{"id":8255,"date":"2020-07-16T15:49:42","date_gmt":"2020-07-16T15:49:42","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/07\/16\/o-espectro-da-mente-lama-jigme-lhawang\/"},"modified":"2020-07-16T15:49:42","modified_gmt":"2020-07-16T15:49:42","slug":"o-espectro-da-mente-lama-jigme-lhawang","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/07\/16\/o-espectro-da-mente-lama-jigme-lhawang\/","title":{"rendered":"O ESPECTRO DA MENTE &#8211; Lama Jigme Lhawang"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Um modelo epistemol\u00f3gico da consci\u00eancia e da estrutura\u00e7\u00e3o do self de acordo com o Budismo.<\/br><br \/>\n<b><br \/>\nLama Jigme Lhawang<\/b><br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4><strong>Camadas, n\u00edveis, faixas e estados de opera\u00e7\u00e3o da mente<\/strong><b><br \/>\n<\/b><\/h4>\n<p>Operamos conscientes e inconscientes em um mundo de pensamentos, ideias, elabora\u00e7\u00f5es que extraem mem\u00f3rias do passado, mentalizam o presente e projetam conceitos sobre o futuro. Nossa aten\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia \u00e9 orientada por processos inconscientes, estruturas que formam e engatilham processos mentais de forma responsiva e autom\u00e1tica, empoderam emo\u00e7\u00f5es positivas e potencializam desequil\u00edbrios ou emo\u00e7\u00f5es destrutivas. De que forma somos moldados por estas estruturas e processos inconscientes? Como estes determinam a forma que reagimos ou percebemos o que nos circunda? Seriam estas estruturas r\u00edgidas, padr\u00f5es fixos ou processos em cont\u00ednua constru\u00e7\u00e3o, elaborados de forma din\u00e2mica e incessante? Como podemos nos tornar cientes destas estruturas e processos e desenvolvermos a habilidade de administrarmos e orientarmos nossa mente conscientemente? Imagine as camadas atmosf\u00e9ricas. Tomando como refer\u00eancia nosso planeta terra, temos cinco principais camadas atmosf\u00e9ricas \u2013 troposfera, estratosfera, mesosfera, termosfera e a exosfera. Cada uma destas camadas tem n\u00edveis de altitude e, a partir destes n\u00edveis, faixas de temperatura. A partir destas faixas de temperatura, encontramos estados distintos de concentra\u00e7\u00e3o de mol\u00e9culas. No modelo aqui proposto didaticamente\u00a0 imaginamos a mente como um espectro composto de camadas de consci\u00eancia compreendendo desde os n\u00edveis sutis aos mais densos. Cada n\u00edvel compreende faixas de opera\u00e7\u00e3o amplas e estreitas produzindo estados de consci\u00eancia caracter\u00edsticos. Na descri\u00e7\u00e3o que segue este artigo uso a nomenclatura de camadas, n\u00edveis, faixas e estados de consci\u00eancia levando em conta a sugest\u00e3o deste modelo did\u00e1tico de estrutura.<\/p>\n<h4><strong><br \/>\nO que \u00e9 a mente?<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p><em><br \/>\nLuminosa \u00e9 a consci\u00eancia, radiante \u00e9 a sua natureza,<br \/>\n<\/em><em>mas ela se torna obscurecida pelos apegos que a visitam.<\/em><br \/>\n<em>&#8211; Shakyamuni Buddha, no Anguttara Nikaya<br \/>\n<\/em><strong>\u00a0<\/strong><br \/>\nNo budismo, quando usamos a palavra mente, nos referimos a um vasto campo onde diversos processos acontecem em diferentes camadas, n\u00edveis, faixas e estados. O campo central que \u00e9 o cen\u00e1rio principal onde todo o\u00a0 movimento interno se desdobra \u00e9 chamado de <em>chitta<\/em> em s\u00e2nscrito &#8211; o cora\u00e7\u00e3o da mente. Este termo na teoria budista se refere ao espectro total da consci\u00eancia dual\u00edstica, que por sua vez nasce de <em>jnana<\/em>, um n\u00edvel de consci\u00eancia mais prim\u00e1rio, primordial e n\u00e3o-dual\u00edstico. Quando este estado naturalmente c\u00f4nscio de si \u2013 consci\u00eancia reflexiva (ou auto-reconhecedora, tib. rang kyi rig pa) deixa de reconhecer si mesmo tal como \u00e9 e apreende aquilo que manifesta-se de si como algo separado, independente e existente <em>per se<\/em>, a mente se desloca para um diferente n\u00edvel de perspectiva onde surge uma nova camada de consci\u00eancia mais densa e faz vibrar a consci\u00eancia em uma diferente faixa de experi\u00eancia que produz um estado que denominamos n\u00e3o-reconhecimento, n\u00e3o-vis\u00e3o ou cegueira (skt. avidya). Este estado de <em>avidya<\/em> em s\u00e2nscrito serve como base para a forma\u00e7\u00e3o de toda uma estrutura mental que opera somente de modo dual\u00edstico e \u00e9 engatilhada e modulada pelos <em>samskaras &#8211; <\/em>coeficientes internos ou formadores mentais. Este campo central de chitta \u2013 a mente-cora\u00e7\u00e3o. Portanto, a origem de <em>chitta<\/em> \u2013 o campo de mentaliza\u00e7\u00e3o &#8211; se d\u00e1 a partir do plano ilimitado da consci\u00eancia primordial <em>jnana<\/em> quando engatilhado por formadores mentais <em>samskaras<\/em> atrav\u00e9s do contato <em>sparsha<\/em> com os fen\u00f4menos <em>dharmas.<\/em><br \/>\nNo entanto, ao usar esta nomemclatura, devemos ter em mente o campo sem\u00e2ntico implicado. De acordo com a forma de defini\u00e7\u00e3o usada nas escrituras budistas do <em>abhidhama<\/em> h\u00e1 tr\u00eas formas de defini\u00e7\u00e3o que compreendem o campo sem\u00e2ntico desta palavra<a style=\"background-color: #ffffff; color: #000000;\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>:<\/p>\n<ol>\n<li>A primeira \u00e9 chamada de defini\u00e7\u00e3o agente (p\u00e1li. Kattu sadhana) devido a atribuir a\u00e7\u00e3o aquilo que ser\u00e1 definido. Por exemplo, onde a defini\u00e7\u00e3o de <em>citta (mente)<\/em> \u00e9 \u201caquilo que mentaliza\u201d (p\u00e1li. Cinteti ti cittat).<\/li>\n<li>A segunda \u00e9 chamada de defini\u00e7\u00e3o instrumental (p\u00e1li. Karana sadhana) devido a atribuir instrumenta\u00e7\u00e3o aquilo que ser\u00e1 definido. Por exemplo, onde a defini\u00e7\u00e3o de <em>citta<\/em> (mente) \u00e9 \u201caquilo por onde se mentaliza\u201d (p\u00e1li. Cinteti ti etena cittat).<\/li>\n<li>A terceira \u00e9 chamada de defini\u00e7\u00e3o natural (p\u00e1li. Bhava sadhana) devido a atribuir foco a natureza daquilo que ser\u00e1 definido. Por exemplo, onde a defini\u00e7\u00e3o de <em>citta<\/em> (mente) \u00e9 \u201ca mera mentaliza\u00e7\u00e3o <em>per se\u201d <\/em>(p\u00e1li. Cintanamattam eva cittat).\n<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>\u00a0<\/em><br \/>\n<em>Desenvolva uma mente que seja vasta como o espa\u00e7o,<br \/>\n<\/em><em>Onde tanto as experi\u00eancias agrad\u00e1veis como as desagrad\u00e1veis<br \/>\n<\/em><em>possam aparecer e desaparecer, sem conflitos, lutas ou danos.<\/em><br \/>\n<em>&#8211; Shakyamuni Buddha, no Majjhima Nikaya<br \/>\n<\/em><em>\u00a0<\/em><br \/>\nQuando, ao inv\u00e9s de direcionarmos o foco as apar\u00eancias que surgem em nosso dom\u00ednio mental passamos a observar o pr\u00f3prio campo de consci\u00eancia veremos que chitta n\u00e3o tem cor ou localiza\u00e7\u00e3o espacial nem temporal. Seu vasto campo de consci\u00eancia \u00e9 como um c\u00e9u claro e aberto, vazio como o espa\u00e7o, por\u00e9m sens\u00edvel, ciente, dotado de uma natureza conhecedora. Um plano aberto, desperto, que tudo abrange mas nada o cont\u00e9m. Da mesma forma que o c\u00e9u, onde nuvens, ventos, tempestades e raios podem se manifestar e se dissipar sem afetar a condi\u00e7\u00e3o natural aberta e vasta do c\u00e9u, no campo da consci\u00eancia tudo pode aparecer e desaparecer sem macular sua natureza, tal como a do c\u00e9u.<br \/>\nO campo de consci\u00eancia, no budismo, \u00e9 tamb\u00e9m an\u00e1logo a um espelho que det\u00e9m o potencial de tudo refletir ainda que n\u00e3o seja prejudicado pelos reflexos que nele aparecem, mantendo sua qualidade clara, brilhante e acolhedora.<\/p>\n<h4>\n<b>As duas dimens\u00f5es da consci\u00eancia<\/b><\/h4>\n<p>Semelhante ao modo como a onda \u00e9 parte e dependente do oceano,<br \/>\nnossas mentes individuais s\u00e3o parte e dependentes de uma mente muito maior<br \/>\nou um substrato que constitui o que chamamos de realidade.<br \/>\nE, ainda que percebamos nossas mentes como separadas dos outros e do restante da realidade,<br \/>\na verdade \u00e9 que tal como uma onda n\u00e3o pode existir separada da \u00e1gua,<br \/>\no que equivocamos como sendo \u2018nossas\u2019 mentes \u00e9 dependente de uma \u00fanica verdadeira mente, a mente Buddha.\u201d<br \/>\n&#8211; Hakuun Yasutani, mestre zen<br \/>\nO espelho e o c\u00e9u aberto representam apenas um aspecto da consci\u00eancia. No budismo a consci\u00eancia \u00e9 dotada de uma mesma natureza com duas distintas manifesta\u00e7\u00f5es, tal como a luz pode ser tanto apreendida como onda quanto como part\u00edcula. Sua natureza absoluta de onda \u00e9 semelhante ao c\u00e9u ou ao espelho, imut\u00e1vel e incessante. E, em sua natureza relativa de part\u00edcula, \u00e9 moment\u00e2nea, mut\u00e1vel. Encontramos tamb\u00e9m a analogia do vasto oceano como esta natureza imperturb\u00e1vel e suas ondas como potenciais de manifesta\u00e7\u00e3o deste oceano. O\u00a0 despertar da consci\u00eancia acontece no momento em que uma onda no oceano realiza que sua natureza \u00e9 a da \u00e1gua que compreende o vasto oceano por completo.<\/p>\n<h4>\n<b>As origens da Psique<\/b><\/h4>\n<p><b><br \/>\n<\/b>\u201cA consci\u00eancia substrato, com sua natureza vazia e cristalina, permanece como a causa de tudo que \u00e9 emanado. A psique que emana da consci\u00eancia substrato apresenta formas, que s\u00e3o estabilizadas pelo fluxo cont\u00ednuo da consci\u00eancia.