{"id":8136,"date":"2020-03-27T04:43:00","date_gmt":"2020-03-27T04:43:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/se-mindfulness-tivesse-outro-nome\/"},"modified":"2020-03-27T04:43:00","modified_gmt":"2020-03-27T04:43:00","slug":"se-mindfulness-tivesse-outro-nome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/se-mindfulness-tivesse-outro-nome\/","title":{"rendered":"SE MINDFULNESS TIVESSE OUTRO NOME &#8211; Paul Grossman &#038; Nicholas T. Van Dam"},"content":{"rendered":"<p><h5><p style=\"text-align: justify;\"><strong>SE\u00a0<em>MINDFULNESS<\/em>\u00a0TIVESSE OUTRO NOME: DIFICULDADES E DESAFIOS DE\u00a0<em>SATI<\/em>\u00a0NA PSICOLOGIA E CI\u00caNCIA OCIDENTAIS Paul Grossman &amp;\u00a0Nicholas T. Van Dam<\/strong><\/h5><\/p>\n<p><!-- \/wp:post-content -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resumo.\u00a0<\/strong><\/br>O constructo budista \u201c<em>mindfulness<\/em>\u201d \u00e9 um elemento central das interven\u00e7\u00f5es baseadas em\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0e \u00e9 derivado de um programa fenomenol\u00f3gico sistem\u00e1tico desenvolvido no decorrer de mil\u00eanios para a investiga\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia subjetiva. O entusiasmo pela \u201c<em>mindfulness<\/em>\u201d na psicologia e ci\u00eancia ocidentais resultou em uma prolifera\u00e7\u00e3o de defini\u00e7\u00f5es, operacionaliza\u00e7\u00f5es e relat\u00f3rios de experi\u00eancia que pretendem mensurar a consci\u00eancia em\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0como uma esp\u00e9cie de caracter\u00edstica ou qualidade mensur\u00e1vel. Este artigo apresenta um n\u00famero de quest\u00f5es aparentemente intrat\u00e1veis concernentes \u00e0s tentativas de caracterizar\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0e tamb\u00e9m destaca um n\u00famero de vulnerabilidades neste campo que podem levar a uma desnaturaliza\u00e7\u00e3o, distor\u00e7\u00e3o, dilui\u00e7\u00e3o ou reifica\u00e7\u00e3o dos constructos budistas relacionados \u00e0\u00a0<em>mindfulness<\/em>. O enriquecimento dos paradigmas psicol\u00f3gicos positivistas ocidentais a partir da complexa e detalhada fenomenologia budista da mente pode exigir mais estudo e pr\u00e1tica direta de medita\u00e7\u00e3o de discernimento a longo prazo do que tem sido a regra entre psic\u00f3logos e outros cientistas. Tal abordagem seria um pr\u00e9-requisito necess\u00e1rio para as tentativas de caracterizar e quantificar\u00a0<em>mindfulness<\/em>.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:heading --><\/p>\n<h4><p style=\"text-align: justify;\"><strong>Definindo\u00a0<em>mindfulness<\/em><\/strong><\/h4>\n<h5><strong><p style=\"text-align: justify;\">Panorama inicial<\/strong><\/em><\/h3>\n<p><!-- \/wp:heading -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\"><em>Mindfulness<\/em> \u00e9 o \u201ccora\u00e7\u00e3o\u201d dos ensinamentos do Buda (Hanh, 1998) e \u00e9 a ess\u00eancia de uma classe de interven\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas destinadas a aliviar formas comuns de sofrimento \u2013 Interven\u00e7\u00f5es Baseadas em\u00a0<em>Mindfulness<\/em>\u00a0[<em>Mindfulness<\/em><em>-Based Interventions<\/em>; MBIs] (originalmente, Redu\u00e7\u00e3o de Estresse Baseado em\u00a0<em>Mindfulness<\/em>\u00a0[<em>Mindfulness<\/em><em>-based Stress Reduction<\/em>; MBSR], Kabat-Zinn, 1990; depois Terapia Cognitiva Baseada em\u00a0<em>Mindfulness<\/em>\u00a0[<em>Mindfulness<\/em><em>-based Cognitive Therapy<\/em>; MBCT], Segal, Williams e Teasdale, 2002; e outros programas relacionados). Entre estudiosos budistas e cientistas ocidentais, tanto separadamente quanto entre si, n\u00e3o h\u00e1 um acordo pac\u00edfico quanto \u00e0 defini\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0(Baer, 2011; Dreyfus, 2008; Gethin, 1998; Grossman, 2008). No entanto, existe um terreno comum de compreens\u00e3o entre os estudiosos budistas, ainda que algumas interpreta\u00e7\u00f5es e descri\u00e7\u00f5es de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0variem quanto \u00e0 \u00eanfase. Algumas, por exemplo, destacam os aspectos da aten\u00e7\u00e3o, conquanto outras reconhe\u00e7am de maneira mais expl\u00edcita a inter-rela\u00e7\u00e3o complexa e din\u00e2mica entre in\u00fameros fatores, incluindo aspectos cognitivos, emocionais, sociais e \u00e9ticos.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Mindfulness<\/em>\u00a0dentro da psicologia budista \u00e9 geralmente compreendida como um reflexo do constructo budista. No entanto, as defini\u00e7\u00f5es do termo variam bastante, passando de uma simples t\u00e9cnica ou experi\u00eancia terap\u00eautica (Hayes e Plumb, 2007) at\u00e9 uma atividade multifacetada, que requer pr\u00e1tica e refino (Grossman, 2010). Certamente, uma defini\u00e7\u00e3o mais elaborada parece ter maior amparo de textos contemplativos (Dreyfus, 2008), explica\u00e7\u00f5es modernas sobre a consci\u00eancia (Thompson, 2007) e sobre o funcionamento do sistema nervoso (Thompson e Varela, 2001; Varela\u00a0<em>et al.,<\/em>\u00a01991).<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a abordagem \u00e9 uma de integra\u00e7\u00e3o das ra\u00edzes tradicionais com as teorias modernas sobre a consci\u00eancia e o funcionamento psicol\u00f3gico,\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0tamb\u00e9m \u00e9 promovida no Ocidente como parte de um contexto mais amplo de pr\u00e1ticas, parte de um caminho transicional separado dos modos ordin\u00e1rios de opera\u00e7\u00e3o cotidiana (Grossman, 2010; Hanh, 1998; Kabat-Zinn, 2005). \u00c9 dentro desse contexto do caminho transicional, no qual est\u00e3o inclu\u00eddas dimens\u00f5es afetivas, comportamentais, cognitivas, \u00e9ticas, sociais, dentre outras, que se cr\u00ea que a\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0contribui para a promo\u00e7\u00e3o do bem-estar e diminui\u00e7\u00e3o do sofrimento. Dada essa complexidade contextual, pode ser dif\u00edcil, se n\u00e3o imposs\u00edvel, separar\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0de outros componentes que se entrela\u00e7am no tecido deste caminho transicional. M\u00e9todos cient\u00edficos convencionais podem n\u00e3o oferecer uma explora\u00e7\u00e3o refinada o suficiente da\u00a0<em>mindfulness<\/em>. Conforme Christopher e Gilbert (2007) constataram, com base nos escritos do professor e monge Tailand\u00eas Buddhadasa Bhikkhu (1988), \u201ca psicologia ocidental entende que os seus constructos devem ser explicados e operacionalizados para serem determinados corretamente. No entanto, a maior parte das tradi\u00e7\u00f5es Budistas prev\u00ea que\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0n\u00e3o pode ser facilmente extra\u00edda e analisada de forma isolada de conceitos inerentemente interligados a ela\u201d. Se isso for verdade, os cientistas precisam abra\u00e7ar novas abordagens para o estudo de\u00a0<em>mindfulness<\/em>, e modelos aditivos lineares que apenas fazem somar marcadores putativos relacionados \u00e0\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0n\u00e3o ser\u00e3o suficientes. Portanto, tentativas de delinear componentes discretos da\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0(por exemplo, ver o modelo de fator triplo de Buchheld, Grossman e Walach, 2001; ou o modelo de cinco facetas de Baer\u00a0<em>et al<\/em>., 2006) provavelmente n\u00e3o conseguir\u00e3o capturar as inter-rela\u00e7\u00f5es inerentes mencionadas por Christopher e Gilbert (2007), entendidas como sinerg\u00e9ticas e refor\u00e7adas mutuamente uma pela outra.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s examinaremos aqui algumas vertentes vigentes de pesquisa emp\u00edrica em\u00a0<em>mindfulness<\/em>, limitando nossa discuss\u00e3o a algumas quest\u00f5es pontuais, mas, da nossa perspectiva, absolutamente cruciais. S\u00e3o elas: (1) Como psic\u00f3logos e outros cientistas atualmente caracterizam\u00a0<em>mindfulness<\/em>? (2) Estas caracteriza\u00e7\u00f5es s\u00e3o compat\u00edveis com os ensinamentos budistas originais sobre\u00a0<em>mindfulness<\/em>? (3) As caracteriza\u00e7\u00f5es cient\u00edficas de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0atendem o padr\u00e3o emp\u00edrico da metodologia cient\u00edfica contempor\u00e2nea?<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:heading {\"level\":4} --><\/p>\n<h4><p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Denota\u00e7\u00f5es e conota\u00e7\u00f5es de mindfulness<\/strong><\/em><\/h4>\n<p><!-- \/wp:heading -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>Mindfulness<\/em>\u201d \u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o do termo p\u00e1li\u00a0<em>sati<\/em>, que contempla semanticamente o conceito \u201clembrar\u201d, possivelmente no sentido de \u201clembrar de\u201d, \u201cmanter a aten\u00e7\u00e3o\u201d (Batchelor, 1997). O termo\u00a0<em>sati<\/em>, talvez, seja mais bem traduzido como \u201cmanter aten\u00e7\u00e3o\u201d, em contraste com o uso da palavra \u201c<em>mindfulness<\/em>\u201d que, claro, \u00e9 um substantivo e pode facilmente sugerir uma caracter\u00edstica fixa. Por mais simples que essa distin\u00e7\u00e3o possa parecer, ela pode ter implica\u00e7\u00f5es substanciais para as conceitua\u00e7\u00f5es do termo\u00a0<em>mindfulness<\/em>.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os textos budistas se referem \u00e0\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0n\u00e3o como uma caracter\u00edstica ou fun\u00e7\u00e3o mental (ver as primeiras tradu\u00e7\u00f5es de textos: Bodhi, 2000; Nanamoli e Bodhi, 2001), mas como uma pr\u00e1tica ou processo envolvendo pelo menos quatro fases distintas, como mencionado no\u00a0<em>Satipatthana Sutta\u00a0<\/em>(um dos discursos budistas mais antigos sobre\u00a0<em>mindfulness<\/em>), transitando de aten\u00e7\u00e3o plena (<em>mindfulness<\/em>) diante das sensa\u00e7\u00f5es corporais at\u00e9 a consci\u00eancia de conte\u00fados mentais e processos mais amplos, como das emo\u00e7\u00f5es e da vis\u00e3o de si mesmo (Nanamoli e Bodhi, 2001). Ela contempla v\u00e1rios elementos: (1) consci\u00eancia deliberadamente aberta e receptiva \u00e0 experi\u00eancia percept\u00edvel de momento a momento; (2) um processo sustentado e apoiado em qualidades como gentileza, toler\u00e2ncia, paci\u00eancia e coragem (como fundamentos de uma postura de n\u00e3o julgamento e aceita\u00e7\u00e3o); (3) uma pr\u00e1tica de investiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o discursiva e n\u00e3o anal\u00edtica da experi\u00eancia; (4) uma consci\u00eancia notavelmente diferente dos modos de aten\u00e7\u00e3o cotidianos; e (5) em regra, a necessidade de pr\u00e1tica sistem\u00e1tica para o seu gradual refino (Bodhi, 1994; Hanh, 1998; Ireland, 1997; Kabat-Zinn, 2005; Nanamoli e Bodhi, 2000).