{"id":8309,"date":"2020-07-21T01:59:56","date_gmt":"2020-07-21T01:59:56","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/07\/21\/a-neurociencia-do-sofrimento-rick-hanson\/"},"modified":"2020-07-21T01:59:56","modified_gmt":"2020-07-21T01:59:56","slug":"a-neurociencia-do-sofrimento-rick-hanson","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/07\/21\/a-neurociencia-do-sofrimento-rick-hanson\/","title":{"rendered":"VELCRO PARA AS COISAS RUINS: A NEUROCI\u00caNCIA DO SOFRIMENTO &#8211; Rick Hanson"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Rick Hanson<br \/><br \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 mais de vinte anos, numa aula de neuroci\u00eancia para psic\u00f3logos, o professor entrou na sala com um balde grande, vestiu um par de luvas amarelas e, com um gesto teatral, tirou do balde um c\u00e9rebro humano em perfeitas condi\u00e7\u00f5es. Parecia uma couve-flor pequena, esponjosa e amarelada. Enquanto o professor discorria monotonamente sobre ele, tive uma experi\u00eancia estranhamente perturbadora. Uma coisa igual \u00e0 que estava na sua m\u00e3o \u201cl\u00e1\u201d tamb\u00e9m estava \u201caqui\u201d, dentro da minha cabe\u00e7a, tentando compreender o que ele estava segurando. Fiquei na verdade chocado com o fato de que essa coisa aparentemente insignificante estivesse produzindo a vis\u00e3o do balde, a voz do professor e minhas sensa\u00e7\u00f5es tanto de nojo como de admira\u00e7\u00e3o. Todo o prazer e toda a dor que eu sentia, todo o amor e toda a perda, resultavam de uma atividade que ocorria no interior daquela massa de carne brilhante. Meu c\u00e9rebro era a vereda final comum de todas as causas que flu\u00edam atrav\u00e9s de mim para criar cada momento de consci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 tempos as pessoas perguntam por que ficamos alegres ou tristes ou por que nos ajudamos ou nos ferimos mutuamente. S\u00e1bios e cientistas exploraram as causas <em>mentais<\/em> da felicidade e do sofrimento. Agora, pela primeira vez na hist\u00f3ria, podemos perguntar a n\u00f3s memos: quais s\u00e3o as causas <em>neurais<\/em> subjacentes dessas causas? E as respostas podem ser encontradas nas estruturas e nos processos do c\u00e9rebro humano tal como foi moldado pela <em>evolu\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O c\u00e9rebro n\u00e3o passou a existir da noite para o dia. Ele adquiriu suas aptid\u00f5es e tend\u00eancias durante centenas de milh\u00f5es de anos, e os fatores que moldaram essa hist\u00f3ria longa e impessoal apresentam-se hoje em sua vida de maneiras bastante pessoais. Suponhamos que voc\u00ea realizou vinte coisas hoje e cometeu um erro. O que tem uma probabilidade maior de ficar na lembran\u00e7a enquanto voc\u00ea pega no sono? Provavelmente o erro, mesmo que ele tenha representado apenas uma pequena parte do seu dia. Como voc\u00ea ver\u00e1, a raz\u00e3o disso pode ser encontrada na evolu\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro. Sabendo como ele se desenvolveu ao longo do tempo, voc\u00ea conhecer\u00e1 melhor a si mesmo e aos outros. E, mais, voc\u00ea utilizar\u00e1 e moldar\u00e1 mais eficazmente aquela coisa gosmenta, com formato de couve-flor e extraordin\u00e1ria, que existe dentro da sua cabe\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><br \/>Um c\u00e9rebro em evolu\u00e7\u00e3o<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo ser humano tem ancestrais comuns<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a> com morcegos, beg\u00f4nias e bact\u00e9rias que datam de pelo menos 3,5 bilh\u00f5es de anos, recuando at\u00e9 os primeiros microorganismos. Criaturas pluricelulares surgiram<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[iii]<\/a> nos antigos oceanos h\u00e1 650 milh\u00f5es de anos; 50 milh\u00f5es de anos depois, elas tinham se tornado suficientemente complexas a ponto de come\u00e7ar a desenvolver um sistema nervoso que coordenasse seus sistemas sensorial e motor. Os mam\u00edferos surgiram<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[iv]<\/a> h\u00e1 cerca de 200m milh\u00f5es de anos, e os primeiros primatas por volta de 60 milh\u00f5es atr\u00e1s. H\u00e1 cerca de 2,5 milh\u00f5es de anos<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[v]<\/a>, nosso ancestral homin\u00eddeo, o <em>Homo habilis<\/em>, era inteligente o bastante para come\u00e7ar a fazer ferramentas de pedra, e nossa pr\u00f3pria esp\u00e9cie \u2013 o <em>Homo sapiens<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\"><strong>[vi]<\/strong><\/a><\/em>, o macaco inteligente \u2013 apareceu h\u00e1 cerca de 200 mil anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo dos \u00faltimos 600 milh\u00f5es de anos<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[vii]<\/a>, o sistema nervoso em evolu\u00e7\u00e3o foi incorporando solu\u00e7\u00f5es para problemas de sobreviv\u00eancia enfrentados por criaturas do n\u00edvel de algas e moluscos, passando por lagartos, camundongos e macacos, at\u00e9 chegar aos primeiros humanos. Nos \u00faltimos milh\u00f5es de anos, o c\u00e9rebro praticamente triplicou de volume, enquanto era moldado pelas profundas press\u00f5es da sele\u00e7\u00e3o natural. At\u00e9 o in\u00edcio da agricultura, h\u00e1 cerca de 10 mil anos, nossos antepassados homin\u00eddeos e humanos<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[viii]<\/a> viviam em pequenos bandos de ca\u00e7adores e coletores. Era um mundo intocado e belo, tudo era simples, o ritmo de vida era tranquilo e havia tempo para se relacionar uns com os outros, algo de que muitos sentem saudade hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o obstante, as amea\u00e7as \u00e0 sobreviv\u00eancia que eles tinham de enfrentar \u2013 como a probabilidade de ser atacado e devorado por predadores \u2013 eram muito diferente das nossas. Por viverem em pequenos bandos, n\u00e3o costumavam se encontrar com pessoas desconhecidas, e, quando isso acontecia, muitas vezes era perigoso. Embora alguns bandos se relacionassem pacificamente<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[ix]<\/a> entre si, na m\u00e9dia uma de cada oito pessoas morria em conflitos entre bandos, isso comparado com uma em cada cem que morreu devido \u00e0s guerras do s\u00e9culo XX. Havia tamb\u00e9m fome, parasitas, doen\u00e7as, ferimentos e os riscos do parto; e nada de analg\u00e9sicos ou pol\u00edcia. Foi esse mundo que serviu de \u00fatero para o c\u00e9rebro humano, e ele se adaptou meticulosamente a suas condi\u00e7\u00f5es. O resultado ocupa hoje o espa\u00e7o entre suas orelhas, continuando a moldar suas experi\u00eancias e a controlar suas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As coisas ruins s\u00e3o mais fortes que as boas<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">[x]<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para transmitir seus genes, nossos ancestrais r\u00e9pteis, mam\u00edferos, primatas, homin\u00eddeos e humanos tinham de conseguir coisas agrad\u00e1veis como as \u201ccenouras\u201d do abrigo, da comida e do sexo. Enquanto isso, tinham de se manter distantes de coisas que eram dolorosas como \u201cbast\u00f5es\u201d de prepadores, fome