstrata de Picasso n\u00e3o \u00e9 desprovido de processos avaliat\u00f3rios. Os prazeres sensoriais s\u00e3o agrad\u00e1veis. N\u00e3o vejo, portanto, nenhuma raz\u00e3o para n\u00e3o consider\u00e1-los emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong><em>divers\u00e3o<\/em><\/strong> \u00e9 uma das emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis mais simples. A maioria de n\u00f3s gosta de ser entretido por algo divertido; alguns de n\u00f3s somos muito divertidos, contando piadas com desenvoltura. Grande parte da ind\u00fastria do entretenimento dedica-se a produzir essa emo\u00e7\u00e3o e, assim, podemos facilmente escolher quando queremos ser entretidos. A divers\u00e3o pode variar de intensidade, com risadas estrondosas e at\u00e9 l\u00e1grimas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesses momentos, em que tudo parece certo no mundo, em que sentimos que n\u00e3o temos nada para fazer, em que estamos contentes ou relaxados, n\u00e3o estou certo de que h\u00e1 um sinal facial de <strong><em>contentamento<\/em><\/strong>. Talvez ocorra um relaxamento dos m\u00fasculos faciais. \u00c9 mais prov\u00e1vel que o contentamento seja escutado na voz. Explicarei depois como as diferen\u00e7as entre as emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis s\u00e3o sinalizadas mais pela voz que pela face.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong><em>entusiasmo<\/em><\/strong>, por outro lado, surge em resposta \u00e0 novidade ou ao desafio. Para Tomkins, o entusiasmo era a forma mais intensa do interesse, mas o interesse \u00e9 predominantemente cerebral, um estado de pensamento, e n\u00e3o uma emo\u00e7\u00e3o. No entanto, \u00e9 verdade que assuntos que come\u00e7am apenas interessantes podem ficar excitantes, especialmente quando acontecem mudan\u00e7as desafiadoras e r\u00e1pidas, inesperadas ou originais. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil especificar um gatilho ou tema universal associado ao entusiasmo. Todos os que pensei \u2014 esquiar morro abaixo, estrelas cadentes \u2014 s\u00e3o, provavelmente, assustadores para algumas pessoas. Considero, muitas vezes, que h\u00e1 um relacionamento \u00edntimo entre entusiasmo e medo, mesmo se o medo for indireto, que n\u00e3o provoque perigo real. O entusiasmo possui seu pr\u00f3prio sabor, diferente das outras emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis. Embora possa ser sentido sozinho, muitas vezes se mistura com outra (ou outras) emo\u00e7\u00e3o agrad\u00e1vel. Tamb\u00e9m pode se mesclar em explos\u00f5es de raiva, como a f\u00faria, ou com medo, no pavor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong><em>al\u00edvio<\/em><\/strong>, muitas vezes acompanhado de um suspiro, de uma inspira\u00e7\u00e3o e expira\u00e7\u00e3o profunda, \u00e9 a emo\u00e7\u00e3o que sentimos quando algo que tinha despertado fortemente nossas emo\u00e7\u00f5es se aquieta. Ficamos aliviados ao descobrir que o exame de c\u00e2ncer deu negativo, de achar o filho perdido no <em>shopping center<\/em>, de saber que passamos em uma prova dif\u00edcil que pens\u00e1vamos ter ido mal. O al\u00edvio tamb\u00e9m pode vir depois de experi\u00eancias positivamente valiosas, como o al\u00edvio da tens\u00e3o sexual e o entusiasmo sentido ap\u00f3s o orgasmo, algumas vezes misturado com o al\u00edvio a respeito do desempenho sexual. O medo \u00e9 um precursor frequente do al\u00edvio, mas n\u00e3o fixo, pois pode n\u00e3o haver boas resolu\u00e7\u00f5es a respeito do que nos amedrontava. Os momentos de ang\u00fastia podem preceder o al\u00edvio quando algu\u00e9m \u00e9 capaz de nos tranquilizar ou consolar a respeito de uma perda. Al\u00e9m disso, os momentos de intenso prazer podem preceder o al\u00edvio. O al\u00edvio \u00e9 incomum pois n\u00e3o \u00e9 uma emo\u00e7\u00e3o independente. Ao contr\u00e1rio das outras emo\u00e7\u00f5es, \u00e9 precedido de outra emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra emo\u00e7\u00e3o agrad\u00e1vel \u00e9 o <strong><em>assombro<\/em><\/strong>. Sabemos muito pouco a seu respeito, mas uma experi\u00eancia de assombro intenso, h\u00e1 cerca de quinze anos, me fez pensar nele como uma emo\u00e7\u00e3o distintiva. Em cinco minutos de reuni\u00e3o com Richard Schechner, professor de teatro da New York University, descobri diversas coincid\u00eancias de vida: n\u00f3s dois t\u00ednhamos crescido em Newark, em Nova Jersey. Frequentamos a mesma escola prim\u00e1ria, mas nunca nos encontramos, pois Richard estava um ano atr\u00e1s de mim. N\u00f3s dois t\u00ednhamos mudado para o mesmo sub\u00farbio e para a mesma rua! Mesmo escrevendo sobre isso, agora, come\u00e7o a sentir o assombro de ent\u00e3o. Depois da morte de minha m\u00e3e, meu pai vendeu nossa casa para os pais de Richard, e o quarto de Richard era o que havia sido meu quarto!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As caracter\u00edsticas que definem o assombro s\u00e3o a raridade e o sentimento de domina\u00e7\u00e3o por algo incompreens\u00edvel. Ao contr\u00e1rio da maioria das pessoas que descreveram o assombro, considero importante separ\u00e1-lo do medo, embora ambos possam se mesclar quando somos amea\u00e7ados por algo opressivo e dif\u00edcil de compreender. \u00c9 um estado intenso, intrinsecamente agrad\u00e1vel. Quase tudo que \u00e9 incr\u00edvel, incompreens\u00edvel e fascinante pode ser fonte de assombro. N\u00e3o compreendemos o que \u00e9 ou como pode acontecer, mas n\u00e3o ficamos amedrontados, a menos que represente uma amea\u00e7a a nossa seguran\u00e7a e, ent\u00e3o, vem o medo. Como Dacher Keltner e Jonathan Haidt afirmaram em uma recente teoria sobre a estupefa\u00e7\u00e3o (que muitos definem como combina\u00e7\u00e3o de assombro e medo): &#8220;Objetos que a mente tem dificuldade de apreender&#8221;. Pode ser que o assombro fosse comum nos primeiros tempos da Hist\u00f3ria, quando os homens entendiam muito menos a respeito do mundo em que viviam. Praticamente n\u00e3o houve estudos cient\u00edficos do assombro, principalmente pela dificuldade de conseguir que ele ocorresse em um laborat\u00f3rio, onde pudesse ser cuidadosamente medido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Darwin escreveu sobre a pele arrepiada que o assombro