\u201d<br \/>\nDudjom Lingpa, mestre tibetano (1835-1904)<br \/>\nA consci\u00eancia substrato (skt. <em>alaya-vijnana ou o campo de consci\u00eancia base de tudo, kun gzhi rnam par shes pa em tibetano) <\/em>\u00e9 um plano de consci\u00eancia muito sutil desprovido da energia cin\u00e9tica dos eventos mentais. Este \u00e9 o estado natural da mente, aberto, radiante, que permeia at\u00e9 mesmo o movimento mental, por\u00e9m obscurecido por camadas mais densas de consci\u00eancia. Em seu estado de repouso \u00e9 radiante e vasto. No entanto, quando catalisado por eventos mentais ou est\u00edmulos sensoriais sua energia potencial latente se transforma na energia cin\u00e9tica da psique, manifestando-se atrav\u00e9s de opera\u00e7\u00f5es mentais e sensoriais. Essa dimens\u00e3o de consci\u00eancia transcende as limita\u00e7\u00f5es, potenciais e hist\u00f3ria pessoal de um indiv\u00edduo e \u00e9 subjacente a todas as formas de consci\u00eancia em seus dom\u00ednios mais sutis de energia.<br \/>\nO fundador da psicologia moderna, William James, dentre tr\u00eas hip\u00f3teses principais sobre as origens dos processos mentais, acreditava na seguinte teoria: o c\u00e9rebro emite pensamentos, assim como a luz atinge um prisma e, consequentemente, emite um espectro de cores.<\/p>\n<h4><strong><br \/>\nO espectro da consci\u00eancia<\/strong><b><br \/>\n<\/b><\/h4>\n<p>H\u00e1 uma variedade de tipos de radia\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m da luz vis\u00edvel, existem os raios X, os raios gama, o calor infra-vermelho, a luz ultravioleta, as ondas de radio e assim por diante. Tais radia\u00e7\u00f5es s\u00e3o descritas como diferentes manifesta\u00e7\u00f5es de uma mesma onda eletromagn\u00e9tica quantificada como f\u00f3tons, viajando a velocidade da luz, se compondo de vetores el\u00e9tricos e magn\u00e9ticos perpendiculares etc, formando um \u00fanico espectro composto de diferentes faixas vibrat\u00f3rias. De forma semelhante, a consci\u00eancia pode ser compreendida como um espectro composto de diversas camadas, n\u00edveis, faixas e estados ou frequ\u00eancias vibrat\u00f3rias de energia, desde uma campo luminoso muito sutil que tudo penetra e encontra-se presente em todo o espectro at\u00e9 camadas mais densas, como a do nosso corpo f\u00edsico.<\/p>\n<h4>\n<b>As Tr\u00eas Camadas Centrais da Consci\u00eancia<\/b><\/h4>\n<p>De acordo com Asanga, o aparato da consci\u00eancia (skt. <em>vijnana skandha<\/em>) consiste de tr\u00eas aspectos ou camadas centrais: <em>citta <\/em>(mente-cora\u00e7\u00e3o),<em> manas <\/em>(faculdade mental),<em> e vijnana <\/em>(consci\u00eancia discriminativa). Para ele, <em>citta<\/em> \u00e9 a consci\u00eancia substrato (skt. <em>alaya vijnana)<\/em>, o campo que armazena todas as sementes (skt. <em>sarvabijaka)<\/em>, impregnado de tra\u00e7os impressos (skt. <em>vasanaparibhavita<\/em>) pela a\u00e7\u00e3o dos aparatos psicof\u00edsicos (skt. <em>skandha)<\/em>, constituintes da experi\u00eancia (skt. <em>dhatu)<\/em>, e campos sensoriais (skt. <em>ayatana). <\/em>J\u00e1 <em>manas<\/em>, a faculdade mental, \u00e9 a objetivica\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia substrato <em>alaya vijnana<\/em> dotada de uma auto-identifica\u00e7\u00e3o (skt. <em>manyanatmaka<\/em>) associada com quatro degrada\u00e7\u00f5es \u2013 a vis\u00e3o\/ideia de si (skt. <em>atmadrsti)<\/em>, amor-pr\u00f3prio\/auto-apre\u00e7o (skt. atmasneha), arrog\u00e2ncia do \u2018eu sou\u2019 (skt. <em>asmimana)<\/em> e cegueira (skt. <em>avidya<\/em>). E <em>vijnana<\/em>, a consci\u00eancia superficial, consiste de seis classes de consci\u00eancia (skt. <em>sad vijnanakayah<\/em>) \u2013 consci\u00eancia visual (skt. <em>caksur vijnana<\/em>), consci\u00eancia auditiva (skt. <em>srotra vijnana<\/em>), consci\u00eancia olfativa (skt. <em>ghrana vijnana<\/em>), consci\u00eancia gustativa (skt. <em>jihva vijnana<\/em>), consci\u00eancia t\u00e1til\/corp\u00f3rea (skt. <em>kaya vijnana<\/em>) e consci\u00eancia mental (skt. <em>mano vijnana<\/em>).<\/p>\n<h4>\n<b>As Tr\u00eas Camadas de Consci\u00eancia e os Tr\u00eas Tempos<\/b><\/h4>\n<p><i><br \/>\nVijnana <\/i>se refere a consci\u00eancia que discrimina o fen\u00f4meno no presente livre de qualquer conceitualiza\u00e7\u00e3o (tib. mi rtog pa)\u00a0 referente ao passado ou ao futuro. <em>Manas<\/em> fixa-se em uma ideia que n\u00e3o acompanha o fluxo presente e, portanto, refere-se ao passado. J\u00e1 <em>citta<\/em>, carrega o potencial de projetar o futuro a partir de suas impress\u00f5es e tend\u00eancias habituais armazenadas no campo da consci\u00eancia substrato <em>alayavijnana<\/em>.<\/p>\n<h4>\n<b>Os Quatro N\u00edveis de Exist\u00eancia da Mente<\/b><\/h4>\n<p><i><br \/>\nCitta, a mente-cora\u00e7\u00e3o, <\/i>podem ser dividida, de acordo com o abhidharma,\u00a0 dentro de quatro n\u00edveis que se referem a quatro planos de exist\u00eancia (p\u00e1li. bhumis) e a\u00a0 esferas ou dom\u00ednios de experi\u00eancia (p\u00e1li. avacara). O que distingue, aqui, planos (bhumis) e dom\u00ednios de experi\u00eancia (avacara) \u00e9 que os dom\u00ednios de experi\u00eancia s\u00e3o n\u00edveis de consci\u00eancia que podem operar em qualquer plano de exist\u00eancia, apesar de serem mais suscet\u00edveis a surgir e permanecer naqueles planos que se adequam melhor para sua exist\u00eancia. Comp\u00f5e tamb\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas que levam uma mente a buscar um corpo f\u00edsico e um ambiente que possa comportar, sustentar e preservar seu modo opera\u00e7\u00e3o. J\u00e1 os planos de exist\u00eancia (bhumis), compreendem os ambientes psicof\u00edsicos onde tais dom\u00ednios de experi\u00eancia se manifestam.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li><b>A mente do dom\u00ednio sensual (p\u00e1li. <em>kammavacara citta<\/em>)<\/b><\/li>\n<\/ol>\n<p>Esta \u00e9 a mente experi\u00eanciada em sua maior parte no mundo sensorial (<em>kama-loka<\/em>). A mente do dom\u00ednio de experiencia sensual compreende tanto o dom\u00ednio sensorial subjetivo \u2013 o desejo apegado por prazeres sensoriais -, como tamb\u00e9m o dom\u00ednio sensorial objetivo \u2013 os cinco objetos sensoriais da forma, sons, aroma, sabores e texturas -, ou seja seis faixas vibrat\u00f3rias associadas as 6 consci\u00eancias sensoriais (p\u00e1li. <em>Vijnana).<\/em><br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><b>A Mente do dom\u00ednio da Forma (p\u00e1li. <em>Rupavacara citta<\/em>)<\/b><\/li>\n<\/ol>\n<p>Esta \u00e9 a mente experienciada em sua maior parte no mundo da forma\u00a0 conhecida como a mente associada a forma sutil provinda de\u00a0 quatro estabilidades mentais (p\u00e1li. <em>rupajjhanas<\/em>), ou seja, quatro faixas vibrat\u00f3rias associadas a quatro tipos de absor\u00e7\u00e3o meditativa (p\u00e1li. Samadhi). \u00c9 assim chamada porque se desenvolve atrav\u00e9s de medita\u00e7\u00f5es sobre a forma de um objeto (skt. rupa), seja ele um objeto tais como os cinco elementos terra, \u00e1gua, fogo, ar, espa\u00e7o, as cinco cores azul, verde, amarelo, vermelho e branco, uma luz brilhante ou elementos do corpo f\u00edsico tais como a respira\u00e7\u00e3o resultando em um tipo de continuidade est\u00e1vel de consci\u00eancia unida ao objeto.<br \/>\nAs quatro faixas referentes as quatro estabilidades mentais (jjhanas em p\u00e1li ou dhyanas em s\u00e2nscrito s\u00e3o descritas pelo mestre indiano Nagarjuna como:<br \/>\n&#8211; Primeiro Dhyana<br \/>\nA primeira faixa da estabilidade meditativa \u00e9 caracterizada por uma profunda experi\u00eancia de alegria (tib. dga\u2019ba) e bem-aventuran\u00e7a (tib. bde ba), se sobressaindo a alegria, que surge pela redu\u00e7\u00e3o e desaparecimento da conceitualiza\u00e7\u00e3o (tib. rtog pa) e an\u00e1lise (tib. dpod pa).<br \/>\n&#8211; Segundo Dhyana<br \/>\nA segunda faixa de estabilidade meditativa \u00e9 caracterizada por uma ainda maior experi\u00eancia de alegria e bem-aventuran\u00e7a interior, se sobressaindo a bem-aventuran\u00e7a, surjida pela total aus\u00eancia de conceitualiza\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise mentais.<br \/>\n&#8211; Terceiro Dhyana<br \/>\nA terceira faixa de estabilidade meditativa \u00e9 caracterizada por uma profunda bem-aventuran\u00e7a surgida a partir da equanimidade (tib. btang snyoms), plena aten\u00e7\u00e3o (tib. dren pa), e vigil\u00e2ncia (tib. shes bzhin).<br \/>\n&#8211; Quarto Dhyana<br \/>\nA quarta faixa de estabilidade meditativa \u00e9 caracterizada pela equaliza\u00e7\u00e3o das sensa\u00e7\u00f5es \u2013 nem bem-estar nem mal-estar -, e por uma total e pura plena aten\u00e7\u00e3o (tib. dren pa).<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><b>A Mente do dom\u00ednio da N\u00e3o-Forma (p\u00e1li. <em>Arupavaccara citta<\/em>)<\/b><\/li>\n<\/ol>\n<p>Esta \u00e9 a mente experienciada em sua maior parte no mundo da n\u00e3o-forma (p\u00e1li. arupa-loka). Compreende quatro faixas vibrat\u00f3rias associadas a estados desenvolvidos atrav\u00e9s da amplia\u00e7\u00e3o dos campos sensoriais de consci\u00eancia (skt. Ayatana) e do equil\u00edbrio (skt. <em>samahita<\/em>) da percep\u00e7\u00e3o cognitiva (skt. <em>samjana<\/em>).<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn2\">[2]<\/a><br \/>\nAs quatro faixas vibrat\u00f3rias (tib. gnas ris) relacionadas aos quatro campos\u00a0 (ayatana) de equil\u00edbrio (samahita) da percep\u00e7\u00e3o cognitiva (samjana) chamados de Os Quatro Equil\u00edbrios do Mundo da N\u00e3o-forma (tib. zugs med kyi snyoms \u2018jug bzhi s\u00e3o:<br \/>\n&#8211; Primeiro Equil\u00edbrio<br \/>\nA amplia\u00e7\u00e3o do campo da consci\u00eancia associado ao equil\u00edbrio da percep\u00e7\u00e3o cognitiva do espa\u00e7o infinito (tib. nam mkha&#8217; mtha&#8217; yas kyi skye mched).