<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tend\u00eancia vigente na psicologia ocidental, em contrapartida, \u00e9 definir e operacionalizar\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0como uma caracter\u00edstica relativamente est\u00e1vel de tal forma que n\u00e3o h\u00e1 grande considera\u00e7\u00e3o pelos aspectos contextuais e de desenvolvimento inerentes na formula\u00e7\u00e3o budista (por exemplo,\u00a0<em>Mindfulness<\/em><em>\u00a0Attention Awareness Scale\u00a0<\/em>[MAAS], Brown e Ryan, 2003). A gama de defini\u00e7\u00f5es e qualidades de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0varia extensamente de acordo com os diferentes question\u00e1rios, que tocam desde qu\u00e3o frequentemente os indiv\u00edduos\u00a0<em>pensam<\/em>\u00a0ter experimentado lapsos na aten\u00e7\u00e3o (Brown e Ryan, 2003) at\u00e9 o qu\u00e3o bem eles\u00a0<em>acreditam\u00a0<\/em>ser capazes de expressar a experi\u00eancia em palavras (subescala de \u201cdescri\u00e7\u00e3o\u201d do question\u00e1rio das Cinco Facetas de\u00a0<em>Mindfulness<\/em>\u00a0[<em>Five Facet Mindfulness Questionnaire<\/em>; FFMQ], Baer\u00a0<em>et al.,<\/em>\u00a02006), mas tamb\u00e9m incluindo autoavalia\u00e7\u00f5es de atitudes de n\u00e3o julgamento, abertura para a experi\u00eancia, aten\u00e7\u00e3o ao momento presente e identifica\u00e7\u00e3o pessoal com a experi\u00eancia presente (Invent\u00e1rio de\u00a0<em>Mindfulness<\/em>\u00a0de Freiburg [<em>Freiburg Mindfulness Inventory<\/em>; FMI], Buchheld, Grossman e Walach 2001; e FFMQ). Conforme notamos, a qualidade de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0na pesquisa psicol\u00f3gica veio a ser definida e associada com as\u00a0<em>descri\u00e7\u00f5es das pessoas sobre si mesmas,<\/em>\u00a0baseadas em respostas um tanto sucintas em question\u00e1rios de papel e l\u00e1pis. Isso parece problem\u00e1tico, uma vez que um substancial conjunto de evid\u00eancias indica que as percep\u00e7\u00f5es que as pessoas t\u00eam de seu pr\u00f3prio comportamento geralmente contrastam significativamente com as documenta\u00e7\u00f5es e registros objetivos de suas a\u00e7\u00f5es (ver Baumeister, Vohs e Funder, 2007), especialmente, arriscamos dizer, no caso de comportamentos entendidos como desej\u00e1veis.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, defini\u00e7\u00f5es de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0na psicologia acad\u00eamica atual, de um lado, apoiam-se frequentemente no relato pessoal de uma caracter\u00edstica supostamente est\u00e1vel ao inv\u00e9s de na evid\u00eancia concreta de engajamento na pr\u00e1tica de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0(ver Figura 1). Por outro lado, a\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0\u00e9 definida e operacionalizada de maneira divergente por diferentes grupos de investigadores, em regra, de acordo com as especializa\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas espec\u00edficas de cada autor (Grossman, 2008). Nossa leitura da literatura, ademais, nos leva a acreditar que os desenvolvedores dos question\u00e1rios de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0comumente sugerem que o seu question\u00e1rio \u00e9 que reflete a defini\u00e7\u00e3o budista de\u00a0<em>mindfulness<\/em>, ainda que em uma formata\u00e7\u00e3o Ocidental (FMI, Buchheld, Grossman e Walach, 2001;\u00a0<em>Kentucky Inventory of Mindfulness Skills<\/em>\u00a0[KIMS], Baer\u00a0<em>et al<\/em>., 2004; MAAS, Brown e Ryan, 2003). Cremos que os desenvolvedores destes invent\u00e1rios estabeleceram de forma insuficiente as distin\u00e7\u00f5es entre suas pr\u00f3prias caracteriza\u00e7\u00f5es de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0e as defini\u00e7\u00f5es gerais budistas. Mesmo quando s\u00e3o colocadas ressalvas acerca do tema nas publica\u00e7\u00f5es, elas s\u00e3o mencionadas apenas muito brevemente, o que pode contribuir para que elas sejam ignoradas por outros cientistas que depois venham a fazer uso desses question\u00e1rios.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estado da quest\u00e3o relativa \u00e0 mensura\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0tamb\u00e9m deve ser colocado no contexto geral das tend\u00eancias vigentes na pesquisa psicol\u00f3gica. Em anos recentes, os dados de question\u00e1rios se tornaram extremamente populares na pesquisa psicol\u00f3gica contempor\u00e2nea, talvez por serem r\u00e1pidos de manusear e f\u00e1ceis de obter. Baumeister\u00a0<em>et al<\/em>., (2007) nos mostra evid\u00eancias sugerindo que at\u00e9 80% das pesquisas mais recentes em psicologia social e de personalidade se apoiam em avalia\u00e7\u00f5es indiretas de comportamento. Essa inclina\u00e7\u00e3o por mensura\u00e7\u00e3o indireta tamb\u00e9m est\u00e1 claramente evidenciada nas investiga\u00e7\u00f5es sobre\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0(ver Figura 1) e pode ter s\u00e9rias consequ\u00eancias para o futuro da\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0na psicologia. Uma possibilidade \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o na qual um grande n\u00famero de pesquisadores individuais \u2013 n\u00e3o familiarizados com o conhecimento b\u00e1sico dos constructos budistas sobre\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0\u2013 fa\u00e7a uso de question\u00e1rios disparatados para \u201cmensurar\u201d\u00a0<em>mindfulness<\/em>, acreditando que seus resultados se aproximam do construto original de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0budista.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Figura 1 \u2013 Artigos publicado\/ano<\/strong><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00fameros de artigos publicados com cita\u00e7\u00f5es por ano referindo-se a estudos de valida\u00e7\u00e3o de tr\u00eas dos mais populares question\u00e1rios destinados a mensurar \u201c<em>mindfulness<\/em>\u201d:\u00a0<em>Kentucky Inventory of Mindfulness Skills\u00a0<\/em>(KIMS), e\u00a0<em>Five Facets of Mindfulness Questionnaire<\/em>\u00a0(FFMQ) (Baer et al. 2004, 2006);\u00a0<em>Mindfulness Attention Awareness Scale\u00a0<\/em>(MAAS) (Brown e Ryan, 2003). Um total de 350 estudos durante 2009 foram encontrados em websites indexadores de publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas (PubMed, eb of Science, Google Scholar).<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda outra quest\u00e3o potencialmente importante \u00e9 que alguns psic\u00f3logos t\u00eam promovido uma interpreta\u00e7\u00e3o altamente restrita de\u00a0<em>mindfulness<\/em>, limitando-a \u00e0 capacidade cognitiva de aten\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia (Hayes e Plumb, 2007). Um foco estreito em capacidades cognitivas espec\u00edficas, \u00e9 claro, limita o escopo da investiga\u00e7\u00e3o. De uma perspectiva budista tradicional, as no\u00e7\u00f5es de aten\u00e7\u00e3o (do p\u00e1li,\u00a0<em>manasikara<\/em>) e consci\u00eancia (do p\u00e1li,\u00a0<em>citta<\/em>) t\u00eam origens etimol\u00f3gicas distintas de\u00a0<em>sati<\/em>, ou\u00a0<em>mindfulness<\/em>. Na intepreta\u00e7\u00e3o budista, aten\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia s\u00e3o parte de qualquer estado mental discriminativo (Dreyfus e Thompson, 2007). No m\u00ednimo, isso indica que aten\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia s\u00e3o mais\u00a0<em>aspectos que servem como condi\u00e7\u00f5es<\/em>\u00a0do que\u00a0<em>equivalentes<\/em>\u00a0\u00e0\u00a0<em>mindfulness<\/em>.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tentativas de entender e mensurar\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0podem, consequentemente, ser impedidas por abordagens pr\u00e1ticas e metodol\u00f3gicas que negligenciam a composi\u00e7\u00e3o multifacetada de diferentes fatores envolvidos no constructo budista (ver Grossman, 2008, 2010; Van Dam Earleywine e Danoff-Burg, 2009; Van Dam\u00a0<em>et al.,<\/em>\u00a02011). Discutir\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0sem incluir outros aspectos integrais da pr\u00e1tica budista \u2013 o Nobre Caminho \u00d3ctuplo e as Quatro Incomensur\u00e1veis (isto \u00e9,\u00a0<em>brahmavihara<\/em>; compaix\u00e3o, bondade amorosa, alegria emp\u00e1tica e equanimidade), por exemplo \u2013 pode gerar uma significativa desnatura\u00e7\u00e3o da\u00a0<em>mindfulness<\/em>. Ainda que uma abordagem desnaturada possa, n\u00e3o obstante, trazer benef\u00edcios para a sa\u00fade, tal direcionamento est\u00e1 mais na linha de implementa\u00e7\u00e3o de componentes limitados de um processo amplo e dif\u00edcil de dissecar, do que a explora\u00e7\u00e3o do processo como um todo (Gethin, 1998).<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<h4><p style=\"text-align: justify;\"><strong>Desenvolvendo\u00a0<em>Mindfulness<\/em><\/strong><\/h4>\n<p>\n<h5><p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Abordagens budistas e psicol\u00f3gicas<\/strong><\/em><\/h5>\n<p><!-- \/wp:heading -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O m\u00e9todo budista cl\u00e1ssico para desenvolver\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0\u00e9 atrav\u00e9s da medita\u00e7\u00e3o, em uma escala progressiva da pr\u00e1tica de refino de aten\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia para uma de profunda investiga\u00e7\u00e3o anal\u00edtica e discernimento, dentro do contexto mais amplo mencionado acima (Bodhi, 1994). O processo de refinamento \u00e9 tipicamente engendrado usando um tipo de pr\u00e1tica chamada medita\u00e7\u00e3o\u00a0<em>samatha<\/em>\u00a0(ou do calmo permanecer) (ver Bodhi, 1994; Hanh, 1998), conquanto o discernimento e a compreens\u00e3o sejam engendrados usando medita\u00e7\u00e3o\u00a0<em>vipassana<\/em>\u00a0(ou discernimento) (ver Rosenberg, 1998). De acordo com a vis\u00e3o budista, apenas o discernimento (<em>vipassana<\/em>) pode gerar sabedoria, mas o progresso n\u00e3o acontece sem o desenvolvimento do foco mental atrav\u00e9s de\u00a0<em>samatha<\/em>\u00a0(Bodhi, 1994). O desenvolvimento e refino da aten\u00e7\u00e3o e da concentra\u00e7\u00e3o s\u00e3o considerados pr\u00e9-requisitos para o discernimento (Gethin, 1998), o que explica parcialmente porque muitas pr\u00e1ticas contemplativas come\u00e7am com o objetivo aparentemente simples (mas, de fato, consideravelmente desafiador) de sustentar a aten\u00e7\u00e3o na respira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma descri\u00e7\u00e3o breve do papel da consci\u00eancia sobre a respira\u00e7\u00e3o na\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0pode ilustrar como aspectos centrais das pr\u00e1ticas de medita\u00e7\u00e3o s\u00e3o compat\u00edveis com, e pertinentes a, disciplinas cient\u00edficas como a psicologia. Tamb\u00e9m pode apontar para a complexidade do processo da pr\u00e1tica de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0e destacar a natureza gradual da aquisi\u00e7\u00e3o da \u201cconcentra\u00e7\u00e3o correta\u201d e da \u201c<em>mindfulness<\/em>\u00a0correta\u201d e \u201cdiscernimento correto\u201d.