provoca, e essa \u00e9 uma das sensa\u00e7\u00f5es f\u00edsicas mais fortes associadas a essa emo\u00e7\u00e3o. Baseado na experi\u00eancia, acho que um formigamento sobre os ombros e a parte posterior do pesco\u00e7o tamb\u00e9m ocorre na ativa\u00e7\u00e3o do assombro. Pode haver tamb\u00e9m uma mudan\u00e7a na respira\u00e7\u00e3o (diferente do suspiro de al\u00edvio): inspira\u00e7\u00f5es e expira\u00e7\u00f5es profundas. Na incredulidade, pode ocorrer o ato de balan\u00e7ar a cabe\u00e7a. Ningu\u00e9m sabe, por enquanto, se h\u00e1 um sinal distintivo na face, na voz ou no movimento corporal para o assombro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Admirar pessoas ou consider\u00e1-las inspiradoras e carism\u00e1ticas gera sensa\u00e7\u00f5es relacionadas ao assombro, mas, outra vez, reafirmo a diferen\u00e7a. A admira\u00e7\u00e3o n\u00e3o provoca as mesmas sensa\u00e7\u00f5es do assombro: o arrepio da pele, as mudan\u00e7as respirat\u00f3rias, os suspiros ou o balan\u00e7o de cabe\u00e7a. Queremos ir atr\u00e1s de pessoas inspiradoras, sentimo-nos atra\u00eddos por elas, mas, quando sentimos assombro, ficamos parados, n\u00e3o somos impelidos \u00e0 a\u00e7\u00e3o. Pense a res- peito da rea\u00e7\u00e3o das pessoas no filme &#8220;Contatos Imediatos de Terceiro Grau&#8221; ao ver as luzes das espa\u00e7onaves.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong><em>\u00eaxtase<\/em><\/strong> ou gl\u00f3ria, o estado de arrebatamento autotranscendente alcan\u00e7ado por meio da medita\u00e7\u00e3o, por experi\u00eancias na natureza, e, ainda por experi\u00eancia sexual com o ser amado, pode ser considerado outra emo\u00e7\u00e3o agrad\u00e1vel. Similar ao entusiasmo e ao assombro, o \u00eaxtase \u00e9 uma experi\u00eancia intensa. Logo, n\u00e3o \u00e9 algo que se vivencie levemente, em pequenas doses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jennifer Capriati, da foto abaixo, acabou de vencer o Torneio de Roland Garros, na Fran\u00e7a. Ela conquistou algo incr\u00edvel, desafiador, especialmente porque aconteceu depois de ela ter abandonado o t\u00eanis profissional por alguns anos, por problemas pessoais. Qual \u00e9 a palavra para isso? Poder\u00edamos dizer que ela se sente muito bem, ou satisfeita, ou feliz, mas essas s\u00e3o diversas emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis. Ela enfrentou um desafio e o superou com louvor. \u00c9 muito mais que satisfa\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma esp\u00e9cie de orgulho. Mas essa palavra tamb\u00e9m abrange muita coisa. Nessa emo\u00e7\u00e3o, a pessoa se empenhou para conquistar algo dif\u00edcil, e a sensa\u00e7\u00e3o de ter conseguido isso \u00e9 muito agrad\u00e1vel e singular. As outras pessoas precisam saber de sua conquista, voc\u00ea se regozija. Isabella Poggi, psic\u00f3loga italiana, identifica essa emo\u00e7\u00e3o, sem nome em ingl\u00eas, como <strong><em>fiero<\/em><\/strong> (orgulho, altivez). A postura de Capriati \u00e9, muitas vezes, exibida por atletas que vencem uma competi\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, embora o esporte n\u00e3o seja o \u00fanico desafio que desencadeie o <em>fiero<\/em>. Sinto <em>fiero<\/em> quando descubro a solu\u00e7\u00e3o de um problema intelectual dif\u00edcil. N\u00e3o h\u00e1 plat\u00e9ia, cuja adula\u00e7\u00e3o estou buscando. O <em>fiero<\/em> requer um desafio dif\u00edcil e um sentimento favor\u00e1vel da pessoa a respeito de si mesma no momento da conquista. Triunfo n\u00e3o seria a palavra certa para descrever essa emo\u00e7\u00e3o, pois implica vencer uma competi\u00e7\u00e3o, e esse \u00e9 apenas um dos contextos em que se sente o <em>fiero<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acredito que essa emo\u00e7\u00e3o seja distintiva; n\u00e3o \u00e9 como os prazeres sensoriais, nem al\u00edvio, nem divers\u00e3o. O entusiasmo pode anteceder o <em>fiero<\/em>, quando come\u00e7amos a enfrentar um desafio, mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa. \u00c9 sua pr\u00f3pria emo\u00e7\u00e3o. Enquanto a soberba \u00e9 tradicionalmente listada como o primeiro dos sete pecados capitais, o desejo de viver o <em>fiero<\/em> foi essencial ao longo da evolu\u00e7\u00e3o, pois motivou grandes iniciativas e conquistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como voc\u00ea se sente quando escuta que seu filho\/a foi aceito pela melhor faculdade, atuou esplendidamente em um recital, ganhou um pr\u00eamio no grupo de escoteiros ou conquistou algo importante? Podemos dizer <strong><em>orgulho<\/em><\/strong>, mas isso n\u00e3o especifica o padr\u00e3o de sensa\u00e7\u00f5es f\u00edsicas que ocorrem nessas situa\u00e7\u00f5es. Em i\u00eddiche, contudo, h\u00e1 uma palavra espec\u00edfica para essa experi\u00eancia: <strong><em>naches<\/em><\/strong>. O escritor Leo Rosten define <em>naches<\/em> como &#8220;o arrebatamento de prazer mais orgulho que somente um filho pode dar a seus pais: &#8216;Eu tenho esse <em>naches<\/em>&#8216;&#8221;. Uma palavra semelhante, em i\u00eddiche, \u00e9 <strong><em>kvell<\/em><\/strong>, tamb\u00e9m definida por Rosten: &#8220;Mostrar-se radiante, com imenso orgulho e prazer, em geral a respeito da conquista de um filho ou neto; ficar t\u00e3o orgulhosamente feliz que os bot\u00f5es podem rebentar&#8221;&#8221;. <em>Naches<\/em> \u00e9 a emo\u00e7\u00e3o, <em>kvell<\/em> \u00e9 sua express\u00e3o. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para minha filha, os filhos podem sentir <em>naches<\/em> das conquistas de seus pais. O insight dele me deu <em>naches<\/em>, e eu estou agora em <em>kvell<\/em>. <em>Naches<\/em> assegura o investimento parental no crescimento e nas conquistas dos filhos. Infelizmente, alguns pais n\u00e3o sentem <em>naches<\/em> quando seus filhos os superam. Freq\u00fcentemente, esses pais invejosos competem com os filhos, o que pode ser muito destrutivo tanto para os pais como para os filhos. Vi esse tipo de competi\u00e7\u00e3o mais de uma vez, entre um orientador e estudantes no mundo acad\u00eamico. &#8220;Por que eles a convidaram para a confer\u00eancia? Eu sou o especialista; ela era minha aluna.