e agress\u00e3o vinda de outros de sua esp\u00e9cie. Tanto as cenouras como os bast\u00f5es s\u00e3o importantes, mas existe uma diferen\u00e7a crucial entre eles. Do ponto de vista da sobreviv\u00eancia, bast\u00f5es t\u00eam mais prem\u00eancia e impacto que cenouras. Se voc\u00ea n\u00e3o conseguir uma cenoura hoje, ter\u00e1 outra oportunidade de consegu\u00ed-la amanh\u00e3; mas, se voc\u00ea n\u00e3o conseguir evitar um bast\u00e3o hoje \u2013 z\u00e1s! -, nunca mais vai comer cenoura. A lei no. 1 da selva \u00e9: almoce hoje \u2013 n\u00e3o seja um almo\u00e7o hoje. Durante centenas de milh\u00f5es de anos, foi uma quest\u00e3o de vida ou morte ficar atento aos bast\u00f5es, reagir intensamente a eles, lembrar-se bem deles e, ao longo do tempo, tornar-se cada vez mais sens\u00edvel a eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consequentemente, o c\u00e9rebro desenvolveu um vi\u00e9s negativista intr\u00ednseco. Embora essa predisposi\u00e7\u00e3o tenha aparecido em condi\u00e7\u00f5es in\u00f3spitas muito diferentes das nossas, ela continua agindo dentro de n\u00f3s hoje quando estamos dirigindo, indo a uma reuni\u00e3o, resolvendo uma briga entre irm\u00e3os, tentando fazer regime, assistindo ao notici\u00e1rio, esquivando-nos das tarefas dom\u00e9sticas, pagando contas ou indo encontrar a namorada. Seu c\u00e9rebro est\u00e1 sempre pronto a assumir uma postura negativa para ajud\u00e1-lo a sobreviver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alerta por voc\u00ea<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para come\u00e7o de conversa<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\">[xi]<\/a>, seu c\u00e9rebro sempre est\u00e1 \u00e0 espreita de perigos ou perdas potenciais; \u00e9 por essa raz\u00e3o que a primeira not\u00edcia dos telejornais geralmente \u00e9 o crime ou desastre mais recente. Como dizem no jornalismo: sangue vende jornal. Durante o curso da evolu\u00e7\u00e3o, animais nervosos, decididos e tenazes tinham mais probabilidade de transmitir seus genes, e essas tend\u00eancias est\u00e3o agora incorporados em nosso DNA. Mesmo quando voc\u00ea se sente relaxado, feliz e pr\u00f3ximo das pessoas, seu c\u00e9rebro continua atento em busca de perigos potenciais, de decep\u00e7\u00f5es e problemas interpessoais. Em consequ\u00eancia, na parte de tr\u00e1s da mente em geral existe uma sutil mas percept\u00edvel sensa\u00e7\u00e3o de desconforto, insatisfa\u00e7\u00e3o e distanciamento que provoca essa vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, quando a m\u00ednima coisa d\u00e1 errado<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\">[xii]<\/a> ou pode causar problema, o c\u00e9rebro concentra-se nisso como uma esp\u00e9cie de vis\u00e3o de t\u00fanel que minimiza todo o resto. Se seu chefe faz uma excelente avalia\u00e7\u00e3o sua que cont\u00e9m uma \u00fanica cr\u00edtica em meio a um monte de elogios, \u00e9 prov\u00e1vel que voc\u00ea se concentre no coment\u00e1rio negativo. Est\u00edmulos negativos s\u00e3o percebidos com mais rapidez<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn13\" name=\"_ednref13\">[xiii]<\/a> e com maior facilidade que est\u00edmulos positivos. N\u00f3s identificamos semblantes raivosos mais rapidamente<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn14\" name=\"_ednref14\">[xiv]<\/a> que semblantes alegres; na verdade, diante de um semblante raivoso o c\u00e9rebro reage<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn15\" name=\"_ednref15\">[xv]<\/a> mesmo que voc\u00ea n\u00e3o tenha consci\u00eancia disso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O poder do sofrimento<br \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As experi\u00eancias ruins (dolorosas, perturbadoras) geralmente prevalecem sobre as boas (apraz\u00edveis, confortadoras). O psic\u00f3logo Daniel Kahnemann<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn16\" name=\"_ednref16\">[xvi]<\/a> recebeu o Pr\u00eamio Nobel de Economia por demonstrar que a maioria das pessoas se empenha mais em evitar uma perda do que em conquistar um ganho equivalente. Relacionamentos \u00edntimos duradouros<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn17\" name=\"_ednref17\">[xvii]<\/a> geralmente precisam de cinco intera\u00e7\u00f5es positivas para compensar uma negativa. Na verdade, as pessoas come\u00e7am a se dar bem<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn18\" name=\"_ednref18\">[xviii]<\/a> quando os momentos positivos superam os negativos ao menos numa propor\u00e7\u00e3o de tr\u00eas para um e, de prefer\u00eancia, numa propor\u00e7\u00e3o maior. Os elementos negativos contaminam os elementos positivos mais do que estes<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn19\" name=\"_ednref19\">[xix]<\/a> purificam aqueles; por exemplo, uma m\u00e1 a\u00e7\u00e3o prejudica mais a reputa\u00e7\u00e3o do her\u00f3i<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn20\" name=\"_ednref20\">[xx]<\/a> do que uma boa a\u00e7\u00e3o melhora a reputa\u00e7\u00e3o do vil\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O impacto extraordin\u00e1rio que os acontecimentos ruins t\u00eam sobre a mente baseia-se no poder extraordin\u00e1rio que eles t\u00eam no c\u00e9rebro, o qual responde mais intensamente a coisas desagrad\u00e1veis do que a coisas agrad\u00e1veis de mesma intensidade. Situado no meio da cabe\u00e7a, o circuito central da rea\u00e7\u00e3o desproporcional comp\u00f5e-se de tr\u00eas partes: a <em>am\u00edgdala,<\/em> o<em> hipot\u00e1lamo <\/em>e o<em> hipocampo. <\/em>Do tamanho de uma am\u00eandoa<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn21\" name=\"_ednref21\">[xxi]<\/a>, a am\u00edgdala de fato reage a acontecimentos e sensa\u00e7\u00f5es positivos; por\u00e9m, na maioria das pessoas ela \u00e9 ativada mais pelos acontecimentos e sensa\u00e7\u00f5es negativos<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn22\" name=\"_ednref22\">[xxii]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pense na situa\u00e7\u00e3o em que algu\u00e9m \u2013 talvez um de seus pais, sua companheira ou um colega de trabalho \u2013 ficou com raiva de voc\u00ea e aquilo o deixou ansioso. A raiva do outro ativou sua am\u00edgdala<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn23\" name=\"_ednref23\">[xxiii]<\/a>, um pouco como o ataque de um le\u00e3o teria feito h\u00e1 um milh\u00e3o de anos. Para produzir uma rea\u00e7\u00e3o \u201cde luta ou fuga\u201d, a am\u00edgdala enviou sinais de alarme para o hipot\u00e1lamo e para os centros de controle do <em>sistema nervoso simp\u00e1tico<\/em>, localizados na base do c\u00e9rebro. O hipot\u00e1lamo enviou um pedido urgente de <em>adrenalina, cortisol, <\/em>norepinefrina e outros horm\u00f4nios do estresse. Seu cora\u00e7\u00e3o ent\u00e3o come\u00e7ou a bater mais r\u00e1pido, seus pensamentos se aceleraram e voc\u00ea come\u00e7ou a se sentir aturdido ou agitado. O hipocampo produziu um primeiro registro neural da experi\u00eancia<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn24\" name=\"_ednref24\">[xxiv]<\/a> &#8211; o que aconteceu, quem disse o qu\u00ea e como voc\u00ea se sentiu \u2013 e ent\u00e3o supervisionou