<br \/>\n&#8211; Segundo Equil\u00edbrio<br \/>\nA amplia\u00e7\u00e3o do campo da consci\u00eancia associado ao equil\u00edbrio da percep\u00e7\u00e3o cognitiva da consci\u00eancia infinita (tib. rnam shes mtha&#8217; yas kyi skye mched).<br \/>\n&#8211; Terceiro Equil\u00edbrio<br \/>\nA amplia\u00e7\u00e3o do campo da consci\u00eancia associado ao equil\u00edbrio da percep\u00e7\u00e3o cognitiva da aus\u00eancia de qualquer coisa (tib. ci yang med pa&#8217;i skye mched).<br \/>\n&#8211; Quarto Equil\u00edbrio<br \/>\nA amplia\u00e7\u00e3o do campo da consci\u00eancia associado ao equil\u00edbrio da percep\u00e7\u00e3o cognitiva daquilo que esta al\u00e9m da presen\u00e7a e aus\u00eancia da cogni\u00e7\u00e3o (tib. &#8216;du shes med &#8216;du shes med min gyi skye mched).<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><b>A Mente do dom\u00ednio Supramundano (p\u00e1li. Lokutara citta)<\/b><\/li>\n<\/ol>\n<p>Esta \u00e9 a mente experienciada no n\u00edvel supramundano ou transcendente. Compreende cinco faixas desenvolvidas a partir de cinco aparatos merit\u00f3rios que cooperam entre si para o alcance da transcend\u00eancia \u2013 1. Disciplina (tib. tshul khrims); 2. Absor\u00e7\u00e3o meditativa (tib. ting nges \u2018dzin); 3. Discernimento (tib. shes rab); 4. Completa libera\u00e7\u00e3o dos obscurecimentos aflitivos e cognitivos (tib. rnam par grol ba); e 5. A vis\u00e3o da gnosis primordial da completa libera\u00e7\u00e3o (tib. rnam par grol ba\u2019i ye shes mthong ba). Neste n\u00edvel supramundano, dependendo da \u00eanfase e categoria de pr\u00e1tica h\u00e1 v\u00e1rias faixas vibrat\u00f3rias em ordem crescente de expans\u00e3o e refina\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia desenvolvidos por diferentes praticantes espirituais. Na tradi\u00e7\u00e3o budista mahayana fala-se dos dez n\u00edveis (skt. bhumis) dos bodhisatvas onde o que os caracterizam s\u00e3o n\u00edveis de experi\u00eancia crescente no desenvolvimento de um discernimento especial mesclado com uma profunda e clara absor\u00e7\u00e3o meditativa que torna-se ciente da natureza de cada fen\u00f4meno em particular. \u00c9 descrito que, ao atingir o primeiro n\u00edvel do meditante bodhisatva, experiencia-se a natureza do espa\u00e7o da vaziez luminosa durante a absor\u00e7\u00e3o meditativa. No entanto, ao sair deste estado no p\u00f3s-medita\u00e7\u00e3o ainda permanece resqu\u00edcios da opera\u00e7\u00e3o dual comum da mente atrav\u00e9s de tend\u00eancias habituais. A partir do segundo n\u00edvel do meditante bodhisatva estas tend\u00eancias habituais s\u00e3o processadas e purificadas levando a pacifica\u00e7\u00e3o de afli\u00e7\u00f5es e obscurecimentos cognitivos e aprofundando-se na experi\u00eancia acessada no primeiro n\u00edvel. Abaixo, um exemplo das tr\u00eas primeiras faixas desta consci\u00eancia supramundana.<\/p>\n<ol>\n<li>Primeiro N\u00edvel \u2013 Grande Alegria<\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00c9 assim chamado pela grande alegria que este n\u00edvel proporciona em trazer benef\u00edcio aos seres especialmente atrav\u00e9s da generosidade, da aus\u00eancia de medo, equanimidade e capacidade de manifesta\u00e7\u00f5es distintas.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li>Segundo N\u00edvel \u2013 Imaculado<\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00c9 assim chamado por estar livre das m\u00e1culas produzidas pela falta de disciplina, \u00e9tica e moralidade e tem \u00eanfase no desenvolvimento da disciplina \u00e9tica, da purifica\u00e7\u00e3o de certas camadas de obscurecimentos cognitivos e da habilidade de se tornar um grande l\u00edder.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>Terceiro N\u00edvel \u2013 Radiante<\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00c9 assim chamado porque nele a sabedoria que discerne os fen\u00f4menos bem como os v\u00e1rios n\u00edveis de absor\u00e7\u00e3o meditativa se tornam claros e os ensinamentos provindos desta percep\u00e7\u00e3o irradiam naturalmente aos outros seres.<\/p>\n<h4>\n<b>As Duas Faixas Centrais de Opera\u00e7\u00e3o da Mente<\/b><\/h4>\n<p><em><br \/>\n\u201cAssim como quando um ala\u00fade \u00e9 tocado,<br \/>\n<\/em><em>o som surge devido \u00e0s qualidades do instrumento de madeira,<br \/>\n<\/em><em>as cordas e o empenho do m\u00fasico, da mesma maneira aparecem os momentos de experi\u00eancia e consci\u00eancia e, tendo surgido, desaparecem.\u201d<\/em><br \/>\n<em>Shakyamuni Buddha,<\/em><br \/>\nDe acordo com a psicologia budista podemos classificar a opera\u00e7\u00e3o cognitiva da mente em duas faixas centrais: 1. A Mente Principal (tib. gtso sems) e 2. Estados Mentais (tib. sems byung). A mente princial manifesta-se em um aspecto passivo. J\u00e1 os estados mentais em um aspecto ativo. Uma das formas de imaginar a opera\u00e7\u00e3o conjunta destas duas faixas centrais da mente \u00e9 atrav\u00e9s\u00a0 de um filme projetado no cinema. O campo da tela neutra do cinema representa a opera\u00e7\u00e3o passiva e neutra das faculdades sensoriais e as imagens que nela s\u00e3o projetadas os estados, fatores ou eventos mentais que colorem a tela da consci\u00eancia dos sentidos e determinam o que percebemos. S\u00e3o aquelas coloridas hist\u00f3rias\u00a0 projetadas pelos estados mentais \u00e0 tela sensorial da mente principal.\u00a0 Tais eventos mentais condicionam a clareza e lucidez deste tela sensorial e determinam sem seu campo um modo de opera\u00e7\u00e3o ou estado saud\u00e1vel ou n\u00e3o-saud\u00e1vel. Para que possamos perceber diretamente a presen\u00e7a da mente principal \u00e9 necess\u00e1rio pacificarmos os eventos mentais que influenciam ou interferem nesta mente fundamental. Na analogia do cinema, isto representaria o\u00a0 desligar do projetor de imagens, permanecendo, ent\u00e3o, somente a tela aberta e l\u00facida das faculdades sensoriais apreendendo est\u00edmulos sem os discriminar, rotular, classificar, conceitualizar, analisar ou os colorir com emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h4><strong><br \/>\nA Mente Principal<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p><i><br \/>\n\u201cO mundo como percebido pela mente discriminativa \u00e9 como se v\u00edssemos nossa pr\u00f3pria imagem refletida em um espelho, nossa pr\u00f3pria sombra, a imagem da lua refletida na \u00e1gua ou um eco ouvido em um vale. As pessoas se agarram a suas pr\u00f3prias sombras de discrimina\u00e7\u00e3o tornando-se apegadas a isso e aquilo. Falhando em abandonar este dualismo permanecem continuamente discriminando desta forma e, portanto, nunca atingem a tranquilidade.\u201d<br \/>\n<\/i><em>Shakyamuni Buddha, no Lankavatara Sutra<\/em><br \/>\n<i><br \/>\n<\/i>A mente principal basicamente \u00e9 a opera\u00e7\u00e3o da camada <em>vijnana<\/em> das cinco consci\u00eancias sensoriais (visual, auditiva, olfativa, gustativa e t\u00e1til) mais a consci\u00eancia mental intermedi\u00e1ria <em>manovijnana<\/em>, que \u00e9 aquela que distingue, interpreta, imputa significado e categoriza os est\u00edmulos sensoriais e mentais que aparecem no campo consciente. Ent\u00e3o, temos:<\/p>\n<ol>\n<li>Consci\u00eancia Visual (skt. <em>caksur vijnana<\/em>);<\/li>\n<li>Consci\u00eancia Auditiva (skt. <em>srotra vijnana<\/em>)<\/li>\n<li>Consci\u00eancia Olfativa (skt. <em>ghrana vijnana<\/em>);<\/li>\n<li>Consci\u00eancia Gustativa (skt. <em>jihva vijnana<\/em>);<\/li>\n<li>Consci\u00eancia T\u00e1til (skt. <em>kaya vijnana<\/em>);<\/li>\n<li>Consci\u00eancia Mental (skt. <em>mano vijnana<\/em>).<\/li>\n<\/ol>\n<p>De forma ordenada cada uma destas seis consci\u00eancias opera de forma individual e particular, ou seja, na presen\u00e7a de uma, as outras n\u00e3o operam simultaneamente. A consci\u00eancia visual apreende formas e cores, a consci\u00eancia auditiva apreende sons, a consci\u00eancia olfativa apreende aromas, a gustativa sabores, a t\u00e1til texturas e a consci\u00eancia mental apreende conte\u00fados mentais.<br \/>\nAs cinco primeiras consci\u00eancias sensoriais s\u00e3o meramente perceptuais e condicionadas a captar somente um aspecto parcial do fen\u00f4meno apreendido a partir de sua capacidade sensorial, limitada em grau e natureza. J\u00e1 a sexta consci\u00eancia mental, opera tanto no n\u00edvel meramente perceptual de um objeto mental sem qualquer intermedia\u00e7\u00e3o conceitual como tamb\u00e9m em um n\u00edvel conceitual onde \u00e9 gerado uma imagem mental, uma ideia, distinta da apreens\u00e3o direta da mente sobre seu objeto.<br \/>\nPor exemplo, quando vemos uma flor, a mera consci\u00eancia visual apreende a flor em sua forma dimencional e colora\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o apreende seu aroma, textura, sabor etc. J\u00e1 a consci\u00eancia mental \u00e9 aquela que identificaria e rotularia a flor como branca, bonita, cheirosa, e assim por diante.<br \/>\nA consci\u00eancia mental cria generaliza\u00e7\u00f5es que filtram, selecionam e determinam a partir de suas impress\u00f5es habituais e categoriza\u00e7\u00f5es o que ser\u00e1 experienciado sobre determinado fen\u00f4meno.