&#8221; Um professor, como um pai, deve sentir <em>naches<\/em> se o aluno sentir <em>fiero<\/em> e se motivar para feitos maiores, esperando que seu mentor chegue a <em>kvell<\/em>. Esses exemplos suscitam a interessante possibilidade de que existem emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis que algumas pessoas nunca experimentam. Certamente isso seria assim com obst\u00e1culos f\u00edsicos a um ou outro dos prazeres sensoriais, mas talvez existam obst\u00e1culos psicol\u00f3gicos bloqueando a capacidade de viver algumas das emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O antrop\u00f3logo Jonathan Haidt sugeriu que a <strong><em>eleva\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong> seja outra emo\u00e7\u00e3o agrad\u00e1vel. Ele a descreve como &#8220;uma sensa\u00e7\u00e3o c\u00e1lida, edificante, que as pessoas t\u00eam ao ver atos inesperados de bondade, gentileza e compaix\u00e3o&#8221;. Sentir-se elevado \u00e9 algo que nos motiva a ser pessoas melhores, ao envolvimento com gestos altru\u00edstas. N\u00e3o tenho d\u00favida de que aquilo que Haidt identificou e nomeou existe, mas n\u00e3o tenho certeza de que satisfaz os crit\u00e9rios para se esta- belecer como emo\u00e7\u00e3o. Nem tudo que vivenciamos s\u00e3o emo\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m temos pensamentos, atitudes e valores, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Richard e Bernice Lazarus descrevem a <strong><em>gratid\u00e3o<\/em><\/strong> como &#8220;o apre\u00e7o por uma doa\u00e7\u00e3o altru\u00edsta que proporciona benef\u00edcio&#8221;. Para eles, quando uma pessoa \u00e9 atenciosa conosco e \u00e9 altru\u00edsta, ou seja, n\u00e3o quer apenas se beneficiar, tendemos a sentir gratid\u00e3o. No entanto, podemos nos constranger por sermos caracterizados pela aten\u00e7\u00e3o, ficar ressentidos, nos sentir em d\u00edvida ou at\u00e9 nos zangar, se acharmos que a pessoa t\u00e3o atenciosa conosco fez isso pois considerou que est\u00e1vamos muito necessitados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, a gratid\u00e3o \u00e9 uma emo\u00e7\u00e3o complicada, pois \u00e9 dif\u00edcil saber quando surgir\u00e1. Suponho que haja diferen\u00e7as culturais importantes nas situa\u00e7\u00f5es sociais em que a gratid\u00e3o \u00e9 vivenciada (a quest\u00e3o de quando dar gorjeta, por exemplo, apresenta diferentes respostas nos Estados Unidos e no Jap\u00e3o). Nos Estados Unidos, se as pessoas est\u00e3o apenas fazendo seu trabalho, muitas vezes dizem que n\u00e3o esperam agradecimento; se uma enfermeira estiver sendo ape- nas uma enfermeira enquanto cuida de um paciente muito doente, pode dizer que n\u00e3o espera \u2014 nem precisa \u2014 de gratid\u00e3o. Minha experi\u00eancia, contudo, foi oposta; freq\u00fcentemente, a express\u00e3o de gratid\u00e3o \u00e9 apreciada nessas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Duvido que haja um sinal universal de gratid\u00e3o. O \u00fanico de que me lembro \u00e9 uma ligeira inclina\u00e7\u00e3o da cabe\u00e7a, que pode sinalizar muitas outras coisas, como concord\u00e2ncia. Tamb\u00e9m duvido que exista um padr\u00e3o fisiol\u00f3gico de sensa\u00e7\u00f5es que caracterizam a gratid\u00e3o. Sem d\u00favida, ela existe, devemos apenas questionar se a colocamos no mesmo cesto da divers\u00e3o, do al\u00edvio, dos prazeres sensoriais etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sensa\u00e7\u00e3o que vivenciamos ao saber que nosso pior inimigo sofreu algo tamb\u00e9m pode ser agrad\u00e1vel, um tipo diferente de satisfa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s consideradas at\u00e9 aqui. Em alem\u00e3o, denomina-se <strong><em>Schadenfreude<\/em><\/strong>. Ao contr\u00e1rio das outras emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis, a <em>Schadenfreude<\/em> \u00e9 desaprovada por algumas sociedades ocidentais (n\u00e3o tenho conhecimento da atitude de sociedades orientais a esse respeito). Supostamente, n\u00e3o devemos nos exultar sobre nossos sucessos, nem saborear as desventuras de nossos rivais. Devemos considerar a exulta\u00e7\u00e3o uma emo\u00e7\u00e3o agrad\u00e1vel distintiva? Provavelmente n\u00e3o; ela \u00e9 muito como o <em>fiero<\/em>, exibido na frente dos outros. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 realmente<strong> dezesseis emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis<\/strong>? Os cinco prazeres sensoriais, a divers\u00e3o, o contentamento, o entusiasmo, o al\u00edvio, o assombro, o \u00eaxtase, o <em>fiero<\/em>, o <em>naches<\/em>, a eleva\u00e7\u00e3o, a gratid\u00e3o e a <em>Schadenfreude<\/em> s\u00e3o, realmente, emo\u00e7\u00f5es distintas? Somente a pesquisa de suas ocorr\u00eancias, sinais e o que ocorre internamente podem responder a essas perguntas. Por ora, acredito que devemos investigar cada uma delas. Alguns podem sustentar que, se n\u00e3o temos a palavra para uma emo\u00e7\u00e3o, ela n\u00e3o se qualifica. Certamente, n\u00e3o dev\u00edamos ser tacanhos ao insistir que deve ser uma palavra em ingl\u00eas. N\u00e3o \u00e9 fundamental que haja uma palavra, em qualquer l\u00edngua \u2014 mas espero que as emo\u00e7\u00f5es tenham sido nomeadas. As palavras n\u00e3o s\u00e3o emo\u00e7\u00f5es; s\u00e3o representa\u00e7\u00f5es. Precisamos tomar cuidado para que nossas palavras n\u00e3o nos desencaminhem do verdadeiro significado das emo\u00e7\u00f5es. \u00c0s vezes, a maneira como usamos as palavras pode confundir. Empreguei <em>divers\u00e3o<\/em> para a emo\u00e7\u00e3o agrad\u00e1vel que sentimos em resposta a algo divertido, geralmente uma piada, mas tamb\u00e9m a outros assuntos que podem ser c\u00f4micos. Nesse momento, contudo, considere as emo\u00e7\u00f5es que sentimos em um parque de <em>divers\u00f5es<\/em>. Em geral, n\u00e3o existem muitas piadas, embora, em alguns casos, nos divertimos com comediantes que atuam ali. Sal\u00f5es de espelhos e montanhas russas podem gerar maior excita- \u00e7\u00e3o, medo e al\u00edvio que divers\u00e3o. Tamb\u00e9m podemos sentir algum <em>fiero<\/em>, depois de enfrentarmos experi\u00eancias desafiadoras. Se derrubarmos muitas garrafas ou pontuarmos bem barraca de tiro ao alvo, o <em>fiero<\/em> tamb\u00e9m pode ocorrer. Se nossos filhos ganharem nessas brincadeiras, sentiremos <em>naches<\/em>. Al\u00e9m disso, pode haver prazeres sensoriais nas