{"id":8024,"date":"2020-02-21T05:54:10","date_gmt":"2020-02-21T05:54:10","guid":{"rendered":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/02\/21\/os-inimigos-proximos-jack-kornfield\/"},"modified":"2020-02-21T05:54:10","modified_gmt":"2020-02-21T05:54:10","slug":"os-inimigos-proximos-jack-kornfield","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/02\/21\/os-inimigos-proximos-jack-kornfield\/","title":{"rendered":"Os inimigos pr\u00f3ximos &#8211; Jack Kornfield"},"content":{"rendered":"<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\">Uma das quest\u00f5es mais importantes que encontramos na pr\u00e1tica espiritual \u00e9 como conciliar servi\u00e7o e a\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel com uma vida meditativa que promove o n\u00e3o apego, o soltar, e mostre a vacuidade de todas as coisas condicionadas. Os valores que nos levam a dedica\u00e7\u00e3o, servi\u00e7o e cuidado do outro diferem dos valores que nos conduzem a uma jornada de libera\u00e7\u00e3o e despertar?<br \/>\nPara considerar estas quest\u00f5es, devemos aprender a distinguir entre as qualidades do cora\u00e7\u00e3o desperto \u2013 amor, compaix\u00e3o, alegria e equanimidade, e aquilo que poderia ser chamado seus \u201cinimigos pr\u00f3ximos\u201d. Os inimigos pr\u00f3ximos podem se parecer com estas qualidades e podem at\u00e9 serem confundidos por elas, mas eles n\u00e3o s\u00e3o fundamentalmente iguais. Os inimigos pr\u00f3ximos mostram como a espiritualidade pode ser mal compreendida ou usada erradamente para nos separar da vida.<\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\"><strong>Amor versus Apego<\/strong><\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\">O inimigo pr\u00f3ximo do amor \u00e9 o apego. O apego se disfar\u00e7a como amor. Ele diz, \u201cEu amarei esta pessoa porque preciso dela\u201d. Ou \u201cEu lhe amarei se voc\u00ea me amar de volta. Eu lhe amarei, mas s\u00f3 se voc\u00ea for do jeito que quero\u201d. Isto absolutamente n\u00e3o \u00e9 amor \u2013 \u00e9 apego \u2013 e apego \u00e9 r\u00edgido, \u00e9 muito diferente de amor. Quando h\u00e1 apego, existe fixa\u00e7\u00e3o e medo. Amor concede, honra e aprecia; apego controla, exige, obriga e deseja possuir. O apego \u00e9 condicional, oferece amor apenas a certas pessoas em certas maneiras; exclui. O amor, no sentido de metta, usado pelo Buddha, \u00e9 um sentimento de cuidado e conectividade, n\u00e3o-discriminativo e universal. N\u00f3s podemos at\u00e9 amar aqueles que n\u00e3o aprovamos ou gostamos. Podemos n\u00e3o tolerar seu comportamento, mas cultivamos o perd\u00e3o. Amor \u00e9 uma poderosa for\u00e7a que transforma qualquer situa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 uma aquiesc\u00eancia passiva. Como o Buddha disse, \u201cO \u00f3dio nunca cessar\u00e1 pelo \u00f3dio. O \u00f3dio s\u00f3 cessar\u00e1 pelo amor.\u201d O amor abra\u00e7a todos os seres sem exce\u00e7\u00e3o, descarta a m\u00e1 vontade.<\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\"><strong>Compaix\u00e3o versus Piedade e Desespero<\/strong><\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\">O inimigo pr\u00f3ximo da compaix\u00e3o \u00e9 a piedade. Em vez do sentimento de abertura da compaix\u00e3o, a piedade diz, \u201cOh, pobre pessoa. Eu me entriste\u00e7o por pessoas como aquela.\u201d A piedade as v\u00ea como diferentes de n\u00f3s mesmos. Ela estabelece uma separa\u00e7\u00e3o entre n\u00f3s mesmos e os outros, um senso de dist\u00e2ncia e afastamento dos sofrimentos dos outros que ratifica e gratifica o self. Compaix\u00e3o, por outro lado, reconhece o sofrimento do outro como um reflexo de nossa pr\u00f3pria dor: \u201cEu compreendo isto; eu sofro da mesma forma.\u201d \u00c9 emp\u00e1tico, uma conex\u00e3o m\u00fatua com a dor e tristeza da vida. Compaix\u00e3o \u00e9 compartilhar sofrimento.