<br \/>\nH\u00e1 tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es essenciais para o surgimento das cinco consci\u00eancias sensoriais:<br \/>\n1. A condi\u00e7\u00e3o objetiva (tib. dmigs rkyen) daquilo que \u00e9 apreendido, ou seja, as caracter\u00edsticas do objeto daquela consci\u00eancia em espec\u00edfico. No caso da vis\u00e3o da flor, esta condi\u00e7\u00e3o seria sua forma e cor;<br \/>\n2. A condi\u00e7\u00e3o dominante (tib. bdag rkyen), que \u00e9 o org\u00e3o sensorial, no caso da vis\u00e3o flor, o org\u00e3o ocular que capacita a capta\u00e7\u00e3o da caracter\u00edsticas da flor pela consci\u00eancia visual;<br \/>\n3. Condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via (tib. de ma thag rkyen), que \u00e9 o momento de consci\u00eancia imediatamente anterior a consci\u00eancia que aprendeu, no caso, a flor.<br \/>\nCaso houver algum impedimento, distor\u00e7\u00e3o ou danifica\u00e7\u00e3o nestas tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es o fen\u00f4meno ir\u00e1 ser apreendido de forma distorcida ou sofrendo interfer\u00eancias no que diz respeito a suas caracter\u00edsticas universais dentro do contexto psicof\u00edsico humano.<br \/>\nCada fen\u00f4meno que comp\u00f5e nosso universo pode manifestar uma quantidade infind\u00e1vel de propriedades de acordo com os instrumentos e recursos usados para capt\u00e1-lo e apreend\u00ea-lo. Atrav\u00e9s dos instrumentos dos org\u00e3os sensoriais filtra-se a presen\u00e7a desta variedade de atributos e condiciona-se um fen\u00f4meno particular em mera forma e colora\u00e7\u00e3o, som, aroma, sabor ou a textura que s\u00e3o os limites de capta\u00e7\u00e3o de nossos org\u00e3os sensoriais.<br \/>\nEsta \u00e9 a experi\u00eancia perceptual nua, livre de conceitualiza\u00e7\u00e3o, onde apreende-se atributos espec\u00edficos do fen\u00f4meno atrav\u00e9s da capacidade sensorial, que na sequ\u00eancia ser\u00e3o elaboradas atrav\u00e9s de construtos ou elabora\u00e7\u00f5es mentais \u2013 a conceitualiza\u00e7\u00e3o. Disto, percebe-se que, de forma similar, a faculdade mental \u00e9 seletiva e condiciona tais propriedades filtradas pelos org\u00e3os sensoriais e decodificada por suas consci\u00eancias sensoriais em categorias de generaliza\u00e7\u00f5es, fixando signos (significados) em tais fen\u00f4menos, reduzindo e condicionando a possibilidade de experiment\u00e1-los a partir de outros \u00e2ngulos e recursos.<br \/>\nUma vez que os processos mentais envolvidos na apreens\u00e3o de um fen\u00f4meno incluindo as capacidades sensoriais e mentais de um indiv\u00edduo, o quanto ele \u00e9 capaz de atender ao objeto atrav\u00e9s da continuidade de sua aten\u00e7\u00e3o, inten\u00e7\u00e3o e interesse etc, ser\u00e1 percebido em diferentes graus de clareza os atributos de determinado fen\u00f4meno.<br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4><strong>Estados Mentais<\/strong><\/h4>\n<p><i><br \/>\n\u201cMonges, voc\u00eas j\u00e1 viram uma obra-prima de pintura? Essa obra-prima \u00e9 projetada pela mente juntamente com os sentidos. De fato, monges, a mente \u00e9 mais art\u00edstica e criativa do que qualquer obra-prima criada; ela \u00e9 a fonte de qualquer criatividade humana\u201d.\u00a0<\/i><i>\u2013\u00a0<\/i><i>Shakyamuni Buddha<\/i><br \/>\nOs estados ou fatores mentais (skt. caitta)<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn3\">[3]<\/a> essencialmente se formam a partir de e comp\u00f5e, entre as tr\u00eas camadas<em> chitta, manas e vijnana,<\/em> a camada da faculdade mental <em>manas. <\/em>A camada da faculdade mental <em>manas<\/em> tem diversos n\u00edveis e faixas de opera\u00e7\u00e3o, desde uma perspectiva mundana bem como durante o processo de desenvolvimento da consci\u00eancia supramundana. \u00c9 ela, em contato direto com as faculdades sensoriais, que forma a experi\u00eancia ilus\u00f3ria de um si (skt. atman) separado, independente de outros fen\u00f4menos, produzindo e enraizando uma auto-identifica\u00e7\u00e3o err\u00f4nea de um eu ou ego (ahamkara). Primeiramente iremos olhar alguns fatores mentais universais e determinantes na forma\u00e7\u00e3o do n\u00edvel existencial do ego e ent\u00e3o analizar exist\u00eancia ilus\u00f3ria e os fatores mentais que a acompanham.<\/p>\n<h4><b><br \/>\nOs Cinco Fatores Mentais Universais<\/b><strong>\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Contato (skt. sparsha);<\/li>\n<li>Sensa\u00e7\u00e3o (skt. <em>vedana)<\/em>;<\/li>\n<li>Percep\u00e7\u00e3o\/concep\u00e7\u00e3o<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn4\">[4]<\/a> (skt. <em>samjna);<\/em><\/li>\n<li>Orienta\u00e7\u00e3o Mental (skt. cetana);<\/li>\n<li>Aten\u00e7\u00e3o (manasikara).\n<\/li>\n<\/ol>\n<p>O contato essencialmente \u00e9 o encontro dos org\u00e3os sensoriais e suas respectivas consci\u00eancias com os objetos dos sentidos, o mundo fenomenal. A sensa\u00e7\u00e3o (skt. <em>vedana<\/em>) \u00e9 uma impress\u00e3o ou nota mental que \u00e9 saboreada quando se estabelece o contato. A percep\u00e7\u00e3o (skt. <em>samjna<\/em>) \u00e9 a opera\u00e7\u00e3o mental que cria e relaciona estruturas conceituais usadas para definir as coisas dentro do campo dual da mente. Como no exemplo da flor, quando a consci\u00eancia visual v\u00ea uma flor, a mente dual\u00edstica cria uma estrutura conceitual para marcar e nomear o fen\u00f4meno flor com o prop\u00f3sito de obter um referente \u2018flor\u2019 na mente que pode ser ativado imediatamente quando tal objeto for novamente percebido.<br \/>\nDe acordo com Vasubhandu, a concep\u00e7\u00e3o <em>samjna<\/em> \u00e9 aquilo que apreende a marca de um determinado objeto. Neste contexto, o objeto j\u00e1 \u00e9 uma imagem mental e a marca \u00e9 a qualidade percebida que se torna a causa para a determina\u00e7\u00e3o do que ele \u00e9. Portanto, apreender a marca significa fazer uma determina\u00e7\u00e3o sobre o objeto. H\u00e1 diversos tipos de percep\u00e7\u00e3o ou concep\u00e7\u00e3o. Entre estes est\u00e3o as percep\u00e7\u00e3o n\u00e3o-conceituais acompanhadas da apreens\u00e3o direta dos cinco sentidos f\u00edsicos, percep\u00e7\u00f5es conceituais que eleboram conceitualmente um determinado fen\u00f4meno e percep\u00e7\u00f5es sutis que determinam a natureza dos fen\u00f4menos, da consci\u00eancia e da realidade.<br \/>\nA orienta\u00e7\u00e3o mental (skt. <em>cetana<\/em>) \u00e9 o direcionamento volitivo que opera para orientar a mente a seu objeto. J\u00e1 o \u00faltimo fator mental universal, a aten\u00e7\u00e3o (skt. <em>manasikara<\/em>) opera engajando-se mentalmente com seu objeto, se fixando nele.<br \/>\nEstes cinco fatores mentais onipresentes s\u00e3o as bases para a forma\u00e7\u00e3o da ilus\u00e3o da dualidade da exist\u00eancia de um <em>self<\/em> existente per se, separado e independente dos fen\u00f4menos que se relaciona. Na vis\u00e3o budista, as bases de designa\u00e7\u00e3o de um <em>self <\/em>s\u00e3o essencialmente os cinco aparatos ou agregados psicof\u00edsicos (skt. <em>skhanda<\/em>) da forma (skt. <em>rupa),<\/em> sensa\u00e7\u00e3o (skt. <em>vedana<\/em>), percep\u00e7\u00e3o (skt. <em>samjna<\/em>), formadores mentais (skt. <em>samskara<\/em>) e consci\u00eancia discriminativa (skt. <em>vijnana<\/em>). A cont\u00ednua apreens\u00e3o mental destes cinco aparatos que se agregam para desempenhar uma fun\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea como se tivessem uma exist\u00eancia cont\u00ednua, ininterrupta e isolada de outros fen\u00f4menos \u00e9 o que fundamenta a ilus\u00e3o da realidade de um <em>self.<\/em><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNa 30<sup>o<\/sup> edi\u00e7\u00e3o confer\u00eancia anual do Mind &amp; Life 2015 entitulada \u201cPercep\u00e7\u00e3o, conceitos e o <em>self<\/em> surgiram as seguintes quest\u00f5es sobre este tema:<\/p>\n<ul>\n<li>Em que ponto a sensa\u00e7\u00e3o (skt. <em>vedana<\/em>) termina e inicia-se a percep\u00e7\u00e3o (skt. <em>samjna<\/em>)? Como se d\u00e1 a a\u00e7\u00e3o rec\u00edproca de uma com a outra? Qual o papel dos processos emocionais sobre a percep\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<li>Em que ponto a percep\u00e7\u00e3o (skt. <em>samjna<\/em>) acaba e come\u00e7a os conceitos\/conceitualiza\u00e7\u00e3o (skt. <em>vitarka<\/em>)<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn5\">[5]<\/a>?<\/li>\n<li>Seria a percep\u00e7\u00e3o necessariamente construtiva?<\/li>\n<li>Existe algo como uma percep\u00e7\u00e3o ver\u00eddica?<\/li>\n<li>Seriam as percep\u00e7\u00f5es de fen\u00f4menos internos tais como as sensa\u00e7\u00f5es t\u00e1teis do corpo, pensamentos e sentimentos diferentes da percep\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos externos?&nbsp;<\/li>\n<\/ul>\n<p>Na tradi\u00e7\u00e3o da escola epistemol\u00f3gica indiana (skt. pramana) de Dignaga (s\u00e9c. V) e Dharmakirti (s\u00e9c. VII) tratou-se da quest\u00e3o de como nossa percep\u00e7\u00e3o direta (<em>skt. pratyaksha) <\/em>\u00a0atrav\u00e9s do contato dos sentidos com seu objeto de fato representa o mundo. Perguntas como:<br \/>\n&#8211; Nossos sentidos nos permitem um acesso direto ao mundo real ou o conhecimento provindo de nossa percep\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre intermediado?<br \/>\n&#8211; Como as informa\u00e7\u00f5es recebidas pelos nossos sentidos s\u00e3o integradas em nossa cogni\u00e7\u00e3o? Quando percebemos o mundo o fazemos de uma forma integrada, n\u00e3o algo distinto. Portanto, como nossa percep\u00e7\u00e3o integra as informa\u00e7\u00f5es recebidas atrav\u00e9s dos sentidos e a organiza de tal forma que nossa experi\u00eancia do mundo \u00e9 integrada e unificada?