experi\u00eancias oferecidas. Combina melhor com as minhas palavras invocar um parque de divers\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis estimulam nossas vidas; motivam-nos a fazer coisas que, em geral, s\u00e3o boas para n\u00f3s. Estimulam nosso envolvimento na atividade necess\u00e1ria para que nossa esp\u00e9cie sobreviva: rela\u00e7\u00f5es sexuais e apoio ao crescimento dos filhos. Isso difere totalmente do hedonismo, pois os atos altru\u00edstas podem ser fontes aprendidas de <em>fiero<\/em>, entusiasmo, divers\u00e3o, prazeres sensoriais: quase todas as emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis. A busca da satisfa\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisa ser solit\u00e1ria ou ego\u00edsta. De fato, acredito exatamente no contr\u00e1rio: sem amizade, sem realiza\u00e7\u00f5es, sem o contato que gera prazer sensorial, a vida seria muito \u00e1rida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como Tomkins, acredito que a busca da satisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma motiva\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria em nossas vidas. No entanto, quais emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis devemos buscar? Todos podem vivenciar essas emo\u00e7\u00f5es, a menos que sejamos sensorialmente destitu\u00eddos, mas temos inclina\u00e7\u00f5es, e, \u00e0s vezes, desejamos algumas mais que outras. As pessoas organizam suas vidas para maximizar as experi\u00eancias de algumas dessas satisfa\u00e7\u00f5es. Sou uma pessoa que concentra esfor\u00e7os. Dessa maneira, posso sentir o <em>fiero<\/em>, o <em>naches<\/em> e alguns prazeres sensoriais. Quando jovem, enfocava mais o entusiasmo que o <em>naches<\/em> (pois ainda n\u00e3o tinha filhos). Suponho que, ao longo da vida, mudamos nosso foco diversas vezes, mas isso tamb\u00e9m ainda n\u00e3o foi estudado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A busca do contentamento sempre foi inexpressiva para mim, mas tenho amigos que a t\u00eam como um objetivo importante, procurando momentos de calma e tranq\u00fcilidade. Outras pessoas que conhe\u00e7o buscam situa\u00e7\u00f5es amea\u00e7adoras e ampliam o temor, para vivenciar entusiasmo, <em>fiero<\/em> e al\u00edvio. Al\u00e9m disso, h\u00e1 pessoas para quem a divers\u00e3o, para si e para os outros, \u00e9 o ponto central de suas personalidades. A pessoa altru\u00edsta, que muitas vezes decide trabalhar em organiza\u00e7\u00f5es como <em>Habitaifor Humanity<\/em> ou <em>Peace Corps<\/em>, pode estar procurando eleva\u00e7\u00e3o, gratid\u00e3o, e talvez <em>fiero<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Volte ao come\u00e7o do cap\u00edtulo e observe a foto do reencontro da fam\u00edlia Stirm. Tentemos identificar que emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis a filha sentia ao correr com os bra\u00e7os estendidos para abra\u00e7ar seu pai. H\u00e1 entusiasmo e a expectativa dos prazeres sensoriais que ela sentir\u00e1 ao abra\u00e7\u00e1-lo, sentindo novamente o tato e cheiro familiar dele. Provavelmente, ela sentiu al\u00edvio alguns momentos antes, quando viu que o pai realmente tinha voltado sem ferimentos de guerra. Tamb\u00e9m pode ter havido um momento de assombro na incompreens\u00e3o de seu regresso ap\u00f3s cinco anos, um longo per\u00edodo de tempo da vida dessa jovem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O reencontro com algu\u00e9m a quem voc\u00ea \u00e9 muito ligado pode ser um tema universal de emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis. Na Nova Guin\u00e9, verifiquei que os reencontros com vizinhos de aldeias amistosas eram a melhor situa\u00e7\u00e3o para filmar a satisfa\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea. Sentaria \u00e0 beira do caminho, quase escondido nos pequenos arbustos, com minha c\u00e2mera pronta para rodar, esperando o encontro dos amigos. Os reencontros fortalecem os v\u00ednculos entre as pessoas. A aus\u00eancia pode, de fato, deixar o cora\u00e7\u00e3o mais afetuoso. \u00c9 agrad\u00e1vel rever pessoas com as quais voc\u00ea se preocupa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As rela\u00e7\u00f5es sexuais s\u00e3o outro tema universal que envolve muitas emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis. Evidentemente, diversos prazeres sensoriais ocorrem, al\u00e9m da excita\u00e7\u00e3o inicial e o al\u00edvio depois do cl\u00edmax. A lux\u00faria e o desejo sexual s\u00e3o carregados de expectativa er\u00f3tica, expectativa de alguns prazeres sensoriais e na perspectiva do que \u00e9 desejado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nascimento de um filho foi mais mencionado do que imaginava pelos alunos da faculdade, tanto homens quanto mulheres, a quem pedi, em um estudo in\u00e9dito, para descrever o evento mais feliz que eles podiam imaginar. O entusiasmo, o assombro, o al\u00edvio, o <em>fiero<\/em> e talvez a gratid\u00e3o est\u00e3o provavelmente entre as emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis mais relevantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estar na presen\u00e7a de um ser amado \u00e9 outro tema universal. Tanto o amor parental como o rom\u00e2ntico envolvem compromissos de longo prazo, liga\u00e7\u00f5es intensas com algu\u00e9m espec\u00edfico. Nenhum deles \u00e9, em si, uma emo\u00e7\u00e3o. As emo\u00e7\u00f5es podem ser muito breves, mas o amor perdura. No entanto, embora o amor rom\u00e2ntico possa durar a vida toda, muitas vezes isso n\u00e3o acontece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Geralmente, o amor parental \u00e9 um compromisso eterno (embora haja exce\u00e7\u00f5es, em que os pais renegam seus filhos). H\u00e1 outro significado de amor, relacionado a um surto moment\u00e2neo e breve de prazer extremo e envolvimento com o ser amado. Isso \u00e9 o que descrevi como \u00eaxtase ou gl\u00f3ria, e pode ser considerado uma emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos relacionamentos familiares amorosos, sentimos muitas vezes diversas emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis, mas n\u00e3o sem sentirmos, outras vezes, emo\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis. Podemos ficar zangados, desgostosos ou decepcionados com os