{"id":8133,"date":"2020-03-27T04:23:11","date_gmt":"2020-03-27T04:23:11","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/"},"modified":"2020-03-27T04:23:11","modified_gmt":"2020-03-27T04:23:11","slug":"quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/","title":{"rendered":"QUANTO A ALGUMAS DEFINI\u00c7\u00d5ES DE MINDFULNESS &#8211; Rupert Gethin"},"content":{"rendered":"\n<p><p style=\"text-align: justify;\"><strong>QUANTO A ALGUMAS DEFINI\u00c7\u00d5ES DE\u00a0<em>MINDFULNESS<br \/><\/em>Rupert Gethin<\/strong><\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Resumo<\/strong>.<\/br> A primeira tradu\u00e7\u00e3o do termo t\u00e9cnico Budista \u201c<em>mindfulness<\/em>\u201d foi feita em 1981 por T.W. Rhys Davids. Desde ent\u00e3o, v\u00e1rios autores, incluindo Rhys Davids, t\u00eam tentado definir precisamente o que\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0quer dizer. A princ\u00edpio, estas tentativas eram baseadas em leituras e interpreta\u00e7\u00f5es de textos Budistas cl\u00e1ssicos. A partir da d\u00e9cada de 50, algumas destas defini\u00e7\u00f5es passaram a ser enriquecidas pela efetiva pr\u00e1tica de medita\u00e7\u00e3o. A defini\u00e7\u00e3o de Nyanaponika, em particular, parece ter tido uma influ\u00eancia significativa na defini\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0adotada pelos desenvolvedores da MBSR e MBCT. Ao olharmos para os v\u00e1rios aspectos de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0contemplados pelas defini\u00e7\u00f5es tradicionais do Theravada, percebemos que muitos n\u00e3o est\u00e3o inicialmente aparentes nas defini\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas em contextos de MBSR e MBCT. Ademais, as compreens\u00f5es de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0como \u201csem julgamento\u201d exigem uma avalia\u00e7\u00e3o cuidadosa de uma perspectiva Budista tradicional. N\u00e3o obstante, as diferen\u00e7as de \u00eanfase presentes nas discuss\u00f5es das defini\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas podem n\u00e3o ser especialmente significativas na aplica\u00e7\u00e3o cl\u00ednica de fato de t\u00e9cnicas de\u00a0<em>mindfulness<\/em>.<\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece ser o caso de que T.W. Rhys Davids foi o primeiro a traduzir o termo t\u00e9cnico\u00a0<em>sati<\/em>\u00a0(em P\u00e1li) ou\u00a0<em>smrti<\/em>\u00a0(em S\u00e2nscrito) como \u201c<em>mindfulness<\/em>\u201d em ingl\u00eas. N\u00e3o temos como saber exatamente que pondera\u00e7\u00f5es levaram Rhys Davids a escolher esta palavra, j\u00e1 que, dentro do meu conhecimento, ele nunca chegou a revelar suas raz\u00f5es. Os dicion\u00e1rios que ele tinha \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o \u2013 Monier Williams, 1872, Childers, 1875, Bohtlingk e Roth, 1855-1875<a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0\u2013 teriam sugerido tradu\u00e7\u00f5es como \u201clembrar, mem\u00f3ria, reminisc\u00eancia, lembran\u00e7a, pensar em ou sobre (algo ou algu\u00e9m), trazer \u00e0 mente\u201d (de Monier Williams, 1872), uma vez que este era o significado mais comum e corrente do termo mais familiar\u00a0<em>smrti<\/em>\u00a0em S\u00e2nscrito. \u00c9 verdade que para o verbo\u00a0<em>smarati<\/em>, Monier Williams oferece os seguintes significados enquanto defini\u00e7\u00f5es: \u201clembrar\u2026 rememorar, trazer \u00e0 mente, manter em mente, pensar em, pensar sobre, manter a aten\u00e7\u00e3o consciente em [<em>be mindful of<\/em>]\u201d e talvez isso tenha conduzido \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o escolhida:\u00a0<em>mindfulness<\/em>. No entanto, Childers em seu dicion\u00e1rio de P\u00e1li de 1875, traz apenas a defini\u00e7\u00e3o \u201clembran\u00e7a\u201d, acrescentando, talvez conscientemente atento ao fato de estar lidando com um termo t\u00e9cnico Budista, \u201cestado mental ativo, aten\u00e7\u00e3o fixa sobre um objeto, aten\u00e7\u00e3o, consci\u00eancia atenta, pensamento, reflex\u00e3o, consci\u00eancia plena\u201d; a express\u00e3o\u00a0<em>upatthita sati<\/em>\u00a0ele define como \u201cpresen\u00e7a mental\u201d e\u00a0<em>satipatthana\u00a0<\/em>como \u201cfixa\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o, medita\u00e7\u00e3o diligente\u201d. \u00c9 claro que n\u00e3o h\u00e1 motivos para acreditar que \u201c<em>mindfulness<\/em>\u201d \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o particularmente surpreendente de\u00a0<em>sati<\/em>; o OED [<em>Oxford English Dictionary<\/em>] define o termo em ingl\u00eas \u201c<em>mindfulness<\/em>\u201d como \u201c<em>the state or quality of being mindful; attention; memory (obs.); intention; purpose (obs.)\u201d\u00a0<\/em>[o estado ou qualidade de estar plenamente consciente, aten\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria (obs.); inten\u00e7\u00e3o; prop\u00f3sito (obs.)\u201d<em>,\u00a0<\/em>j\u00e1 em 1530 (<a href=\"http:\/\/www.oed.com\/\"><em>www.oed.com<\/em><\/a>).<\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">O que est\u00e1 claro, no entanto, \u00e9 que os primeiros tradutores de textos Budistas estavam inseguros quanto a como traduzir\u00a0<em>sati<\/em>\u00a0enquanto um termo t\u00e9cnico Budista, j\u00e1 que palavras como \u201clembrar\u201d e \u201cmem\u00f3ria\u201d n\u00e3o pareciam se encaixar no que era exigido pela terminologia Budista. A tradu\u00e7\u00e3o mais antiga que fui capaz de encontrar foi a de Gogerly de 1845 \u2013 \u201cmedita\u00e7\u00e3o correta\u201d para\u00a0<em>samma-sati\u00ad,\u00a0<\/em>no contexto do caminho \u00f3ctuplo.<a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0Em 1850, Spence Hardy explicou \u201c<em>smrti\u201d<\/em>\u00a0como a \u201cfaculdade da raz\u00e3o de sujeitos morais, a consci\u00eancia\u201d (1850, 442). Tr\u00eas anos depois, em seu\u00a0<em>Manual de Budismo<\/em>, ele mant\u00e9m o termo original em diversas ocasi\u00f5es (1853, 412, 413), mas explica\u00a0<em>satipatthana<\/em>\u00a0como \u201cos quatro t\u00f3picos do pensamento sobre os quais a aten\u00e7\u00e3o deve manter-se fixa, e que devem ser adequadamente compreendidos\u201d (1853, 497) e<em>\u00a0sati<\/em>\u00a0como um constituinte do despertar (<em>sambojjhanga<\/em>) \u2013 \u201cuma determina\u00e7\u00e3o da verdade por for\u00e7a de acuidade mental\u201d e, em seu \u00edndice, simplesmente como \u201cconsci\u00eancia\u201d (1853, 531). \u00c9 f\u00e1cil desdenhar destas primeiras explica\u00e7\u00f5es e tradu\u00e7\u00f5es \u201cmission\u00e1rias\u201d, considerando-as inadequadas e incorretas, no entanto, tanto Gogerly como Spence Hardy passaram muitos anos no Ceil\u00e3o (atual Sri Lanka), eram proficientes em cing\u00e2les e tinham v\u00ednculos estreitos tanto com Budistas laicos como com mon\u00e1sticos; portanto, suas explica\u00e7\u00f5es e defini\u00e7\u00f5es provavelmente refletem ao menos impress\u00f5es derivadas destas intera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1881, T.W. Rhys Davids publicou tradu\u00e7\u00f5es de sete\u00a0<em>suttas<\/em>\u00a0dos Nikayas\u00a0<em>Digha\u00a0<\/em>e\u00a0<em>Majjhima<\/em>. Sua tradu\u00e7\u00e3o do Sutta\u00a0<em>Mahaparinibbana<\/em>\u00a0sugere algum n\u00edvel de incerteza quanto \u00e0 melhor defini\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>sati<\/em>. Encontramos tradu\u00e7\u00f5es de\u00a0<em>sati<\/em>\u00a0como \u201catividade mental\u201d (Rhys Davids, 1881, 9, 14, 63), como simplesmente \u201cpensamento\u201d (1881, 63); conquanto que\u00a0<em>satipathanas\u00a0<\/em>s\u00e3o tamb\u00e9m traduzidas como \u201cmedita\u00e7\u00f5es diligentes\u201d (1881, 62, 63)<a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftn3\">[3]<\/a>. No entanto, j\u00e1 est\u00e1 claro que a tradu\u00e7\u00e3o preferida de Rhys Davids foi \u201c<em>mindfulness<\/em>\u201d. Em sua introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>Sutta Dhammacakkappavattana,\u00a0<\/em>ele fala a respeito do\u00a0<em>samma-sati<\/em>\u00a0no contexto do caminho \u00f3ctuplo:<\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Sati<\/em>, literalmente, significa \u201cmem\u00f3ria\u201d, mas \u00e9 usada para fazer refer\u00eancia \u00e0 frase constantemente repetida \u201catento e consciente\u201d (<em>sato sampajano<\/em>); e significa a atividade e a presen\u00e7a mental constante, que \u00e9 um dos deveres mais frequentemente frisados para ser um bom Budista (Rhys Davids 1881, 145).<\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua tradu\u00e7\u00e3o do primeiro volume do\u00a0<em>Digha Nikaya<\/em>, de 1889, ele usa \u201c<em>mindful(ness)<\/em>\u201d com razo\u00e1vel const\u00e2ncia<a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftn4\">[4]<\/a>, mas \u00e9 apenas em sua tradu\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>Mahasatipatthana Sutta<a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftn5\"><strong>[5]<\/strong><\/a><\/em>, de 1910, que Rhys Davids oferece uma considera\u00e7\u00e3o mais desenvolvida do termo. Na introdu\u00e7\u00e3o de sua tradu\u00e7\u00e3o, ele pontua v\u00e1rias coisas importantes. Ele sugere que a \u201cdoutrina\u201d exposta no\u00a0<em>sutta<\/em>\u00a0\u201c\u00e9 talvez a mais importante, depois do Nobre Caminho, no Budismo cl\u00e1ssico\u201d e que o\u00a0<em>sutta<\/em>\u00a0permanece \u201csendo frequente e popularmente utilizado entre os Budistas que aderiram \u00e0 f\u00e9 tradicional\u201d. Quanto \u00e0 quest\u00e3o do que\u00a0<em>\u00e9<\/em>\u00a0<em>mindfulness<\/em>, ele comenta simplesmente que \u201co\u00a0<em>Suttanta<\/em>\u00a0ir\u00e1 revelar\u201d, mas prossegue oferecendo certas observa\u00e7\u00f5es quanto ao termo. Ele afirma que conquanto\u00a0<em>sati<\/em>\u00a0significa etimologicamente \u201cmem\u00f3ria\u201d, no contexto Budista tal tradu\u00e7\u00e3o seria \u201ca mais inadequada e enganosa\u201d, uma vez que\u00a0<em>sati<\/em>\u00a0significa mais amplamente \u201cmem\u00f3ria, lembran\u00e7a, trazer a mente, manter consci\u00eancia de\u201d certos fatos espec\u00edficos:<\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentre estes fatos, os mais importantes s\u00e3o a imperman\u00eancia (o surgimento a partir de causas, e a cessa\u00e7\u00e3o com o fim destas causas) de todos os fen\u00f4menos, f\u00edsicos e mentais. E isto inclui a aplica\u00e7\u00e3o repetida desta consci\u00eancia para cada experi\u00eancia de vida de uma perspectiva \u00e9tica. (Rhys Davids 1919, 322).