<br \/>\nOutro inimigo da compaix\u00e3o \u00e9 o desespero, desesperan\u00e7a. Compaix\u00e3o n\u00e3o significa nos submergirmos no sofrimento de outros ao ponto da ang\u00fastia. Compaix\u00e3o \u00e9 a terna prontid\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o para responder \u00e0 pr\u00f3pria dor ou a dor do outro sem desespero, ressentimento ou avers\u00e3o. \u00c9 o desejo de dissipar o sofrimento. Compaix\u00e3o abra\u00e7a aqueles que experienciam sofrimento, e elimina a crueldade da mente.<\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\"><strong>Alegria versus Compara\u00e7\u00e3o e Inveja<\/strong><\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\">A terceira qualidade, alegria solid\u00e1ria, \u00e9 a habilidade de sentir alegria com a felicidade do outro. O inimigo \u00e9 a compara\u00e7\u00e3o e inveja. A inveja compara nossa alegria com a do outro. Nos separa e acredita que aquela alegria \u00e9 limitada. Se outros a t\u00eam, n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para n\u00f3s. A verdadeira alegria compartilhada \u00e9 a alegria de ser, \u00e9 a celebra\u00e7\u00e3o com o cora\u00e7\u00e3o aberto, de nossa vida com a do outro. Alegria compartilhada se delicia com o sucesso e felicidade de todos. Deseja que a felicidade deles e a nossa possa aumentar.<\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\"><strong>Equanimidade versus Indiferen\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\">O inimigo pr\u00f3ximo da equanimidade \u00e9 a indiferen\u00e7a ou crueldade. Podemos parecer serenos ao dizer, \u201cN\u00e3o estou apegado. N\u00e3o importa o que acontece, porque \u00e9 tudo transit\u00f3rio.\u201d Sentimos um certo al\u00edvio porque nos retiramos da experi\u00eancia e da energia de vida. Mas a indiferen\u00e7a est\u00e1 baseada no medo. A verdadeira equanimidade n\u00e3o \u00e9 uma retirada; \u00e9 um engajamento equilibrado com todos os aspectos da vida. \u00c9 a abertura ao todo da vida com serenidade e tranquilidade da mente, aceitando a natureza maravilhosa e aterrorizante de todas as coisas. A equanimidade abra\u00e7a o amado e o n\u00e3o amado, o agrad\u00e1vel e o n\u00e3o agrad\u00e1vel, o prazer e dor. Elimina o apego e avers\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\">Embora tudo seja transit\u00f3rio e semelhante a um sonho, com equanimidade n\u00f3s honramos a realidade da forma. Como o mestre Zen Dogen diz, \u201cFlores caem com nosso apego, e ervas daninha florescem com nossa avers\u00e3o.\u201d Compreendendo que tudo mudar\u00e1 e que o mundo dos fen\u00f4menos condicionados \u00e9 insubstancial, com equanimidade somos capazes de ficarmos totalmente presentes e em harmonia com ele.<\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\"><strong>Sabedoria e Engajamento<\/strong><\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\">No caminho \u00f3ctuplo, o Buddha fala sobre motiva\u00e7\u00e3o correta, que envolve o mundo em tr\u00eas caminhos. Primeiro n\u00f3s cultivamos uma mente livre de desejos n\u00e3o saud\u00e1veis, desenvolvendo um senso de contentamento interior. Segundo, nos livramos da m\u00e1 vontade e ressentimento, cultivando pensamentos de compaix\u00e3o e amabilidade. Terceiro, desenvolvemos uma mente que est\u00e1 livre da crueldade ao nutrir as for\u00e7as da bondade e amor dentro de n\u00f3s. Com a inten\u00e7\u00e3o correta podemos envolver toda a vida e as diferentes situa\u00e7\u00f5es que nos defrontamos como degraus para o despertar.<\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\">Apego, piedade, compara\u00e7\u00e3o e indiferen\u00e7a s\u00e3o formas de desengajamento, de nos separarmos da vida por medo. A verdadeira espiritualidade n\u00e3o \u00e9 eliminar ou escapar da vida. Ela permite que ingressemos no mundo com uma profunda vis\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 autocentrada ou dualista, que v\u00ea a interconectividade de toda vida. \u00c9 a descoberta de que a liberdade repousa bem no meio de nossos corpos e mentes.