<br \/>\n&#8211; Qual \u00e9 o papel da mem\u00f3ria em nossa percep\u00e7\u00e3o? Seria o caso de a habilidade de perceber o mundo exija uma experi\u00eancia pr\u00e9via, que por sua vez nos condena a reconhecer o que v\u00eam em seguida?<br \/>\n&#8211; E como os conceitos se formam e qual \u00e9 a sua condi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a sua realidade? A rela\u00e7\u00e3o que temos entre o conceito que temos do mundo e o mundo que este conceito se refere. E como o pensamento, que \u00e9 mediado pelo conceito, relata o mundo real?<br \/>\n&#8211; Qual a conex\u00e3o entre pensamento, linguagem e realidade?<br \/>\nNa vis\u00e3o de Dharmakirti, nosso conhecimento do mundo prov\u00e9m de somente duas fontes \u2013 os sentidos e o pensamento. Esta vis\u00e3o epistemol\u00f3gica esta co-relacionada com uma ontologia \u00fanica: o mundo em que vivemos \u00e9 feito de individualiza\u00e7\u00f5es (caracter\u00edsticas particulares ou um car\u00e1ter individual que s\u00e3o reais) e generaliza\u00e7\u00f5es (caracter\u00edsticas gerais ou ideia abstrata que s\u00e3o irreais) constru\u00eddas atrav\u00e9s de nossa linguagem e pensamento e projetadas sobre o mundo real.<br \/>\nNeste caso a percep\u00e7\u00e3o provinda atrav\u00e9s de nossos sentidos prov\u00e9m destas caracter\u00edsticas particulares e nosso pensamento e conceitos se relacionam as generaliza\u00e7\u00f5es. As generaliza\u00e7\u00f5es s\u00e3o impostas sobre o mundo ao passo que o mundo real \u00e9 composto de caracter\u00edsticas particulares \u00fanicas em um tempo e lugar espec\u00edfico.<br \/>\nAs verdadeiras caracter\u00edsticas particulares s\u00e3o somente aquelas que s\u00e3o causalmente eficientes, moment\u00e2neas, absolutamente \u00fanicas em termos de espa\u00e7o, tempo e natureza bem como inexprim\u00edveis uma vez que no momento que voc\u00ea as expresa ela j\u00e1 n\u00e3o mais est\u00e1 l\u00e1, como tamb\u00e9m a nossa limita\u00e7\u00e3o em termos de linguagem nos impede de articular sua express\u00e3o em toda a sua totalidade.<br \/>\nDignaga define \u2018percep\u00e7\u00e3o direta\u2019 (skt. pratyaksha) como livre da conceitualidade que envolve a associa\u00e7\u00e3o de nomes e categorias ao objeto. Somente pensamentos e conceitos que envolvem a associa\u00e7\u00e3o de nomes e categorias aos objetos.<br \/>\nDharmakirti adiciona mais um componente a esta defini\u00e7\u00e3o dizendo que a percep\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 somente livre da conceitualidade, mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 distorcida. Ambos Dignana e Dharmakirti prop\u00f5e o que \u00e9 chamado de uma \u2018teoria causal da percep\u00e7\u00e3o\u2019, ou seja, quando percebemos algo a percep\u00e7\u00e3o do objeto e o objeto que \u00e9 percebido n\u00e3o s\u00e3o simult\u00e2neos, mas subsequentes.<br \/>\nPortanto, a percep\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre uma consequ\u00eancia de um objeto que a engatilha. Quando a percep\u00e7\u00e3o ocorre o objeto sensorial atua como uma causa contribuinte para a produ\u00e7\u00e3o de uma cogni\u00e7\u00e3o onde a imagem deste objeto sensorial aparece. Ou seja, quando os sentidos entram em contato com um objeto, o objeto se coloca como um catalisador e imprime um tipo de imagem fenomenal sobre nossos sentidos.<br \/>\nUma vez que esta imagem mental n\u00e3o corresponde ao objeto de fato em todas as suas caracter\u00edsticas particulares e agrega\u00e7\u00f5es at\u00f4micas bem como n\u00e3o ocorre simultamente, como \u00e9 determinado que o que percebemos \u00e9 de fato a realidade?<br \/>\nDharmatrota (s\u00e9c. XI) adiciona uma nova ideia que desenvolve esta problem\u00e1tica onde estabelece que ainda que o objeto em si e a imagem produzida n\u00e3o correspondam simultaneamente, a consci\u00eancia subsequente que o aprende determina suas caracter\u00edsticas novamente, estabelecendo uma base determinante em comum entre a percep\u00e7\u00e3o pr\u00e9via e a posterior, constituindo, ent\u00e3o, uma cogni\u00e7\u00e3o v\u00e1lida.<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn6\">[6]<\/a><\/p>\n<h4><b><br \/>\nOs cinco fatores mentais determinantes<\/b><strong>\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Motiva\u00e7\u00e3o\/inten\u00e7\u00e3o\/aspira\u00e7\u00e3o (skt. chanda)<\/li>\n<li>Interesse\/aprecia\u00e7\u00e3o (skt. adhimoksha)<\/li>\n<li>Recorda\u00e7\u00e3o\/Aten\u00e7\u00e3o Plena\/Mindfulness (skt. smrti)<\/li>\n<li>Absor\u00e7\u00e3o mental\/concentra\u00e7\u00e3o (skt. samadhi)<\/li>\n<li>Discernimento\/intelig\u00eancia (skt. prajna)&nbsp;<\/li>\n<\/ol>\n<p>Estes s\u00e3o os cinco fatores mentais determinantes de um fen\u00f4meno. O primeiro grupo dos cinco fatores mentais universais \u00e9 como o mecanismo, o motor que gera as experi\u00eancias em nosso campo mental. J\u00e1 estes cinco fatores mentais determinantes \u00e9 o que d\u00e1 a forma que eles ter\u00e3o em nosso dom\u00ednio de experi\u00eancia. Os cinco fatores mentais determinantes, diferentes dos estados mentais universais, n\u00e3o est\u00e3o sempre presentes, mas s\u00e3o aqueles fatores que surgem quando passamos a explorar um fen\u00f4meno. Ou seja, quase sempre est\u00e3o operando.<br \/>\nO primeiro deles, a motiva\u00e7\u00e3o, nos aproxima daquilo que gostamos e nos afasta daquilo que n\u00e3o gostamos. \u00c9 o estado mental que deseja, entrar em contato, possuir, se engajar com determinado objeto ou se afastar dele.<br \/>\nO interesse \u00e9 o estado mental que, ap\u00f3s entrar em contato com o objeto desajado desenvolve uma aprecia\u00e7\u00e3o sobre o mesmo. O interesse t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de manter a mente direcionada ao objeto e recordando-se do mesmo pelo reconhecer de sua qualidade.<br \/>\nO terceiro fator mental, a recorda\u00e7\u00e3o, \u00e9 a habilidade da mente de retornar ao objeto desejado. Destitu\u00eddos desta habilidade n\u00e3o seriamos capazes de sustentar um foco sobre determinado fen\u00f4meno por mais de um instante.<br \/>\nA recorda\u00e7\u00e3o cont\u00ednua sobre determinado fen\u00f4meno \u00e9 a base para o pr\u00f3ximo fator mental, a absor\u00e7\u00e3o mental. Uma vez que a mente capta e apreende determinado fen\u00f4meno atrav\u00e9s dos sentidos, se motiva a se engajar, desenvolve interesse em retornar a ele e passa a record\u00e1-lo continuamente surge um campo de experi\u00eancia que possibilidade a mente absorver-se na imagem ou experi\u00eancia subjetiva que determinado fen\u00f4meno engatilhou. Este estado mental \u00e9 chamado de absor\u00e7\u00e3o mental ou <em>samadhi<\/em> em s\u00e2nscrito, e \u00e9 o resultado de muitas diferentes t\u00e9cnicas de tranquiliza\u00e7\u00e3o mental (skt. <em>shamata)<\/em> bem como de insight (skt. <em>vipassana) <\/em>sobre a natureza dos fen\u00f4menos na ci\u00eancia contemplativa do budismo.<br \/>\nO quinto fator mental determinante \u00e9 o discernimento <em>prajna<\/em>. Uma vez que a mente esteja em contato com o objeto ela passa a determinar suas caracter\u00edsticas e qualidades e, a partir deste discernimento, desenvolve um grau de certeza sobre sua distin\u00e7\u00f5es, determinando ou decidindo, ent\u00e3o, algo sobre ele.<\/p>\n<h4><strong><br \/>\nOs quatro fatores mentais vari\u00e1veis<\/strong><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Remorso (skt. kaukrtyam)<\/li>\n<li>Sono (skt. middham)<\/li>\n<li>Conceitualiza\u00e7\u00e3o (skt. vitarka)<\/li>\n<li>An\u00e1lise (vicara)&nbsp;<\/li>\n<\/ol>\n<p>Estes s\u00e3o os cinco fatores ou estados mentais vari\u00e1veis uma vez que eles podem estar presentes ou n\u00e3o acompanhando as consci\u00eancias sensoriais e os fatores mentais universais como vimos acima.<br \/>\nO primeiro deles, remorso, \u00e9 um fator mental positivo e n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que a culpa. Sentir remorso, por exemplo, por ter cometido uma a\u00e7\u00e3o negativa pode deixar uma impress\u00e3o que nos impedir\u00e1 de comet\u00ea-la novamente.<br \/>\nO segundo fator \u00e9 o sono. O sono se d\u00e1 quando nossa consci\u00eancia sensorial grosseira associada aos org\u00e3os dos sentidos cessa e d\u00e1 lugar a consci\u00eancia propriamente mental, viajamos atrav\u00e9s de nossa faculdade mental <em>manas<\/em>, atrav\u00e9s de nossas conceitualiza\u00e7\u00f5es <em>vitarka<\/em> associadas as nossas consci\u00eancias sensoriais <em>vijnana<\/em>, impulsionadas pelas impress\u00f5es registradas em nossa consci\u00eancia substrato <em>alayavijnana<\/em> na camada da mente-cora\u00e7\u00e3o de <em>chitta.<br \/>\n<\/em><br \/>\nO terceiro fator mental \u00e9 a conceitualiza\u00e7\u00e3o <em>vitarka<\/em> e o quarto \u00e9 a an\u00e1lise refinada que desempenhamos usando a base desta conceitualiza\u00e7\u00e3o. A conceitualiza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma id\u00e9ia geral, uma compreens\u00e3o mais superficial que projetamos sobre um determinado fen\u00f4meno. Por exemplo, examinamos uma flor, recebemos os est\u00edmulos de determinada flor atrav\u00e9s de nossos org\u00e3os e consci\u00eancias sensoriais e, em seguida, a significamos, categorizamos e nomeamos dentro de um conceito gen\u00e9rico que comporta uma ideia de flor, excluindo propriedades particulares de determinada flor. Ou seja, por um processo de exclus\u00e3o (skt. apoha) das propriedades particulares de determinado fen\u00f4meno, criamos um conceito gen\u00e9rico que abrange todas as flores e, ent\u00e3o, passamos a nos relacionar com esta imagem mental.