<\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui Rhys Davids parece estar sublinhando uma das m\u00e1ximas do\u00a0<em>Mahasatipatthana Sutta<\/em>, que \u00e9 a pr\u00e1tica de observar como as coisas \u201cv\u00eam a ser\u201d e como elas \u201ccessam de ser\u201d. Rhys Davids oferece algumas reflex\u00f5es comparadas entre as espiritualidades Budista e Crist\u00e3:<\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando \u00e9 dito aos Crist\u00e3os \u201cseja quando for se alimentar ou beber, em qualquer coisa que fa\u00e7a, fa\u00e7a-o para a gl\u00f3ria de Deus\u201d demonstra-se que qualquer a\u00e7\u00e3o, por mais baixa que seja, com o acr\u00e9scimo da lembran\u00e7a (<em>sati<\/em>) divina, pode ser adornada com a aura de um alto entusiasmo moral; e como, pela cont\u00ednua pr\u00e1tica desta lembran\u00e7a, um desenvolvimento permanente de car\u00e1ter pode ser obtido. A compreens\u00e3o Budista \u00e9 semelhante. Mas a lembran\u00e7a \u00e9 daquilo que podemos entender como a lei natural, e n\u00e3o de uma deidade. Isto \u00e9 uma pedra angular do sistema de treinamento moral Budista. A pedra angular correspondente no Ocidente \u00e9 a consci\u00eancia; e, de fato, \u00e9 t\u00e3o pr\u00f3xima da lembran\u00e7a em seus efeitos que um erudito escolheu \u201cconsci\u00eancia\u201d [<em>conscience<\/em>] como uma tradu\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>sati<\/em>\u00a0\u2013 erroneamente, em nossa compreens\u00e3o, uma vez que isto introduz uma ideia Ocidental no Budismo. (Rhys Davids 1910, 323)<\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Tenha Rhys Davids corretamente caracterizado as pr\u00e1ticas Budistas ou Crist\u00e3s, aqui, sem d\u00favida, reside um ponto de debate. N\u00e3o obstante, da perspectiva dos textos Budistas cl\u00e1ssicos, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil enxergar o que levou Rhys Davids a fazer a compara\u00e7\u00e3o que fez: a mensagem central do\u00a0<em>Mahasatipatthana Sutta<\/em>\u00a0pode ser sintetizada na frase \u201cse voc\u00ea consistentemente \u201clembra\u201d do que est\u00e1 fazendo em dado momento, voc\u00ea verdadeiramente enxergar\u00e1 o que est\u00e1 fazendo; e se voc\u00ea enxergar o que est\u00e1 fazendo, aquelas a\u00e7\u00f5es, palavras e pensamentos motivados pela gan\u00e2ncia, \u00f3dio e delus\u00e3o se tornar\u00e3o imposs\u00edveis\u201d. A associa\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0com \u201cconsci\u00eancia\u201d, no entanto, e sua caracteriza\u00e7\u00e3o enquanto uma esp\u00e9cie de intui\u00e7\u00e3o \u00e9tica n\u00e3o \u00e9 o que tem sido enfatizado ou abordado nas defini\u00e7\u00f5es que t\u00eam sido mais frequentemente utilizadas no contexto da terapia cognitiva baseada em\u00a0<em>mindfulness<\/em>, por exemplo, que tendem a caracterizar\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0como um tipo de observa\u00e7\u00e3o \u201csem julgamentos\u201d.<\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Deixando o assunto de lado por um momento, parece claro que, com a tradu\u00e7\u00e3o de Rhys Davids do\u00a0<em>Mahasatipatthana Sutta<\/em>, \u201c<em>mindfulness<\/em>\u201d logo se estabeleceu como a \u00fanica tradu\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas poss\u00edvel para\u00a0<em>sati<\/em>. Para nomear apenas alguns trabalhos significativos com a palavra, temos o de Chalmers, em sua tradu\u00e7\u00e3o parcial do\u00a0<em>Majjhima Nikaya<\/em>\u00a0(1926), de Mrs. C.A.F Rhys Davids e F.L. Woodward, em sua tradu\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>Samyutta Nikaya<\/em>\u00a0(1917-1930); de E.M. Hare e F.L. Woodward, em sua tradu\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>Anguttara Nikaya<\/em>\u00a0(1932-1936); e talvez, mais significativamente, de Bhikkhu Nanamoli, em sua tradu\u00e7\u00e3o muito influente de\u00a0<em>Visuddhimagga<\/em>\u00a0de Buddhaghosa, publicada em 1956 e republicada posteriormente muitas outras vezes.<\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 o momento, temos considerado principalmente as primeiras tradu\u00e7\u00f5es de estudiosos dos textos Budistas cl\u00e1ssicos. A influ\u00eancia da perspectiva da efetiva pr\u00e1tica Budista nestes textos \u00e9 limitada, ainda que n\u00e3o possamos ignorar o fato que Rhys Davids foi influenciado em sua compreens\u00e3o de\u00a0<em>satipatthana<\/em>\u00a0por seu contato com monges no Ceil\u00e3o. Com a publica\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>Path of Purification<\/em>\u00a0(1964), de Nanamoli, por\u00e9m, n\u00f3s tocamos diretamente a tradi\u00e7\u00e3o dos praticantes mon\u00e1sticos Budistas ocidentais em sentido amplo, e em espec\u00edfico a tradi\u00e7\u00e3o que identificou \u201c<em>mindfulness<\/em>\u201d como \u201co cora\u00e7\u00e3o da medita\u00e7\u00e3o Budista\u201d, para usar o t\u00edtulo da importante e influente obra de Nanamoli, publicado pela primeira vez em 1954 (Nyanaponika, 1962, 14). Aqui n\u00e3o \u00e9 o local de tentar rastrear a hist\u00f3ria desta tradi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica integralmente. Mas o que parece claro \u00e9 que \u00e9 esta tradi\u00e7\u00e3o que est\u00e1 por tr\u00e1s do acolhimento ocidental moderno da medita\u00e7\u00e3o Budista que levou \u00e0 ado\u00e7\u00e3o tanto do termo \u201c<em>mindfulness<\/em>\u201d, como de certas pr\u00e1ticas no contexto da psicoterapia. Em sentido amplo, esta tradi\u00e7\u00e3o pode ser remetida a professores de medita\u00e7\u00e3o birmaneses como Mahasi Sayadaw (1904 \u2013 1982) e U Ba Khin (1899 \u2013 1971); as instru\u00e7\u00f5es deste \u00faltimo foram uma das influ\u00eancias formadoras na compreens\u00e3o de Nyanaponika sobre mindfulness e medita\u00e7\u00e3o.<a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftn6\">[6]<\/a>\u00a0Nyanaponika desenvolveu o seu interesse inicial na medita\u00e7\u00e3o\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0sob influ\u00eancia de dois monges cingaleses chamados Khemind Thera e Soma Thera. O \u00faltimo publicou uma tradu\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>Satipatthana Sutta<\/em>\u00a0e coment\u00e1rio em 1941 (Soma, 1967) depois de completar um per\u00edodo de pr\u00e1tica de medita\u00e7\u00e3o em Burma de 1936 a 1937 e retornar ao Ceil\u00e3o para passar um per\u00edodo no Eremit\u00e9rio da Ilha de Dodanduwa, criado por Nyanatiloka (1878 \u2013 1957) em 1911 (Nyanatusita e Hecker, 2008, 36). Nyanaponika passou ele mesmo um per\u00edodo praticando medita\u00e7\u00e3o em Burma com Mahasi Sayadaw no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1950.<a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftn7\">[7]<\/a><\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Nyanaponika, de fato, oferece uma vers\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0que \u00e9 influenciada por sua compreens\u00e3o do arcabou\u00e7o t\u00e9cnico dos processos de percep\u00e7\u00e3o (<em>cittavithi<\/em>) encontrado no pensamento sistem\u00e1tico da tradi\u00e7\u00e3o Theravada (<em>abhidhamma<\/em>).\u00a0<em>Mindfulness<\/em>, ele nos diz, n\u00e3o \u00e9 um estado \u201cm\u00edstico\u201d \u2013 na verdade:<\/p>\n\n\n<blockquote class=\"is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u00c9 uma manifesta\u00e7\u00e3o elementar, conhecida como \u201caten\u00e7\u00e3o\u201d, uma das fun\u00e7\u00f5es cardinais da consci\u00eancia sem a qual n\u00e3o h\u00e1 qualquer percep\u00e7\u00e3o ou objeto.<\/p>\n<cite> (Nyanaponika 1962, 24) <\/cite><\/blockquote>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Nyanaponika n\u00e3o nos diz qual \u00e9, se \u00e9 que h\u00e1, o termo t\u00e9cnico em P\u00e1li para \u201caten\u00e7\u00e3o\u201d. Em uma nota (1962, 112), ele indica que est\u00e1 fazendo refer\u00eancia a um estado de percep\u00e7\u00e3o conhecido como\u00a0<em>avajjana<\/em>, \u201cvoltar-se para (um objeto)\u201d. Certamente, na terminologia t\u00e9cnica do\u00a0<em>abhidhamma<\/em>, este est\u00e1 entre os tipos de aten\u00e7\u00e3o mais crus que existem; curiosamente, na terminologia do\u00a0<em>abhidhamma<\/em>\u00a0a qualidade mental\u00a0<em>sati<\/em>\u00a0n\u00e3o est\u00e1 presente neste est\u00e1gio do processo de percep\u00e7\u00e3o, algo de que Nyanaponika, que com certeza tinha uma boa base no\u00a0<em>abhidhamma<\/em>, devia estar plenamente ciente. Ele devia estar se referindo provavelmente \u00e0 compreens\u00e3o do\u00a0<em>abhidhamma<\/em>\u00a0de \u201ctrazer \u00e0 mente\u201d ou \u201cprestar aten\u00e7\u00e3o\u201d (<em>manasikara<\/em>), que \u00e9 uma qualidade entendida como presente em todos os atos de consci\u00eancia; ademais, como n\u00f3s a princ\u00edpio voltamos \u00e0 aten\u00e7\u00e3o na dire\u00e7\u00e3o de objetos de percep\u00e7\u00e3o, n\u00e3o obstante estar fora dos limites do controle consciente, \u00e9 considerado como parte crucial do condicionamento de nossas respostas emocionais subsequentes aos objetos de percep\u00e7\u00e3o; \u00e9 dizer, como fatores que governam se nossa resposta ter\u00e1 \u201c<em>mindfulness<\/em>\u201d.<a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftn8\">[8]<\/a>\u00a0O que Nyanaponika parece estar sugerindo aqui \u00e9 que a constitui\u00e7\u00e3o de nossa aten\u00e7\u00e3o inicial aos objetos da percep\u00e7\u00e3o \u00e9 a semente de\u00a0<em>mindfulness<\/em>. Ainda que ele fa\u00e7a uma clara distin\u00e7\u00e3o entre a \u201caten\u00e7\u00e3o\u201d inicial e a \u201c<em>mindfulness<\/em>\u00a0correta\u201d (<em>sammasati<\/em>), ele vem a focar em \u201c<em>mindfulness<\/em>\u00a0em seu aspecto espec\u00edfico de \u2018aten\u00e7\u00e3o pura\u2019\u201d (Nyanaponika, 1962, 30).<\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando aborda a \u201caten\u00e7\u00e3o pura\u201d, Nyanaponika a contrap\u00f5e com nosso h\u00e1bito de julgar o que percebemos da perspectiva autointeressada; ao inv\u00e9s de nos preocuparmos com um envolvimento desinteressado com como as coisas genuinamente s\u00e3o, iremos enxergar os objetos \u201csob a \u00f3tica dos julgamentos subjetivos\u201d que est\u00e3o atados a nossas compreens\u00f5es preconcebidas sobre n\u00f3s mesmos, nossa personalidade e ego (Nyanaponika 1962, 32-4). Para Nyanaponika, a aten\u00e7\u00e3o pura \u00e9 uma forma de iniciar uma conten\u00e7\u00e3o desse processo, a partir da qual em cada gesto atencional n\u00f3s refor\u00e7amos certos h\u00e1bitos mentais; \u00e9 uma forma de come\u00e7ar a enxergar as coisas sob uma nova perspectiva.