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A respira\u00e7\u00e3o frequentemente serve enquanto um objeto pr\u00e1tico e \u00e2ncora da consci\u00eancia na medita\u00e7\u00e3o. A respira\u00e7\u00e3o \u00e9 a \u00fanica fun\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica vital continuamente acess\u00edvel \u00e0s sensa\u00e7\u00f5es e \u00e0 percep\u00e7\u00e3o durante estados acordados. Ainda que as pessoas raramente prestem aten\u00e7\u00e3o em sua respira\u00e7\u00e3o durante estados comuns e saud\u00e1veis, \u00e9 tanto experiencial como empiricamente evidente que (em circunst\u00e2ncias mentais normais) somos capazes de reverter nossa aten\u00e7\u00e3o para a respira\u00e7\u00e3o em qualquer situa\u00e7\u00e3o e a qualquer hora, at\u00e9 que a respira\u00e7\u00e3o finalmente se extinga com a morte. A respira\u00e7\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel para todos os sentidos \u2013 paladar, tato, olfato, audi\u00e7\u00e3o e vis\u00e3o \u2013 assim como a outros processos perceptivos internos intimamente vinculados \u00e0 experi\u00eancia consciente de um \u201ceu\u201d (interocep\u00e7\u00e3o, propriocep\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia cinest\u00e9sica). Ademais, os pulm\u00f5es representam o maior e mais poderoso sistema de bombeamento (e oscilador fisiol\u00f3gico) do corpo. Como consequ\u00eancia, outras fun\u00e7\u00f5es vitais (o batimento card\u00edaco, a press\u00e3o sangu\u00ednea, a atividade do sistema nervoso central) geralmente se sincronizam com o ritmo da respira\u00e7\u00e3o (Grossman, 1983). A respira\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 altamente sens\u00edvel a numerosas atividades emocionais, cognitivas e comportamentais (Grossman e Wientjes 2001). Al\u00e9m disso, a respira\u00e7\u00e3o pode funcionar alternativamente sob controle quase total do inconsciente e quase completamente sob controle do consciente (Philipson\u00a0<em>et al.,<\/em>\u00a01978), posicionando este processo fisiol\u00f3gico precisamente na justaposi\u00e7\u00e3o entre experi\u00eancia consciente e inconsciente. Por todas estas raz\u00f5es e outras (ver Grossman, 2010), a consci\u00eancia da respira\u00e7\u00e3o pode nos colocar em contato com experi\u00eancias abaixo do n\u00edvel limite da experi\u00eancia consciente comum e pode servir como uma poderosa ferramenta para refinar e ampliar a compreens\u00e3o dos nossos pensamentos, sensa\u00e7\u00f5es e estados mentais.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A aparente \u201csimplicidade\u201d da consci\u00eancia sobre a respira\u00e7\u00e3o \u00e9 confrontada pela experi\u00eancia de efetivamente praticar\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0na respira\u00e7\u00e3o: o meditante \u00e9 confrontado com uma mente vagueadora, apegada, aversiva e julgadora. Um compromisso engajado com a pr\u00e1tica de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0na respira\u00e7\u00e3o rapidamente torna claro que o processo \u00e9 desafiador e complexo, e que a curva de aprendizado \u00e9 \u00edngreme e longa. A \u201csimples\u201d respira\u00e7\u00e3o se torna um microcosmo de experi\u00eancias, com texturas constantemente distintas, prazeres e desconfortos, divaga\u00e7\u00f5es e avers\u00f5es, presen\u00e7a mental em um instante e completa aus\u00eancia no outro. Distinga essa\u00a0<em>experi\u00eancia viva<\/em>\u00a0de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0sobre a respira\u00e7\u00e3o enquanto uma pr\u00e1tica com o\u00a0<em>conceito<\/em>\u00a0psicol\u00f3gico da \u201c<em>mindfulness<\/em>\u00a0na respira\u00e7\u00e3o\u201d que pode, por exemplo, ser baseado em um exerc\u00edcio meditativo gravado de 10 minutos de \u201c<em>mindfulness<\/em>\u00a0na respira\u00e7\u00e3o\u201d voltado para o relaxamento. Esta compara\u00e7\u00e3o pode gerar uma dimens\u00e3o do abismo geralmente existente entre a compreens\u00e3o psicol\u00f3gica acad\u00eamica ocidental de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0e a orienta\u00e7\u00e3o mais profundamente existencial e experiencial budista (Rosengberg, 1998).<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nada no exemplo acima de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0sobre a respira\u00e7\u00e3o \u2013 sua utilidade, aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica, complexidade, fundamento emp\u00edrico, e, particularmente, seu car\u00e1ter gradual \u2013 deveria ser dif\u00edcil de entender para psic\u00f3logos e cientistas. No entanto, mesmo um exame superficial da literatura acad\u00eamica indica que o pensamento psicol\u00f3gico vigente est\u00e1 orientado na dire\u00e7\u00e3o de abordagens intervencionais de curto prazo. Talvez isso explique, parcialmente ao menos, o fato de que a compreens\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0entre psic\u00f3logos tende a n\u00e3o ser explicitamente desenvolvimentista e n\u00e3o sublinha seriamente a pr\u00e1tica extensiva e prolongada no decorrer de anos. Acreditamos que uma \u00eanfase maior na natureza um tanto gradual de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0pode beneficiar os esfor\u00e7os de definir, operacionalizar e mesmo mensurar\u00a0<em>mindfulness<\/em>. Retornaremos a esse ponto posteriormente em outro contexto.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:heading {\"level\":4} --><\/p>\n<h4><p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Na dire\u00e7\u00e3o de um maior valor do subjetivo<\/strong><\/em><\/h4>\n<p><!-- \/wp:heading -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante considerar que as diferentes compreens\u00f5es de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0na ci\u00eancia ocidental e na psicologia budista podem refletir profundas diferen\u00e7as culturais quanto \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia subjetiva como uma fonte de investiga\u00e7\u00e3o. Um cirurgi\u00e3o nos EUA ou na Europa provavelmente n\u00e3o ver\u00e1 grande benef\u00edcio em se sujeitar a procedimentos cir\u00fargicos para sua habilidade em cirurgia. Do mesmo modo, n\u00e3o h\u00e1 um treinamento sistem\u00e1tico na dire\u00e7\u00e3o de uma maior sensibilidade da pr\u00f3pria experi\u00eancia interna e imediata, ou desta experi\u00eancia nos pacientes. A ci\u00eancia m\u00e9dica enfatizou historicamente o conhecimento intelectual e a experi\u00eancia concreta como qualifica\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas \u2013 n\u00e3o a investiga\u00e7\u00e3o da vida interna subjetiva pelo m\u00e9dico durante consultas ou cirurgias. O Behaviorismo e outros movimentos positivistas na psicologia tamb\u00e9m promoveram o valor de conhecimento intelectual de estados cognitivos e comportamentais, e das t\u00e9cnicas sistem\u00e1ticas usadas para alter\u00e1-los, muitas vezes em detrimento do autoexame e da autoinvestiga\u00e7\u00e3o (Grossman, 2010).<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma inclina\u00e7\u00e3o ao atropelo das funda\u00e7\u00f5es de experi\u00eancia subjetiva na pr\u00e1tica de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0pode, consequentemente, parecer muito natural a psic\u00f3logos que conheceram pouco sobre esta investiga\u00e7\u00e3o subjetiva em seus estudos. A explora\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria experi\u00eancia subjetiva tende a ocupar um papel menor no treino de muitos psicoterapeutas. Portanto, pode ser, de fato, dif\u00edcil para os psic\u00f3logos \u2013 quando considerando pela primeira vez esta maneira pouco familiar de se aproximar da experi\u00eancia \u2013 penetrar neste tipo de compreens\u00e3o que n\u00e3o se apoia exclusiva ou predominantemente no \u00e2mbito intelectual e conceitual (ver Bush, 2011). Essa falta de experi\u00eancia \u00e9 sujeita a gerar s\u00e9rias consequ\u00eancias para a compreens\u00e3o, defini\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em>. Batchelor (1997) aponta que \u201ca experi\u00eancia n\u00e3o pode ser acessada atrav\u00e9s do confinamento em uma categoria conceitual em particular. Sua ambiguidade fundamental \u00e9 que ela \u00e9 simultaneamente acess\u00edvel\u00a0<em>e\u00a0<\/em>inacess\u00edvel ao conhecimento. N\u00e3o importa o qu\u00e3o bem n\u00f3s conhe\u00e7amos algo, o testemunho de sua liberdade intr\u00ednseca resulta no humilde reconhecimento:\u00a0<em>eu realmente n\u00e3o conhe\u00e7o isto<\/em>\u201d. Em outras palavras, a compreens\u00e3o fenomenol\u00f3gica n\u00e3o pode se apoiar somente em conhecimento intelectual ou em m\u00e9todos cient\u00edficos populares contempor\u00e2neos de envolvimento e experimento e nas premissas por tr\u00e1s desses m\u00e9todos.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O valor colocado na investiga\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia interna tamb\u00e9m pode ter consequ\u00eancias em como a\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0\u00e9 aplicada nas MBIs. Uma maior valoriza\u00e7\u00e3o resulta em uma necessidade de professores que s\u00e3o eles mesmos muito experientes em explora\u00e7\u00e3o interna e que s\u00e3o capazes de incorporar esta experi\u00eancia em seu ensinamento. Nessa perspectiva, o professor (e talvez mesmo o terapeuta e o pesquisador) ser\u00e1 incapaz de oferecer aquilo que ele mesmo ainda n\u00e3o explorou (Kabat-Zinn, 2003; Segal\u00a0<em>et al<\/em>., 2002). Qualquer um pode recitar passagens de livros e oferecer respostas prontas para as perguntas, mas a transforma\u00e7\u00e3o fundamental da pr\u00f3pria experi\u00eancia n\u00e3o pode ser simulada (Teasdale\u00a0<em>et al<\/em>., 2002).<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro ponto tangencial, raramente tomado em considera\u00e7\u00e3o na literatura psicol\u00f3gica, \u00e9 se os benef\u00edcios ao bem-estar das MBIs s\u00e3o relacionados ao aprendizado por parte dos participantes de uma\u00a0<em>valoriza\u00e7\u00e3o\u00a0<\/em>de aspectos inerentes ao cultivo da consci\u00eancia atenta [<em>mindful<\/em>], por exemplo, uma aprecia\u00e7\u00e3o da quietude, da vig\u00edlia e da paci\u00eancia. \u00c9 poss\u00edvel que tais mudan\u00e7as no sistema de valores ocupem um papel mais proeminente nos resultados cl\u00ednicos do que a maestria, de fato, da \u201chabilidade\u201d\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0durante o dia a dia. Este t\u00f3pico parece digno de investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:heading --><\/p>\n<h4><p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mensurando\u00a0<em>mindfulness<\/em><\/strong><\/h4>\n<p><!-- \/wp:heading -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Mindfulness<\/em>\u00a0\u00e9 um conceito \u2013 ou talvez seja melhor definida como um objeto perceptivo \u2013 dif\u00edcil de delinear, conforme deve ter ficado aparente na discuss\u00e3o acima. Portanto, duas quest\u00f5es parecem logicamente emergir: (1) Como podemos saber que uma pessoa integrou as qualidades de\u00a0<em>mindfulness<\/em>; e (2) Dever\u00edamos fazer esse tipo de pergunta em um est\u00e1gio t\u00e3o inicial dessa investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica? Alguns argumentam que para validar as MBIs em um contexto de ci\u00eancia e psicologia b\u00e1sicas, uma maneira deve ser encontrada de mensurar o construto e determinar que o mecanismo de mudan\u00e7a proposto \u00e9 o efetivo respons\u00e1vel pelo que mudou (por exemplo, Baer, 2011).