<br \/>\nJ\u00e1 o \u00faltimo fator mental da an\u00e1lise refinada levar\u00e1 em conta outros aspectos particulares da flor ou do objeto que estamos analizando como sua forma, sua cor, seu cheiro, tra\u00e7os particulares e natureza.<\/p>\n<h4>\n<b>Forma\u00e7\u00e3o do <\/b><em style=\"font-weight: bold;\">Self\u00a0<\/em><a style=\"font-weight: bold; color: #000000;\" href=\"#_ftn7\">[7]<\/a><b> e a faixa de opera\u00e7\u00e3o do Ego<\/b><\/h4>\n<p>De acordo com o mestre indiano Asanga, <em>manas<\/em>, a faculdade mental, \u00e9 a objetivica\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia substrato <em>alaya vijnana,<\/em> ou seja, <em>manas<\/em> tem uma fun\u00e7\u00e3o de refletir a dualidade entre sujeito e objeto a partir da unicidade da mente. A mem\u00f3ria (skt. <em>ciyate<\/em>) acumulada deste processo passa a produzir uma divis\u00e3o mental e discriminar separadamente (skt. <em>viciyate<\/em>).\u00a0 Fundado nisto, nas pr\u00f3prias palavras de Asanga, surge a auto-identifica\u00e7\u00e3o (skt. <em>manyanatmaka<\/em>) associada com quatro degrada\u00e7\u00f5es \u2013 a vis\u00e3o de um si mesmo (skt. <em>atmadrsti)<\/em>, a paix\u00e3o e aprecia\u00e7\u00e3o deste si, ou seja, o amor-pr\u00f3prio ou auto-apre\u00e7o (skt. <em>atmasneha<\/em>), arrog\u00e2ncia do \u2018eu sou\u2019 isso que percebo e aprecio (skt. <em>asmimana)<\/em> e a cegueira ou ignor\u00e2ncia que percebe a si e os fen\u00f4menos erroneamente (skt. <em>avidya<\/em>).<br \/>\nDa unicidade absoluta presente na natureza da mente-cora\u00e7\u00e3o <em>citta<\/em> ventos sopram a partir da ativa\u00e7\u00e3o das impress\u00f5es presentes na consci\u00eancia substrato <em>alayavijnana<\/em> que evoluem no dualismo do sujeito-objeto de <em>manas<\/em> onde, ent\u00e3o, a faculdade mental <em>manovijnana<\/em> e todas as outras cinco consci\u00eancias sensoriais <em>vijnana<\/em> come\u00e7am a operar. Ap\u00f3s a camada da natureza n\u00e3o-dual do cora\u00e7\u00e3o da mente <em>chitta<\/em>, surge esta proje\u00e7\u00e3o dual <em>manas<\/em> e dela, suas representa\u00e7\u00f5es e conceitualiza\u00e7\u00f5es se expressam via a faculdade mental <em>manovijnana<\/em>. Em outras palavras, a qualidade reflexiva e de intelec\u00e7\u00e3o de <em>manas<\/em> floresce plenamente atrav\u00e9s da faculdade mental <em>manovijnana<\/em> se expandindo e se apoiando atrav\u00e9s das cinco consci\u00eancias sensoriais <em>vijnana<\/em> e dos outros quatro aparatos psicof\u00edsicos da sensa\u00e7\u00e3o (skt. Vedana), cogni\u00e7\u00e3o (skt. Samjna), formadores mentais (skt. Samskara) e a forma (skt. Rupa).<br \/>\nNas palavras do mestre zen D. T. Susuki, \u201cA mente, incluindo <em>citta<\/em>, <em>manas<\/em> e os outros seis <em>vijnanas<\/em>, em sua natureza original (skt. <em>svabhava<\/em>), \u00e9 tranquila, pura, e est\u00e1 acima do dualismo do sujeito e objeto. Mas aqui aparece o princ\u00edpio da particulariza\u00e7\u00e3o conhecido como <em>vishaya<\/em>, procedente da ra\u00edz <em>vish<\/em>, que significa \u2018agir\u2019, \u2018trabalhar\u2019 e, com o surgimento desse vento de a\u00e7\u00e3o, as ondas se agitam sobre a superf\u00edcie tranquila da mente. Ela est\u00e1 agora diferenciada ou evoluciona (vritti) em oito <em>vijnanas<\/em>: <em>alaya, manas, manovijnana, <\/em>e nos cinco sentidos; e simultaneamente com essa evolu\u00e7\u00e3o todo o universo passa a existir com sua multid\u00e3o de formas e seus infind\u00e1veis emaranhamentos.\u201d<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn8\">[8]<\/a><br \/>\nNovamente, Susuki, continua: \u201cNo princ\u00edpio havia a mem\u00f3ria acumulada no <em>alaya<\/em> desde o passado sem princ\u00edpio como causa latente, em que jaz todo o universo de objetos individuais com os olhos fechados; aqui entra <em>manas<\/em> com sua intelig\u00eancia discriminativa, e o sujeito se distingue do objeto; <em>manovijnana<\/em> reflete a dualidade, da qual resulta toda uma s\u00e9rie de julgamentos com os seus preconceitos e apegos consequentes, ao passo que os outros cinco <em>vijnanas<\/em> os obrigam a complicar-se mais e mais n\u00e3o s\u00f3 intelectualmente, mas tamb\u00e9m afetiva e conativamente. Todos os resultados destas atividades, por seu turno, perfumam o <em>alaya<\/em>, estimulando a velha lembran\u00e7a a despertar, ao mesmo tempo que a nova encontra suas afinidades entre as velhas. Entrementes, o pr\u00f3prio <em>alaya<\/em> permanece im\u00f3vel, conservando sua identidade.\u201d<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn9\">[9]<\/a><br \/>\nO nosso comportamento \u00e9 induzido por julgamentos conceituais seguido da percep\u00e7\u00e3o n\u00e3o-conceitual. A mesma percep\u00e7\u00e3o pode levar a muitos outros julgamentos conceituais. O que seria se as condi\u00e7\u00f5es que formam os julgamentos fossem modificadas? Metas, import\u00e2ncia afetiva, habitua\u00e7\u00e3o, espa\u00e7o e tempo, cultura, traumas e condi\u00e7\u00f5es adversas, ou seja, referenciais, perspectivas \u2013 a paisagem objetiva e subjetiva na qual nos posicionamos e de onde nos referenciamos para olhar o mundo que nos cerca.<br \/>\nComo este processo surge? De acordo com Jay Garfield, precisamos distinguir nossa experi\u00eancia comum de ser (self), sua causa fundamental, ou seja, as sensa\u00e7\u00f5es, pensamentos e conceitos que d\u00e3o surgimento a esta sensa\u00e7\u00e3o de <em>self, <\/em>o que concebemos que este <em>self<\/em> seja, ou seja, sua substancialidade ou concretitude, e o <em>self<\/em> visto como a pessoa existente de forma convencional, ou seja, a partir de conven\u00e7\u00f5es de rela\u00e7\u00e3o, interdependentes. A opera\u00e7\u00e3o b\u00e1sica para o nascimento da sensa\u00e7\u00e3o de \u2018ser\u2019 se d\u00e1 a partir da perda de vis\u00e3o (skt. vidya) de quem realmente somos al\u00e9m das objetivica\u00e7\u00e3o da dualidade entre sujeito observador e objeto observado. Desta cegueira se desenvolve a identifica\u00e7\u00e3o e o auto-centramento. Passamos a sentir o <em>self<\/em> como algo real, separado, permamente, o que cria uma tend\u00eancia a proteg\u00ea-lo. A mente passa a se atrair por tudo aquilo que d\u00e1 suporte \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de perman\u00eancia deste <em>self<\/em> e a rejeitar todo o resto que o amea\u00e7a. E, aquilo que n\u00e3o amea\u00e7a nem d\u00e1 suporta a mente t\u00eam a tend\u00eancia de simplesmente ignorar e se tornar neutra com respeito a ele.<\/p>\n<h4><b>Como este processo se relaciona com a camada da faculdade mental <em>manas<\/em>?<\/b><\/h4>\n<p>A partir desta identifica\u00e7\u00e3o de si (skt. ahamkara), surge um complexo de superioridade e inferioridade que s\u00e3o fundados na opera\u00e7\u00e3o \u2018imaginativa\u2019 e na \u2018conceitualiza\u00e7\u00e3o\u2019 mental da camada da faculdade mental <em>manas<\/em>. <em>Manas <\/em>prov\u00e9m da raiz s\u00e2nscrita <em>man<\/em> que significa imaginar, conceber, conceitualizar, compreender um signo a partir de um desejo por proemin\u00eancia auto-protetiva. Portanto, <em>manas <\/em>\u00e9 descrito como <em>cittassa uppati<\/em>, que significa a \u2018proemin\u00eancia da mente\u2019, quando se relaciona, se compara ou se concebe superior ou inferior na liga\u00e7\u00e3o com outrem. Desta forma, se desenvolve uma vis\u00e3o err\u00f4nea sobre si mesmo e sobre o si dos outros na rela\u00e7\u00e3o consigo. A mem\u00f3ria destes registros de si vai formando o reconhecimento de uma imagem de ser fixa, permanente, independente e existente <em>per se<\/em> \u2013 a vis\u00e3o de um <em>self <\/em>inerente (skt. atma dristi) como uma entidade concreta. Disto surgir\u00e1 o orgulho desequilibrado (skt. atimana), auto-piedade (unamana), a inveja, apego, raiva e uma variedade de outros estados mentais n\u00e3o-saud\u00e1veis. J\u00e1 a redu\u00e7\u00e3o, desedentifica\u00e7\u00e3o e ilumina\u00e7\u00e3o deste processo resultar\u00e1 em estados mentais saud\u00e1veis, construtivos e ben\u00e9ficos para si e para os outros.<br \/>\nPortanto, precisamos distinguir nossa mera sensa\u00e7\u00e3o (skt. vedana) de ser, de existir, do dia-a-dia da ideia ou concep\u00e7\u00e3o (skt. samjna) que concebemos sobre este si. Temos que discriminar a exist\u00eancia real das bases pelas quais designamos si pr\u00f3prios \u2013 nossa forma, sensa\u00e7\u00f5es, percep\u00e7\u00f5es, forma\u00e7\u00f5es mentais e consci\u00eancias sensoriais, da convencionalidade deste <em>self, <\/em>de sua funcionalidade convencional em um mundo m\u00e1gico de ilus\u00f5es.<\/p>\n<h4><strong>Bibliografia:<\/strong><\/h4>\n<p>&nbsp;<br \/>\nVasubhandu. Abhidharmakosabhasya. Berkeley: Asian Humanities Press, 1988-1990.<br \/>\nAsanga. Abhidharmakosasamuccaya: The Compendium of the Higher Teaching by Asanga. Berkeley: Asian Humanities Press, 2001.<br \/>\nTshering, Geshe Tashi. Buddhist Psychology: The Foundation of Buddhis Thought, Volume 3. Boston: Wisdom Publications, 2006.<br \/>\nEngle, Artemus B. &amp; Sthirimati. The Inner Science of Buddhist Practice: Vasubandhu\u2019s Summary of the five heaps with commentary by Sthirimati. New York: Snow Lion Publication, 2009<br \/>\nMind &amp; Life Conference XXX: Perception, Conception and Self \u2013 Contemporary Scientific and Buddhist Perspectives.<br \/>\nYoutube Video Recording: https:\/\/youtu.be\/khGQCf_hgWw<br \/>\nKornfield, Jack. Psicologia do Amor: Ensinamentos Universais para a busca da verdadeira felicidade. S\u00e3o Paulo: Cultrix, 2011.<br \/>\nHanh, Nhat Thich. Corpo e Mente em Harmonia: Andando rumo a ilumina\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Vozes, 2012.