<\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">A compreens\u00e3o de Nyanaponika da rela\u00e7\u00e3o entre\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0e \u201caten\u00e7\u00e3o pura\u201d parece ter sido imensamente influente. E ainda que ele tenha sido cuidadoso em apresentar a aten\u00e7\u00e3o pura como um aspecto elementar da pr\u00e1tica de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0e em distingui-la de uma compreens\u00e3o mais integral de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0propriamente dita \u2013 a\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0correta como constituinte do caminho \u00f3ctuplo \u2013 tem havido ocasionalmente uma tend\u00eancia por parte daqueles que escreveram sobre\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0de assimil\u00e1-la \u00e0 \u201caten\u00e7\u00e3o pura\u201d.<\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta tradi\u00e7\u00e3o foi disseminada e desenvolvida no Ocidente por v\u00e1rios professores e estudiosos de medita\u00e7\u00e3o, incluindo Jack Kornfield (nascido em 1945) e Joseph Goldstein (nascido em 1944), para citar apenas dois. Trata-se, portanto, de uma tradi\u00e7\u00e3o de medita\u00e7\u00e3o Budista que est\u00e1 fundamentada em uma abordagem espec\u00edfica do\u00a0<em>Satipatthana Sutta<\/em>\u00a0e identifica esta abordagem ao que \u00e0s vezes \u00e9 referido pelo termo tradicional Budista \u201cinsight\u201d ou discernimento (<em>vipassana<\/em>).<\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Jack Kornfield em sua relevante antologia de ensinamentos de \u201cMestres Budistas Vivos\u201d (incluindo uma mulher, Achaan Naeb, de modo que o termo \u201cmestre\u201d n\u00e3o deve ser lido associado a um g\u00eanero espec\u00edfico) apresenta\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0como \u201ca qualidade acima de todas\u201d que \u00e9 \u201ccentral \u00e0 pr\u00e1tica\u201d de desenvolvimento de sabedoria:<\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">A forma mais direta de compreender a situa\u00e7\u00e3o de nossa vida, quem n\u00f3s somos e como operamos, \u00e9 a partir da observa\u00e7\u00e3o com uma mente que simplesmente reconhece todos os acontecimentos igualmente. Esta atitude de n\u00e3o julgamento, de observa\u00e7\u00e3o direta, permite aos eventos que ocorram de modo natural. A partir da aten\u00e7\u00e3o no momento presente, n\u00f3s conseguimos enxergar de modo mais e mais claro as verdadeiras caracter\u00edsticas dos nossos processos mentais e f\u00edsicos (Kornfield 1977, 13).<\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso fornece um bom exemplo de uma defini\u00e7\u00e3o funcional emergente de \u201c<em>mindfulness<\/em>\u201d. As principais caracter\u00edsticas desta defini\u00e7\u00e3o s\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0enquanto uma postura de n\u00e3o julgamento, de observa\u00e7\u00e3o direta da mente e do corpo no momento presente, somada a uma compreens\u00e3o de que este tipo de observa\u00e7\u00e3o \u00e9 particularmente eficaz.<\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">O uso de pr\u00e1ticas Budistas de \u201c<em>mindfulness<\/em>\u201d no contexto da psicoterapia cl\u00ednica ocidental surgiu na d\u00e9cada de 1980 e in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990 e \u00e9 associada principalmente ao nome de Jon Kabat-Zinn e seu trabalho com a Cl\u00ednica de Redu\u00e7\u00e3o do Estresse (fundada em 1979) e o Centro de\u00a0<em>Mindfulness<\/em>\u00a0na Medicina, Sa\u00fade P\u00fablica e Sociedade (fundada em 1995) na Universidade de Massachusetts.<a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftn9\">[9]<\/a>\u00a0O programa de Redu\u00e7\u00e3o do Estresse Baseado em\u00a0<em>Mindfulness<\/em>\u00a0(MBSR) \u00e9 ent\u00e3o englobado no desenvolvimento da Terapia Cognitiva Baseada em\u00a0<em>Mindfulness<\/em>\u00a0(MBCT) (Segal, Williams e Teasdale, 2002). As influ\u00eancias Budistas diretas na abordagem de Kabat-Zinn ficam claras em uma larga quantidade de escritos seus: certamente a tradi\u00e7\u00e3o de medita\u00e7\u00e3o de discernimento e de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0que discutimos acima \u00e9 uma das principais influ\u00eancias, ainda que ele tamb\u00e9m cite outras pr\u00e1ticas de medita\u00e7\u00e3o Budistas e seus primeiros artigos fa\u00e7am refer\u00eancia a outras tradi\u00e7\u00f5es contemplativas que n\u00e3o o Budismo.<a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftn10\">[10]<\/a>\u00a0Nos \u00faltimos 20 anos, o uso de MBSR e MBCT enquanto psicoterapia cl\u00ednica na Am\u00e9rica e na Europa tem aumentado consideravelmente. Neste contexto, as origens Budistas de\u00a0<em>mindfulness<\/em>, ainda que n\u00e3o sejam exatamente um segredo, s\u00e3o frequentemente subestimadas ou sequer mencionadas; a abordagem \u00e9 pr\u00e1tica e o que \u00e9 enfatizado \u00e9 a utilidade terap\u00eautica da\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0e n\u00e3o as credenciais Budistas, ainda que estas sejam ocasionalmente sugeridas. Portanto, na introdu\u00e7\u00e3o da obra\u00a0<em>The mindful way through depression\u00a0<\/em>(2007), Williams, Teasdale, Segal e Kabat-Zinn falam do uso cl\u00ednico de pr\u00e1ticas meditativas:<\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Cultivar um tipo particular de consci\u00eancia, conhecido como\u00a0<em>mindfulness<\/em>, que teve origem nas tradi\u00e7\u00f5es de sabedoria asi\u00e1ticas. Estas pr\u00e1ticas\u2026 t\u00eam sido parte da cultura Budista por mil\u00eanios\u2026 n\u00f3s logo descobrimos que a combina\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia cognitiva ocidental e das pr\u00e1ticas orientais era justamente o necess\u00e1rio para romper com o ciclo da depress\u00e3o recorrente. (Williams et al, 2007, 5)<\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">A obra anterior de Segal, Williams e Teasdale,\u00a0<em>Mindfulness-Based Cognitive Therapy for Depression\u00a0<\/em>(2002), em contrapartida, menciona a \u201cmedita\u00e7\u00e3o\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0Budista\u201d apenas em uma passagem (2002, 44), ainda que recomende alguns manuais Budistas de medita\u00e7\u00e3o de discernimento como leituras posteriores.<a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftn11\">[11]<\/a><\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Como enxergamos a adapta\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0Budistas em um contexto cl\u00ednico moderno de tratamento de estresse e depress\u00e3o depender\u00e1 da perspectiva em quest\u00e3o. De uma perspectiva Budista em particular, a abstra\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0de seu contexto maior de pr\u00e1ticas meditativas Budistas pode parecer uma apropria\u00e7\u00e3o e distor\u00e7\u00e3o do Budismo tradicional, que perde de vista o objetivo Budista de extirpar a gan\u00e2ncia, a raiva e a delus\u00e3o. De uma outra perspectiva Budista, a quest\u00e3o pode ser vista como um exemplo de \u201cmeios h\u00e1beis\u201d (<em>upaya-kausalya<\/em>): oferece aos seres uma oportunidade de dar o primeiro e importante passo no caminho que leva \u00e0 cessa\u00e7\u00e3o do sofrimento. Ainda de uma outra perspectiva, talvez Budista, que pode ser caracterizada como \u201cmodernista\u201d, a situa\u00e7\u00e3o despe o Budismo de algumas de suas bagagens culturais e hist\u00f3ricas desnecess\u00e1rias, focando no que \u00e9 \u00fatil e essencial. Uma perspectiva n\u00e3o Budista pode considerar tudo isto como a remo\u00e7\u00e3o da bagagem cultural e hist\u00f3rica que revela a ess\u00eancia verdadeiramente \u00fatil at\u00e9 ent\u00e3o obscurecida pela \u201creligi\u00e3o\u201d Budista. Por fim, podemos ainda tomar a perspectiva de que a unifica\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas derivadas do Budismo e os m\u00e9todos da ci\u00eancia cognitiva moderna \u00e9 o verdadeiro avan\u00e7o que suplanta e torna redundante as pr\u00e1ticas tradicionais Budistas. Como observadores da hist\u00f3ria social, podemos ainda enxergar estas circunst\u00e2ncias como um exemplo de mudan\u00e7a de uma situa\u00e7\u00e3o cultural na qual transformamos o m\u00e9todo de cura da alma de religi\u00e3o em medicina e ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui n\u00e3o \u00e9 local de considera\u00e7\u00e3o da signific\u00e2ncia de todas estas posturas poss\u00edveis em profundidade. Seja qual atitude adotarmos diante desta realidade, uma compreens\u00e3o e abordagem particulares diante de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0emergiu no contexto da MBSR e da MBCT; e, dada a proemin\u00eancia do Budismo na concep\u00e7\u00e3o geral de\u00a0<em>mindfulness<\/em>, parece valer a pena considerar se a tradu\u00e7\u00e3o da \u00cdndia Antiga para o centro de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0moderno foi direta e adequada ou se alguma coisa se perdeu nesta tradu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma considera\u00e7\u00e3o mais ampla da quest\u00e3o exigiria uma discuss\u00e3o n\u00e3o somente da compreens\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em>, mas ainda das pr\u00e1ticas espec\u00edficas utilizadas tanto no contexto cl\u00ednico como no Budista; isto est\u00e1 al\u00e9m do escopo da presente discuss\u00e3o, que est\u00e1 limitada a certos aspectos da compreens\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em>.<\/p>\n<!-- \/wp:post-content -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">Conquanto algumas discuss\u00f5es recentes sobre\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0no contexto da psicoterapia moderna problematizem a defini\u00e7\u00e3o da palavra, talvez a defini\u00e7\u00e3o mais citada seja a defini\u00e7\u00e3o \u201coperacional\u201d de Kabat-Zinn: \u201c<em>mindfulness<\/em>\u00a0significa prestar aten\u00e7\u00e3o de um modo espec\u00edfico: de prop\u00f3sito, no momento presente, e sem julgamento\u201d.<a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftn12\">[12]<\/a>\u00a0Uma defini\u00e7\u00e3o mais completa tamb\u00e9m \u00e9 oferecida:<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:quote -->\n<blockquote>\n<p>Um tipo de consci\u00eancia n\u00e3o elaborativa, sem julgamentos e focada no presente na qual cada pensamento, emo\u00e7\u00e3o e sensa\u00e7\u00e3o que surge no campo atencional \u00e9 reconhecida e aceitada como \u00e9.