sua consolida\u00e7\u00e3o nas redes de mem\u00f3ria cortical para que voc\u00ea pudesse aprender com isso no futuro. Ligada pelo equivalente neural de uma autoestrada de quatro pistas, a am\u00edgdala ativada ordenou ao hipocampo que desse prioridade ao armazenamento dessa experi\u00eancia estressante e marcasse at\u00e9 mesmo os futuros filhotes de neur\u00f4nio<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn25\" name=\"_ednref25\">[xxv]<\/a> para que fossem, de fato, medrosos para sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>C\u00edrculos viciosos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o passar do tempo, as experi\u00eancias negativas tornam a am\u00edgdala ainda <em>mais<\/em> sens\u00edvel \u00e0s coisas negativas. Esse efeito de bola de neve<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn26\" name=\"_ednref26\">[xxvi]<\/a> acontece porque o cortisol que a am\u00edgdala sinaliza que o hipot\u00e1lamo deve solicitar entra na corrente sangu\u00ednea e flui para o c\u00e9rebro, onde estimula e fortalece a am\u00edgdala. O sinal de alarme do c\u00e9rebro passa, ent\u00e3o, a disparar mais facilmente e com maior intensidade. Para piorar as coisas, mesmo depois que o perigo passou ou mostrou ser um alarme falso, v\u00e1rios minutos se passam at\u00e9 que o cortisol tenha sido metabolizado e eliminado do corpo. Por exemplo, voc\u00ea pode escapar por pouco de bater o carro e ainda continuar pilhado e tr\u00eamulo vinte minutos depois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse meio-tempo, numa sequ\u00eancia de golpes um-dois<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn27\" name=\"_ednref27\">[xxvii]<\/a>, o cortisol do c\u00e9rebro superestimula, enfraquece e finalmente elimina c\u00e9lulas do hipocampo, reduzindo-o gradualmente. Isso representa um problema<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn28\" name=\"_ednref28\">[xxviii]<\/a> porque o hipocampo o ajuda a p\u00f4r as coisas em perspectiva, ao mesmo tempo que acalma a am\u00edgdala e diz ao hipot\u00e1lamo para parar de solicitar horm\u00f4nios do estresse. Assim sendo, fica mais dif\u00edcil p\u00f4r a \u00fanica coisa que est\u00e1 dando errado no contexto das in\u00fameras coisas que est\u00e3o dando certo, e mais dif\u00edcil ainda sossegar uma am\u00edgdala e um hipot\u00e1lamo descontrolados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como consequ\u00eancia, sentir-se estressado, preocupado, irritado ou magoado hoje o deixa mais vulner\u00e1vel a se sentir estressado etc. amanh\u00e3, o que o deixa na verdade vulner\u00e1vel no dia seguinte. Negatividade leva a mais negatividade, num c\u00edrculo extremamente vicioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Paranoia do tigre de papel<br \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos aspectos da predisposi\u00e7\u00e3o negativa \u00e9 t\u00e3o importante que merece uma aten\u00e7\u00e3o especial: o poder extraordin\u00e1rio do medo. Nossos ancestrais podiam cometer dois tipos de engano: 1) pensar que havia um tigre escondido no mato, quando n\u00e3o havia, e 2) pensar que n\u00e3o havia nenhum tigre escondido no mato, quando realmente havia um. O pre\u00e7o do primeiro engano era a ansiedade desnecess\u00e1ria, enquanto o pre\u00e7o do segundo era a morte. Consequentemente, nosso processo evolutivo nos levou a cometer mil vezes o primeiro engano para evitar cometer o segundo ainda que na \u00fanica vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, as pessoas ainda continuam cometendo o segundo engano<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn29\" name=\"_ednref29\">[xxix]<\/a>. Eu, por exemplo, n\u00e3o uso fio dental com a frequ\u00eancia que deveria e dirijo r\u00e1pido demais. Uma varia\u00e7\u00e3o do segundo engano \u00e9 ser exageradamente otimista a respeito de prov\u00e1veis benef\u00edcios em compara\u00e7\u00e3o com seus custos; por exemplo, muitos apostadores e aspirantes a astro de rock inflam as probabilidades de retorno. Em geral, por\u00e9m, o cen\u00e1rio <em>default<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn30\" name=\"_ednref30\"><strong>[xxx]<\/strong><\/a> <\/em>do c\u00e9rebro \u00e9 <em>superestimar<\/em> as amea\u00e7as, <em>subestimar<\/em> as oportunidades e <em>subestimar<\/em> tanto os recursos para enfrentar as amea\u00e7as como para aproveitar as oportunidades. N\u00f3s ent\u00e3o atualizamos essas cren\u00e7as com informa\u00e7\u00f5es que as confirmam, enquanto ignoramos ou rejeitamos as que as desmentem. Existem mesmo regi\u00f5es<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn31\" name=\"_ednref31\">[xxxi]<\/a> da am\u00edgdala especificamete projetadas para impedir que se esque\u00e7a o medo, de modo especial o causado por experi\u00eancias da inf\u00e2ncia. Como resultado disso, acabamos nos preocupando com amea\u00e7as que na verdade s\u00e3o menores ou mais administr\u00e1veis do que tem\u00edamos, enquanto desconsideramos oportunidades que em geral s\u00e3o maiores do que esper\u00e1vamos. Como resultado, nosso c\u00e9rebro \u00e9 propenso \u00e0 \u201cparanoia do tigre de papel\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas tend\u00eancias de origem biol\u00f3gica s\u00e3o refor\u00e7adas por in\u00fameros fatores. Consideremos o temperamento. Algumas pessoas (como eu) s\u00e3o intrinsecamente mais ansiosas que outras. Pense tamb\u00e9m a sua hist\u00f3ria pessoal. \u00c9 natural que experi\u00eancias de vida assustadoras ou dolorosas, especialmente as traum\u00e1ticas, deixem as pessoas mais medrosas. Se voc\u00ea cresceu numa vizinhan\u00e7a perigosa, se seus pais eram irasc\u00edveis ou se voc\u00ea sofria indimida\u00e7\u00e3o na escola, \u00e9 normal ainda agir com cautela mesmo que agora viva num lugar seguro rodeado de gente simp\u00e1tica. Suas condi\u00e7\u00f5es atuais tamb\u00e9m s\u00e3o importantes. Talvez voc\u00ea viva com algu\u00e9m que perde a cabe\u00e7a sem motivo ou esteja sendo assediada no trabalho. A economia tamb\u00e9m tem seu papel. \u00c9 compreens\u00edvel que as pessoas tenham uma sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a ou algo pior quando o dinheiro est\u00e1 curto e o dia a dia \u00e9 uma competi\u00e7\u00e3o estressante. E, al\u00e9m disso, em toda a hist\u00f3ria grupos pol\u00edticos se aproveitaram dos medos para tomar ou manter o poder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual \u00e9 sua experi\u00eancia pessoal de medo?