entes queridos, e sentimos desespero e ang\u00fastia em caso de morte ou doen\u00e7a grave. Embora se preocupem mais quando os filhos s\u00e3o pequenos, acredito que os pais nunca deixam de se preocupar com a seguran\u00e7a e bem-estar deles. O contato com a crian\u00e7a, real, ou imaginado, pode gerar diversas emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis: prazeres sensoriais, <em>naches<\/em>, momentos de contentamento ou entusiasmo, al\u00edvio quando ela escapa do perigo e, sem d\u00favida, divers\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No amor rom\u00e2ntico, a pessoa tamb\u00e9m pode sentir todas as emo\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis, mas, esperan\u00e7osamente, n\u00e3o com tanta freq\u00fc\u00eancia como as agrad\u00e1veis. A avers\u00e3o e o desprezo s\u00e3o raros e, quando ocorrem, \u00e9 sinal de que o relacionamento enfrenta problemas. Os relacionamentos rom\u00e2nticos diferem em termos de quais emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis ocorrem com mais freq\u00fc\u00eancia. Alguns casais perseguem o <em>fiero<\/em> conjuntamente, trabalhando juntos ou encon-trando satisfa\u00e7\u00e3o na conquista de cada um. Outros podem enfocar mais o entusiasmo ou o contentamento, para dar apenas alguns exemplos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora acredite que os temas mencionados sejam universais, eles s\u00e3o elaborados por nossas experi\u00eancias. In\u00fameras outras varia\u00e7\u00f5es desses temas s\u00e3o aprendidas e tornam-se fontes de emo\u00e7\u00f5es diferentes de satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 estados de \u00e2nimo relacionados a algumas emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis, especificamente entusiasmo, contentamento e divers\u00e3o. Essas sensa\u00e7\u00f5es podem ser estendidas por longos per\u00edodos, horas, em um estado em que a pessoa sente facilmente as emo\u00e7\u00f5es referentes ao estado de \u00e2nimo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No come\u00e7o do cap\u00edtulo, afirmei que a palavra <strong><em>felicidade<\/em><\/strong> n\u00e3o especifica o tipo de felicidade que est\u00e1 acontecendo. Uma ambig\u00fcidade adicional \u00e9 que a felicidade pode se referir a uma quest\u00e3o completamente diferente, ou seja, o bem-estar subjetivo. O psic\u00f3logo Ed Diener, l\u00edder no estudo do bem-estar subjetivo, define-o como as avalia\u00e7\u00f5es das pessoas a respeito de suas vidas. Foi medido primeiramente por respostas a perguntas como: &#8220;Na maioria dos casos, minha vida est\u00e1 pr\u00f3xima do meu ideal&#8221; ou &#8220;At\u00e9 aqui, consegui as coisas importantes que quis&#8221;. Diversos fatores diferentes parecem integrar o bem-estar: realiza\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, como no trabalho, e frequ\u00eancia de emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis, em compara\u00e7\u00e3o a emo\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O bem-estar subjetivo foi muito estudado em todo o mundo. Oferecer mais que uma amostra dos resultados nos levaria muito longe de nosso objetivo, mas um resultado universal \u00e9 a associa\u00e7\u00e3o positiva com a renda, associada ao poder de compra. Uma diferen\u00e7a cultural \u00e9 que o amor pr\u00f3prio est\u00e1 mais relacionado ao bem-estar subjetivo nas culturas ocidentais que nas orientais. O relacionamento \u00edntimo tamb\u00e9m est\u00e1 associado ao bem-estar na maioria das culturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 tamb\u00e9m um conjunto de tra\u00e7os de personalidade relacionados \u00e0s emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis. As pessoas cujas pontua\u00e7\u00f5es nos testes de personalidade s\u00e3o altas em extrovers\u00e3o e estabilidade emocional relatam maior felicidade&#8221;. A pesquisa de como os tra\u00e7os de personalidade conduzem \u00e0 felicidade n\u00e3o considerou os diferentes tipos de satisfa\u00e7\u00e3o relatados, mas sugeriu como a extrovers\u00e3o pode predispor a ser mais feliz. Os extrovertidos podem ser menos sens\u00edveis \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o ou ao castigo, ou podem tender a fazer compara\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis entre eles e os outros. Al\u00e9m disso, talvez se encaixem na cultura norte-americana melhor que os introvertidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pessoas tamb\u00e9m diferem em seus n\u00edveis usuais de otimismo e anima\u00e7\u00e3o, e isso parece ser uma caracter\u00edstica duradoura em vez de uma rea\u00e7\u00e3o a uma situa\u00e7\u00e3o ou evento espec\u00edfico. Christopher Peterson, especialista nesse campo, sugere o otimismo como uma atitude acerca da probabilidade de vivenciar emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis. Embora nem todas as pessoas sejam muito otimistas, essa vis\u00e3o de mundo \u00e9 boa. Ela est\u00e1 em pessoas que possuem mais satisfa\u00e7\u00f5es em suas vidas, maior perseveran\u00e7a e conquistas. Curiosamente, diversos estudos sugerem que as pessoas otimistas gozam melhor sa\u00fade e, realmente, vivem mais. Para Peterson, o otimismo a respeito da vida &#8220;pode ser uma tend\u00eancia biol\u00f3gica, preenchida pela cultura com um conte\u00fado socialmente aceit\u00e1vel, levando a resultados desej\u00e1veis pois produz um estado geral de vigor e resili\u00eancia&#8221;. Peterson tamb\u00e9m afirma: &#8220;Qual \u00e9 a emo\u00e7\u00e3o do otimismo? Felicidade, alegria, hipomania (um dist\u00farbio mental, em que h\u00e1 estados de esp\u00edrito muito elevados) ou, simplesmente, contentamento?&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos cap\u00edtulos anteriores, descrevi como a abund\u00e2ncia de emo\u00e7\u00f5es perturbadoras \u2014 medo, raiva e tristeza foram as mais f\u00e1ceis de exemplificar \u2014 podia significar dist\u00farbio emocional. A aus\u00eancia total de emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis \u2014 incapacidade de sentir <em>fiero<\/em>, <em>naches<\/em>, prazeres sensoriais etc. \u2014 \u00e9 um transtorno psiqui\u00e1trico classificado como <strong><em>anhedonia<\/em><\/strong>. O entusiasmo excessivo, persistente, misturado algumas vezes com gl\u00f3ria e <em>fiero<\/em> fazem parte do dist\u00farbio emocional da <strong><em>mania<\/em><\/strong>.