<\/p>\n<cite> (Bishop et al. 2004, 232). <\/cite><\/blockquote>\n<!-- \/wp:quote -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">Conforme j\u00e1 sugeri, os elementos essenciais de tal defini\u00e7\u00e3o podem ser encontrados nas caracteriza\u00e7\u00f5es de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0que emergiram no contexto explicitamente Budista dos escritos de Nyanaponika e Kornfield.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontrar uma defini\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0t\u00e3o sucinta quanto estas nos textos do Budismo Antigo n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil. Tais defini\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas tem um car\u00e1ter um tanto diferente. Em resposta \u00e0 quest\u00e3o \u201co que \u00e9 a faculdade de\u00a0<em>sati\u201d<\/em>\u00a0nos responderam que algu\u00e9m que possui\u00a0<em>sati<\/em>\u00a0\u201cpossui\u00a0<em>sati<\/em>\u00a0perfeita e compreens\u00e3o: ele \u00e9 algu\u00e9m que se lembra e retoma o que foi feito e dito h\u00e1 muito\u201d (S V 197-98).<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra resposta cl\u00e1ssica a uma pergunta direta quanto \u00e0s caracter\u00edsticas de\u00a0<em>sati<\/em>\u00a0\u00e9 encontrada no\u00a0<em>Milindapanha\u00a0<\/em>(Mil 37-38) onde est\u00e1 explicado\u00a0h\u00e1 duas caracter\u00edsticas (<em>lakkhana<\/em>) para\u00a0<em>sati<\/em>: \u201ctrazer \u00e0 mente (<em>apilapana<\/em>) e \u2018tomar posse\u2019 (<em>upaganhana<\/em>)\u201d. Portanto,\u00a0<em>sati<\/em>\u00a0\u00e9 explicado enquanto trazer a mente qualidades salubres e insalubres de modo que o meditante fica em posi\u00e7\u00e3o de conhecer quais as qualidades s\u00e3o as que ele deve perseguir e quais ele deve evitar; isto \u00e9 equivalente \u00e0 forma pela qual o tesoureiro de um rei constantemente relembra o rei de sua gl\u00f3ria e propriedades. Em seguida, se diz que\u00a0<em>sati<\/em>\u00a0segue o resultado das qualidades de modo que o meditante pode remover as que n\u00e3o s\u00e3o \u00fateis e tomar posse daquelas que s\u00e3o \u00fateis; isto \u00e9 equivalente ao conselheiro de um rei que informa o rei sobre o que \u00e9 ou n\u00e3o ben\u00e9fico.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">A literatura cl\u00e1ssica do Abhidhamma (ver Dhs 16) lista um n\u00famero de termos que pretendem ilustrar a natureza de\u00a0<em>sati<\/em>\u00a0que s\u00e3o objetos de interesse: lembrar (<em>anussati<\/em>), retomar (<em>patissati<\/em>), lembran\u00e7a (<em>saranata<\/em>), manter em mente (<em>dharanata<\/em>), aus\u00eancia de flutua\u00e7\u00e3o (<em>apilapanata<\/em>), aus\u00eancia de esquecimento (<em>asammussanata<\/em>).<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas defini\u00e7\u00f5es antigas do Abhidhama parecem ser destoantes com a defini\u00e7\u00e3o psicoterap\u00eautica moderna de\u00a0<em>mindfulness<\/em>, e mesmo com as defini\u00e7\u00f5es Budistas mais modernas de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0oferecidas no contexto de pr\u00e1tica de\u00a0<em>satipatthana<\/em>.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 claro, estas diferen\u00e7as na defini\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0podem simplesmente refletir o fato de que tem havido abordagens e concep\u00e7\u00f5es de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0diferentes e mesmo conflitantes na hist\u00f3ria do pensamento e pr\u00e1tica Budista. Sem efetivamente descartar esta possibilidade, penso que tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel sugerir formas pelas quais estas defini\u00e7\u00f5es antigas complementam o que podemos resgatar de outras discuss\u00f5es Budistas sobre\u00a0<em>mindfulness<\/em>; deste modo, talvez possamos chegar a uma aprecia\u00e7\u00e3o mais completa da compreens\u00e3o cl\u00e1ssica Budista.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">Parece-me que o elemento central destas defini\u00e7\u00f5es antigas \u00e9 que eles entendem rigorosamente o sentido de\u00a0<em>sati<\/em>\u00a0enquanto \u201clembrar\u201d. A ideia b\u00e1sica aqui \u00e9 direta e clara: se \u00e9 instru\u00eddo ao sujeito que observe a respira\u00e7\u00e3o e mantenha consci\u00eancia sobre ela, seja em uma longa inspira\u00e7\u00e3o ou curta expira\u00e7\u00e3o, o sujeito precisa lembrar de faz\u00ea-lo continuamente, e n\u00e3o esquecer depois de um, cinco ou trinta minutos. \u00c9 dizer, o sujeito precisa se lembrar que o que ele precisa fazer \u00e9 lembrar da respira\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma dimens\u00e3o maior concernente a este exerc\u00edcio de lembrar apontado pelo meu uso da express\u00e3o \u201co que ele precisa fazer\u201d. Pois no contexto espec\u00edfico onde a pr\u00e1tica de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0era instru\u00edda nos textos Budistas cl\u00e1ssicos, ao se lembrar de lembrar da respira\u00e7\u00e3o, o sujeito lembra que deve praticar medita\u00e7\u00e3o; ao se lembrar de praticar medita\u00e7\u00e3o, o sujeito se lembra que \u00e9 um monge Budista; ao se lembrar que \u00e9 um monge Budista, o sujeito se lembra que est\u00e1 tentando extirpar gan\u00e2ncia, \u00f3dio e delus\u00e3o. Por conseguinte, ao se esquecer da respira\u00e7\u00e3o, o sujeito se esquece que est\u00e1 praticando medita\u00e7\u00e3o; ao se esquecer que est\u00e1 praticando medita\u00e7\u00e3o, se esquece que \u00e9 um monge Budista; ao se esquecer que \u00e9 um monge Budista, se esquece que est\u00e1 tentando extirpar gan\u00e2ncia, \u00f3dio e delus\u00e3o. Isto parece explicar de modo coerente as medita\u00e7\u00f5es Budistas tradicionais enquanto \u201clembran\u00e7as\u201d (<em>anussati<\/em>) das qualidades do Buda, Damma e Sangha, as quais os textos parecem querer incluir no panorama geral da pr\u00e1tica de\u00a0<em>mindfulness<\/em>.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o pretendo sugerir aqui que\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0\u00e9 concebida em termos de uma s\u00e9rie de reflex\u00f5es discursivas como as delineadas acima, mas simplesmente que os textos Budistas antigos entendem que a presen\u00e7a de\u00a0<em>mindfulness<\/em>, de fato, nos lembra de quem somos e quais s\u00e3o nossos valores. Incidentalmente, apesar das defini\u00e7\u00f5es de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0utilizadas nos contextos da MBSR e MBCT, parece ser o caso que a pr\u00e1tica nestes contextos tamb\u00e9m comunga de algo destas caracter\u00edsticas, do contr\u00e1rio seria dif\u00edcil ver como um paciente teria motiva\u00e7\u00e3o para manter-se fazendo os exerc\u00edcios de\u00a0<em>mindfulness<\/em>.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 um outro aspecto de\u00a0<em>sati<\/em>\u00a0enquanto \u201clembrar\u201d que, penso eu, \u00e9 indicado especialmente na caracteriza\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>sati<\/em>\u00a0no\u00a0<em>Milindapanha<\/em>, que a entende como um chamado \u00e0 mente de v\u00e1rias qualidades boas e ruins, ben\u00e9ficas e mal\u00e9ficas. Pois ent\u00e3o, por exemplo, quando eu estou feliz, \u00e9 dif\u00edcil se lembrar do que \u00e9 sentir-se infeliz; igualmente, quando eu estou infeliz, \u00e9 dif\u00edcil lembrar-se do que \u00e9 sentir-se feliz. Em tais circunst\u00e2ncias, n\u00f3s nos tornamos mais suscet\u00edveis a nos identificar com os humores e sentimentos oscilantes, o que pode resultar em um refor\u00e7o destes estados mentais e um subsequente desequil\u00edbrio. Se, em contrapartida, me lembro de como \u00e9 sentir-se infeliz quando estou feliz, fico menos suscet\u00edvel a me deprimir quando o sentimento passar, e mais sujeito a ter empatia com aqueles que n\u00e3o est\u00e3o felizes. Se eu me lembro de como \u00e9 sentir-se feliz quando estou infeliz, pode ser que eu tenha melhores condi\u00e7\u00f5es de lidar com o sentimento at\u00e9 que passe, e me sinta menos ressentido com aqueles ao meu redor que est\u00e3o felizes. Em uma perspectiva similar, se me falta\u00a0<em>mindfulness<\/em>, eu posso me esquecer de como certos padr\u00f5es de comportamento me fazem sentir e, por conseguinte, voltar a repeti-los. Mas se eu realmente me recordo como da \u00faltima vez que agi de tal maneira senti tal e tal coisa, ent\u00e3o pode ser mais dif\u00edcil eu continuar a ceder a certos padr\u00f5es de comportamento. Observa\u00e7\u00f5es como esta nos ajudam a extrair sentido da \u00eanfase tradicional Budista em\u00a0<em>sati<\/em>\u00a0como \u201clembrar\u201d. Talvez seja relevante observar neste contexto as descobertas citadas por Segal, Williams e Teasdale (2002, 28-30) que sugerem que um fator significativo nas reca\u00eddas depressivas pode ser a maneira pela qual algu\u00e9m vulner\u00e1vel \u00e0 depress\u00e3o tende a se perder no humor depressivo, o que pode ser provocado por padr\u00f5es habituais de pensamentos negativos.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois dos termos Abhidhamma dados na explica\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0indicam que\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0\u00e9 mais do que apenas uma consci\u00eancia focada no presente sobre cada pensamento, emo\u00e7\u00e3o ou sensa\u00e7\u00e3o que surge. Estes termos s\u00e3o \u201caus\u00eancia de flutua\u00e7\u00e3o\u201d (<em>apilapanata<\/em>) e \u201caus\u00eancia de esquecimento\u201d (<em>asammussanata<\/em>). O primeiro termo \u00e9 explicado atrav\u00e9s de um exemplo: aus\u00eancia de flutua\u00e7\u00e3o se contrap\u00f5e ao estado no qual a mente sacode como uma caba\u00e7a flutuando na superf\u00edcie da \u00e1gua;\u00a0<em>mindfulness<\/em>, em contrapartida, \u00e9 um mergulho no objeto de consci\u00eancia.<a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftn13\">[13]<\/a>\u00a0O segundo termo nos permite fazer uma conex\u00e3o clara com o campo sem\u00e2ntico do vocabul\u00e1rio em Ingl\u00eas que est\u00e1, em grande medida, em paralelo com o do p\u00e1li e do s\u00e2nscrito. \u00c9 dizer, a aus\u00eancia de esquecimento parece se referir n\u00e3o necessariamente a ter uma boa mem\u00f3ria para informa\u00e7\u00f5es e fatos, mas sim a n\u00e3o ser distra\u00eddo ou esquecido. O termo est\u00e1 relacionado nos textos Budistas a duas express\u00f5es em p\u00e1li,\u00a0<em>muttha sati<\/em>\u00a0e\u00a0<em>upatthita sati<\/em>, que literalmente significam, respectivamente, \u201c<em>mindfulness<\/em>\u00a0confusa\u201d e \u201c<em>mindfulness<\/em>\u00a0presente\u201d, mas que talvez possam ser traduzidas de modo mais idiom\u00e1tico ou mesmo exato como \u201cdistra\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cpresen\u00e7a mental\u201d.