<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pesquisadores em\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0realizaram, em nossa opini\u00e3o, not\u00e1veis avan\u00e7os na identifica\u00e7\u00e3o de fatores que podem estar\u00a0<em>relacionados<\/em>\u00a0\u00e0\u00a0<em>mindfulness<\/em>. No entanto, conforme esperamos deixar claro adiante, muitos esfor\u00e7os de quantifica\u00e7\u00e3o confundem caracter\u00edsticas psicol\u00f3gicas discretas com a defini\u00e7\u00e3o e quantifica\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em>. N\u00f3s achamos que esta confus\u00e3o \u00e9 improdutiva nesta \u00e1rea de investiga\u00e7\u00e3o. Acreditamos que question\u00e1rios preliminares de autoavalia\u00e7\u00e3o podem gerar representa\u00e7\u00f5es demasiado simplificadas de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0que \u00e0s vezes dificilmente representam a ideia principal por tr\u00e1s do constructo. Este problema existe devido ao fato de diferentes defini\u00e7\u00f5es correntes serem encontradas na literatura psicol\u00f3gica vigente, e n\u00e3o haver um \u201clastro ouro\u201d para validar estas mensuras. Ademais, alguns question\u00e1rios populares parecem marcados por propriedades psicom\u00e9tricas inconsistentes. Uma outra quest\u00e3o \u00e9 que a compreens\u00e3o dos itens do question\u00e1rio tamb\u00e9m pode variar grandemente entre diferentes grupos (por exemplo, meditantes e n\u00e3o meditantes), o que pode tornar as compara\u00e7\u00f5es inv\u00e1lidas.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma s\u00e9ria consequ\u00eancia, observamos, do entusiasmo pela mensura\u00e7\u00e3o \u00e9 que os question\u00e1rios de autoavalia\u00e7\u00e3o podem vir a definir a cara da\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0na \u00e1rea da psicologia (ver Figura 1). O processo cont\u00ednuo de refino e reavalia\u00e7\u00e3o inerentes ao m\u00e9todo cient\u00edfico, visto, via de regra, como um processo autorregulat\u00f3rio, pode, de fato, terminar n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o corrigindo equ\u00edvocos conceituais fundamentais sobre\u00a0<em>mindfulness<\/em>, mas perpetuando e solidificando estes equ\u00edvocos. A facilidade e rapidez da administra\u00e7\u00e3o destas escalas em grupos grandes de pessoas, assim como o grande n\u00famero de pesquisadores que podem adot\u00e1-las, pode facilitar a prolifera\u00e7\u00e3o de publica\u00e7\u00f5es sobre \u201c<em>mindfulness<\/em>\u201d em rela\u00e7\u00e3o a outros fen\u00f4menos psicol\u00f3gicos. Em outras palavras, estas escalas podem assumir vida pr\u00f3pria e vir a definir e reificar\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0na literatura psicol\u00f3gica. Ademais, muitos cientistas com pouca ou nenhuma experi\u00eancia em pr\u00e1tica de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0podem confundir caracteriza\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas e budistas de consci\u00eancia atenta [<em>mindful<\/em>]. Interesses consolidados (defesa de estudos anteriores que usaram estas escalas ou novas possibilidades de financiamento engendradas por uma abordagem fresca e popular) s\u00e3o, por sua vez, pass\u00edveis de exercer efeitos significativos na dire\u00e7\u00e3o que o desenvolvimento de tais t\u00e9cnicas pode tomar. Dadas essas preocupa\u00e7\u00f5es, o restante deste artigo ir\u00e1 se debru\u00e7ar sobre as potenciais defici\u00eancias das atuais tentativas de quantificar\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0por question\u00e1rios de papel e l\u00e1pis.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:heading {\"level\":4} --><\/p>\n<h5><p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>O que aus\u00eancia de consci\u00eancia [mindlessness] pode nos dizer sobre consci\u00eancia plena [mindfulness]?<\/strong><\/em><\/h5>\n<p><!-- \/wp:heading -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas pessoas sugeriram que o uso de itens os quais se assume refletirem o oposto de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0(opera\u00e7\u00e3o em \u201cpiloto autom\u00e1tico\u201d) pode servir como um bom indicador de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0(fazendo uso de alguma manipula\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica, \u00e9 dizer, itens de pontua\u00e7\u00e3o reversa; ver Baer, 2011; Brown e Ryan, 2003). Um exemplo \u00e9 perguntar \u00e0s pessoas o qu\u00e3o frequentemente elas se dispersaram ou n\u00e3o prestaram aten\u00e7\u00e3o, e ent\u00e3o inverter suas respostas de modo que uma resposta como \u201cminha mente n\u00e3o divaga muito\u201d (portanto o extremo inferior da escala) \u00e9 tomado como algo na linha de \u201cminha mente se mant\u00e9m focada na tarefa em quest\u00e3o na maior parte do tempo\u201d. Ainda que itens empregando este tipo de procedimento de pontua\u00e7\u00e3o reversa sejam frequentemente \u00fateis em question\u00e1rios para identifica\u00e7\u00e3o de participantes que n\u00e3o est\u00e3o dando aten\u00e7\u00e3o total ao processo e que podem estar respondendo de maneira descuidada, a maior parte dos itens nestes question\u00e1rios s\u00e3o tipicamente formula\u00e7\u00f5es assertivas que tocam diretamente o ponto de interesse.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consideremos um invent\u00e1rio popular de depress\u00e3o que inclui quatro itens (de um total de 20) que refletem um humor positivo ao inv\u00e9s de depress\u00e3o, e o fato desses itens positivos serem sujeitos a pouca correla\u00e7\u00e3o com os demais itens da escala. Refletindo sobre a quest\u00e3o, dois estat\u00edsticos da \u00e1rea da psicologia recentemente enfatizaram que a reitera\u00e7\u00e3o de pontos no extremo inferior de uma escala de caracter\u00edsticas n\u00e3o implica em uma presen\u00e7a forte de seu oposto, por exemplo: uma baixa reitera\u00e7\u00e3o de sintomas depressivos n\u00e3o necessariamente indica felicidade, ou ainda a reitera\u00e7\u00e3o de um extremo inferior de uma escala de debilidade f\u00edsica n\u00e3o sugere necessariamente sa\u00fade e vigor f\u00edsicos (Reise e Waller, 2009). Isso n\u00e3o quer dizer que estes itens de pontua\u00e7\u00e3o reversa nunca sejam \u00fateis, mas sim que a inclus\u00e3o de itens assim em question\u00e1rios \u00e9 um processo bastante complexo.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma escala inteira de itens de pontua\u00e7\u00e3o reversa \u00e9 consideravelmente mais problem\u00e1tica. Suponha, por exemplo, que um indiv\u00edduo responda a todos os itens sobre seu n\u00edvel atual de debilidade f\u00edsica reiterando o extremo mais baixo (nenhuma debilidade). Poder\u00edamos julg\u00e1-lo fisicamente saud\u00e1vel e em forma com base em suas respostas? Ele pode n\u00e3o ser debilitado fisicamente, mas isso \u00e9 bem diferente de estar saud\u00e1vel e em forma. Ent\u00e3o o que devemos pensar de uma escala de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0que mensura a desaten\u00e7\u00e3o percebida? A escala mais comumente administrada que putativamente mensura\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0(MAAS; Brown e Ryan, 2003) se apoia completamente em itens formulados negativamente, baseados em uma autoavalia\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria desaten\u00e7\u00e3o (ver Grossman, em vias de publica\u00e7\u00e3o, para uma discuss\u00e3o aprofundada). Diversas investiga\u00e7\u00f5es, no entanto, sugerem que esta escala pode ser mais demonstrativa da propens\u00e3o de experienciar lapsos de aten\u00e7\u00e3o do que das qualidades possivelmente associadas \u00e0\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0(Carriere, Cheyne, e Smilek, 2009; Cheyne, Carriere e Smilek, 2006). Ademais, pesquisas mais recentes tamb\u00e9m v\u00e3o na mesma dire\u00e7\u00e3o, sugerindo que a MAAS reflete a experi\u00eancia da desaten\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0(Van Dam, Earleywine e Borders, 2010).<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:heading {\"level\":4} --><\/p>\n<h4><p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Podemos identificar os nossos lapsos de aten\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/em><\/h4>\n<p><!-- \/wp:heading -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quase todo mundo j\u00e1 teve a experi\u00eancia de se aperceber de uma divaga\u00e7\u00e3o e, ent\u00e3o, \u201cacordar\u201d, ou de chegar a algum lugar s\u00f3 para se dar conta de que n\u00e3o prestou aten\u00e7\u00e3o em como chegou ali. Observa\u00e7\u00f5es assim sugerem que todos n\u00f3s sabemos o que \u00e9 experienciar lapsos de aten\u00e7\u00e3o. No entanto, o qu\u00e3o bons n\u00f3s somos, regra geral, em identificar nossa disposi\u00e7\u00e3o para agir dessa forma? Em outras palavras, a nossa experi\u00eancia ou autoavalia\u00e7\u00e3o de nossa desaten\u00e7\u00e3o no dia a dia \u00e9 um reflexo preciso de qu\u00e3o desatentos n\u00f3s realmente somos? N\u00f3s podemos estimar com exatid\u00e3o quanto tempo n\u00f3s geralmente dispendemos em estados desatentos ou o qu\u00e3o frequentes s\u00e3o estes estados, como parece sugerir alguns question\u00e1rios de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0(Brown e Ryan, 2003)?<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisas sugerem que a divaga\u00e7\u00e3o mental (o \u201csonhar acordado\u201d) \u00e9 frequentemente associada com uma falta de metaconsci\u00eancia (a consci\u00eancia de estar consciente; ver Schooler, 2002). Para al\u00e9m disso, experimentos em neuroci\u00eancia cognitiva sugerem que os indiv\u00edduos processam muito pouco do ambiente externo quando as suas mentes divagam (Smallwood\u00a0<em>et al<\/em>., 2008), gerando uma aus\u00eancia de base de refer\u00eancia quanto a estados de desaten\u00e7\u00e3o. Outra pesquisa, ademais, demonstrou que meditantes experientes usam menos recursos cognitivos para retornar sua aten\u00e7\u00e3o a uma tarefa e s\u00e3o capazes de \u201csegurar\u201d a mente, evitando divaga\u00e7\u00f5es (Pagoni\u00a0<em>et al<\/em>., 2008). Essas descobertas criam um dif\u00edcil problema conceitual para a autoavalia\u00e7\u00e3o de desaten\u00e7\u00e3o: diferen\u00e7as individuais em caracter\u00edsticas psicol\u00f3gicas, dentre outras, podem influenciar a exatid\u00e3o da avalia\u00e7\u00e3o que as pessoas fazem da pr\u00f3pria desaten\u00e7\u00e3o. Sendo assim, \u00e9 plaus\u00edvel que a MAAS n\u00e3o seja um instrumento muito preciso nem para avaliar os lapsos de aten\u00e7\u00e3o, quanto mais para avaliar\u00a0<em>mindfulness<\/em>. Em contrapartida, pode avaliar de maneira adequada a medida do engano dos participantes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aten\u00e7\u00e3o que eles\u00a0<em>pensam<\/em>\u00a0despender na vida cotidiana. Um argumento similar pode ser dirigido a outras mensura\u00e7\u00f5es baseadas em autoavalia\u00e7\u00e3o, descritas como \u201cquestion\u00e1rios de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u201d, que enfatizam habilidades distintas das da MAAS (para detalhes, ver Grossman, em vias de publica\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:heading --><\/p>\n<h4><p style=\"text-align: justify;\"><em>Mente e vi\u00e9s<\/em><\/h4>\n<p><!-- \/wp:heading -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Question\u00e1rios de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0evitam linguagens t\u00e9cnicas e obscuras para favorecer palavras e declara\u00e7\u00f5es simples que\u00a0<em>aparentam\u00a0<\/em>ser igualmente acess\u00edveis a todos (mesmo \u00e0queles sem treinamento em\u00a0<em>mindfulness<\/em>). Esta linguagem simplificada, por\u00e9m, \u00e9 comumente baseada no vocabul\u00e1rio envolvido nas pr\u00f3prias MBIs (MBSR e MBCT). Sendo esse o caso, muitos fraseados usados em question\u00e1rios de \u201c<em>mindfulness<\/em>\u201d (operar no \u201cpiloto autom\u00e1tico\u201d, \u201cfocar no momento presente\u201d) s\u00e3o mais imediatamente acess\u00edveis depois da participa\u00e7\u00e3o de uma MBI do que antes. Esta acessibilidade n\u00e3o necessariamente significa que os participantes ir\u00e3o provavelmente endossar estes itens, ainda que haja evid\u00eancia que seja este o caso (Mayo, White e Eysenck, 1978).