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Identificando a satisfa\u00e7\u00e3o nos outros <\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fica evidente, a partir dessa breve passagem, deste breve cap\u00edtulo, que o sorriso \u00e9 o sinal facial das emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis. A divers\u00e3o, o <em>fiero<\/em>, o <em>naches<\/em>, o contentamento, o entusiasmo, os prazeres sensoriais, al\u00edvio, o assombro, a <em>Schadenfreude<\/em>, o \u00eaxtase e, talvez, a eleva\u00e7\u00e3o e a gratid\u00e3o, envolvem o sorriso. Esses sorrisos podem diferir em intensidades, rapidez e dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em todas essas emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis existe a express\u00e3o sorridente. Como saber, ent\u00e3o, o que a outra pessoa est\u00e1 sentindo? Um trabalho recente, mencionado no Cap\u00edtulo 4, respaldou o palpite de que \u00e9 a voz, e n\u00e3o a face, que fornece os sinais que diferenciam as emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis. Sophie Scott e Andrew Calder, psic\u00f3logos ingleses, identificaram diferentes sinais vocais de contentamento, al\u00edvio, prazer sensorial t\u00e1til e <em>fiero<\/em>. Eles comprovaram que essas emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o sinalizadas pela voz, propondo cada som e constatando que as pessoas que escutavam n\u00e3o tinham dificuldade de identificar uma emo\u00e7\u00e3o. Scott e Calder ainda n\u00e3o descreveram precisamente o que est\u00e1 no tom da voz para sinalizar cada uma das emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis. Suponho que eles tamb\u00e9m encontrar\u00e3o sinais vocais de muitas outras emo\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sorrisos podem ser enganosos, n\u00e3o s\u00f3 por fazerem parte de cada uma das emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis, como tamb\u00e9m por serem exibidos quando as pessoas n\u00e3o sentem nenhum tipo de satisfa\u00e7\u00e3o. Por exemplo: a polidez. Uma diferen\u00e7a separa os sorrisos satisfeitos dos de n\u00e3o satisfa\u00e7\u00e3o. E uma diferen\u00e7a sutil, e nossa pesquisa com o psic\u00f3logo Mark Frank sugere que a maioria das pessoas n\u00e3o a percebe. Se voc\u00ea n\u00e3o souber o que procurar, voc\u00ea pode ficar desorientado ou confuso, ou chegar \u00e0 conclus\u00e3o que os sorrisos n\u00e3o s\u00e3o confi\u00e1veis. Isso n\u00e3o \u00e9 verdade. Os sorrisos, de modo inequ\u00edvoco, mesmo que sutilmente, dizem se nascem ou n\u00e3o da satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais de cem anos atr\u00e1s, Duchenne de Boulogne, neurologista franc\u00eas, descobriu como o verdadeiro sorriso de satisfa\u00e7\u00e3o difere de todos os outros sorrisos. Ele estudou como cada m\u00fasculo facial muda a apar\u00eancia das pessoas estimulando eletricamente diferentes partes da face e fotografando as contra\u00e7\u00f5es resultantes. (Ele realizou uma experi\u00eancia com um homem que n\u00e3o sentia dor na face e, dessa maneira, n\u00e3o se incomodou com o procedimento.) No momento em que Duchenne observou a foto risonha produzida pela ativa\u00e7\u00e3o do <em>m\u00fasculo zigom\u00e1tico maior<\/em> \u2014 m\u00fasculo que sai das ma\u00e7\u00e3s do rosto (osso malar) e desce at\u00e9 uma aresta, no canto da boca, puxando os cantos da boca para cima, em um \u00e2ngulo, num sorriso \u2014, ele percebeu que o homem realmente n\u00e3o parecia feliz. Como bom experimentalista, Duchenne contou uma piada ao homem e registrou sua rea\u00e7\u00e3o. A compara\u00e7\u00e3o revelou que, na satisfa\u00e7\u00e3o verdadeira, em resposta a uma piada, o homem n\u00e3o apenas sorriu, mas ativou o m\u00fasculo que circunda os olhos. Compare a foto em que ele tem eletrodos na face (\u00e0 esquerda) com a sem eletrodos, em que ele sorri naturalmente (\u00e0 direita).\u00a0\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/post-300x187.jpg\" alt=\"\" width=\"476\" height=\"297\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Duchenne escreveu, em 1862: &#8220;A emo\u00e7\u00e3o da franca alegria est\u00e1 expressa na face pela contra\u00e7\u00e3o combinada dos m\u00fasculos <em>zigom\u00e1tico maior<\/em> e <em>orbicularis oculi<\/em>. O primeiro obedece \u00e0 vontade, mas o segundo s\u00f3 \u00e9 ativado pelas doces emo\u00e7\u00f5es da alma; a alegria falsa, o riso enganoso, n\u00e3o podem provocar a contra\u00e7\u00e3o desse segundo m\u00fasculo. O m\u00fasculo ao redor dos olhos n\u00e3o obedece \u00e0 vontade; ele s\u00f3 \u00e9 ativado por um sentimento verdadeiro, por uma emo- \u00e7\u00e3o agrad\u00e1vel. Sua in\u00e9rcia, no sorriso, desmascara um falso amigo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossa pesquisa confirmou a asser\u00e7\u00e3o de Duchenne de que ningu\u00e9m pode contrair voluntariamente o m\u00fasculo <em>orbicularis oculi <\/em>(ele &#8220;n\u00e3o obedece \u00e0 vontade&#8221;), embora apenas parte dele seja dif\u00edcil de contrair voluntariamente. H\u00e1 duas partes desse m\u00fasculo \u2014 uma interna, que retesa as p\u00e1lpebras e a pele diretamente abaixo dela, e uma externa, que percorre toda a cavidade ocular \u2014 abaixando as sobrancelhas e a pele abaixo delas, empurrando para cima a pele de baixo do olho e erguendo as bochechas. Duchenne estava correto a respeito da parte externa do m\u00fasculo; pouqu\u00edssimas pessoas podem contra\u00ed-la voluntariamente (cerca de 10% das pessoas que estudamos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos podem ativar a parte interna, que retesa as p\u00e1lpebras. Portanto, sua aus\u00eancia n\u00e3o &#8220;desmascara um falso amigo&#8221;. Os atores que aparentam sentir satisfa\u00e7\u00e3o de modo convincente pertencem ao pequeno grupo de pessoas que contraem voluntariamente a parte externa desse m\u00fasculo, ou, provavelmente, est\u00e3o resgatando uma mem\u00f3ria que gera a emo\u00e7\u00e3o e, em seguida, produz a express\u00e3o verdadeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora Charles Darwin citasse Duchenne e usasse algumas de suas fotografias para ilustrar a diferen\u00e7a entre sorrisos, os