<a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftn14\">[14]<\/a>\u00a0<em>Mindfulness<\/em>, nos textos Budistas, parece ent\u00e3o ter algo a ver com a qualidade de estar \u201cligado\u201d.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltemo-nos agora para uma das defini\u00e7\u00f5es Budistas cl\u00e1ssicas de\u00a0<em>mindfulness<\/em>, que \u00e9 a encontrada nos textos exeg\u00e9ticos da tradi\u00e7\u00e3o Theravada.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Sati<\/em>\u00a0\u00e9 aquilo a partir do qual [as qualidades que constituem a mente] se lembram, ou \u00e9 aquilo de que se lembra, ou \u00e9 simplesmente lembrar. Sua caracter\u00edstica \u00e9 a n\u00e3o-flutua\u00e7\u00e3o, sua propriedade \u00e9 a aus\u00eancia do esquecimento, sua manifesta\u00e7\u00e3o \u00e9 a de proteger e nos manter face a face com o objeto de consci\u00eancia; sua funda\u00e7\u00e3o \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o est\u00e1vel ou o estabelecimento de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0do corpo, e assim por diante. Uma vez que se encontra firmemente assentada no objeto de consci\u00eancia, deve ser vista como uma pilastra, e porque protege os port\u00f5es dos olhos e demais sentidos, deve ser vista como um guardi\u00e3o de portal (Vism XIV, 141).<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s j\u00e1 abordamos os aspectos de lembrar, aus\u00eancia de esquecimento e n\u00e3o flutua\u00e7\u00e3o sublinhados aqui; \u201cestar face a face com o objeto de consci\u00eancia\u201d \u00e9 totalmente coerente com o tipo de defini\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0encontrada tanto no contexto da medita\u00e7\u00e3o de discernimento moderna, como da MBSR e MBCT; a perspectiva de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0enquanto uma pilastra, dada sua firmeza estabilizante sobre o objeto de consci\u00eancia, parece apenas refor\u00e7ar sua caracter\u00edstica de n\u00e3o flutua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">A manifesta\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0enquanto uma \u201cprote\u00e7\u00e3o\u201d e um \u201cguardi\u00e3o de portais\u201d parece aludir \u00e0 passagem descrevendo a \u201cprote\u00e7\u00e3o dos port\u00f5es dos sentidos\u201d que \u00e9 frequentemente repetida nos textos cl\u00e1ssicos como um pr\u00e9-requisito da estabiliza\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0e da compreens\u00e3o clara:<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">E como um monge protege os port\u00f5es dos sentidos? Neste caso, quando ele olha para um objeto vis\u00edvel aos olhos, ele n\u00e3o se fixa \u00e0 experi\u00eancia geral ou aspectos particulares. Uma vez que a pessoa que vive com o sentido da vis\u00e3o desgovernado pode ser afetada pelo descontentamento e pelo anseio, por qualidades negativas e insalubres, ela procura praticar examinando o sentido da vis\u00e3o; ela o protege e alcan\u00e7a a absten\u00e7\u00e3o. Quando ele escuta um som com os ouvidos\u2026 cheira um odor com o seu nariz\u2026 degusta um sabor com sua l\u00edngua\u2026 toca um objeto com seu corpo\u2026 se conscientiza de um pensamento em sua mente, ele n\u00e3o se fixa \u00e0 experi\u00eancia geral ou aspectos particulares. Uma vez que a pessoa que vive com a mente desgovernada pode ser afetada pelo descontentamento e pelo anseio, por qualidades negativas e insalubres, ela procura praticar examinando a mente; ela a protege e alcan\u00e7a a absten\u00e7\u00e3o. (Ver, por exemplo, D I 70)<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">Um exemplo encontrado em outra circunst\u00e2ncia (S IV 194) equivale\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0diretamente a um guardi\u00e3o de portal protegendo a cidade (o corpo) com seis port\u00f5es (os sentidos). A caracteriza\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0enquanto uma prote\u00e7\u00e3o e como um guardi\u00e3o de portais parece intimamente relacionada a\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0em suas capacidades de lembrar e de presen\u00e7a mental. Parece ser o caso que, se temos\u00a0<em>mindfulness<\/em>, ent\u00e3o vamos nos lembrar do que dever\u00edamos estar fazendo em dado momento (observando a respira\u00e7\u00e3o, por exemplo, ou prestando aten\u00e7\u00e3o na postura), e quando percep\u00e7\u00f5es, sensa\u00e7\u00f5es, estados mentais e emo\u00e7\u00f5es que possam interferir surgirem, n\u00f3s teremos a presen\u00e7a mental de n\u00e3o deix\u00e1-los sobrepujar nossas mentes e assumir o controle.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">A express\u00e3o encontrada na defini\u00e7\u00e3o exeg\u00e9tica padr\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0na tradi\u00e7\u00e3o Theravada que diz que sua base \u00e9 uma \u201cpercep\u00e7\u00e3o est\u00e1vel\u201d ou \u201cestabelecimento de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0do corpo e assim por diante\u201d situa o cultivo e desenvolvimento de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0nos tipos de pr\u00e1ticas prescritas no\u00a0<em>Satipatthana Sutta.<\/em>\u00a0Uma exposi\u00e7\u00e3o completa do\u00a0<em>Satipatthana Sutta<\/em>\u00a0n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel no presente contexto, e devo me restringir a apenas algumas observa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, parece ser o caso que a perspectiva do\u00a0<em>Satipatthana Sutta<\/em>\u00a0enquanto um manual sucinto de medita\u00e7\u00e3o de discernimento (<em>vipassana<\/em>), e n\u00e3o de medita\u00e7\u00e3o do calmo permanecer (<em>samatha<\/em>), \u00e9 uma leitura Budista mais moderna e n\u00e3o exatamente tradicional. Nenhum dos dois termos \u2013\u00a0<em>samatha\u00a0<\/em>ou\u00a0<em>vipassana<\/em>\u00a0\u2013 aparece no Sutta, conquanto uma s\u00e9rie de outros Suttas que elaboram a respeito da pr\u00e1tica de\u00a0<em>satipatthana<\/em>\u00a0claramente integram-na com a pr\u00e1tica de absor\u00e7\u00e3o (<em>jhana<\/em>) e concentra\u00e7\u00e3o (<em>samadhi<\/em>) meditativas, aspectos emblem\u00e1ticos da pr\u00e1tica de\u00a0<em>samatha<\/em>; o \u201cDiscurso sobre\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0do corpo\u201d (M III, 88-89) aponta\u00a0<em>precisamente<\/em>\u00a0as pr\u00e1ticas focadas no corpo apresentadas no\u00a0<em>Satipatthana Sutta<\/em>\u00a0como base de realiza\u00e7\u00e3o de absor\u00e7\u00e3o meditativa. As descri\u00e7\u00f5es pelas quais o monge observa o corpo enquanto corpo, as sensa\u00e7\u00f5es enquanto sensa\u00e7\u00f5es, a mente enquanto mente, as qualidades enquanto qualidades no estabelecimento de\u00a0<em>mindfulness<\/em>, culminam no monge \u201csuperando seu anseio e descontentamento com o mundo\u201d. O coment\u00e1rio do s\u00e9culo V de Buddhaghosa sobre o\u00a0<em>Satipatthana Sutta\u00a0<\/em>indica que esta frase pode ser entendida como o abandono dos cinco impedimentos \u2013 os obst\u00e1culos b\u00e1sicos no alcance da absor\u00e7\u00e3o meditativa \u2013 atrav\u00e9s da concentra\u00e7\u00e3o meditativa (Gethin 2001, 49-53).<a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftn15\">[15]<\/a>\u00a0Eu n\u00e3o estou preocupado aqui com tentar estabelecer uma interpreta\u00e7\u00e3o aut\u00eantica e original do\u00a0<em>Satipatthana Sutta<\/em>, apenas com demonstrar que h\u00e1 claras evid\u00eancias nas fontes em P\u00e1li de que uma leitura tradicional do\u00a0<em>Satipatthana Sutta<\/em>\u00a0estabelece tanto a pr\u00e1tica de calmo permanecer como a de discernimento, e h\u00e1 poucas indica\u00e7\u00f5es expl\u00edcitas anteriores ao s\u00e9culo XX que o restringem apenas a um m\u00e9todo de medita\u00e7\u00e3o de discernimento.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta observa\u00e7\u00e3o do corpo enquanto o corpo com\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0que envolve a supera\u00e7\u00e3o do anseio e descontentamento com o mundo pode sugerir que\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0\u00e9 de fato algo mais constante e desenvolvido do que simplesmente manter a aten\u00e7\u00e3o pura e sem julgamentos no momento presente; sugere que um pr\u00e9-requisito para a verdadeira\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0\u00e9 observar de um determinado ponto de vista de relativa serenidade e paz mental.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 poss\u00edvel que o \u201cn\u00e3o julgamento\u201d seja interpretado enquanto englobando tal estado mental pac\u00edfico e sereno. Isto faz surgir a quest\u00e3o do que se quer dizer com \u201cn\u00e3o julgamento\u201d no contexto da compreens\u00e3o MBSR e MBCT de\u00a0<em>mindfulness<\/em>. Conforme j\u00e1 vimos, para Nyanaponika est\u00e1 claro que o que \u00e9 problem\u00e1tico no contexto de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0s\u00e3o nossos julgamentos e opini\u00f5es habituais sobre como n\u00f3s e os outros s\u00e3o; adotar o \u201cn\u00e3o julgamento\u201d quer dizer abrir espa\u00e7o para uma perspectiva diferente quanto a como as coisas s\u00e3o. Isto claramente tem paralelo com a maneira pela qual, no contexto da MBCT, a\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0\u201csem julgamentos\u201d pode combater o problema da \u201cmente ruminante\u201d (Segal, Williams e Teasdale 2002, 33-37). No entanto, de uma perspectiva Budista Theravada tradicional, uma \u00eanfase exagerada em\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0como \u201csem julgamentos\u201d pode sugerir que a aus\u00eancia de julgamentos \u00e9 o fim da pr\u00e1tica em si mesmo, e que todos os estados mentais t\u00eam, portanto o mesmo valor \u2013 que a gan\u00e2ncia \u00e9 t\u00e3o boa quanto o desprendimento, ou que a raiva \u00e9 t\u00e3o boa quanto a cortesia. De fato, no contexto da MBSR e da MBCT, a ado\u00e7\u00e3o do \u201cn\u00e3o julgamento\u201d parece ser instru\u00edda em um sentido pr\u00e1tico e n\u00e3o como uma vis\u00e3o final da natureza das coisas, pois a quest\u00e3o do valor \u201cfinal\u201d de nossos estados mentais flutuantes nos conduz \u00e0 complexa \u00e1rea de pensamento e filosofia Budista, nas quais as diferentes tradi\u00e7\u00f5es Budistas se expressam tamb\u00e9m de maneiras diferentes. No entanto, um entendimento que \u00e9 terreno comum a todas as tradi\u00e7\u00f5es de psicologia Budista \u00e9 que, ainda que \u2013 ou talvez exatamente por causa de \u2013 o objetivo seja nos livrar da gan\u00e2ncia, \u00f3dio e delus\u00e3o, ficar com raiva de nossa pr\u00f3pria gan\u00e2ncia, \u00f3dio ou delus\u00e3o quando estes surgem, ou se apegar ao desprendimento, cortesia ou sabedoria quando estes surgem, \u00e9 claramente um tipo de cilada. E talvez precisamente este tipo de abordagem pr\u00e1tica que os pioneiros da MBSR e MBCT pretenderam destacar quando caracterizaram a\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0como \u201csem julgamentos\u201d.