<br \/>\nTrungpa, Chogyam. Muito Al\u00e9m do Div\u00e3 Ocidental: Uma abordagem budista da psicologia. S\u00e3o Paulo: Cultrix, 2008.<br \/>\nWilber, Ken. O Espectro da Consci\u00eancia. S\u00e3o Paulo: Cultrix, 2007.<br \/>\nHanson, Rick. O C\u00e9rebro e a Felicidade: Como treinar sua mente para atrair serenidade, amor e autoconfian\u00e7a. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2015.<br \/>\nWallace, B. Alan. Ci\u00eancia Contemplativa: onde o budismo e a neuroci\u00eancia se encontram. S\u00e3o Paulo: Cultrix, 2009.<\/p>\n<h4><strong>Notas:<\/strong><\/h4>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> <a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/www.saigon.com\/%7Eanson\/ebud\/ebdha227.htm\">http:\/\/www.saigon.com\/~anson\/ebud\/ebdha227.htm<\/a><br \/>\n<a style=\"background-color: #ffffff; color: #000000;\" href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> Em tibetano \u2018dus shes skye mched snyoms \u2018jug bzhi.<br \/>\n<a style=\"background-color: #ffffff; color: #000000;\" href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> Thubten Jinpa, na confer\u00eancia Mind &amp; Life XXX, explica que fatores mentais dizem respeito a v\u00e1rias modalidades pelas quais experienciamos o mundo.<br \/>\n<a style=\"background-color: #ffffff; color: #000000;\" href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a> PERCEP\u00c7\u00c3O, Thubten Jinpa, na confer\u00eancia Mind &amp; Life XXX diz: \u201c\u00c9 importante ressaltar tamb\u00e9m que o termo percep\u00e7\u00e3o parece ter um campo sem\u00e2ntico distinto entre a forma como \u00e9 usada pela ci\u00eancia ocidental e pelos fil\u00f3sofos e contemplativos budistas. Quando se diz constru\u00e7\u00e3o mental, de acordo com os contemplativos budistas, pode haver um n\u00edvel de constru\u00e7\u00e3o puramente perceptual onde, por exemplo, o fil\u00f3sofo contemplativo indiano Dharmakirti trouxe a concep\u00e7\u00e3o do que ele chamou de <em>akar<\/em> \u2013 a imagem de respectivo fen\u00f4meno -, que seria um construto mental mas n\u00e3o uma elabora\u00e7\u00e3o mental constituida de envolvimento com o pensamento. Portanto, at\u00e9 o termo construto ou constru\u00e7\u00e3o mental na teoria da percep\u00e7\u00e3o pode se tornar problem\u00e1tico quando equacionamos duas tradi\u00e7\u00f5es distintas de pensamento que usam recursos e treinamentos diferentes para contemplar tal quest\u00e3o.\u201d S.S. Dalai Lama aprofunda o tema dizendo, \u201cmesmo na tradi\u00e7\u00e3o budista quando nos referimos a percep\u00e7\u00e3o, mas especificamente a percep\u00e7\u00e3o direta (skt. pratyaksha, tib. mngon sum) \u00e9 usado de uma forma diferenciada, por exemplo, de um lado na escola de pensamento de Dharmakirti e de outro entre os pensadores madhyamaka. Ou seja, mesmo na tradi\u00e7\u00e3o budista encontramos um mesmo termo\u00a0 usado de forma diferente em distintos contextos.\u201d De acordo com Thubten Jinpa, a percep\u00e7\u00e3o pode tamb\u00e9m ser traduzida como \u2018discrimina\u00e7\u00e3o\u2019 que se refere a habilidade de reconhecer algo. Ressalta, tamb\u00e9m, que tal discrimina\u00e7\u00e3o (skt. samjna) de acordo com a antiga tradi\u00e7\u00e3o do abhidharma \u00e9 entendida atrav\u00e9s de um processo causal que surge a partir de tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es \u2013 objeto externo (o est\u00edmulo ou condi\u00e7\u00e3o objetiva), a faculdade sensorial (o org\u00e3o sensorial ou condi\u00e7\u00e3o empoderadora) e a consci\u00eancia (a condi\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia pr\u00e9via). John Dunne, por sua vez, opta por traduzir <em>samjna<\/em> como \u2018sele\u00e7\u00e3o\u2019 (selection) das caracter\u00edsticas ou marcas (tib. mtshan ma) do objeto apreendido (tib. \u2018dzin pa), ou seja, \u2018aquilo que apreende marcas\u2019 (mtshan mar \u2018dzin pa). Adiciona que no n\u00edvel perceptual sensorial poderia se referir a uma \u2018detec\u00e7\u00e3o delineadora\u2019 (edje detection como nomeada nos estudos contempor\u00e2neos das ci\u00eancias cognitivas. Ressalta que o que a sele\u00e7\u00e3o <em>samjna<\/em> desempenha pode tanto envolver conceitualiza\u00e7\u00e3o como n\u00e3o-conceitualiza\u00e7\u00e3o como no caso da mera detec\u00e7\u00e3o delineadora de um objeto visual onde ocorre a sele\u00e7\u00e3o mas n\u00e3o compreende sua repetividade. Portanto, o que distingue samjna de ser conceitual ou n\u00e3o-conceitual \u00e9 sua capacidade de repetividade conceitual generalizadora. Esta repetividade \u00e9 explicada pela afirma\u00e7\u00e3o de que uma entidade \u00fanica \u00e9, por exemplo, a qualidade de pote, esteja presente em todas as coisas que nomeamos pote. E esta entidade, no caso a qualidade de pote, \u00e9 chamada de \u2018universal\u2019 (ou generaliza\u00e7\u00e3o, skt. samanya) e as individualidades que pertencem a ele s\u00e3o chamados de \u2018particularidades\u2019 (ou individualiza\u00e7\u00e3o, skt. svalakshana). E como esta discrimina\u00e7\u00e3o seletiva conceitual (skt. samjna) acontece? Acontece atrav\u00e9s de um processo de exclus\u00e3o (skt. apoha) das caracter\u00edsticas particulares de um determinado objeto e de sua inclus\u00e3o em uma categoria topol\u00f3gica que abrange tudo aquilo que carrega um potencial causal de produzir o mesmo resultado ou efeito. Isso \u00e9 o que chamamos de uma cogni\u00e7\u00e3o conceitual formada atrav\u00e9s de um processo de exclus\u00e3o que, por natureza, \u00e9 uma imagem distorcida do que cada objeto em particular realmente \u00e9 em suas caracer\u00edsticas individuais. Ainda que na condi\u00e7\u00e3o de uma distor\u00e7\u00e3o da realidade \u00e9 capaz de realizar uma determinada fun\u00e7\u00e3o (tib. mngos po). Este processo de estabelecer algo a partir da exclus\u00e3o \u00e9 orientado atrav\u00e9s de um prop\u00f3sito \u2013 obter algo ou evitar algo -.<br \/>\n<a style=\"background-color: #ffffff; color: #000000;\" href=\"#_ftnref5\">[5]<\/a> CONCEITO\/CONCEITUALIZA\u00c7\u00c3O, S.S. Dalai Lama na confer\u00eancia Mind &amp; Life XXX pergunta ao tradutor Thubten Jinpa se o termo \u2018conceito\u2019 (concept em ingl\u00eas) seria o que \u00e9 nomeado em tibetano como<em> rtog pa (conceitualiza\u00e7\u00e3o). Thubten Jinpa esclarece da seguinte forma<\/em>: \u2018concept\u2019 aqui<em> \u00e9 a imagem [mental] gen\u00e9rica (don spyi) que aparece (shar ba) na [faculdade mental da] compreens\u00e3o generalizada rtog pa la shar ba don spyi. <\/em>\u00c9 esta imagem gen\u00e9rica conceitualizada que esta se referindo pelo termo \u2018conceito\u2019 (concept em ingl\u00eas). Conceitual\/conceitualiza\u00e7\u00e3o (conceptual) seria <em>rtog par byed [em tibetano<\/em>] j\u00e1 o conceito, novamente, \u00e9 a imagem [mental] gen\u00e9rica (don spyi) que \u00e9 distinguida (shar ba) na [faculdade menta da] compreens\u00e3o generalizada do pensamento (rtog pa).<em> (01:09.35 sec).<\/em> Clarificando ainda mais, uma mente deludida aprende o objeto de fato atrav\u00e9s da percep\u00e7\u00e3o direta pelos sentidos mas ent\u00e3o cria uma imagem conceitual do objeto que depois ser\u00e1 substitu\u00edda pelo objeto em si. Esta imagem conceitualizada \u00e9 meramente uma estrutura gen\u00e9rica produzida na mente conceitual com o prop\u00f3sito de ter um referencial (tib. dmigs pa) para o processo de designa\u00e7\u00e3o\/rotula\u00e7\u00e3o da mente conceitual. Associado a imagem [mental] gen\u00e9rica (tib. don spyi) a mente conceitual atribui um nome gen\u00e9rico (tib. sgra spyi) que surge na mente conceitual quando a imagem mental gen\u00e9rica (don spyi) v\u00eam a mente. Por exemplo, quando a mente conceitual pensa sobre a imagem gen\u00e9rica \u2018flor\u2019 o nome (tib. ming) \u2018flor\u2019 v\u00eam a mente. (Illuminator Dictionary). John Dunne, na mesma confer\u00eancia Mind &amp; Life XXX traduz o termo conceitualidade como rtog \u2018jug gyi blo, ou seja, a mente racional engajada em conceitualiza\u00e7\u00e3o ou o engajamento conceitual da racionalidade. J\u00e1 para o termo conceito se refere ao tibetano rnam rtog, ou seja, uma conceitualiza\u00e7\u00e3o aparente. Como \u00e9 definido conceito na tradi\u00e7\u00e3o de Dharmakirti? Conceito \u00e9 uma cogni\u00e7\u00e3o racional (tib. blo) onde a forma do objeto (tib. zung snang) pode ser associada com a linguagem. Conceito, tamb\u00e9m, envolve a repetitividade, ou seja, condi\u00e7\u00e3o de poder ser repetido a partir da mem\u00f3ria de uma experi\u00eancia passada sobre o mesmo objeto. Ou seja, a percep\u00e7\u00e3o do objeto ativa a impress\u00e3o pr\u00e9via deixada por uma experi\u00eancia passada deste mesmo objeto.<br \/>\n<a style=\"background-color: #ffffff; color: #000000;\" href=\"#_ftnref6\">[6]<\/a> PERCEP\u00c7\u00c3O DIRETA, Thubten Jinpa, na confer\u00eancia Mind &amp; Life XXX.