cientistas que estudaram express\u00f5es faciais nos cem anos seguintes ignoraram a descoberta de Duchenne. Eu e meus colegas reincorporamos as descobertas de Duchenne h\u00e1 vinte anos&#8221;, e, desde ent\u00e3o, destacamos sua import\u00e2ncia. Por exemplo, se um rec\u00e9m-nascido de dez meses for abordado por um estranho, seu sorriso n\u00e3o envolver\u00e1 o m\u00fasculo ao redor do olho; por\u00e9m, esse m\u00fasculo se manifesta no sorriso da m\u00e3e, quando ela se aproxima da crian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando casais felizes se encontram no fim do dia, o sorriso deles envolve o m\u00fasculo ao redor dos olhos, mas est\u00e1 ausente no caso de casais infelizes. As pessoas que discutem a morte recente de um c\u00f4njuge e conseguem exibir sorrisos que envolvem o m\u00fasculo ao redor dos olhos apresentam um luto reduzido dois anos depois. (N\u00e3o que elas estejam se deleitando com a morte do c\u00f4njuge, mas s\u00e3o capazes de recordar experi\u00eancias agrad\u00e1veis e, por um instante, vivenciar novamente a satisfa\u00e7\u00e3o.) As mulheres que exibem sorrisos envolvendo o m\u00fasculo ao redor dos olhos em suas fotografias do \u00e1lbum da faculdade apresentaram menos afli\u00e7\u00e3o depois de trinta anos e maior bem-estar emocional e f\u00edsico. Em geral, as pessoas que exibem frequentemente sorrisos envolvendo o m\u00fasculo ao redor dos olhos apresentam a sensa\u00e7\u00e3o de maior felicidade, t\u00eam press\u00e3o arterial menor e seus c\u00f4njuges e amigos as consideram felizes. Al\u00e9m disso, em nossa pesquisa, verificamos que o sorriso tanto com o m\u00fasculo dos olhos como com a boca ativou \u00e1reas cerebrais (t\u00eampora esquerda e regi\u00f5es anteriores) encontradas na satisfa\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea, mas o sorriso apenas com a boca n\u00e3o fez isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em a homenagem a Duchenne, sugeri denominar <em>sorriso de Duchenne<\/em> o verdadeiro sorriso de satisfa\u00e7\u00e3o, que envolve a parte externa do m\u00fasculo que circunda os olhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/POST2-300x177.jpg\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"283\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 primeira vista, pode parecer que a \u00fanica diferen\u00e7a entre essas fotos \u00e9 que os olhos est\u00e3o mais apertados na foto B, mas, se voc\u00ea comparar com cuidado as duas fotos, perceber\u00e1 muitas diferen\u00e7as. Na foto B, que exp\u00f5e a satisfa\u00e7\u00e3o real, as bochechas est\u00e3o mais altas, o contorno delas mudou e as sobrancelhas abaixaram um pouco. Tudo isso se deve \u00e0 a\u00e7\u00e3o da parte externa do m\u00fasculo ao redor dos olhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o sorriso \u00e9 largo, h\u00e1 apenas um ind\u00edcio que diferencia satisfa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o satisfa\u00e7\u00e3o. Um sorriso largo, como vemos na foto C, empurra para cima as bochechas, junta a pele sob os olhos, estreita a abertura dos olhos e at\u00e9 produz p\u00e9s de galinha, tudo sem envolver m\u00fasculo ao redor dos olhos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/post3-1-300x194.jpg\" alt=\"\" width=\"453\" height=\"294\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em compara\u00e7\u00e3o, a foto D mostra que as sobrancelhas e a dobra da cobertura dos olhos (a pele entre as p\u00e1lpebras e as sobrancelhas) foram abaixadas pelo m\u00fasculo ao redor do olho. A foto D \u00e9 um largo sorriso de satisfa\u00e7\u00e3o, enquanto a C n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A foto C, casualmente, \u00e9 composta, obtida pela colagem de D, a partir das p\u00e1lpebras inferiores para baixo, na foto neutra E. A foto F, abaixo, tamb\u00e9m \u00e9 composta: a boca sorridente da foto D foi colada na foto E. Os seres humanos n\u00e3o s\u00e3o capazes de produzir a express\u00e3o da foto F. Voc\u00ea deve estranh\u00e1-la, e o motivo disso \u00e9 que o sorriso largo produz todas as mudan\u00e7as nas bochechas e nos olhos que voc\u00ea observa na foto D. Fiz essa composi\u00e7\u00e3o para sublinhar que sorrisos muito largos mudam n\u00e3o apenas a boca, mas tamb\u00e9m as bochechas e a apar\u00eancia da pele abaixo dos olhos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/post4-300x187.jpg\" alt=\"\" width=\"458\" height=\"285\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 diversos sorrisos de n\u00e3o satisfa\u00e7\u00e3o diferentes. Alguns, como o sorriso polido, envolvem apenas a boca sorridente. Isso tamb\u00e9m ocorre nos sorrisos usados para indicar que o ouvinte concorda ou compreende o que o interlocutor est\u00e1 dizendo durante uma conversa. Alguns sorrisos de n\u00e3o satisfa\u00e7\u00e3o requerem outras a\u00e7\u00f5es faciais al\u00e9m da boca sorridente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/POST5-231x300.jpg\" alt=\"\" width=\"380\" height=\"494\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sorriso Hesitante<\/strong> <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse homem de Nova Guin\u00e9 era um anci\u00e3o respeitado na aldeia. Seu sorriso hesitante ou cauto sinaliza que ele quer dizer que n\u00e3o h\u00e1 nada de mal, mas que ainda n\u00e3o tem certeza do que vai acontecer a seguir. Eu era uma pessoa muito imprevis\u00edvel para os moradores dessa aldeia. Fazia coisas incr\u00edveis, estranhas: acender um f\u00f3sforo, ligar uma lanterna, fazer m\u00fasica sair de uma caixa. Ele foi atra\u00eddo por mim com espanto, entusiasmo e divers\u00e3o, e encarou essas maravilhas, mas n\u00e3o sabia quando eu podia surpreend\u00ea-lo ou atemoriz\u00e1-lo. A boca sorridente separada e os bra\u00e7os cruzados ajudam a transmitir a hesita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram lan\u00e7adas farpas durante o dia todo. O presidente Ronald Reagan finalmente terminou seu discurso para a Associa\u00e7\u00e3o Nacional para o Avan\u00e7o das Pessoas de Cor (<em>National Association for the Advancement of Colored People<\/em> \u2014 <em>NAACP<\/em>), mas, em sua introdu\u00e7\u00e3o, a presidente Margaret Bush Wilson provocou Reagan diversas vezes, lembrando a aus\u00eancia dele na