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">Para voltarmos \u00e0 quest\u00e3o mais geral de uma poss\u00edvel distin\u00e7\u00e3o entre\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0de fato e a simples observa\u00e7\u00e3o do que est\u00e1 se passando, podemos retomar as defini\u00e7\u00f5es Budistas acima e nos atentar ao fato de que a base de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0\u00e9 \u201cpercep\u00e7\u00e3o est\u00e1vel\u201d ou \u201co estabelecimento de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0do corpo, e assim por diante\u201d. \u00c9 dizer, a observa\u00e7\u00e3o est\u00e1vel e clara, a pr\u00e1tica de observar o corpo enquanto corpo, n\u00e3o s\u00e3o garantias ou constituintes da presen\u00e7a da verdadeira\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0\u2013 de fato, o que elas fazem \u00e9 estabelecer as condi\u00e7\u00f5es que conduzem ao seu surgimento.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">A perspectiva de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0enquanto uma realiza\u00e7\u00e3o de uma presen\u00e7a mental cont\u00ednua fica mais clara a partir de um exemplo v\u00edvido da literatura (S V, 170). A\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0perante o corpo \u00e9 comparada ao caso do homem que deve prestar aten\u00e7\u00e3o a um vaso preenchido de \u00f3leo que carrega sob sua cabe\u00e7a. O homem deve carregar tal vaso em meio a uma multid\u00e3o que se aglomera para ver a mais bela mo\u00e7a da regi\u00e3o conforme ela canta e dan\u00e7a; e conforme o homem se move entre a mo\u00e7a e a multid\u00e3o, um outro homem o segue com uma espada e se ele derrubar uma gota sequer ter\u00e1 sua cabe\u00e7a cortada. Em circunst\u00e2ncias tais, se diz que o homem n\u00e3o se distrair\u00e1 nem com a multid\u00e3o nem com a mo\u00e7a; com uma qualidade de aten\u00e7\u00e3o similar, o monge deve cultivar a\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0do corpo.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu gostaria de concluir fazendo alguns coment\u00e1rios quanto \u00e0 maneira pela qual\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0tem sido apresentada como uma pr\u00e1tica central da medita\u00e7\u00e3o Budista. Conforme j\u00e1 vimos, isso se deve primeiro de tudo \u00e0 no\u00e7\u00e3o de que a medita\u00e7\u00e3o de discernimento \u00e9 a forma arquet\u00edpica de medita\u00e7\u00e3o Budista e que \u00e9 a pr\u00e1tica de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0que est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o da medita\u00e7\u00e3o de discernimento. J\u00e1 sugeri que isso n\u00e3o parece coadunar com a perspectiva Theravada tradicional.<a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftn16\">[16]<\/a>\u00a0No presente contexto, dois pontos adicionais parecem merecedores de considera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">Primeiro, o isolamento da pr\u00e1tica de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0\u00e9 em parte baseado em uma tradu\u00e7\u00e3o problem\u00e1tica da caracteriza\u00e7\u00e3o dos quatro modos de estabelecer\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0presentes no in\u00edcio do\u00a0<em>Satipatthana Sutta<\/em>\u00a0como um caminho que \u00e9\u00a0<em>ekayana<\/em>\u00a0(D II, 290; M I, 55). Todas as tradu\u00e7\u00f5es inicias do\u00a0<em>Satipatthana Sutta<\/em>\u00a0optam por interpretar\u00a0<em>ekayana<\/em>\u00a0como contemplando os quatro modos de estabelecer\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0como o\u00a0<em>\u00fanico<\/em>\u00a0caminho que leva \u00e0 purifica\u00e7\u00e3o dos seres.<a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftn17\">[17]<\/a>\u00a0Ainda que a interpreta\u00e7\u00e3o precisa da express\u00e3o permane\u00e7a obscura, parece claro que o que ela n\u00e3o significa \u00e9\u00a0<em>\u00fanico\u00a0<\/em>e que provavelmente significa \u201cir para apenas a um lugar\u201d ou \u201csingular\u201d em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 \u2018dupla\u2019, podendo ent\u00e3o ser traduzida como \u201cdireta\u201d: \u201ceste caminho conducente \u00e0 purifica\u00e7\u00e3o dos seres \u2013 os quatro modos de estabelecer\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0\u2013 \u00e9\u00a0<em>direto<\/em>\u00a0e claro\u201d (Gethin, 2001, 59-66).<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo, ainda que a pr\u00e1tica de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0seja considerada importante nos registros cl\u00e1ssicos de medita\u00e7\u00e3o Budista, ela \u00e9, n\u00e3o obstante, apresentada enquanto uma dentre v\u00e1rias qualidades que precisam ser igualmente equilibradas. Nada diferente do que est\u00e1 exposto no contexto do pr\u00f3prio\u00a0<em>Satipatthana Sutta<\/em>.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">Em v\u00e1rias ocasi\u00f5es nos Nikayas, o caminho Budista \u00e9 sintetizado em termos de realizar os quatro modos de estabelecer\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0e ent\u00e3o desenvolver os sete constituintes do despertar.<a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftn18\">[18]<\/a>\u00a0De fato \u00e9 poss\u00edvel encarar o\u00a0<em>Satipatthana Sutta<\/em>\u00a0precisamente enquanto uma expans\u00e3o desta breve declara\u00e7\u00e3o dado que o quarto e \u00faltimo est\u00e1gio da estabiliza\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0(observar as qualidades enquanto qualidades) envolve primeiro reconhecer que os cinco impedimentos foram abandonados e isto ent\u00e3o culmina no desenvolvimento dos sete constituintes do despertar e na compreens\u00e3o das quatro nobres verdades: sofrimento, sua origem, sua cessa\u00e7\u00e3o e o caminho para a cessa\u00e7\u00e3o. Este despertar final \u00e9 encarado enquanto uma fun\u00e7\u00e3o dos sete constituintes do despertar trabalhando em equil\u00edbrio ao inv\u00e9s de como um subproduto apenas da pr\u00e1tica de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0ou de alguma outra qualidade \u2013 isto \u00e9 ilustrado em uma discuss\u00e3o que prev\u00ea quais dos sete constituintes do despertar devemos tentar cultivar quando a mente est\u00e1 embotada e depressiva (<em>lina<\/em>) e qual devemos cultivar quando a mente est\u00e1 agitada e superativa (<em>uddhatta<\/em>). Quando a mente est\u00e1 deprimida, n\u00e3o \u00e9 o momento de desenvolver tranquilidade, concentra\u00e7\u00e3o e equanimidade; faz\u00ea-lo seria como jogar grama molhada em uma pequena fogueira que se pretende inflamar. Quando a mente est\u00e1 excitada, n\u00e3o \u00e9 o momento de desenvolver a investiga\u00e7\u00e3o das qualidades da for\u00e7a e da alegria; faz\u00ea-lo seria como jogar grama seca em uma imensa fogueira que se pretende apagar. \u00c9, no entanto, o momento certo de se desenvolver tranquilidade, concentra\u00e7\u00e3o e equanimidade \u2013 assim como \u00e9 preciso jogar grama molhada em uma fogueira imensa que se pretende apagar. Quanto ao constituinte do despertar \u201c<em>mindfulness<\/em>\u201d, \u00e9 apropriado cultiv\u00e1-lo em todas as circunst\u00e2ncias expressas acima. Pois ent\u00e3o, conquanto\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0seja proeminente no sentido de ajudar tanto circunst\u00e2ncias de embotamento e agita\u00e7\u00e3o, ela continua sendo apenas um dos sete constituintes do despertar.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">A concep\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0da MBSR e da MBCT deriva significativamente de uma tradi\u00e7\u00e3o em particular de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0no Budismo moderno. Da perspectiva cl\u00e1ssica, quanto a\u00a0<em>sati<\/em>\u00a0encontrada nas fontes antigas do Budismo, esta concep\u00e7\u00e3o moderna parece se concentrar em uma defini\u00e7\u00e3o um tanto econ\u00f4mica e minimalista de\u00a0<em>mindfulness<\/em>. A vers\u00e3o tradicional de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0toca aspectos de lembran\u00e7as, recorda\u00e7\u00f5es, rememora\u00e7\u00f5es, e presen\u00e7a mental, que parecem ser rebaixados ou mesmo perdidos no contexto da MBSR e MBCT. No entanto, isto pode ser simplesmente uma consequ\u00eancia de\u00a0<em>defini\u00e7\u00f5es<\/em>\u00a0particularmente sucintas destacadas nos contextos da MBSR e MBCT. Tanto na tradi\u00e7\u00e3o Budista como na MBSR e MBCT,\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0\u00e9 parte de um conjunto de pr\u00e1ticas, e pr\u00e1ticas podem gerar efeitos espec\u00edficos independentemente das ideias ou teorias preconcebidas sobre elas. Portanto, em sua aplica\u00e7\u00e3o no contexto cl\u00ednico, os aspectos subsequentes de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0podem muito bem se manifestar e se fazer relevantes.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:heading {\"level\":4} -->\n<h4><p style=\"text-align: justify;\"><strong>ABREVIA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/h4>\n<!-- \/wp:heading -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">A = Anguttara Nikaya; As = Atthasalin\u0131; D = D\u0131gha Nikaya; Dhs = Dhammasangani; M = Majjhima Nikaya; Mil = Milindapanha; Nett = Nettippakarana; S = Samyutta Nikaya; Vism = Visuddhimagga. Edi\u00e7\u00f5es da\u00a0<em>Pali Text Society<\/em>.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph {\"className\":\"texto-justificado\"} -->\n<p style=\"text-align: justify;\">Tradu\u00e7\u00e3o:\u00a0Cortesia da equipe de tradu\u00e7\u00f5es Contemplativas: Trad. Alexandre Chami Filho, Revis\u00e3o: Alex Mour\u00e3o e Lama Jigme Lhawang<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:heading {\"level\":4} -->\n<h4><p style=\"text-align: justify;\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/h4>\n<!