\u00a0 Ele varia da cautela, prud\u00eancia, apreens\u00e3o e inquietude moderadas a preocu\u00e7a\u00f5es, ansiedade, obsess\u00e3o, p\u00e2nico e terror. E que papel o medo desempenha em sua vida? Quando estamos com medo, pensamos pequeno, nos expressamos com menos liberdade, nos aferramos ao \u201cn\u00f3s\u201d e sentimos mais medo e raiva \u201cdeles\u201d. Como os outros t\u00eam a mesma vulnerabilidade ao poder do medo que n\u00f3s, os atos que cometemos quando estamos amedrontados lhes parecem amea\u00e7adores; com isso eles reagem de maneira exagerada, fazendo com que nos sintamos mais amedrontados que nunca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Velcro e teflon<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A predisposi\u00e7\u00e3o \u00e0 negatividade tamb\u00e9m influencia o processo de constru\u00e7\u00e3o da estrutura da mente. Ela funciona assim. Como vimos, o que flui atrav\u00e9s da mente modifica o c\u00e9rebro. Isso resulta em dois tipos de aprendizagem, dois tipos de mem\u00f3ria: <em>expl\u00edcita <\/em>e <em>impl\u00edcita<\/em>. A mem\u00f3ria expl\u00edcita cont\u00e9m todas as suas lembran\u00e7as pessoais, desde quando voc\u00ea era uma crian\u00e7a pequena at\u00e9 o que estava acontecendo dez minutos atr\u00e1s. Essas lembran\u00e7as tendem a assumir uma predisposi\u00e7\u00e3o positiva<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn32\" name=\"_ednref32\">[xxxii]<\/a> quanto mais voc\u00ea recua no tempo. Por exemplo, logicamente eu sei que meus p\u00e9s deviam estar me matando dentro das botas de escalar apertadas durante a longa trilha em Yosemite; por\u00e9m, a \u00fanica coisa de que me lembro \u00e9 como foi incr\u00edvel ficar de p\u00e9 l\u00e1 no alto al lado do meu amigo. A mem\u00f3ria expl\u00edcita tamb\u00e9m inclui o chamado \u201cconhecimento declarativo\u201d, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de enciclop\u00e9dia de informa\u00e7\u00f5es sobre coisas como a defini\u00e7\u00e3o de bicicleta, o formato da Terra e seu n\u00famero de registro na Previd\u00eancia Social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mem\u00f3ria impl\u00edcita inclui o \u201cconhecimento procedural\u201d, que \u00e9 a maneira de fazer as coisas, de como andar de bicicleta a como conduzir uma conversa delicada com um amigo. Ele tamb\u00e9m cont\u00e9m seus pressupostos e expectativas, restos afetivos de experi\u00eancias vividas, modelos de relacionamento, valores e inclina\u00e7\u00f5es, e todo o ambiente interno de sua mente. \u00c9 como um enorme armaz\u00e9m que guarda a maioria das for\u00e7as interiores<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn33\" name=\"_ednref33\">[xxxiii]<\/a>, bem como a maioria das sensa\u00e7\u00f5es de inadequa\u00e7\u00e3o, dos desejos n\u00e3o realizados, das posturas defensivas e dos antigos sofrimentos. O que \u00e9 introduzido nesse armaz\u00e9m constitui a base do seu modo de sentir e de agir. Seu conte\u00fado geralmente tem muito mais impacto em sua vida do que os conte\u00fados da mem\u00f3ria expl\u00edcita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Infelizmente, a forma\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria impl\u00edcita<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn34\" name=\"_ednref34\">[xxxiv]<\/a> apresenta um vi\u00e9s <em>negativo.<\/em> Experi\u00eancias desagrad\u00e1veis s\u00e3o imediatamente processadas nos armaz\u00e9ns da mem\u00f3ria: uma queimadura, duas vezes t\u00edmido. Em geral aprendemos mais depressa com o sofrimento do que com o prazer. Antipatias fortes s\u00e3o adquiridas mais rapidamente do que predile\u00e7\u00f5es fortes. Nos relacionamentos, \u00e9 f\u00e1cil perder a confian\u00e7a e dif\u00edcil reconquist\u00e1-la. Lembramos mais de algo ruim sobre algu\u00e9m do que de algo bom, raz\u00e3o pela qual as propagandas negativas predominam nas campanhas pol\u00edticas. Seja entre membros da fam\u00edlia ou entre na\u00e7\u00f5es, agravos nunca esquecidos alimentam conflitos duradouros. Um simples punhado de acontecimentos irrelavantes dif\u00edceis pode se transformar rapidamente numa sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn35\" name=\"_ednref35\">[xxxv]<\/a> &#8211; um fator importante da depress\u00e3o<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn36\" name=\"_ednref36\">[xxxvi]<\/a> -, e a pessoa normalmente precisa da mesma quantidade de contraexperi\u00eancias de sucesso a fim de recobrar a sensa\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a e de compet\u00eancia. De uma forma ou de outra, estados mentais negativos podem se transformar com facilidade em tra\u00e7os neurol\u00f3gicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, a menos que sejam entusiasmantes ou originais, a maioria das not\u00edcias boas tem pouco ou nenhum efeito duradouro nos sistemas de mem\u00f3ria impl\u00edcita do c\u00e9rebro. Isso acontece por tr\u00eas motivos. Primeiro: tendemos a ignorar as not\u00edcias porque estamos ocupados resolvendo problemas ou procurando algo com que nos preocupar. Estamos rodeados de pequenas coisas boas \u2013 o canto dos p\u00e1ssaros, o sorriso das pessoas, os cora\u00e7\u00f5es que continuam -, mas n\u00e3o lhes damos muita aten\u00e7\u00e3o. Segundo: quando de fato reconhecemos uma coisa boa, ela geralmente n\u00e3o consegue se transformar numa <em>experi\u00eancia <\/em>boa. Mal terminamos uma tarefa \u2013 uma coisa boa \u2013 e j\u00e1 passamos para a pr\u00f3xima, sem aproveitar direito a sensa\u00e7\u00e3o de ter realizado algo. Se algu\u00e9m nos elogia, ignoramos o elogio. Ouvimos o riso das crian\u00e7as, mas isso n\u00e3o nos anima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Terceiro: mesmo que voc\u00ea perceba, de fato, uma coisa boa e mesmo que ela se torne uma experi\u00eancia boa, ela provavalmente n\u00e3o se converte em uma estrutura neural, armazenada na mem\u00f3ria impl\u00edcita. A menos que se trate de ocasi\u00f5es extraordin\u00e1rias, as experi\u00eancias positivas utilizam sistemas de mem\u00f3ria comuns, nos quais a informa\u00e7\u00e3o nova tem de ser mantida em \u00e1reas de armazenamento de dados de curto prazo por um per\u00edodo suficientemente prolongado antes de ser transferida para o armazenamento de longo prazo. \u201cSuficientemente prolongado\u201d depende da experi\u00eancia e da pessoa; por\u00e9m, de modo geral, isso significa pelo menos alguns segundos, e quanto mais tempo melhor. Na verdade, voc\u00ea precisa <em>manter<\/em> a mente ligada na experi\u00eancia positiva para que ela molde seu c\u00e9rebro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com que frequ\u00eancia, por\u00e9m, retemos uma experi\u00eancia postiva por cinco, dez ou vinte segundos ininterruptamente? Ou por um espa\u00e7o de tempo mais longo? Eu, com certeza, n\u00e3o agia assim antes de come\u00e7ar a perceber a import\u00e2ncia de incorporar deliberadamente as coisas boas e preencher aos poucos o vazio em meu cora\u00e7\u00e3o. Suponha que lhe aconteceu algo que fez com que se sentisse tranquilo, satisfeito ou amado. Voc\u00ea normalmente se manteria receptivo a essa sensa\u00e7\u00e3o durante (digamos) dez segundos, mantendo-a viva em sua consci\u00eancia, penetrando nela ao mesmo tempo que ela penetra em voc\u00ea? A maioria das pessoas n\u00e3o teria essa rea\u00e7\u00e3o. Mas, se voc\u00ea n\u00e3o agir assim, grande parte \u2013 se n\u00e3o a totalidade \u2013 do valor dispon\u00edvel nessa experi\u00eancia ser\u00e1 perdida. Sua mente funciona como um velcro para as experi\u00eancias negativas, mas como um teflon para as positivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esfor\u00e7os desperdi\u00e7ados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A menos que voc\u00ea incorpore conscientemente a experi\u00eancia boa, ela no geral passa pelo c\u00e9rebro como \u00e1gua pela peneira, deixando pouco de bom para tr\u00e1s. (Enquanto isso, as experi\u00eancias