<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A medida a qual os participantes valorizam as ideias que os itens representam pode, ademais, gerar um impacto na medida a qual eles endossam um item (Grossman, 2008). Algu\u00e9m que atravessou uma interven\u00e7\u00e3o de oito semanas exigindo 45 minutos di\u00e1rios de pr\u00e1tica de medita\u00e7\u00e3o, ou algu\u00e9m que dispendeu os \u00faltimos 15 anos meditando regularmente, provavelmente ir\u00e1 atribuir import\u00e2ncia aos valores que s\u00e3o parte dessa pr\u00e1tica, especialmente se a pessoa veio a internalizar estes valores. Do mesmo modo, indiv\u00edduos podem se ver inclinados a demonstrar (consciente ou inconscientemente) a si mesmos e aos outros que eles det\u00eam, ao menos em alguma medida, as qualidades que os question\u00e1rios descrevem. Assim, eles podem apenas confundir aspira\u00e7\u00f5es na dire\u00e7\u00e3o de certos atributos com efetiva realiza\u00e7\u00e3o destes atributos. H\u00e1 uma quantidade substancial de literatura relacionada a outros tipos de question\u00e1rios que apoia a hip\u00f3tese que esses vieses influenciam os resultados.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Baer (2011) sugere que tal vi\u00e9s n\u00e3o \u00e9 um problema porque os participantes em MBIs est\u00e3o dispostos a reportar defici\u00eancias na quantidade de tempo em suas pr\u00e1ticas em casa, geralmente dizendo que praticaram menos do que o recomendado, o que os colocaria, supostamente, em um \u00e2ngulo negativo. Ainda que superficialmente esse ponto pare\u00e7a tratar da quest\u00e3o dos vieses (os participantes est\u00e3o dispostos a ser percebidos negativamente), \u00e9 mais prov\u00e1vel que os vieses\u00a0<em>inconscientes<\/em>\u00a0sejam o problema, e n\u00e3o os\u00a0<em>conscientes<\/em>.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem numerosos fatores que enviesam as mensura\u00e7\u00f5es com base em autoavalia\u00e7\u00e3o (Van Dam\u00a0<em>et al.<\/em>, 2011), e alguns vieses t\u00eam sido repetidamente observados na literatura psicol\u00f3gica. Evid\u00eancias de pesquisas, especificamente relacionadas com question\u00e1rios de\u00a0<em>mindfulness<\/em>, tamb\u00e9m sugerem que os vieses ocupam um papel importante nas autoavalia\u00e7\u00f5es. Na compara\u00e7\u00e3o de um pequeno grupo de meditantes com estudantes sem nenhuma experi\u00eancia de medita\u00e7\u00e3o, evid\u00eancias demonstraram que pessoas com pontua\u00e7\u00e3o semelhantes escolhiam op\u00e7\u00f5es de resposta inteiramente diferentes baseadas em sua ades\u00e3o ao grupo (Van Dam, Earleywine e Danoff-Burg, 2009). Os meditantes se inclinavam igualmente a escolher op\u00e7\u00f5es que sugeriam presen\u00e7a de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0e distra\u00e7\u00e3o, conquanto os estudantes se inclinassem mais \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o de enunciados de distra\u00e7\u00e3o do que a escolha de itens que sugeririam a presen\u00e7a de\u00a0<em>mindfulness<\/em>. Essa pesquisa indica que mesmo que meditantes a longo prazo e estudantes universit\u00e1rios possam ter a mesma pontua\u00e7\u00e3o total em uma escala de \u201c<em>mindfulness<\/em>\u201d, a pontua\u00e7\u00e3o pode ser obtida de modos inteiramente diferentes (ver Van Dam, Earleywine e Danoff Burg, 2009). Isso sugere a exist\u00eancia de interpreta\u00e7\u00f5es distintas quanto ao significado dos itens entre os grupos.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em resposta ao estudo acima, Baer\u00a0<em>et al.<\/em>\u00a0(2011) sugere em um estudo recente deles mesmos, usando an\u00e1lises comparadas com um grupo demograficamente bem equilibrado de meditantes e n\u00e3o meditantes, que h\u00e1 \u201cpouca evid\u00eancia de interpreta\u00e7\u00e3o diferencial entre os itens\u201d. No entanto, os m\u00e9todos estat\u00edsticos que Baer\u00a0<em>et al<\/em>. (2011) escolheram usar podem favorecer indevidamente a posi\u00e7\u00e3o que as interpreta\u00e7\u00f5es diferenciais n\u00e3o s\u00e3o um problema, de modo que o limite de prova ou evid\u00eancia escolhida por eles pode, ele mesmo, impedir a descoberta destas diferen\u00e7as. N\u00f3s aplicamos estat\u00edsticas alternativas nos mesmos dados usando n\u00edveis convencionais de probabilidade para avaliar cada item, e descobrimos que em duas subescalas do question\u00e1rio deles (\u201cobserva\u00e7\u00e3o\u201d e \u201ca\u00e7\u00e3o com consci\u00eancia\u201d), metade dos itens em uma subescala e tr\u00eas quartos dos itens de outra apresentaram evid\u00eancias deste problema \u2013 ultrapassando o que seria esperado pela aleatoriedade. Na melhor das hip\u00f3teses, o estudo de Baer\u00a0<em>et al.<\/em>\u00a0(2011) sugere que o uso de amostragens equilibradas em termos de vari\u00e1veis demogr\u00e1ficas (idade, g\u00eanero e educa\u00e7\u00e3o) pode reduzir levemente esses tipos de problemas em escalas de\u00a0<em>mindfulness<\/em>, mas tamb\u00e9m evidencia o fato que diferentes grupos provavelmente interpretar\u00e3o o sentido dos mesmos itens de jeitos diferentes. Em alguns casos, essas diferen\u00e7as podem ser devidas \u00e0 demografia, em outros, ao treino em\u00a0<em>mindfulness<\/em>. Esta n\u00e3o \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o ideal para um question\u00e1rio que procura comparar diferentes popula\u00e7\u00f5es. Para al\u00e9m disso, evid\u00eancias em Baer\u00a0<em>et al.<\/em>\u00a0(2008) indicam que um aspecto central de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0(\u201cobserva\u00e7\u00e3o\u201d; tamb\u00e9m uma das duas subescalas demonstrando evid\u00eancia de interpreta\u00e7\u00e3o diferencial dos itens) n\u00e3o pode ser aferido com seguran\u00e7a de modo que meditantes e n\u00e3o meditantes pudessem ser comparados adequadamente: itens nesta subescala pareciam ter significados diferentes para cada grupo.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Interpreta\u00e7\u00f5es distintas entre n\u00e3o meditantes e meditantes (Baer\u00a0<em>et al.,<\/em>\u00a02008; Grossman, 2008; Van Dam, Earleywine e Danoff-Burg, 2009) sugerem que a linguagem cotidiana comum n\u00e3o faz jus \u00e0 complexidade da\u00a0<em>mindfulness<\/em>, porque as palavras usadas nos instrumentos de aferi\u00e7\u00e3o ser\u00e3o entendidas de modo diferente pelos diferentes grupos. Se a pr\u00e1tica de medita\u00e7\u00e3o envolve uma rota\u00e7\u00e3o qualitativa da experi\u00eancia do sujeito (Kabat-Zinn, 2005), ent\u00e3o a escolha de vocabul\u00e1rio permanecer\u00e1 sendo problem\u00e1tica quando da compara\u00e7\u00e3o daqueles com e sem exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 medita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um exemplo indica que as diferen\u00e7as na interpreta\u00e7\u00e3o dos itens entre os grupos podem gerar conclus\u00f5es absurdas quando autoavalia\u00e7\u00f5es em\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0s\u00e3o empregadas (Grossman, 2008): pontua\u00e7\u00f5es de FMI<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/28\/se-mindfulness-tivesse-outro-nome\/#_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0de estudantes normais e estudantes com hist\u00f3rico de consumo excessivo de \u00e1lcool (Leigh, Bowen e Marlatt, 2005) foram comparadas com aquelas de meditantes experientes imediatamente depois de um retiro de medita\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios dias (Buchheld, Grossman e Walach, 2001). A Figura 2 mostra que os estudantes com hist\u00f3rico de consumo excessivo de \u00e1lcool pontuaram significativamente mais alto no item \u201c<em>mindfulness<\/em>\u201d do que os meditantes experientes \u2013 os estudantes normais ficaram entre estes dois grupos. Curiosamente, Leigh, Bowen e Marlatt (2005) conclu\u00edram que constructos de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0\u201cpodem ser seguramente mensurados atrav\u00e9s da autoavalia\u00e7\u00e3o e podem contribuir na identifica\u00e7\u00e3o de uma rela\u00e7\u00e3o importante entre o uso de subst\u00e2ncias e\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u201d. Portanto, as implica\u00e7\u00f5es desse estudo s\u00e3o claras: o consumo excessivo de \u00e1lcool conduz ao estado mental de\u00a0<em>mindfulness<\/em>, mas a medita\u00e7\u00e3o em\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0n\u00e3o. Enunciando de maneira mais s\u00e9ria, uma das formas pelas quais essas descobertas podem ser explicadas \u00e9 a partir da interpreta\u00e7\u00e3o por parte dos estudantes com hist\u00f3rico de consumo excessivo de \u00e1lcool (em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 consci\u00eancia das sensa\u00e7\u00f5es corporais) que foi muito diferente da dos meditantes.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quest\u00f5es semelhantes, ainda que menos fr\u00edvolas, surgiram tamb\u00e9m em outra pesquisa. Um outro estudo de MAAS e KIMS aplicado sobre uma popula\u00e7\u00e3o tailandesa (na qual as cren\u00e7as budistas s\u00e3o predominantes) e sobre uma amostragem de americanos (entre os quais as cren\u00e7as budistas s\u00e3o minorit\u00e1rias) n\u00e3o encontrou diferen\u00e7as substancias nos resultados da MAAS (ainda que os n\u00edveis de medita\u00e7\u00e3o dos dois grupos fossem muito diferentes); tamb\u00e9m os resultados da KIMS exibiram rela\u00e7\u00f5es inconsistentes entre os itens em cada grupo (Christopher\u00a0<em>et al<\/em>., 2009). Tais descobertas trazem \u00e0 tona a quest\u00e3o de o que estes psic\u00f3logos est\u00e3o de fato mensurando com esses question\u00e1rios e se h\u00e1 um amparo cient\u00edfico adequado para continuar a us\u00e1-los enquanto medida de\u00a0<em>mindfulness<\/em>.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Figura 2 \u2013 Pontua\u00e7\u00e3o m\u00e9dia por item na avalia\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0(m\u00e1ximo de 4 pontos)\/meditantes experientes; estudantes normais; estudantes com hist\u00f3rico de consumo excessivo de \u00e1lcool<\/strong><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pontua\u00e7\u00f5es em\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0(<em>Freiberg Mindfulness Inventory<\/em>\u00a0[FMI]); Diferen\u00e7as entre meditantes e estudantes com hist\u00f3rico de consumo excessivo de \u00e1lcool (p &lt; 0.0004); diferen\u00e7as entre meditantes e estudantes normais com signific\u00e2ncia aproximada (p &lt; 0.06).<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:heading {\"level\":4} --><\/p>\n<h4><p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Diversidade de defini\u00e7\u00f5es em escalas de mindfulness<\/strong><\/em><\/h4>\n<p><!