-- \/wp:heading -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">ANALAYO. 2003.\u00a0<em>Satipattana: The direct path to realization<\/em>. Birmingham: Windhorse.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">BISHOP, S. R., M. LAU, S. SHAPIRO, L. CARLSON, N. D. ANDERSON, J. CARMODY, Z. V. SEGAL, S. ABBEY, M. SPECA, D. VELTING, e G. DEVINS. 2004.\u00a0<em>Mindfulness: A proposed operational definition<\/em>. Clinical Psychology: Science and Practice 11: 230\u201341.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">BODHI, BHIKKHU.\u00a0<em>1995. Life sketch of venerable Nyanaponika. In Nyanaponika: A farewell tribute, edited by Bhikkhu Bodhi<\/em>, 8\u201314. Kandy, Sri Lanka: Buddhist Publication Society.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">BOHTLINGK, O. v., e R. ROTH. 1855.\u00a0<em>Sanskrit-Worterbuch<\/em>. St. Petersburg: Buchdruckerei der Kaiserlichen Akademie der Wissenschaften.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">CHALMERS, R. 1926.\u00a0<em>Further dialogues of the Buddha<\/em>. London: H. Milford.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">CHILDERS, R. C. 1875.\u00a0<em>A dictionary of the Pali language<\/em>. London: Trubner &amp; Co.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">COUSINS, L. S. 1996.\u00a0<em>The Origins of Insight Meditation<\/em>. The Buddhist Forum 4: 35\u201358.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">GETHIN, R. M. L. 2001.\u00a0<em>The Buddhist path to awakening: A study of the Bodhi-Pakkhiya Dhamma<\/em>. Oxford: Oneworld.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">GILPIN, R. 2008.\u00a0<em>The use of Theravada Buddhist practices and perspectives in mindfulness-based cognitive therapy<\/em>. Contemporary Buddhism 9: 227\u201351.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">GOGERLY, D. 1845.\u00a0<em>On Buddhism<\/em>. Journal of the Ceylon Branch of the Royal Asiatic Society 1: 7\u201328.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">GOGERLY, D. 1908.\u00a0<em>The books of discipline. In Ceylon Buddhism being the collected writings of Daniel John Gogerly, edited by Arthur Stanley Bishop<\/em>, 45\u2013100. Colombo: Wesleyan Methodist Book Room.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">HARDY, R. S. 1850.\u00a0<em>Eastern monachism<\/em>. London: Partridge and Oakey.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">HARDY, R. S. 1853.\u00a0<em>A manual of Budhism: In its modern development<\/em>. London: Partridge and Oakey.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">HARE, E. M., e F. L. WOODWARD. 1932\u20131936.\u00a0<em>The Book of the gradual sayings<\/em>. 5 vols. London: Pali Text Society.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">HORNER, I. B. 1954\u20131959.\u00a0<em>Middle length sayings.<\/em>\u00a03 vols. London: Pali Text Society.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">KABAT-ZINN, J. 1982.\u00a0<em>An outpatient program in behavioral medicine for chronic pain based on the practice of mindfulness meditation<\/em>. General Hospital Psychiatry 4: 33\u201347.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">KABAT-ZINN, J. 1990.\u00a0<em>Full catastrophe living: Using the wisdom of your body and mind to face stress, pain, and illness.<\/em>\u00a0New York: Delacorte Press.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">KABAT-ZINN, J., L. LIPWORTH, e R. BURNEY. 1985.\u00a0<em>The clinical use of mindfulness meditation for the self-regulation of chronic pain<\/em>. Journal of Behavioral Medicine 8: 163\u201390.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">KORNFIELD, J. 1977<em>. Living Buddhist masters<\/em>. Santa Cruz: University Press.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">KUAN, TSE-FU. 2008<em>. Mindfulness in early Buddhism: New approaches through psychology and textual analysis of Pali, Chinese, and Sanskrit sources<\/em>. London: Routledge.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">MONIER-WILLIAMS, M. 1872.\u00a0<em>Sanskrit-English dictionary etymologically and philologically arranged.<\/em>\u00a0Oxford: The Clarendon Press.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">NANAMOLI. 1964.\u00a0<em>The path of purification (Visuddhimagga) by Bhadantacariya Buddhaghosa<\/em>. Colombo: Semage.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">NYANAPONIKA. 1962.\u00a0<em>The heart of Buddhist meditation: A handbook of mental training based on the Buddha\u2019s way of mindfulness.<\/em>\u00a0London: Rider &amp; Company.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">NYANATUSITA, BHIKKHU, e H. HECKER. 2008.\u00a0<em>The life of Nyanatiloka Thera. Kandy,<\/em>\u00a0Sri Lanka: Buddhist Publication Society.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">RHYS DAVIDS, C. A. F., e F. L. WOODWARD. 1917\u20131930.\u00a0<em>The book of the kindred sayings<\/em>. 5 vols. London: Pali Text Society.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">RHYS DAVIDS, T. W. 1881.\u00a0<em>Buddhist suttas.<\/em>\u00a0Oxford: Clarendon Press.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">RHYS DAVIDS, T. W. 1899<em>. Dialogues of the Buddha<\/em>. Vol. 1. London: Henry Frowde.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">RHYS DAVIDS, T. W. 1910.\u00a0<em>Dialogues of the Buddha<\/em>. Vol. 2. London: Henry Frowde.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">ROWE, D. 1983.\u00a0<em>Depression: The way out of your prison<\/em>. London: Routledge &amp; Kegan Paul.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">SEGAL, Z. V., J. M. G. WILLIAMS, e J. D. TEASDALE. 2002.\u00a0<em>Mindfulness-based cognitive therapy for depression: A new approach to preventing relapse.<\/em>\u00a0New York: Guilford Press.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">SHATTOCK, E. H. 1958.\u00a0<em>An experiment in mindfulness.\u00a0<\/em>London: Rider &amp; Co.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">SOMA THERA. 1967.\u00a0<em>The way of mindfulness: The Satipatthana sutta and commentary<\/em>. 3<sup>\u00aa<\/sup>\u00a0ed.. Kandy, Sri Lanka: Buddhist Publication Society.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">THICH NHAT HANH. 1976.\u00a0<em>The miracle of mindfulness: A manual of meditation<\/em>. Boston, MA: Beacon Press.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\">WILLIAMS, J. M. G., J. D. TEASDALE, J. KABAT-ZINN, E Z. V. SEGAL. 2007.\u00a0<em>The mindful way through depression: freeing yourself from chronic unhappiness<\/em>. New York: The Guilford Press.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>NOTAS:<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftnref1\">[1]<\/a>\u00a0O s\u00e9timo volume contendo os verbetes\u00a0<em>smar\u00a0<\/em>e\u00a0<em>smrti<\/em>\u00a0foi publicado entre 1872 e 1875.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftnref2\">[2]<\/a>\u00a0As tradu\u00e7\u00f5es de Gogerly de por\u00e7\u00f5es do\u00a0<em>Dhammacakkappavattana Sutta,<\/em>\u00a0conforme encontradas no Mahavagga do Vinaya (Vin I 8 \u2013 14,) foram publicados primeiro como partes de um texto chamado \u201cSobre Budismo\u201d (Gogerly 1845, 23 \u2013 25); ele foi subsequentemente republicado em Gogerly (1908, 65- 66), e \u00e9 mencionado por Rhys Davids (1881, 144).<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftnref3\">[3]<\/a>\u00a0Esta tradu\u00e7\u00f5es do\u00a0<em>Mahaparinibbana Sutta,<\/em>\u00a0de 1881, foram republicadas aparentemente sem modifica\u00e7\u00e3o, em Rhys Davids (1910, 71 \u2013 191); para estas tradu\u00e7\u00f5es ver 85, 89, 130 (\u201catividade mental\u201d), 130 (\u201cpensamento\u201d), 128, 129 (\u201cmedita\u00e7\u00f5es diligentes\u201d). O livro de T.W. Rhys Davids,\u00a0<em>Buddhism: being a sketch of the life and teachings of Gautama, the Buddha<\/em>, foi publicado pela primeira vez em 1877 (Londres) e depois revisado e republicado muitas outras vezes; eu tive acesso apenas \u00e0 edi\u00e7\u00e3o de 1882 (Londres: SPCK) na qual ele se refere \u00e0 sati como \u201c<em>mindfulness<\/em>\u00a0correta\u201d (108), \u201cquatro medita\u00e7\u00f5es diligentes\u201d (172) e \u201clembran\u00e7a\u201d (173).<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftnref4\">[4]<\/a>\u00a0Ele traduz\u00a0<em>sato sampajano<\/em>\u00a0como \u201cconsciente e sereno\u201d por toda a extens\u00e3o do texto.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftnref5\">[5]<\/a>\u00a0Rhys Davids (1910, 322 \u2013 46).<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftnref6\">[6]<\/a>\u00a0Ver Bodhi (1995, 12); Nyanaponika (1962, 85 \u2013 107).<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftnref7\">[7]<\/a>\u00a0Bodhi (1995, 12). Outros trabalhos que definiram a recep\u00e7\u00e3o inicial de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0no ocidente incluem Shattock 1958 (que oferece uma exposi\u00e7\u00e3o do treinamento do ator sob o m\u00e9todo de discernimento de Mahasi Sayadaw), e Thich Nhat Hanh (1976).<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftnref8\">[8]<\/a>\u00a0\u201cMas o que determina este impulso na dire\u00e7\u00e3o do salubre e insalubre? Alus\u00e3o e defini\u00e7\u00e3o. Pois quando a mente em alus\u00e3o nos alerta adequadamente e quando a mente em defini\u00e7\u00e3o define corretamente, n\u00e3o pode acontecer o surgimento de um impulso insalubre; e, do mesmo modo, quando a mente em alus\u00e3o nos alerta inadequadamente e quando a mente em defini\u00e7\u00e3o determina inadequadamente, n\u00e3o pode acontecer o surgimento de um impulso salubre\u201d. (As 277-278:\u00a0<em>idam pana javanam kusalattaya vaakusalattaya vako niyamet\u0131 ti? Avajjanam ceva votthappananca. avajjanenahi yoniso avajjite votthappanena yoniso vavatthapite javanam akusalam bhavissat\u0131ti a tthanam etam. avajjanena ayoniso avajjite votthappanena ayoniso vavatthapite javanam kusalam bhavissat\u0131 ti pi atthanam etam ubhayena panayoniso avajjite vavatthapite ca javanam kusalam hoti, ayoniso akusalan tiveditabbam<\/em>)<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftnref9\">[9]<\/a>\u00a0Ver Kabat-Zinn (1990, 1993). Curiosamente, OED (<a href=\"http:\/\/www.oed.com\/\"><em>www.oed.com<\/em><\/a>) hoje cita o uso especializado de\u00a0<em>mindfulness<\/em>: \u201cEsp. Com refer\u00eancia \u00e0 filosofia do Yoga e do Budismo: o estado meditativo de permanecer plenamente consciente do momento e de manter a consci\u00eancia sobre si e atento a esta consci\u00eancia; um estado de intensa concentra\u00e7\u00e3o no pr\u00f3prio processo mental; consci\u00eancia de si\u201d. Uma das primeiras cita\u00e7\u00f5es que oferece para este uso do l\u00e9xico \u00e9 Rowe (1983), um livro escrito por um psic\u00f3logo cl\u00ednico sobre o tratamento da depress\u00e3o; a passagem citada (p. 182) vem de uma sess\u00e3o sobre o uso de medita\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0no tratamento da depress\u00e3o.