ficam presas na peneira pela mem\u00f3ria impl\u00edcita de vi\u00e9s negativo.) A experi\u00eancia foi boa, mas do ponto de vista da constru\u00e7\u00e3o da estrutura neural \u00e9 como se ela nunca tivesse existido. Essa \u00e9 a principal defici\u00eancia<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_edn37\" name=\"_ednref37\">[xxxvii]<\/a> da maioria dos programas formais de controle do estresse, de treinamento em recursos humanos, de forma\u00e7\u00e3o da personalidade para crian\u00e7as, de treinamento da aten\u00e7\u00e3o e da compaix\u00e3o, de orienta\u00e7\u00e3o de psicoterapia e de tratamento de drogas e de \u00e1lcool. De maneira informal, administradores, educadores e pais enfrentam o mesmo problema. Criamos estados mentais ben\u00e9ficos por meio da compet\u00eancia e do esfor\u00e7o. Cada vez que isso acontece, \u00e9 momentaneamente bom. Na maioria dos casos, por\u00e9m, n\u00e3o usamos de forma consistente e sistem\u00e1tica os segundos complementares para <em>instalar<\/em> essas experi\u00eancias no c\u00e9rebro. Nesse caso, tamb\u00e9m estou me referindo a mim. Como terapeuta, \u00e9 humilhante e inquietante perceber que grande parte dos pensamentos e sentimentos positivos que ajudei meus clientes a acessar gerou t\u00e3o pouco benef\u00edcio duradouro para eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os efeitos da predisposi\u00e7\u00e3o negativa tamb\u00e9m s\u00e3o frustrantes e desestimulantes para o \u201caprendiz\u201d, algo que tamb\u00e9m tenho sido. Voc\u00ea pode estar num contexto definido (p.ex. treinamento de lideran\u00e7a, AAA, classe de orienta\u00e7\u00e3o para pais) ou, informalmente, apenas tentando se sentir menos preocupado, melanc\u00f3lico ou estressado. Voc\u00ea faz um enorme esfor\u00e7o para incutir algo de bom na mente \u2013 um pouco de tranquilidade, felicidade ou consolo -, e ent\u00e3o, poucas horas depois (ou antes, infelizmente), parece que nada disso aconteceu. \u00c9 como se voc\u00ea se esfor\u00e7asse para empurrar uma pedra pesada at\u00e9 o alto da montanha e depois a visse rolar de volta para baixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A predisposi\u00e7\u00e3o negativa n\u00e3o \u00e9 nossa culpa. N\u00e3o a inventamos. No entanto, existe algo que <em>podemos<\/em> fazer a respeito dela. <br \/><br \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Igualdade de condi\u00e7\u00f5es<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A predisposi\u00e7\u00e3o negativa n\u00e3o significa que voc\u00ea n\u00e3o pode ser feliz. Mas, se for feliz, voc\u00ea o ser\u00e1 a despeito dela. \u00c9 uma <em>predisposi\u00e7\u00e3o<\/em>, pronta para entrar em a\u00e7\u00e3o de acordo com as circunst\u00e2ncias. Quando voc\u00ea se sente bem, ela fica esperando em segundo plano, procurando um motivo para que voc\u00ea se sinta mal. Quando voc\u00ea se sente mal, ela o faz sentir-se pior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa predisposi\u00e7\u00e3o cria dois tipos de problemas. Primeiro, ela <em>aumenta aquilo que \u00e9 negativo, <\/em>chamando sua aten\u00e7\u00e3o para o que \u00e9 ou poderia ser ruim, fazendo com que voc\u00ea reaja de maneira exagerada \u00e0quilo e armazenando a experi\u00eancia negativa na mem\u00f3ria impl\u00edcita. Ela tamb\u00e9m cria c\u00edrculos viciosos de negatividade tanto no interior do c\u00e9rebro como com rela\u00e7\u00e3o a outras pessoas.\u00a0 Essa predisposi\u00e7\u00e3o aumenta, de v\u00e1rias maneiras, o estresse, as preocupa\u00e7\u00f5es, as frustra\u00e7\u00f5es, as irrita\u00e7\u00f5es, as m\u00e1goas, os sofrimentos, a sensa\u00e7\u00e3o de incompletude e os conflitos com os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo, a predisposi\u00e7\u00e3o negativa <em>diminui aquilo que \u00e9 positivo<\/em>. Ela afasta sua aten\u00e7\u00e3o das coisas boas que existem ao seu redor. Ela faz com que voc\u00ea reaja sem entusiasmo \u00e0s coisas boas que percebe. E faz com que as boas experi\u00eancias que voc\u00ea tem passem despercebidas pelo c\u00e9rebro, deixando quase nada para tr\u00e1s. Essa predisposi\u00e7\u00e3o \u00e9 um tipo de gargalo que torna mais dif\u00edcil a absor\u00e7\u00e3o da felicidade pelo c\u00e9rebro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Taxa de juros de uma conta poupan\u00e7a determina o quanto voc\u00ea ganha financeiramente por dia. O que voc\u00ea prefere, uma taxa baixa ou uma taxa alta? Do mesmo modo, a <em>taxa de convers\u00e3o<\/em> dos estados mentais positivos em tra\u00e7os neurol\u00f3gicos positivos determina o quanto voc\u00ea ganha psicologicamente por dia. Nesse caso, tamb\u00e9m, o que voc\u00ea prefere, uma taxa baixa ou uma taxa alta? Infelizmente, a predisposi\u00e7\u00e3o negativa reduz a taxa de convers\u00e3o, o que achata seus rendimentos na vida: sua felicidade, a colabora\u00e7\u00e3o com os outros e o sucesso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, a predisposi\u00e7\u00e3o negativa est\u00e1 voltada \u00e0 sobreviv\u00eancia imediata, mas \u00e9 contr\u00e1ria \u00e0 qualidade de vida, aos relacionamentos tranquilos e gratificantes e \u00e0 sa\u00fade mental e f\u00edsica duradoura. Esse \u00e9 o cen\u00e1rio <em>default<\/em> do c\u00e9rebro da Idade da Pedra. Se n\u00e3o assumirmos seu controle, ele continuar\u00e1 a nos dominar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltar-se para uma vis\u00e3o positiva das coisas simplesmente restabelece a igualdade de condi\u00e7\u00f5es. Ao reduzir os sentimentos, os pensamentos e as atitudes negativas enquanto refor\u00e7a os positivos, a pr\u00e1tica de incorporar coisas boas corrige as duas tend\u00eancias da predisposi\u00e7\u00e3o negativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, ao longo do tempo, a incorpora\u00e7\u00e3o de coisas boas pode ajud\u00e1-lo a perceber que suas necessidades fundamentais de seguran\u00e7a, gratifica\u00e7\u00e3o e relacionamento foram, por fim, plenamente satisfeitas. Examinaremos como fazer isso no pr\u00f3ximo cap\u00edtulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><br \/><strong>COMO INCORPORAR<\/strong><\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Ao longo da hist\u00f3ria, as pessoas especularam a respeito das causas do sofrimento e da felicidade tal como apareciam em sua mente. Agora estamos come\u00e7ando a compreender como nossas experi\u00eancias s\u00e3o produzidas pelas estruturas e processos subjacentes do c\u00e9rebro.<\/li>\n<li>O sistema nervoso vem evoluindo h\u00e1 600 milh\u00f5es de anos, e as solu\u00e7\u00f5es para os problemas de sobreviv\u00eancia enfrentados pelos antigos r\u00e9pteis, mam\u00edferos, primatas e humanos ainda continuam presentes em nosso c\u00e9rebro hoje.<\/li>\n<li>Para sobreviver e transmitir seus genes, nossos ancestrais precisavam ficar particularmente atentos aos perigos, \u00e0s perdas e aos conflitos. Consequentemente, o c\u00e9rebro desenvolveu uma predisposi\u00e7\u00e3o negativa que procura por not\u00edcias ruins, reage intensamente a elas e armazena rapidamente a experi\u00eancia na estrutura neurol\u00f3gica. Embora ainda possamos ser felizes, essa predisposi\u00e7\u00e3o cria uma vulnerabilidade permanente ao estresse, \u00e0 ansiedade, \u00e0 decep\u00e7\u00e3o e \u00e0 dor.