-- \/wp:heading -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 nenhum \u201clastro ouro\u201d de refer\u00eancia que pode ser utilizado para avaliar question\u00e1rios que almejam mensurar\u00a0<em>mindfulness<\/em>. Portanto, n\u00e3o podemos saber de fato se um question\u00e1rio mensura de maneira adequada certos aspectos de\u00a0<em>mindfulness<\/em>. Ao contr\u00e1rio do exame de habilidades matem\u00e1ticas, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma \u201cprova final\u201d para aferir\u00a0<em>mindfulness<\/em>, nenhum indicador ou atividade precisa no c\u00e9rebro, ou qualquer referencial comportamental que foi documentado enquanto\u00a0<em>espec\u00edfico<\/em>\u00a0da\u00a0<em>mindfulness<\/em>. Essa situa\u00e7\u00e3o abre as portas para defini\u00e7\u00f5es de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0que arriscam ser completamente desvinculadas das pr\u00e1ticas e ensinamentos que deram origem a MBSR e a MBCT. Elas podem \u00e0s vezes resultar em defini\u00e7\u00f5es e operacionaliza\u00e7\u00f5es h\u00edbridas de\u00a0<em>mindfulness<\/em>, possivelmente um tanto distantes das ra\u00edzes originais do\u00a0<em>Dharma<\/em>\u00a0deste modo de existir (Grossman, 2008).<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s j\u00e1 usamos o exemplo da MAAS, cujos itens aferem a percep\u00e7\u00e3o de lapsos de aten\u00e7\u00e3o na vida cotidiana. No entanto, os autores desta escala claramente pressup\u00f5em que est\u00e3o mensurando\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0e se referem \u00e0s descobertas de MAAS nesses termos. O m\u00e9todo FFMQ (Baer\u00a0<em>et al.,<\/em>\u00a02006) adota especificamente muitos itens do MAAS em uma de suas subescalas, A\u00e7\u00e3o com Consci\u00eancia. No entanto, esses autores n\u00e3o identificam nestas respostas \u201c<em>mindfulness<\/em>\u201d, mas, sim, \u201ca\u00e7\u00e3o com consci\u00eancia\u201d, um dos cinco aspectos de\u00a0<em>mindfulness<\/em>. Isso j\u00e1 \u00e9 por si s\u00f3 fonte de grande confus\u00e3o. Seria a \u201c<em>mindfulness<\/em>\u00a0de MAAS\u201d apenas um aspecto da \u201c<em>mindfulness<\/em>\u00a0de FFMQ\u201d ou meramente uma medida de lapsos de aten\u00e7\u00e3o identificados, como indicam ainda outros estudos (Carriere, Cheyne e Smilek, 2008; Cheyne, Carriere e Smilek, 2006)?<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Baer\u00a0<em>et al.<\/em>\u00a0(2006) tamb\u00e9m inclui outra subescala que parece avaliar o qu\u00e3o bem os participantes pensam que podem se expressar verbalmente. Baer (2011) explica esta subescala dizendo que ela reflete a capacidade de \u201cidentificar\u201d, ou \u201cperceber\u201d, t\u00e9cnica \u00e0s vezes empregada na medita\u00e7\u00e3o de discernimento. No entanto, \u00e9 nosso entendimento que tal identifica\u00e7\u00e3o ou express\u00e3o verbal serve primariamente enquanto um mnem\u00f4nico destinado a sustentar a consci\u00eancia de momento a momento. O objetivo n\u00e3o \u00e9 investigar a experi\u00eancia em n\u00edvel verbal, mas empregar a rotula\u00e7\u00e3o para ajudar no contato\u00a0<em>cont\u00ednuo e desimpedido<\/em>\u00a0com a experi\u00eancia do momento, um processo que, de fato, \u00e9 frequentemente caracterizado como pr\u00e9-verbal ou n\u00e3o verbal, mas certamente n\u00e3o enquanto um mon\u00f3logo corrente e v\u00edvido da experi\u00eancia do momento. Uma sequ\u00eancia mental \u2013 como, por exemplo, \u201cinspira\u00e7\u00e3o, expira\u00e7\u00e3o, coceira, calor, desconforto, expira\u00e7\u00e3o, pensamento, pensamento\u201d \u2013 n\u00e3o \u00e9, em si mesma, a ess\u00eancia da experi\u00eancia da medita\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a pr\u00e1tica de tal identifica\u00e7\u00e3o verbal durante a medita\u00e7\u00e3o dificilmente poder\u00e1 ser associada de maneira relevante \u00e0s avalia\u00e7\u00f5es de qu\u00e3o bem a pessoa pode expressar-se. Esta subescala possivelmente deriva do pr\u00f3prio interesse e trabalho do autor na terapia comportamental dial\u00e9tica [<em>dialectical behaviour therapy;\u00a0<\/em>DBT] (Linehan, 1993), uma vez que a expressividade verbal \u00e9 frequentemente deficiente no p\u00fablico alvo da DBT e a t\u00e9cnica de promo\u00e7\u00e3o de descri\u00e7\u00f5es verbais foi considerada uma habilidade de \u201c<em>mindfulness<\/em>\u201d na DBT. Portanto, esta inclus\u00e3o parece indicar que este invent\u00e1rio de cinco subescalas oferece uma defini\u00e7\u00e3o h\u00edbrida de\u00a0<em>mindfulness<\/em>, e ao menos algumas destas subescalas parecem n\u00e3o ter grande afinidade com o constructo budista original (ver primeira sess\u00e3o). A FFMQ cont\u00e9m: (1) uma subsecala de expressividade verbal que parece ter pouqu\u00edssima rela\u00e7\u00e3o com a compreens\u00e3o tradicional de\u00a0<em>mindfulness<\/em>; (2) outra subescala que afere os lapsos de aten\u00e7\u00e3o\u00a0<em>percebidos<\/em>; (3) uma terceira escala que afere o qu\u00e3o bem as pessoas\u00a0<em>acreditam<\/em>\u00a0ser capazes de observar ou prestar aten\u00e7\u00e3o na sua experi\u00eancia (no entanto, como mencionado anteriormente, esta subescala tem resultados muito diferentes entre meditantes e n\u00e3o meditantes); e (4) duas subescalas adicionais que aferem autoavalia\u00e7\u00f5es de n\u00e3o reatividade emocional e n\u00e3o julgamento. Portanto, duas dessas cinco subescalas podem n\u00e3o refletir qualquer tipo de qualidade de\u00a0<em>mindfulness<\/em>. Uma terceira, ainda que dirigia a um dos principais aspectos da\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0(observa\u00e7\u00e3o\/percep\u00e7\u00e3o\/envolvimento), n\u00e3o \u00e9 metodologicamente v\u00e1lida para uso entre diferentes grupos de pessoas (Baer\u00a0<em>et al.,<\/em>\u00a02008) e \u00e9 provavelmente suscet\u00edvel a varia\u00e7\u00f5es em interpreta\u00e7\u00f5es sem\u00e2nticas. N\u00e3o obstante, esta escala de cinco aspectos \u00e9 muito popular, empregada por muitos psic\u00f3logos para aferir o alcance e dimens\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0nos seus pacientes.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o pretendemos aqui destacar esta escala em espec\u00edfico, mas sim us\u00e1-la como um exemplo dos tipos de problemas que emergem a partir do uso de question\u00e1rios de autoavalia\u00e7\u00e3o que supostamente mensuram\u00a0<em>mindfulness<\/em>. Virtualmente todos os question\u00e1rios dispon\u00edveis padecem das mesmas limita\u00e7\u00f5es, incluindo o FMI, com o qual o primeiro autor deste artigo esteve intimamente associado. Ademais, esses question\u00e1rios tamb\u00e9m se correlacionam pouco \u2013 ou, na melhor das hip\u00f3teses, moderadamente \u2013 entre si (Baer\u00a0<em>et al.,<\/em>\u00a02004; 2006; Grossman, 2008, em vias de publica\u00e7\u00e3o), o que significa que uma pessoa pode estar pontuando alto em \u201c<em>mindfulness<\/em>\u201d em uma das escalas e baixo em outra. Sem crit\u00e9rios externos confi\u00e1veis para avaliar essas conclus\u00f5es, \u00e9 imposs\u00edvel dizer a que estas descobertas se referem exatamente.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:heading {\"level\":4} --><\/p>\n<h4><p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Todos somos conscientemente atentos [mindful]?<\/strong><\/em><\/h4>\n<p><!-- \/wp:heading -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00e1rios question\u00e1rios de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0foram desenvolvidos com a inten\u00e7\u00e3o de mensurar\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0em indiv\u00edduos com experi\u00eancia meditativa (FMI, Buchheld, Grossman e Walacj, 2001;\u00a0<em>Developmental Mindfulness Questionnaire<\/em>\u00a0(DMS), Solloway e Fisher, 2007;\u00a0<em>Toronto Mindfulness Scale<\/em>\u00a0(TMS), Lau\u00a0<em>et al<\/em>., 2006), ainda que dois deles tenham sido subsequentemente adaptados por alguns dos autores originais para o uso de mensurar caracter\u00edsticas (e.g., FMI, Walach\u00a0<em>et al<\/em>., 2006; TMS, David, Lau e Cairns, 2009). Outros question\u00e1rios foram desenvolvidos com base na ideia de que\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0\u00e9 acess\u00edvel para, e compreens\u00edvel por, qualquer pessoa da popula\u00e7\u00e3o em geral, n\u00e3o obstante a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00e1tica de medita\u00e7\u00e3o (ver Baer, 2011). Recentemente foram desenvolvidas escalas que pretendem mensurar\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0em crian\u00e7as. Esta abordagem comum, portanto, presume que \u00e9 poss\u00edvel e significativo mensurar\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0em praticamente qualquer pessoa.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Revisitando as discuss\u00f5es anteriores, o desenvolvimento de uma maior\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0\u00e9 compreendida, desde os antigos discursos budistas at\u00e9 os ensinamentos nos dias de hoje, como um processo de desenvolvimento extremamente gradual. Presume-se que pessoas n\u00e3o familiarizadas com a pr\u00e1tica de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0possuem qualidades muito incipientes de consci\u00eancia em um estado de\u00a0<em>mindfulness<\/em>, caracterizadas como elementares, n\u00e3o desenvolvidas e imaturas (de uma \u00f3tica contempor\u00e2nea [Kabat-Zinn, 2005]: \u201c\u2026 estas capacidades precisam ser descobertas, desenvolvidas e colocadas em pr\u00e1tica\u201d). Entende-se que apenas o cultivo lento e gradual por meio do treinamento mental cont\u00ednuo resultar\u00e1 em um aprofundamento de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0e da sua compreens\u00e3o. Assim, em um dos primeiros tratados budistas (Ireland, tradu\u00e7\u00e3o 1997): \u201cAssim como o majestoso oceano gradualmente se estica, achata e inclina, e n\u00e3o encontra um abismo s\u00fabito, tamb\u00e9m nesta doutrina e disciplina h\u00e1 um treino e curso gradual, uma progress\u00e3o gradual, sem nenhum acesso s\u00fabito\u2026\u201d Mais recentemente escreveu Rosenberg (1998): \u201c<em>Mindfulness<\/em>\u00a0\u00e9 o poder de observa\u00e7\u00e3o da mente, um poder que varia de acordo com a maturidade do praticante\u201d.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa perspectiva, indiv\u00edduos sem experi\u00eancia meditativa quase que inevitavelmente ir\u00e3o responder \u00e0 palavra \u201c<em>mindfulness<\/em>\u201d \u2013 e a itens de question\u00e1rios que pretendem medi-la \u2013 de maneira radicalmente diferente de pessoas com experi\u00eancia meditativa. Conforme escreveu uma professora de medita\u00e7\u00e3o (Khema, 1989) sobre os efeitos do treino em medita\u00e7\u00e3o: \u201ca diferen\u00e7a entre a mente treinada e a destreinada \u00e9 a experi\u00eancia compreendida\u201d. E mesmo entre aqueles com n\u00edveis vari\u00e1veis de treinamento mental est\u00e3o sujeitos a compreens\u00f5es divergentes. Defini\u00e7\u00f5es e operacionaliza\u00e7\u00f5es de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0que n\u00e3o tomam em considera\u00e7\u00e3o a natureza gradual do treino da aten\u00e7\u00e3o, muito provavelmente ir\u00e3o interpretar erroneamente e banalizar o constructo da\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0que n\u00e3o \u00e9 um constructo tradicionalmente compreendido na psicologia ocidental, tratando-se, mais profundamente, de um estilo de vida.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:heading {\"level\":3} --><\/p>\n<h4><p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conclus\u00f5es quanto \u00e0 compreens\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em><\/strong><\/h4>\n<p><!