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftnref10\">[10]<\/a>\u00a0Para uma discuss\u00e3o recente das influ\u00eancias Budistas em Kabat-Zinn, ver Gilpin (2002, 232). Para al\u00e9m da \u201cmedita\u00e7\u00e3o de discernimento\u201d do Theravada, Kabat-Zinn (1982, 34) e Kabat-Zinn, Lipworth e Burney (1985, 165) tamb\u00e9m citam o Soto Zen e pr\u00e1ticas y\u00f3gicas expressas nos escritos de Krishnamurti, Vimila Thakar e Nisargadatta Maharaj.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftnref11\">[11]<\/a>\u00a0Segal, Williams e Teasdale (2002, 325) referem-se ao livro de Goldstein e Kornfield,\u00a0<em>Seeking the heart of wisdom: the path of insight meditation.<\/em><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftnref12\">[12]<\/a>\u00a0Kabat-Zinn (1994, 4): citado, por exemplo, por Segal, Williams e Teasdale (2002, 40).<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftnref13\">[13]<\/a>\u00a0As 147, 405: para uma discuss\u00e3o mais completa do termo\u00a0<em>apilapanata<\/em>\u00a0ver Gethin (2001, 38-39).<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftnref14\">[14]<\/a>\u00a0Cf. Analayo (2003, 48).<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftnref15\">[15]<\/a>\u00a0Para uma discuss\u00e3o de\u00a0<em>mindfulness<\/em>\u00a0no contexto de\u00a0<em>samatha<\/em>\u00a0ver Kuan (2008, 58-80).<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftnref16\">[16]<\/a>\u00a0Ver tamb\u00e9m Cousins (1996).<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftnref17\">[17]<\/a>\u00a0Encontramos \u201co caminho \u00fanico e exclusivo\u201d (Rhys Davids 1910, 327); \u201ceste \u00e9 o \u00fanico caminho\u201d (Soma 1967, 1) e \u201cH\u00e1 este caminho exclusivamente\u201d (Horner 1954, 71)<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n<!-- wp:paragraph -->\n<p><p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/contemplativescience.wordpress.com\/2018\/07\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness\/#_ftnref18\">[18]<\/a>\u00a0D II 83; III 101; S V 108, 160\u20131; A III 387; V 195; Nett 94; ver Gethin (2001, 58\u20139, 169, 172, 258).<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>QUANTO A ALGUMAS DEFINI\u00c7\u00d5ES DE\u00a0MINDFULNESSRupert Gethin Resumo. A primeira tradu\u00e7\u00e3o do termo t\u00e9cnico Budista \u201cmindfulness\u201d foi feita em 1981 por T.W. Rhys Davids. Desde ent\u00e3o, &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">QUANTO A ALGUMAS DEFINI\u00c7\u00d5ES DE MINDFULNESS &#8211; Rupert Gethin<\/span> Leia mais \u00bb<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8134,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"","site-content-layout":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[14,16,24],"class_list":["post-8133","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-mindfulness","tag-modulo-1","tag-rupert-gethin"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v27.6.1 (Yoast SEO v27.2) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>QUANTO A ALGUMAS DEFINI\u00c7\u00d5ES DE MINDFULNESS - Rupert Gethin - Ci\u00eancia Contemplativa<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"QUANTO A ALGUMAS DEFINI\u00c7\u00d5ES DE MINDFULNESS - Rupert Gethin - Ci\u00eancia Contemplativa\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"QUANTO A ALGUMAS DEFINI\u00c7\u00d5ES DE\u00a0MINDFULNESSRupert Gethin Resumo. A primeira tradu\u00e7\u00e3o do termo t\u00e9cnico Budista \u201cmindfulness\u201d foi feita em 1981 por T.W. Rhys Davids. Desde ent\u00e3o, &hellip; QUANTO A ALGUMAS DEFINI\u00c7\u00d5ES DE MINDFULNESS &#8211; Rupert Gethin Leia mais \u00bb\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Ci\u00eancia Contemplativa\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2020-03-27T04:23:11+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"CienciaContemplativa\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"CienciaContemplativa\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"35 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/\"},\"author\":{\"name\":\"CienciaContemplativa\",\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#\/schema\/person\/5e027a517b89f2728c19310e08ce33b1\"},\"headline\":\"QUANTO A ALGUMAS DEFINI\u00c7\u00d5ES DE MINDFULNESS &#8211; Rupert Gethin\",\"datePublished\":\"2020-03-27T04:23:11+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/\"},\"wordCount\":8475,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"\",\"keywords\":[\"mindfulness\",\"m\u00f3dulo 1\",\"rupert gethin\"],\"articleSection\":[\"Artigos\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/\",\"url\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/\",\"name\":\"QUANTO A ALGUMAS DEFINI\u00c7\u00d5ES DE MINDFULNESS - Rupert Gethin - Ci\u00eancia Contemplativa\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"\",\"datePublished\":\"2020-03-27T04:23:11+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/#primaryimage\",\"url\":\"\",\"contentUrl\":\"\"},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"QUANTO A ALGUMAS DEFINI\u00c7\u00d5ES DE MINDFULNESS &#8211; Rupert Gethin\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#website\",\"url\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/\",\"name\":\"Ci\u00eancia Contemplativa\",\"description\":\"Instituto de Ci&ecirc;ncias Contemplativas do Brasil\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#organization\",\"name\":\"Ci\u00eancia Contemplativa\",\"url\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/logo-icc-180x180-1.png\",\"contentUrl\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/logo-icc-180x180-1.png\",\"width\":178,\"height\":180,\"caption\":\"Ci\u00eancia Contemplativa\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#\/schema\/logo\/image\/\"}},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#\/schema\/person\/5e027a517b89f2728c19310e08ce33b1\",\"name\":\"CienciaContemplativa\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"CienciaContemplativa\"},\"url\":\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/author\/cienciacontemplativa\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO Premium plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"QUANTO A ALGUMAS DEFINI\u00c7\u00d5ES DE MINDFULNESS - Rupert Gethin - Ci\u00eancia Contemplativa","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"QUANTO A ALGUMAS DEFINI\u00c7\u00d5ES DE MINDFULNESS - Rupert Gethin - Ci\u00eancia Contemplativa","og_description":"QUANTO A ALGUMAS DEFINI\u00c7\u00d5ES DE\u00a0MINDFULNESSRupert Gethin Resumo. A primeira tradu\u00e7\u00e3o do termo t\u00e9cnico Budista \u201cmindfulness\u201d foi feita em 1981 por T.W. Rhys Davids. Desde ent\u00e3o, &hellip; QUANTO A ALGUMAS DEFINI\u00c7\u00d5ES DE MINDFULNESS &#8211; Rupert Gethin Leia mais \u00bb","og_url":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/","og_site_name":"Ci\u00eancia Contemplativa","article_published_time":"2020-03-27T04:23:11+00:00","author":"CienciaContemplativa","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"CienciaContemplativa","Tempo estimado de leitura":"35 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/"},"author":{"name":"CienciaContemplativa","@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#\/schema\/person\/5e027a517b89f2728c19310e08ce33b1"},"headline":"QUANTO A ALGUMAS DEFINI\u00c7\u00d5ES DE MINDFULNESS &#8211; Rupert Gethin","datePublished":"2020-03-27T04:23:11+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/"},"wordCount":8475,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"","keywords":["mindfulness","m\u00f3dulo 1","rupert gethin"],"articleSection":["Artigos"],"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/","url":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/","name":"QUANTO A ALGUMAS DEFINI\u00c7\u00d5ES DE MINDFULNESS - Rupert Gethin - Ci\u00eancia Contemplativa","isPartOf":{"@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"","datePublished":"2020-03-27T04:23:11+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/#primaryimage","url":"","contentUrl":""},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/03\/27\/quanto-a-algumas-definicoes-de-mindfulness-rupert-gethin\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"QUANTO A ALGUMAS DEFINI\u00c7\u00d5ES DE MINDFULNESS &#8211; Rupert Gethin"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#website","url":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/","name":"Ci\u00eancia Contemplativa","description":"Instituto de Ci&ecirc;ncias Contemplativas do Brasil","publisher":{"@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#organization","name":"Ci\u00eancia Contemplativa","url":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/logo-icc-180x180-1.png","contentUrl":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/logo-icc-180x180-1.png","width":178,"height":180,"caption":"Ci\u00eancia Contemplativa"},"image":{"@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#\/schema\/logo\/image\/"}},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/#\/schema\/person\/5e027a517b89f2728c19310e08ce33b1","name":"CienciaContemplativa","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/?s=96&d=mm&r=g","caption":"CienciaContemplativa"},"url":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/author\/cienciacontemplativa\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8133","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8133"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8133\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8133"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8133"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8133"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}