<\/li>\n<li>U aspecto fundamental da predisposi\u00e7\u00e3o negativa \u00e9 o poder extraordin\u00e1rio do medo. N\u00f3s geralmente superestimamos as amea\u00e7as e subestimamos as oportunidades e os recursos. Ao mesmo tempo, as experi\u00eancias negativas sensibilizam o c\u00e9rebro para o que \u00e9 negativo, tornando ainda mais f\u00e1cil ter outras experi\u00eancias negativas, num c\u00edrculo vicioso.<\/li>\n<li>For\u00e7as interiores como felicidade e resili\u00eancia resultam principalmente de experi\u00eancias positivas. Mas, a menos que dediqemos uma aten\u00e7\u00e3o cuidadosa e constante a elas, a maioria das experi\u00eancias positivas ir\u00e1 passar po nosso c\u00e9rebro como a \u00e1gua por uma peneira. Elas s\u00e3o momentaneamente agrad\u00e1veis, mas n\u00e3o t\u00eam muito valor em termos da transforma\u00e7\u00e3o da estrutura neurol\u00f3gica. O c\u00e9rebro funciona como velcro para as experi\u00eancias negativas e como teflon para as positivas.<\/li>\n<li>Embora a predisposi\u00e7\u00e3o negativa seja boa para sobreviver em condi\u00e7\u00f5es adversas, ela \u00e9 p\u00e9ssima quando se trata de qualidade de vida, relacionamentos satisfat\u00f3rios, crescimento pessoal e bem-estar duradouro. Ela faz com que aprendamos demais com as experi\u00eancias ruins e de menos com as boas.<\/li>\n<li>A melhor maneira de compensar a predisposi\u00e7\u00e3o negativa \u00e9 incorporar regularmente as coisas boas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Notas:\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[1] As datas nessa se\u00e7\u00e3o s\u00e3o aproximadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[2] Scott W. Emmons, \u201cThe Mood of a Worm\u201d, Science 338 (2012): 475-476.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[3] Elizabeth Pennisi, \u201cNervous System May Have Evolved Twice\u201d, Science 339 (2013): 391.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[4] Existe certa discord\u00e2ncia entre os acad\u00eamicos a respeito dessa data\u00e7\u00e3o, dependendo do modo como mam\u00edferos e primatas s\u00e3o classificados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[5] Shannon McPherron et al, \u201cEvidence for Stone-Tool Assisted Consumption of Animal Tissues Before 3.39 Million Years Ago at Dikika, Ethiopia\u201d, <em>Nature<\/em> 446 (2010): 857-860; Semaw et al., \u201c2.5-Million-Year-Old Stone Tools from Gona, Ethiopia\u201d, <em>Nature<\/em> 385 (1997): 333-336.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[6] Michael Balter, \u201cNew Light on Revolutions That Weren\u2019t, Science 336 (2012): 530-561.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[7] Esse \u00e9 um assunto vasto. Para uma amostra das pesquisas que servem de base a ele, ver Pierre-Yves Placais e Thomas Preat, \u201cTo Favor Survival Under Food Shortage, the Brain Disables Costly Memory\u201d, <em>Science<\/em> 339 (2013): 440-442; Linda Palmer e Gary Lynch, \u201cA Kantian View of Space\u201d, <em>Science<\/em> 328 (2010): 1487-1488; Tobias Esch e George B. Stefano, \u201cThe Neurobiology of Stress Management\u201d, <em>Neuroendocrinology Letters <\/em>31, No. 1 (2010): 19-39.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[8] Pontus Skoglund et al., \u201cOrigins and Genetic Legacy of Neolithic Farmers and Hunter-Gatherers in Europe\u201d, <em>Science<\/em> 336 (2012): 466-469.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[9] Jung-Kyoo Choi e Samuel Bowles, \u201cThe Coevolution of Parochial Altruism and War\u201d, <em>Science<\/em> 318 (2007): 636-640.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[10] O t\u00edtulo desa se\u00e7\u00e3o foi extra\u00eddo do ensaio \u201cBad Is Stronger Than Good\u201d, de Roy Baumeister et al., <em>Review<\/em> of General Psychology 5 (2001): 323-370.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[11] Eldad Yechiam e Guy Hochman, \u201cLosses as Modulators of Attention: Review and Analysis of the Unique Effects of Losses Over Gains\u201d, <em>Psychological Bulletin 139<\/em>, No. 2 (2013): 497-518.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[12] Baumeister et al., \u201cBad Is Stronger Than Good\u201d; Rozyn e Royzman, \u201cNegativity Bias\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[13] J. S. Morris et al., \u201cA Differential Neural Response in the Human Amygdala to Fearful and Happy Facial Expressions\u201d, <em>Nature<\/em> 383 (1996): 812-815.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[14] J. S. Morris et al., \u201cConscious and Unconscious Emotional Learning in the Human to Fearful and Happy Facial Expressions\u201d, <em>Nature <\/em>283 (1996): 812-815.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[15] J.S. Morris et al., \u201cConscious and Unconscious Emotional Learning in the Human Amygdala\u201d,\u00a0 <em>Nature<\/em> 393 (1998): 467-470.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[16] Daniel Kahneman e Amos Tversky, \u201cProspect Theory: an Analysis of Decision Under Risk\u201d, Econometria 47, No. 2 (1979): 163-292; Yechiam e Hochman, \u201cLosses as Modulators of Attention\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[17] John Gottman, <em>Why Marriages Succeed or Fail: and How You Can Make Yours Last <\/em>(Nova York: Simon &amp; Schuster, 1995).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[18] Fredrikson, <em>Positivity.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[19] Rozin e Royzman, \u201cNegativity Bias\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[20] Baumeister et al., \u201cBad Is Stronger Than Good\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[21] Chunningham e Brosh, \u201cMotivational Salience\u201d; Israel Liberzon et al., \u201cExtended Amygdala and Emotional Salience: A PET Activation Study of Positive and Negative Affect\u201d, <em>Neuropsychopharmacology<\/em> 28, No. 4 (2003): 726-733; Stephan B. Hamann et al., \u201cEcstasy and Agony: Activation of the Human Amygdala in Positive and Negative Emotion\u201d, <em>Psychological Science <\/em>13, No. 2 (2002): 135-141; Hugh Garavan et al., \u201cAmygdala Response to Both Positively and Negatively Valenced Stimuli\u201d, <em>Neuroreport <\/em>12, No. 12 (2001): 2779-2783.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[22] Cunningham et al., \u201cNeural Correlates of Evaluation Associated with Promotion and Prevention Regulatory Focus\u201d, <em>Cognitive, Affective, and Beharioral Neuroscience <\/em>5, No. 2 (2005): 202-211; Andrew J. Calder et al., \u201cNeuropsychology of Fear and Loathing\u201d, <em>Nature<\/em> 2 (2001): 353-363.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[23] Hugo D. Critcley, \u201cNeural Mechanisms of Autonomic, Affective, and Cognitive Integration\u201d, <em>Journal of Comparative Neurology <\/em>493 (2005): 154-166.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[24] Guestavo Morrone Parfitt et al., \u201cModerate Stress Enhances Memory Persistence: Are Adrenergic Mechanisms Involved?\u201d, <em>Behavioral Neuroscience 126, <\/em>No. 5 (2012): 729-730.