<br \/>\n<a style=\"background-color: #ffffff; color: #000000;\" href=\"#_ftnref7\">[7]<\/a> SELF, Jay Garfield, confer\u00eancia Mind &amp; Life XXX, ressalta que \u201cse n\u00e3o soubermos distinguir entre 1. A experi\u00eancia do <em>self<\/em>; 2. sua causa fundamental, ou seja, sensa\u00e7\u00f5es, pensamentos e conceitos que d\u00e3o surgimento ao <em>self<\/em>; 3. O que concebemos como sendo este <em>self<\/em>, a substancialidade que nos agarramos como sendo este <em>sefl<\/em> e; 4. <em>o self<\/em> como sendo a pessoa existente convencionalmente que acrediatamos seriamente ser. Portanto, se n\u00e3o formos cuidadosos em distinguir a experi\u00eancia do <em>self<\/em> em si das causas fundamentais deste <em>self, <\/em>do <em>self <\/em>que postulamos e da pessoa que somos, entramos em uma tremenda confus\u00e3o. Portanto, quando levantamos a quest\u00e3o cient\u00edfica sobre o que \u00e9 o <em>self<\/em>, estamos falando sobre o <em>self<\/em> em si ou sobre a experi\u00eancia do <em>self, estamos falando sobre a pessoa convencional ou sobre as bases de designa\u00e7\u00e3o. Algumas vezes, por exemplo, os neurocientistas est\u00e3o se referindo sobre um ou outro entre estes. Pessoalmente, acredito que nunca poderemos falar realmente sobre o self<\/em> em si porque n\u00e3o acredito que o <em>self<\/em> exista de fato. No entanto, os cientistas tem muito a nos dizer sobre os processos que nos levam a postular tal <em>self<\/em>, mesmo atrav\u00e9s da ilus\u00e3o, e tamb\u00e9m tem a nos dizer sobre os processos que subjazem a constru\u00e7\u00e3o da pessoa convencional.\u201d Tamb\u00e9m, estabelece que sempre que falar da pessoa convencional usar\u00e1 o termo tibetano gang zag, e quando se referir ao <em>self<\/em> substancial usar\u00e1 o termo tibetano bdag que \u00e9 postulado e \u00e9 o objeto de nega\u00e7\u00e3o, seguindo o uso terminol\u00f3gico de Chandrakirti.<br \/>\n<a style=\"background-color: #ffffff; color: #000000;\" href=\"#_ftnref8\">[8]<\/a> D.T. Susuki, Studies in the Lankavatara Sutra (Londres: Routledge and Kegan Paul, 1968), p\u00e1g. 175.<br \/>\n<a style=\"background-color: #ffffff; color: #000000;\" href=\"#_ftnref9\">[9]<\/a> Ibid., p\u00e1g. 191-192.<br \/>\n[i] As datas nessa se\u00e7\u00e3o s\u00e3o aproximadas.<br \/>\n[ii] Scott W. Emmons, \u201cThe Mood of a Worm\u201d, Science 338 (2012): 475-476.<br \/>\n[iii] Elizabeth Pennisi, \u201cNervous System May Have Evolved Twice\u201d, Science 339 (2013): 391.<br \/>\n[iv] Existe certa discord\u00e2ncia entre os acad\u00eamicos a respeito dessa data\u00e7\u00e3o, dependendo do modo como mam\u00edferos e primatas s\u00e3o classificados.<br \/>\n[v] Shannon McPherron et al, \u201cEvidence for Stone-Tool Assisted Consumption of Animal Tissues Before 3.39 Million Years Ago at Dikika, Ethiopia\u201d, <em>Nature<\/em> 446 (2010): 857-860; Semaw et al., \u201c2.5-Million-Year-Old Stone Tools from Gona, Ethiopia\u201d, <em>Nature<\/em> 385 (1997): 333-336.<br \/>\n[vi] Michael Balter, \u201cNew Light on Revolutions That Weren\u2019t, Science 336 (2012): 530-561.<br \/>\n[vii] Esse \u00e9 um assunto vasto. Para uma amostra das pesquisas que servem de base a ele, ver Pierre-Yves Placais e Thomas Preat, \u201cTo Favor Survival Under Food Shortage, the Brain Disables Costly Memory\u201d, <em>Science<\/em> 339 (2013): 440-442; Linda Palmer e Gary Lynch, \u201cA Kantian View of Space\u201d, <em>Science<\/em> 328 (2010): 1487-1488; Tobias Esch e George B. Stefano, \u201cThe Neurobiology of Stress Management\u201d, <em>Neuroendocrinology Letters <\/em>31, No. 1 (2010): 19-39.<br \/>\n[viii] Pontus Skoglund et al., \u201cOrigins and Genetic Legacy of Neolithic Farmers and Hunter-Gatherers in Europe\u201d, <em>Science<\/em> 336 (2012): 466-469.<br \/>\n[ix] Jung-Kyoo Choi e Samuel Bowles, \u201cThe Coevolution of Parochial Altruism and War\u201d, <em>Science<\/em> 318 (2007): 636-640.<br \/>\n[x] O t\u00edtulo desa se\u00e7\u00e3o foi extra\u00eddo do ensaio \u201cBad Is Stronger Than Good\u201d, de Roy Baumeister et al., <em>Review<\/em> of General Psychology 5 (2001): 323-370.<br \/>\n[xi] Eldad Yechiam e Guy Hochman, \u201cLosses as Modulators of Attention: Review and Analysis of the Unique Effects of Losses Over Gains\u201d, <em>Psychological Bulletin 139<\/em>, No. 2 (2013): 497-518.<br \/>\n[xii] Baumeister et al., \u201cBad Is Stronger Than Good\u201d; Rozyn e Royzman, \u201cNegativity Bias\u201d.<br \/>\n[xiii] J. S. Morris et al., \u201cA Differential Neural Response in the Human Amygdala to Fearful and Happy Facial Expressions\u201d, <em>Nature<\/em> 383 (1996): 812-815.<br \/>\n[xiv] J. S. Morris et al., \u201cConscious and Unconscious Emotional Learning in the Human to Fearful and Happy Facial Expressions\u201d, <em>Nature <\/em>283 (1996): 812-815.<br \/>\n[xv] J.S. Morris et al., \u201cConscious and Unconscious Emotional Learning in the Human Amygdala\u201d,\u00a0 <em>Nature<\/em> 393 (1998): 467-470.<br \/>\n[xvi] Daniel Kahneman e Amos Tversky, \u201cProspect Theory: an Analysis of Decision Under Risk\u201d, Econometria 47, No. 2 (1979): 163-292; Yechiam e Hochman, \u201cLosses as Modulators of Attention\u201d.<br \/>\n[xvii] John Gottman, <em>Why Marriages Succeed or Fail: and How You Can Make Yours Last <\/em>(Nova York: Simon &amp; Schuster, 1995).<br \/>\n[xviii] Fredrikson, <em>Positivity.<br \/>\n<\/em><i><br \/>\n<\/i>[xix] Rozin e Royzman, \u201cNegativity Bias\u201d.<br \/>\n[xx] Baumeister et al., \u201cBad Is Stronger Than Good\u201d.<br \/>\n[xxi] Chunningham e Brosh, \u201cMotivational Salience\u201d; Israel Liberzon et al., \u201cExtended Amygdala and Emotional Salience: A PET Activation Study of Positive and Negative Affect\u201d, <em>Neuropsychopharmacology<\/em> 28, No. 4 (2003): 726-733; Stephan B. Hamann et al., \u201cEcstasy and Agony: Activation of the Human Amygdala in Positive and Negative Emotion\u201d, <em>Psychological Science <\/em>13, No. 2 (2002): 135-141; Hugh Garavan et al., \u201cAmygdala Response to Both Positively and Negatively Valenced Stimuli\u201d, <em>Neuroreport <\/em>12, No. 12 (2001): 2779-2783.<br \/>\n[xxii] Cunningham et al., \u201cNeural Correlates of Evaluation Associated with Promotion and Prevention Regulatory Focus\u201d, <em>Cognitive, Affective, and Beharioral Neuroscience <\/em>5, No. 2 (2005): 202-211; Andrew J. Calder et al., \u201cNeuropsychology of Fear and Loathing\u201d, <em>Nature<\/em> 2 (2001): 353-363.<br \/>\n[xxiii] Hugo D. Critcley, \u201cNeural Mechanisms of Autonomic, Affective, and Cognitive Integration\u201d, <em>Journal of Comparative Neurology <\/em>493 (2005): 154-166.<br \/>\n[xiv] Guestavo Morrone Parfitt et al., \u201cModerate Stress Enhances Memory Persistence: Are Adrenergic Mechanisms Involved?\u201d, <em>Behavioral Neuroscience 126, <\/em>No. 5 (2012): 729-730.<br \/>\n[xv] E. D. Kirby et al., \u201cBasolateral Amygdala Regulation of Adult Hippocampal Neurogenesis and Fear-Related Activation of Newborn Neurons\u201d, <em>Molecular Psychiatry<\/em> 17 (2012): 527-536.<br \/>\n[xvi] Bruce McEwen e Peter Gianaros, \u201cStress- and Allostasis-Induced Brain Plasticity\u201d, <em>Annual Review of Medicine<\/em> 62 (2011): 431-435.<br \/>\n[xvii] McEwen e Gianaros, \u201cStress- and Allostasis-Induced Brain Plasticity\u201d; Poul Videbech e Barbara Ravnkilde, \u201cHippocampal Volume and Depression: a Meta-Analysis of MRI Studies\u201d, <em>American Journal of Psychiatry <\/em>161, No. 11 (2004): 1957-1966; Stephanie Campbell et al., \u201cLower Hippocampal Volume in Patients Suffering from Depression: a Meta-Analysis\u201d, <em>American Journal of Psychiatry <\/em>161, No. 4 (2001): 598-607.<br \/>\n[xviii] McEwen e Gianaros, \u201cStress- and Allostasis-Induced Brain Plasticity\u201d.<br \/>\n[xxix] Tali Sharot, <em>The Optimism Bias: Tour of the Irrationally Positive Brain <\/em>(Nova York: Vintage, 2011).<br \/>\n[xxx] Deborah Kermer et al., \u201cLoss Aversion Is an Affective Forecasting Error\u201d, <em>Psychological Science<\/em> 17, No. 8 (2006): 649-653; Baumeister et al., \u201cBad Is Stronger Than Good\u201d; Rozin e Royzman, \u201cNegativity Bias\u201d.<br \/>\n[xxxi] Nadine Gogolla et al., \u201cPerineuronal Nets Protect Fear Memories from Erasure\u201d, <em>Science <\/em>325 (2009): 1258-1261.<br \/>\n[xxxii] Daniel L. Schachter, <em>The Seven Sins of Memory<\/em>: How the Mind Forgets and Remembers (Nova York: Houghton Mifflin Harcourt Books, 2002).<br \/>\n[xxxiii] As for\u00e7as interiores, bem como os sentimentos de imperfei\u00e7\u00e3o etc., que n\u00e3o se baseiam no aprendizado e na mem\u00f3ria \u2013 em outras palavras, que n\u00e3o s\u00e3o <em>adquiridos<\/em> \u2013 baseiam-se em caracter\u00edsticas e tend\u00eancias <em>inatas<\/em> determinadas geneticamente.<br \/>\n[xxxiv] Para as fontes das afirma\u00e7\u00f5es feitas nesse par\u00e1grafo, ver Baumeister et al., \u201cBad Is Stronger Than Good\u201d; Rozin e Royzman, \u201cNegativity Bias\u201d.<br \/>\n[xxxv] Seligman, <em>Learned Optimism<\/em>.<br \/>\n[xxxvi] Seligman, <em>Learned Optimism<\/em>.<br \/>\n[xxxvii] Algumas terapias representam exce\u00e7\u00f5es dignas de nota. Entre elas a terapia de foco (Eugene T. Gendlin, <em>Focusing<\/em> [Nova York: Random House, 1982]), EMDR [sigla em ingl\u00eas para Dessemsibiliza\u00e7\u00e3o e Reprocessamento por Movimentos Oculares] (Deborah L. Korn e Andrew M. Leeds, \u201cPreliminary Evidence of Efficacy for EMDR Resource Development and Installation in the Stabilization Phase of Treatment of Complex Posttraumatic Stress Disorder\u201d, <em>Journal of Clinical Psychology <\/em>58, No. 12 [2002]: 1465-1487); terapia de coer\u00eancia (Toomey e Ecker, \u201cCompeting Visions\u201d; Ecker e Toomey, \u201cDepotentiation of Symptom-Producing Implicit Memory in Coherence Therapy\u201d); e o broad minded affective coping [tratamento emocional responsivo] (Nicholas Terrier, \u201cBroad Minded Affective Coping [BMAC]: a \u2018Positive\u2019 CBT Approach to Facilitating Positive Emotions\u201d, <em>International Journal<\/em> <em>of Cognitive Therapy <\/em>31, No. 1 [2010]: 65-78.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um modelo epistemol\u00f3gico da consci\u00eancia e da estrutura\u00e7\u00e3o do self de acordo com o Budismo. 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