-- \/wp:heading -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um per\u00edodo de tempo relativamente curto, progressos not\u00e1veis foram realizados na dire\u00e7\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o de conceitos notadamente estranhos aos paradigmas ocidentais da psicologia. H\u00e1 n\u00e3o muito tempo, seria inimagin\u00e1vel pensar que a psicologia corrente iria t\u00e3o rapidamente reconhecer o mundo interno enquanto um t\u00f3pico leg\u00edtimo de estudo, at\u00e9 mesmo se abrindo para a investiga\u00e7\u00e3o de qualidades como compaix\u00e3o, bondade amorosa e equanimidade. Uma vez que esta \u00e1rea est\u00e1 ainda em sua inf\u00e2ncia, paci\u00eancia e cautela s\u00e3o \u00fateis no desenvolvimento dessas quest\u00f5es na fase em que est\u00e3o, sob o risco de reificar e trivializar conceitos que det\u00eam uma riqueza a qual n\u00f3s ainda n\u00e3o estamos completamente inteirados.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quais s\u00e3o algumas das estrat\u00e9gias quantitativas poss\u00edveis que podem ser adequadas a esta fase da investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de\u00a0<em>mindfulness<\/em>? N\u00f3s n\u00e3o presumimos deter todas as respostas. No entanto, podemos sugerir um n\u00famero de abordagens plaus\u00edveis que evitam as v\u00e1rias limita\u00e7\u00f5es e potenciais equ\u00edvocos das escalas de autoavalia\u00e7\u00e3o discutidas mais acima.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:list {\"ordered\":true,\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<ol>\n<li><p style=\"text-align: justify;\">Uma possibilidade seria avaliar na mesma l\u00f3gica do formato de autoavalia\u00e7\u00e3o dos invent\u00e1rios atuais, n\u00e3o o qu\u00e3o habilidosas as pessoas creem ser em determinadas qualidades ou comportamentos, mas o quanto elas valorizam determinadas caracter\u00edsticas \u2013 \u00e9 dizer, examinar se a pr\u00e1tica de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0est\u00e1 associada com diferen\u00e7as ou transforma\u00e7\u00f5es no sistema de valores das pessoas. Por exemplo, o qu\u00e3o valiosas as diferentes pessoas consideram a a\u00e7\u00e3o de simplesmente sentar em sil\u00eancio; observar quais as sensa\u00e7\u00f5es, pensamentos e emo\u00e7\u00f5es surgem de momento a momento; ou examinar as experi\u00eancias como agrad\u00e1veis, desagrad\u00e1veis ou neutras. Tais quest\u00f5es teriam de ser formuladas cuidadosamente, mas poderiam oferecer informa\u00e7\u00f5es significativas quanto\u00a0<em>ao que \u00e9 importante\u00a0<\/em>para pessoas que praticam ou n\u00e3o\u00a0<em>mindfulness<\/em>. Para al\u00e9m disso, esta abordagem pode iluminar como a pr\u00e1tica de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0influencia as perspectivas das pessoas diante dos desafios e das experi\u00eancias edificantes da vida. Tais escalas podem se ver adstritas a muitos dos mesmos vieses das outras mensura\u00e7\u00f5es baseadas em autoavalia\u00e7\u00e3o, mas ao menos seriam menos suscet\u00edveis de confundir aspira\u00e7\u00e3o com realiza\u00e7\u00e3o.<\/li><\/br>\n<li><p style=\"text-align: justify;\">Uma op\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel para preservar a integridade e riqueza da compreens\u00e3o budista de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0pode ser nomear estas v\u00e1rias qualidades atualmente posando de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0com alcunhas mais pr\u00f3ximas do que elas de fato representam (\u201clapsos de aten\u00e7\u00e3o percebidos\u201d no caso de Brown e Ryan, 2003; \u201ccompet\u00eancia percebida em expressividade verbal\u201d no caso das subescalas de Baer\u00a0<em>et al<\/em>., 2006). Essas nomenclaturas poderiam ser integralmente descritivas do que a escala efetivamente afere, e retrata\u00e7\u00f5es quanto a estudos publicados poderiam atestar que estas escalas n\u00e3o aferem\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0Rela\u00e7\u00f5es entre estas mensura\u00e7\u00f5es e aspectos da pr\u00e1tica de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0ainda podem ser identificados, mas haveria uma clara distin\u00e7\u00e3o entre as caracter\u00edsticas mensuradas (\u201clapsos de aten\u00e7\u00e3o percebidos\u201d) e\u00a0<em>mindfulness<\/em>. Tal abordagem cautelosa j\u00e1 \u00e9, de fato, aplicada por alguns pesquisadores (\u201cdescentramento\u201d, Fresco\u00a0<em>et al.,<\/em>\u00a02007; consci\u00eancia metacognitiva, Hargus\u00a0<em>et al<\/em>., 2010; Teasdale\u00a0<em>et al.<\/em>, 2002). Um melhor uso de nomenclatura pode servir para melhorar o discernimento dos mecanismos psicol\u00f3gicos para al\u00e9m dos obtidos quando os pesquisadores batizam suas mensura\u00e7\u00f5es universalmente de \u201c<em>mindfulness<\/em>\u201d.<\/li><\/br>\n<li><p style=\"text-align: justify;\">Abordagens com base em entrevista (Teasdale\u00a0<em>et al<\/em>., 2002; Hargus\u00a0<em>et al.,<\/em>\u00a02010), ainda que mais trabalhosas, s\u00e3o pass\u00edveis de oferecer uma maior clareza quanto aos mecanismos e caracter\u00edsticas psicol\u00f3gicas associadas \u00e0\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0do que question\u00e1rios de autoavalia\u00e7\u00e3o de cinco minutos, especialmente porque as complexidades sem\u00e2nticas e vieses nas respostas podem ser mais bem trabalhados em intera\u00e7\u00f5es de pessoa para pessoa (especialmente com a presen\u00e7a de entrevistadores habilidosos e preparados).<\/li><\/br>\n<li><p style=\"text-align: justify;\">Uma vez que se sup\u00f5e que a pr\u00e1tica de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0contribui para o al\u00edvio do sofrimento, mensura\u00e7\u00f5es de resultado poderiam enfatizar a especificidade dos efeitos, mesmo dimens\u00f5es baseadas em construtos cl\u00e1ssicos da literatura budista como os sete fatores do despertar (energia, alegria, concentra\u00e7\u00e3o, tranquilidade, interesse, equanimidade e\u00a0<em>mindfulness<\/em>). Ainda que essas qualidades tamb\u00e9m sejam dif\u00edceis de encaixar na terminologia ocidental, elas podem ser capazes de oferecer uma abordagem de mensura\u00e7\u00e3o que avalia os efeitos espec\u00edficos das interven\u00e7\u00f5es em\u00a0<em>mindfulness<\/em>, de oferecer uma base para testar as assertivas budistas sobre as consequ\u00eancias da pr\u00e1tica de\u00a0<em>mindfulness<\/em>, e de estabelecer uma ponte entre dois paradigmas distintos. Esta estrat\u00e9gia tamb\u00e9m pode ser aplicada ao exame da transforma\u00e7\u00e3o comportamental depois dos MBIs (Singh\u00a0<em>et al<\/em>., 2004).<\/li><\/br>\n<li><p style=\"text-align: justify;\">Esfor\u00e7os devem continuar sendo exercidos no exame cuidadoso das mudan\u00e7as psicol\u00f3gicas e fisiol\u00f3gicas que acompanham a\u00a0<em>pr\u00e1tica e o processo<\/em>\u00a0de\u00a0<em>mindfulness<\/em>; \u00e9 muito mais prov\u00e1vel que tal estrat\u00e9gia revele pontos comuns entre os conceitos emp\u00edricos ocidentais e estabele\u00e7a la\u00e7os mais harm\u00f4nicos entre as psicologias ocidentais e budistas do que aquela do emprego de presun\u00e7\u00f5es\u00a0<em>a priori<\/em>\u00a0sobre\u00a0<em>mindfulness<\/em>.<\/li>\n<\/ol>\n<p><!-- \/wp:list -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} --><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em conclus\u00e3o, o in\u00edcio de uma transi\u00e7\u00e3o de paradigma parece evidente nas novas formas de explora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica emergentes, aproximando o subjetivo do objetivo (Thompson, 2007; Varela, Thompson e Rosch, 1991). Talvez um dos benef\u00edcios mais importantes que a\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0pode trazer \u00e0 pesquisa sobre\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0\u00e9 que n\u00f3s podemos aprender a cultivar uma consci\u00eancia paciente e intencional sobre o momento presente e sobre nossas pr\u00f3prias mentes no pr\u00f3prio trabalho que estamos conduzindo.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tradu\u00e7\u00e3o:\u00a0Cortesia da equipe de tradu\u00e7\u00f5es Contemplativas: Trad. Alexandre Chami Filho, Revis\u00e3o: Alex Mour\u00e3o e Lama Jigme Lhawang<\/strong><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:heading {\"level\":3} --><\/p>\n<h4><p style=\"text-align: justify;\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/h4>\n<p><!-- \/wp:heading -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">BAER, R. A. 2011.\u00a0<em>Measuring mindfulness<\/em>. Contemporary Buddhism 12: 241\u2013261.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">BAER, R. A., D. B. SAMUELS, e E. L. B. LYKINS. 2011.\u00a0<em>Differential item functioning on the Five Facet Mindfulness Questionnaire is minimal in demographically matched mediators and nonmediators<\/em>. Assessment 18: 3\u201310.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">BAER, R., G. SMITH, e K. ALLEN. 2004.\u00a0<em>Assessment of mindfulness by self report: The Kentucky inventory of mindfulness skills<\/em>. Assessment 11: 191\u2013206.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">BAER, R., G. SMITH, J. HOPKINS, J. KRIETEMEYER, e L. TONEY. 2006.\u00a0<em>Using self-report assessment methods to explore facets of mindfulness<\/em>. Assessment 13: 27\u201345.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">BAER, R. A., G. T. SMITH, E. LYKINS, D. BUTTON, J. KRIETEMEYER, S. SAUER, E. WALSH, D. DUGGAN, e J.M.G.WILLIAMS. 2008.\u00a0<em>Construct validity of the Five Facet Mindfulness Questionnairein meditating and non-meditating samples<\/em>. Assessment 15: 329\u201342.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">BATCHELOR, S. 1997.\u00a0<em>Buddhism without beliefs: A contemporary guide to awakening<\/em>. New York: Riverhead Books.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">BAUMEISTER, R., K. VOHS, e D. FUNDER. 2007.\u00a0<em>Psychology as the science of self-reports and finger movements. Whatever happened to actual behavior<\/em>? Perspectives on Psychological Science 2: 396\u2013403.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">BODHI, B. 1994.\u00a0<em>The noble eightfold path: The way to the end of suffering<\/em>. 2nd ed. Kandy, Sri Lanka: Buddhist Publication Society, First Published in 1984.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">BODHI, B. trad. 2000.\u00a0<em>The connected discourses of the Buddha: A new translation of the Samyutta Nikaya<\/em>. Boston, MA: Wisdom.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">BROWN, K. W., e R. M. RYAN. 2003.\u00a0<em>The benefits of being present: Mindfulness and its role in psychological well-being<\/em>. Journal of Personality and Social Psychology 84: 822\u201348.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">BUCHHELD, N., P. GROSSMAN, e H. WALACH. 2001.\u00a0<em>Measuring mindfulness in insight meditation (vipassana) and meditation-based psychotherapy: The development of the Freiburg Mindfulness Inventory (FMI)<\/em>. Journal for Meditation and Meditation Research 1: 11\u201334.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">BUDDHADASA BHIKKHU. 1988.\u00a0<em>Mindfulness with breathing: A manual for serious beginners<\/em>. Boston, MA: Shambhala.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">BUSH, M. 2011.\u00a0<em>Mindfulness in higher education<\/em>. Contemporary Buddhism 12: 183\u2013197.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">CARRIERE, J. S., J. A. CHEYNE, e D. SMILEK. 