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[25] E. D. Kirby et al., \u201cBasolateral Amygdala Regulation of Adult Hippocampal Neurogenesis and Fear-Related Activation of Newborn Neurons\u201d, <em>Molecular Psychiatry<\/em> 17 (2012): 527-536.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[26] Bruce McEwen e Peter Gianaros, \u201cStress- and Allostasis-Induced Brain Plasticity\u201d, <em>Annual Review of Medicine<\/em> 62 (2011): 431-435.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[27] McEwen e Gianaros, \u201cStress- and Allostasis-Induced Brain Plasticity\u201d; Poul Videbech e Barbara Ravnkilde, \u201cHippocampal Volume and Depression: a Meta-Analysis of MRI Studies\u201d, <em>American Journal of Psychiatry <\/em>161, No. 11 (2004): 1957-1966; Stephanie Campbell et al., \u201cLower Hippocampal Volume in Patients Suffering from Depression: a Meta-Analysis\u201d, <em>American Journal of Psychiatry <\/em>161, No. 4 (2001): 598-607.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[28] McEwen e Gianaros, \u201cStress- and Allostasis-Induced Brain Plasticity\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[29] Tali Sharot, <em>The Optimism Bias: Tour of the Irrationally Positive Brain <\/em>(Nova York: Vintage, 2011).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[30] Deborah Kermer et al., \u201cLoss Aversion Is an Affective Forecasting Error\u201d, <em>Psychological Science<\/em> 17, No. 8 (2006): 649-653; Baumeister et al., \u201cBad Is Stronger Than Good\u201d; Rozin e Royzman, \u201cNegativity Bias\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[31] Nadine Gogolla et al., \u201cPerineuronal Nets Protect Fear Memories from Erasure\u201d, <em>Science <\/em>325 (2009): 1258-1261.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[32] Daniel L. Schachter, <em>The Seven Sins of Memory<\/em>: How the Mind Forgets and Remembers (Nova York: Houghton Mifflin Harcourt Books, 2002).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[33] As for\u00e7as interiores, bem como os sentimentos de imperfei\u00e7\u00e3o etc., que n\u00e3o se baseiam no aprendizado e na mem\u00f3ria \u2013 em outras palavras, que n\u00e3o s\u00e3o <em>adquiridos<\/em> \u2013 baseiam-se em caracter\u00edsticas e tend\u00eancias <em>inatas<\/em> determinadas geneticamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[34] Para as fontes das afirma\u00e7\u00f5es feitas nesse par\u00e1grafo, ver Baumeister et al., \u201cBad Is Stronger Than Good\u201d; Rozin e Royzman, \u201cNegativity Bias\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[35] Seligman, <em>Learned Optimism<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[36] Seligman, <em>Learned Optimism<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[37] Algumas terapias representam exce\u00e7\u00f5es dignas de nota. Entre elas a terapia de foco (Eugene T. Gendlin, <em>Focusing<\/em> [Nova York: Random House, 1982]), EMDR [sigla em ingl\u00eas para Dessemsibiliza\u00e7\u00e3o e Reprocessamento por Movimentos Oculares] (Deborah L. Korn e Andrew M. Leeds, \u201cPreliminary Evidence of Efficacy for EMDR Resource Development and Installation in the Stabilization Phase of Treatment of Complex Posttraumatic Stress Disorder\u201d, <em>Journal of Clinical Psychology <\/em>58, No. 12 [2002]: 1465-1487); terapia de coer\u00eancia (Toomey e Ecker, \u201cCompeting Visions\u201d; Ecker e Toomey, \u201cDepotentiation of Symptom-Producing Implicit Memory in Coherence Therapy\u201d); e o broad minded affective coping [tratamento emocional responsivo] (Nicholas Terrier, \u201cBroad Minded Affective Coping [BMAC]: a \u2018Positive\u2019 CBT Approach to Facilitating Positive Emotions\u201d, <em>International Journal of Cognitive Therapy <\/em>31, No. 1 [2010]: 65-78.)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> As datas nessa se\u00e7\u00e3o s\u00e3o aproximadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a> Scott W. Emmons, \u201cThe Mood of a Worm\u201d, Science 338 (2012): 475-476.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[iii]<\/a> Elizabeth Pennisi, \u201cNervous System May Have Evolved Twice\u201d, Science 339 (2013): 391.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[iv]<\/a> Existe certa discord\u00e2ncia entre os acad\u00eamicos a respeito dessa data\u00e7\u00e3o, dependendo do modo como mam\u00edferos e primatas s\u00e3o classificados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[v]<\/a> Shannon McPherron et al, \u201cEvidence for Stone-Tool Assisted Consumption of Animal Tissues Before 3.39 Million Years Ago at Dikika, Ethiopia\u201d, <em>Nature<\/em> 446 (2010): 857-860; Semaw et al., \u201c2.5-Million-Year-Old Stone Tools from Gona, Ethiopia\u201d, <em>Nature<\/em> 385 (1997): 333-336.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[vi]<\/a> Michael Balter, \u201cNew Light on Revolutions That Weren\u2019t, Science 336 (2012): 530-561.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[vii]<\/a> Esse \u00e9 um assunto vasto. Para uma amostra das pesquisas que servem de base a ele, ver Pierre-Yves Placais e Thomas Preat, \u201cTo Favor Survival Under Food Shortage, the Brain Disables Costly Memory\u201d, <em>Science<\/em> 339 (2013): 440-442; Linda Palmer e Gary Lynch, \u201cA Kantian View of Space\u201d, <em>Science<\/em> 328 (2010): 1487-1488; Tobias Esch e George B. Stefano, \u201cThe Neurobiology of Stress Management\u201d, <em>Neuroendocrinology Letters <\/em>31, No. 1 (2010): 19-39.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[viii]<\/a> Pontus Skoglund et al., \u201cOrigins and Genetic Legacy of Neolithic Farmers and Hunter-Gatherers in Europe\u201d, <em>Science<\/em> 336 (2012): 466-469.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[ix]<\/a> Jung-Kyoo Choi e Samuel Bowles, \u201cThe Coevolution of Parochial Altruism and War\u201d, <em>Science<\/em> 318 (2007): 636-640.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\">[x]<\/a> O t\u00edtulo desa se\u00e7\u00e3o foi extra\u00eddo do ensaio \u201cBad Is Stronger Than Good\u201d, de Roy Baumeister et al., <em>Review<\/em> of General Psychology 5 (2001): 323-370.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\">[xi]<\/a> Eldad Yechiam e Guy Hochman, \u201cLosses as Modulators of Attention: Review and Analysis of the Unique Effects of Losses Over Gains\u201d, <em>Psychological Bulletin 139<\/em>, No. 2 (2013): 497-518.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref12\" name=\"_edn12\">[xii]<\/a> Baumeister et al., \u201cBad Is Stronger Than Good\u201d; Rozyn e Royzman, \u201cNegativity Bias\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref13\" name=\"_edn13\">[xiii]<\/a> J. S. Morris et al., \u201cA Differential Neural Response in the Human Amygdala to Fearful and Happy Facial Expressions\u201d, <em>Nature<\/em> 383 (1996): 812-815.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref14\" name=\"_edn14\">[xiv]<\/a> J. S. Morris et al., \u201cConscious and Unconscious Emotional Learning in the Human to Fearful and Happy Facial Expressions\u201d, <em>Nature <\/em>283 (1996): 812-815.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref15\" name=\"_edn15\">[xv]<\/a> J.S. Morris et al., \u201cConscious and Unconscious Emotional Learning in the Human Amygdala\u201d,\u00a0 <em>Nature<\/em> 393 (1998): 467-470.