conven\u00e7\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o durante a campanha presidencial. Ela tamb\u00e9m fez os delegados aplaudirem-na ao emitir esse rep\u00fadio: &#8220;A NAACP n\u00e3o apoia necessariamente os pontos de vista prestes a ser expressos&#8221;. Depois do discurso, Reagan abra\u00e7ou Wilson, uma perfeita ocasi\u00e3o para o que pode ser denominado um sorriso infeliz ou do tipo &#8220;aceitar algo desagrad\u00e1vel com bom humor&#8221;. Esse sorriso reconhece as emo\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis, revela que voc\u00ea tem esp\u00edrito esportivo, que \u00e9 capaz de aceitar cr\u00edticas e, ainda, sorrir. N\u00e3o \u00e9 uma tentativa de ocultar a emo\u00e7\u00e3o, mas um coment\u00e1rio vis\u00edvel de indisposi\u00e7\u00e3o. Significa que a pessoa que o revela, ao menos na hora, n\u00e3o vai protestar a respeito dessa indisposi\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/POST6-231x300.jpg\" alt=\"\" width=\"465\" height=\"604\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sorriso do tipo \u201caceitar algo desagrad\u00e1vel com bom humor\u201d <\/strong><\/br><br \/>\nObserve que, al\u00e9m de sorrir largamente, o ex-presidente Reagan tem os l\u00e1bios apertados. A partir do enrugamento no queixo, tamb\u00e9m podemos dizer que ele empurrou o l\u00e1bio inferior para cima. Com base na fotografia, n\u00e3o podemos afirmar a atua\u00e7\u00e3o do m\u00fasculo que circunda os olhos. Reagan pode ter gostado da situa\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel. Em geral, os sorrisos infelizes ocorrem quando n\u00e3o h\u00e1 satisfa\u00e7\u00e3o real, mas uma possibilidade, como o caso.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/POST7-300x247.jpg\" alt=\"\" width=\"516\" height=\"425\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Controlando a Emo\u00e7\u00e3o com um sorriso <\/strong><\/br><br \/>\nAp\u00f3s renunciar, o ex-presidente Richard Nixon mostrou essa express\u00e3o momentos antes de deixar a Casa Branca, em uma despedida chorosa para aqueles que tinham servido sua presid\u00eancia. Ningu\u00e9m questionaria a infelicidade de Nixon naquele momento, mas o tra\u00e7o de um sorriso revela que ele n\u00e3o est\u00e1 abatido, que controlar\u00e1 o pesar e prov\u00e1vel desespero. A boca est\u00e1 um pouco curvada para baixo, sinal de tristeza, uma express\u00e3o que seria mais intensa se ele n\u00e3o estivesse tentando sorrir. N\u00e3o h\u00e1 brilho em seu olhar, um sinal muitas vezes visto nos sorrisos de satisfa\u00e7\u00e3o, produzido pelas a\u00e7\u00f5es do m\u00fasculo orbicularis oculi. Os l\u00e1bios est\u00e3o ligeiramente apertados, como se ele tentasse controlar suas emo\u00e7\u00f5es.<br \/>\nNesse momento, passaremos para imagens finais, expondo a mistura de satisfa\u00e7\u00e3o com outras emo\u00e7\u00f5es.<br \/>\nAs fotos enfileiradas exibem sorrisos misturados. A combina\u00e7\u00e3o de sobrancelha baixa e sorriso da foto G \u00e9 rara. N\u00e3o \u00e9 um sorriso raivoso, pois a boca n\u00e3o est\u00e1 estreita nem estendida, e a p\u00e1lpebra superior n\u00e3o foi erguida. N\u00e3o h\u00e1 certeza do que a express\u00e3o pode sinalizar, pois n\u00e3o a vi em nenhuma de minhas pesquisas. A foto H \u00e9 mais f\u00e1cil, pois revela avers\u00e3o claramente, devido ao erguimento do l\u00e1bio superior. O sorriso adiciona hesita\u00e7\u00e3o \u00e0 express\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 o caso de uma pessoa que realmente gosta de sua avers\u00e3o. Na foto I, h\u00e1 uma mistura de satisfa\u00e7\u00e3o e desprezo, formando uma express\u00e3o presun\u00e7osa. Vimos essa imagem antes, no cap\u00edtulo dedicado \u00e0 avers\u00e3o e desprezo.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/POST8-2-1024x447.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"279\" \/><br \/>\n<strong>Utilizando as informa\u00e7\u00f5es das express\u00f5es <\/strong><\/br><br \/>\nNos cap\u00edtulos anteriores, discuti como utilizar as informa\u00e7\u00f5es sobre as express\u00f5es faciais em diversos relacionamentos. N\u00e3o quero fazer isso aqui, pois \u00e9 raro perceber que algu\u00e9m que vive uma experi\u00eancia agrad\u00e1vel possa criar um problema. Frequentemente, n\u00e3o importa se a pessoa exibe um sorriso de Duchenne, satisfa\u00e7\u00e3o real, um sorriso polido ou falso. Se seu chefe contar uma piada sem gra\u00e7a, voc\u00ea vai rir. Com certeza, ele n\u00e3o examinar\u00e1 sua express\u00e3o cuidadosamente para certificar-se de que voc\u00ea realmente gostou da piada. O que importa \u00e9 que tentou transparecer apre\u00e7o. No entanto, \u00e0s vezes, quando voc\u00ea realmente se importa com a aprecia\u00e7\u00e3o alheia, o lugar que deve ser observado \u00e9 a dobra da cobertura do olho, diretamente abaixo das sobrancelhas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Emo\u00e7\u00f5es Agrad\u00e1veis Paul Ekman Loretta Stirm e seus filhos esperavam pacientemente na pista de pouso da base da For\u00e7a A\u00e9rea de Travis enquanto um grupo &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/04\/emocoes-agradaveis-paul-ekman\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">EMO\u00c7\u00d5ES AGRAD\u00c1VEIS &#8211; Paul Ekman<\/span> Leia mais \u00bb<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8638,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"","site-content-layout":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[39],"class_list":["post-8637","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-ciencia-das-emocoes"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v27.6.1 (Yoast SEO v27.2) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>EMO\u00c7\u00d5ES AGRAD\u00c1VEIS - Paul Ekman - Ci\u00eancia Contemplativa<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/12\/04\/emocoes-agradaveis-paul-ekman\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"EMO\u00c7\u00d5ES AGRAD\u00c1VEIS - Paul Ekman - Ci\u00eancia Contemplativa\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Emo\u00e7\u00f5es Agrad\u00e1veis Paul Ekman Loretta Stirm e seus filhos esperavam pacientemente na pista de pouso da base da For\u00e7a A\u00e9rea de Travis enquanto um grupo &hellip; 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