2008.\u00a0<em>Everyday attention lapses and memory failures: The affective consequences of mindlessness<\/em>. Consciousness and Cognition 17: 835\u201347.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">CHEYNE, J., J. CARRIERE, e D. SMILEK. 2006.\u00a0<em>Absent-mindedness: Lapses of conscious awareness and everyday cognitive failures<\/em>. Consciousness and Cognition 15: 578\u201392.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">CHRISTOPHER, M. S., S. CHAROENSUK, B. D. GILBERT, T. J. NEARY, e K. L. PEARCE. 2009.\u00a0<em>Mindfulness in Thailand and the United States: A case of apples versus oranges<\/em>? Journal of Clinical Psychology 65: 590\u2013612.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">CHRISTOPHER, M., e B. GILBERT. 2007.\u00a0<em>Psychometric properties of the Kentucky Inventory of Mindfulness Skills (KIMS) and the Mindful Attention Awareness Scale (MAAS) among Thai Theravada Buddhist monks<\/em>. Retirado do website da Pacific University Oregon.\u00a0<a style=\"color: #000000;\" href=\"http:\/\/commons.pacificu.edu\/sppfac\/2\/\">http:\/\/commons.pacificu.edu\/sppfac\/2\/<\/a><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">DAVIS, K. M., M. A. LAU, e D. R. CAIRNS. 2009.\u00a0<em>Development and preliminary validation of a trait version of the Toronto Mindfulness Scale<\/em>. Journal of Cognitive Psychotherapy 23: 185\u201397.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">DREYFUS, G. 2008.\u00a0<em>Attention and the regulation of ethically relevant mental states: An Abhidharmic view<\/em>. Apresenta\u00e7\u00e3o no Mind and Life Summer Research Institute, June 6\u201312, 2008. Garrison, NY.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">DREYFUS, G., e E. THOMPSON. 2007.\u00a0<em>Asian Perspectives: Indian theories of mind. In The Cambridge handbook of consciousness<\/em>, editado por P. D. Zelazo, M. Moscovitch, e E. Thompson. New York: Cambridge University Press.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">FRESCO, D. M., M. T. MOORE, M. VAN DULMEN, Z. V. SEGAL, J. D TEASDALE, H. MA, e J. M. G. WILLIAMS. 2007.\u00a0<em>Initial psychometric properties of the Experiences Questionnaire: A self-report survey of decentering<\/em>. Behavior Therapy 38: 234\u201346.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">GETHIN, R. 1998.\u00a0<em>The foundations of Buddhism<\/em>. Oxford: Oxford University Press.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">GROSSMAN, P. Forthcoming.\u00a0<em>Defining mindfulness by \u2018how poorly I think I pay attention in everyday awareness\u2019 and other intractable problems for psychology\u2019s (re) invention of mindfulness<\/em>. Psychological Assessment.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">GROSSMAN, P. 1983.\u00a0<em>Respiration, stress, and cardiovascular function.<\/em>\u00a0Psychophysiology 20: 284\u2013300.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">GROSSMAN, P. 2008.\u00a0<em>On measuring mindfulness in psychosomatic and psychological research<\/em>. Journal of Psychosomatic Research 64: 405\u20138.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">GROSSMAN, P. 2010.\u00a0<em>Mindfulness for psychologists: Paying kind attention to the perceptible<\/em>.\u00a0<em>Mindfulness<\/em>\u00a01: 87\u201397.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">GROSSMAN, P., e C. J. WIENTJES. 2001.\u00a0<em>How breathing adjusts to mental and physical demands<\/em>. Em Respiration and emotion, editado por Y. Haruki, I. Homma, A. Umezawa, e Y. Masaoka, 43\u201355. New York: Springer.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">HANH, T. N. 1998.\u00a0<em>The heart of the Buddha\u2019s teaching: Transforming suffering into peace, joy, and liberation<\/em>. New York: Broadway Books.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">HARGUS, E., C. CRANE, T. BARNHOFER, e J. M. G. WILLIAMS. 2010.\u00a0<em>Effects of mindfulness on meta-awareness and specificity of describing prodromal symptoms in suicidal depression<\/em>. Emotion 10: 34\u201342.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">HAYES, S. C., e J. C. PLUMB. 2007.\u00a0<em>Mindfulness from the bottom up: Providing an inductive framework for understanding mindfulness processes and their application to human suffering<\/em>. Psychological Inquiry 18: 242\u20138.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">IRELAND, J. D. trad. 1997.\u00a0<em>The Udana: Inspired utterances of the Buddha. translated from the Pali<\/em>. Kandy, Sri Lanka: Buddhist Publication Society.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">KABAT-ZINN, J. 1990.\u00a0<em>Full catastrophe living: Using the wisdom of your body and mind to face stress, pain, and illness<\/em>. New York: Dell Publishing.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">KABAT-ZINN, J. 2003.\u00a0<em>Mindfulness-based interventions in context: Past, present, and future<\/em>. Clinical Psychology: Science and Practice 10: 144\u201356.<\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\"><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">KABAT-ZINN, J. 2005.\u00a0<em>Coming to our senses: Healing ourselves and the world through mindfulness<\/em>. New York: Hyperion.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">KHEMA, A. 1989.\u00a0<em>Supreme efforts: III. Aware and awake<\/em>.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">LAU, M. A., S. R. BISHOP, Z. V. SEGAL, T. BUIS, N. D. ANDERSON et al. 2006.\u00a0<em>The Toronto mindfulness scale: Development and validation<\/em>. Journal of Clinical Psychology 62:1445\u201367.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">LEIGH, J., S. BOWEN, e G. A. MARLATT. 2005.\u00a0<em>Spirituality, mindfulness and substance abuse<\/em>. Addictive Behaviors 30: 1335\u201341.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">LINEHAN, M. M. 1993.\u00a0<em>Cognitive-behavioral treatment of borderline personality disorder<\/em>. New York: Guilford.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">MAYO, J., O. WHITE, e H. J. EYSENCK. 1978.\u00a0<em>An empirical study of the relation between astrological factors and personality<\/em>. Journal of Social Psychology 105: 229\u201336.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">NANAMOLI, B., e B. T. BODHI. trad. 2000.\u00a0<em>The middle length discourses of the Buddha. A translation of the Majjhima Nikaya<\/em>. 2\u00aa ed. Boston, MA: Wisdom Press.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">PAGNONI, G., M. CEKIC, e Y. GUO. 2008.\u00a0<em>Thinking about not-thinking\u2019: Neural correlates of conceptual processing during Zen meditation<\/em>. PLoS ONE 3: e3083.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">PHILLIPSON, E., P. A. MCCELAN, C. E. SULLIVAN, e N. C. ZAMEL. 1978.\u00a0<em>Interaction between metabolic and behavioral respiratory control during hypercapnia and speech.<\/em>\u00a0The American Review of Respiratory Disease 117: 903\u20139.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">REISE, S. P., e N. G. WALLER. 2009.\u00a0<em>Item response theory and clinical measurement.<\/em>\u00a0Annual Review of Clinical Psychology 5: 27\u201348.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">ROSENBERG, L. 1998.\u00a0<em>Breath by breath: The liberating practice of insight meditation.<\/em>\u00a0Boston, MA: Shambhala.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">SCHOOLER, J. W. 2002.\u00a0<em>Re-representing consciousness: Dissociations between experience and meta-consciousness<\/em>. TRENDS in Cognitive Sciences 6: 339\u20134.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">SEGAL, Z. V., J. M. G. WILLIAMS, e J. D. TEASDALE. 2002.\u00a0<em>Mindfulness-based cognitive therapy for depression<\/em>. New York: Guilford Press.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">SINGH, N., G. LANCIONI, A. WINTON, R. WAHLER, J. SINGH, e M. SAGE. 2004.\u00a0<em>Mindful caregiving increases happiness among individuals with profound multiple disabilities.<\/em>\u00a0Research in Developmental Disabilities 25: 207\u201318.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">SMALLWOOD, J., E. BEACH, J. W. SCHOOLER, e T. C. HANDY. 2008.\u00a0<em>Going AWOL in the brain: Mind wandering reduces cortical analysis of external events.<\/em>\u00a0Journal of Cognitive Neuroscience 20: 458\u201369.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">SOLLOWAY, S. G., e W. P. FISHER. 2007.\u00a0<em>Mindfulness practice: A Rasch variable construct innovation<\/em>. Journal of Applied Measurement 8: 359\u201372.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">TEASDALE, J. D., R. G. MOORE, H. HAYHURST, M. POPE, S. WILLIAMS, e Z. V. SEGAL. 2002.\u00a0<em>Metacognitive awareness and prevention of relapse in depression: Empirical evidence<\/em>. Journal of Consulting and Clinical Psychology 70: 278\u201387.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">THOMPSON, E. 2007.\u00a0<em>Mind in life: Biology, phenomenology, and the sciences of mind<\/em>. Cambridge, MA: Harvard University Press.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">THOMPSON, E., e F. J. VARELA. 2001.\u00a0<em>Radical embodiment: Neural dynamics and consciousness<\/em>. TRENDS in Cognitive Sciences 5: 418\u201325.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">VAN DAM, N. T., M. EARLEYWINE, e A. BORDERS. 2010.\u00a0<em>Measuring mindfulness? An item response theory analysis of the mindful attention awareness scale.<\/em>\u00a0Personality and Individual Differences 49: 805\u201310.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">VAN DAM, N. T., M. EARLEYWINE, e S. DANOFF-BURG. 2009.\u00a0<em>Differential item function across meditators and non-meditators on the Five Facet Mindfulness Questionnaire<\/em>. Personality and Individual Differences 47: 516\u201321.<\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\"><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>VAN DAM, N. T., S. C. SHEPPARD, J. P. FORSYTH, M. EARLEYWINE. 2011.\u00a0<em>Self-compassion is a better predictor than mindfulness of symptom severity and quality of life in mixed anxiety and depression<\/em>. Journal of Anxiety Disorders 25: 123\u201330.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">VARELA, F., E. THOMPSON, e E. ROSCH. 1991.\u00a0<em>The embodied mind: cognitive science and human experience<\/em>. Cambridge MA: MIT.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">WALACH, H., N. BUCHHELD, V. BUTTENMULLER, N. KLEINKNECHT, e S. SCHMIDT. 2006.\u00a0<em>Measuring mindfulness\u2014the Freiburg Mindfulness Inventory (FMI)<\/em>. Personality and Individual Differences 40: 1543\u201355<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:heading {\"level\":4} --><\/p>\n<h4><p style=\"text-align: justify;\"><strong>NOTAS:<\/strong><\/h4>\n<p><!-- \/wp:heading -->\n<!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><p style=\"text-align: justify;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/28\/se-mindfulness-tivesse-outro-nome\/#_ftnref1\">[1]<\/a>\u00a0O primeiro autor (P. Grossman) \u00e9 coautor da FMI.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SE\u00a0MINDFULNESS\u00a0TIVESSE OUTRO NOME: DIFICULDADES E DESAFIOS DE\u00a0SATI\u00a0NA PSICOLOGIA E CI\u00caNCIA OCIDENTAIS Paul Grossman &amp;\u00a0Nicholas T. 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