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref16\" name=\"_edn16\">[xvi]<\/a> Daniel Kahneman e Amos Tversky, \u201cProspect Theory: an Analysis of Decision Under Risk\u201d, Econometria 47, No. 2 (1979): 163-292; Yechiam e Hochman, \u201cLosses as Modulators of Attention\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref17\" name=\"_edn17\">[xvii]<\/a> John Gottman, <em>Why Marriages Succeed or Fail: and How You Can Make Yours Last <\/em>(Nova York: Simon &amp; Schuster, 1995).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref18\" name=\"_edn18\">[xviii]<\/a> Fredrikson, <em>Positivity.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref19\" name=\"_edn19\">[xix]<\/a> Rozin e Royzman, \u201cNegativity Bias\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref20\" name=\"_edn20\">[xx]<\/a> Baumeister et al., \u201cBad Is Stronger Than Good\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref21\" name=\"_edn21\">[xxi]<\/a> Chunningham e Brosh, \u201cMotivational Salience\u201d; Israel Liberzon et al., \u201cExtended Amygdala and Emotional Salience: A PET Activation Study of Positive and Negative Affect\u201d, <em>Neuropsychopharmacology<\/em> 28, No. 4 (2003): 726-733; Stephan B. Hamann et al., \u201cEcstasy and Agony: Activation of the Human Amygdala in Positive and Negative Emotion\u201d, <em>Psychological Science <\/em>13, No. 2 (2002): 135-141; Hugh Garavan et al., \u201cAmygdala Response to Both Positively and Negatively Valenced Stimuli\u201d, <em>Neuroreport <\/em>12, No. 12 (2001): 2779-2783.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref22\" name=\"_edn22\">[xxii]<\/a> Cunningham et al., \u201cNeural Correlates of Evaluation Associated with Promotion and Prevention Regulatory Focus\u201d, <em>Cognitive, Affective, and Beharioral Neuroscience <\/em>5, No. 2 (2005): 202-211; Andrew J. Calder et al., \u201cNeuropsychology of Fear and Loathing\u201d, <em>Nature<\/em> 2 (2001): 353-363.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref23\" name=\"_edn23\">[xxiii]<\/a> Hugo D. Critcley, \u201cNeural Mechanisms of Autonomic, Affective, and Cognitive Integration\u201d, <em>Journal of Comparative Neurology <\/em>493 (2005): 154-166.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref24\" name=\"_edn24\">[xxiv]<\/a> Guestavo Morrone Parfitt et al., \u201cModerate Stress Enhances Memory Persistence: Are Adrenergic Mechanisms Involved?\u201d, <em>Behavioral Neuroscience 126, <\/em>No. 5 (2012): 729-730.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref25\" name=\"_edn25\">[xxv]<\/a> E. D. Kirby et al., \u201cBasolateral Amygdala Regulation of Adult Hippocampal Neurogenesis and Fear-Related Activation of Newborn Neurons\u201d, <em>Molecular Psychiatry<\/em> 17 (2012): 527-536.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref26\" name=\"_edn26\">[xxvi]<\/a> Bruce McEwen e Peter Gianaros, \u201cStress- and Allostasis-Induced Brain Plasticity\u201d, <em>Annual Review of Medicine<\/em> 62 (2011): 431-435.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref27\" name=\"_edn27\">[xxvii]<\/a> McEwen e Gianaros, \u201cStress- and Allostasis-Induced Brain Plasticity\u201d; Poul Videbech e Barbara Ravnkilde, \u201cHippocampal Volume and Depression: a Meta-Analysis of MRI Studies\u201d, <em>American Journal of Psychiatry <\/em>161, No. 11 (2004): 1957-1966; Stephanie Campbell et al., \u201cLower Hippocampal Volume in Patients Suffering from Depression: a Meta-Analysis\u201d, <em>American Journal of Psychiatry <\/em>161, No. 4 (2001): 598-607.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref28\" name=\"_edn28\">[xxviii]<\/a> McEwen e Gianaros, \u201cStress- and Allostasis-Induced Brain Plasticity\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref29\" name=\"_edn29\">[xxix]<\/a> Tali Sharot, <em>The Optimism Bias: Tour of the Irrationally Positive Brain <\/em>(Nova York: Vintage, 2011).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref30\" name=\"_edn30\">[xxx]<\/a> Deborah Kermer et al., \u201cLoss Aversion Is an Affective Forecasting Error\u201d, <em>Psychological Science<\/em> 17, No. 8 (2006): 649-653; Baumeister et al., \u201cBad Is Stronger Than Good\u201d; Rozin e Royzman, \u201cNegativity Bias\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref31\" name=\"_edn31\">[xxxi]<\/a> Nadine Gogolla et al., \u201cPerineuronal Nets Protect Fear Memories from Erasure\u201d, <em>Science <\/em>325 (2009): 1258-1261.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref32\" name=\"_edn32\">[xxxii]<\/a> Daniel L. Schachter, <em>The Seven Sins of Memory<\/em>: How the Mind Forgets and Remembers (Nova York: Houghton Mifflin Harcourt Books, 2002).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref33\" name=\"_edn33\">[xxxiii]<\/a> As for\u00e7as interiores, bem como os sentimentos de imperfei\u00e7\u00e3o etc., que n\u00e3o se baseiam no aprendizado e na mem\u00f3ria \u2013 em outras palavras, que n\u00e3o s\u00e3o <em>adquiridos<\/em> \u2013 baseiam-se em caracter\u00edsticas e tend\u00eancias <em>inatas<\/em> determinadas geneticamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref34\" name=\"_edn34\">[xxxiv]<\/a> Para as fontes das afirma\u00e7\u00f5es feitas nesse par\u00e1grafo, ver Baumeister et al., \u201cBad Is Stronger Than Good\u201d; Rozin e Royzman, \u201cNegativity Bias\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref35\" name=\"_edn35\">[xxxv]<\/a> Seligman, <em>Learned Optimism<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref36\" name=\"_edn36\">[xxxvi]<\/a> Seligman, <em>Learned Optimism<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ednref37\" name=\"_edn37\">[xxxvii]<\/a> Algumas terapias representam exce\u00e7\u00f5es dignas de nota. Entre elas a terapia de foco (Eugene T. Gendlin, <em>Focusing<\/em> [Nova York: Random House, 1982]), EMDR [sigla em ingl\u00eas para Dessemsibiliza\u00e7\u00e3o e Reprocessamento por Movimentos Oculares] (Deborah L. Korn e Andrew M. Leeds, \u201cPreliminary Evidence of Efficacy for EMDR Resource Development and Installation in the Stabilization Phase of Treatment of Complex Posttraumatic Stress Disorder\u201d, <em>Journal of Clinical Psychology <\/em>58, No. 12 [2002]: 1465-1487); terapia de coer\u00eancia (Toomey e Ecker, \u201cCompeting Visions\u201d; Ecker e Toomey, \u201cDepotentiation of Symptom-Producing Implicit Memory in Coherence Therapy\u201d); e o broad minded affective coping [tratamento emocional responsivo] (Nicholas Terrier, \u201cBroad Minded Affective Coping [BMAC]: a \u2018Positive\u2019 CBT Approach to Facilitating Positive Emotions\u201d, <em>International Journal<\/em> <em>of Cognitive Therapy <\/em>31, No. 1 [2010]: 65-78.)<\/p>\n<p><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rick Hanson H\u00e1 mais de vinte anos, numa aula de neuroci\u00eancia para psic\u00f3logos, o professor entrou na sala com um balde grande, vestiu um par &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/07\/21\/a-neurociencia-do-sofrimento-rick-hanson\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">VELCRO PARA AS COISAS RUINS: A NEUROCI\u00caNCIA DO SOFRIMENTO &#8211; 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