<br \/>\nAnos atr\u00e1s na \u00cdndia eu perguntei a uma professora de medita\u00e7\u00e3o chamada Vimala Thaker sobre a quest\u00e3o da medita\u00e7\u00e3o e trabalho no mundo. Vimala tinha trabalhado com os seguidores de Gandhi por muitos anos em projetos rurais de desenvolvimento e redistribui\u00e7\u00e3o de terras quando, como resultado de seus estudos com Krishnamurti, come\u00e7ou a ensinar medita\u00e7\u00e3o e dedicou muitos anos a isto. Ent\u00e3o mais tarde ela retornou ao trabalho inicial e a ajudar as pessoas com fome, os sem-teto, ensinando medita\u00e7\u00e3o menos do que antes. Eu lhe perguntei por que ela decidiu voltar ao trabalho que tinha feito anos antes. Ela respondeu, \u201cSenhor, sou uma amante da vida, e como amante da vida n\u00e3o posso descartar qualquer atividade da vida. Se existem pessoas que est\u00e3o famintas por comida, minha resposta \u00e9 ajudar a aliment\u00e1-los. Se existem pessoas que est\u00e3o famintas pela verdade, minha resposta \u00e9 ajuda-los a descobri-la. N\u00e3o fa\u00e7o distin\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\">Os sufis tem um prov\u00e9rbio simples que expressa claramente este paradoxo: \u201c Louve Allah e amarre seu camelo no poste.\u201d Louve, mas tamb\u00e9m se certifique de fazer aquilo que seja necess\u00e1rio no mundo. Medite, mas manifeste sua compreens\u00e3o desta experi\u00eancia espiritual. Equilibre sua realiza\u00e7\u00e3o da vacuidade com um senso de compaix\u00e3o e cuidado para guiar sua vida impecavelmente.<\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\">Ver a vacuidade significa ver que toda a vida \u00e9 como uma bolha, um jogo de luz e sombra, um sonho. Significa compreender que este min\u00fasculo planeta est\u00e1 suspenso na imensid\u00e3o do espa\u00e7o entre bilh\u00f5es de estrelas e gal\u00e1xias \u2013 que toda a hist\u00f3ria da humanidade \u00e9 um segundo comparado aos bilh\u00f5es de anos da hist\u00f3ria da terra, que tudo acabar\u00e1 em breve, que ningu\u00e9m est\u00e1 realmente indo a lugar algum. Este contexto nos ajuda a nos soltarmos em meio \u00e0 aparente seriedade de nossos problemas, a entrar na vida com um senso de leveza e conforto.<br \/>\nCuidado e compaix\u00e3o significa perceber como preciosa \u00e9 a vida, apesar de ser ef\u00eamera e transit\u00f3ria, e como cada uma de nossas a\u00e7\u00f5es e palavras afetam todos os seres ao nosso redor da forma mais profunda. N\u00e3o existe nada sem consequ\u00eancias neste universo, e precisamos respeitar este fato pessoalmente e agir responsavelmente em acordo com ele.<\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\">Como podemos colocar vacuidade e cuidado juntos? Poderia ser usado um argumento muito convincente de simplesmente nos dedicarmos \u00e0 medita\u00e7\u00e3o. O mundo necessita de mais rem\u00e9dios e energia e pr\u00e9dios e alimentos? Realmente n\u00e3o. Existem milhares de dep\u00f3sitos de cereais enquanto em outros lugares pessoas morrem de fome. H\u00e1 milh\u00f5es de pessoas enfermas com doen\u00e7as para quais temos rem\u00e9dios para curar. H\u00e1 bastante recursos para todos n\u00f3s. Existe fome e pobreza e doen\u00e7a por causa da ignor\u00e2ncia, preconceito e medo, porque acumulamos coisas e criamos guerra imaginando fronteiras geogr\u00e1ficas e agindo como se um grupo de pessoas fosse verdadeiramente diferente de n\u00f3s. O que o mundo precisa n\u00e3o \u00e9 mais petr\u00f3leo ou alimento, mas amor e generosidade, menos gan\u00e2ncia e mais bondade e compreens\u00e3o. A coisa mais fundamental que podemos fazer para ajudar este mundo de guerra e sofrimento \u00e9 nos livrarmos do medo e das vis\u00f5es divididas em nossas mentes, e ent\u00e3o ajudar os outros a fazer o mesmo. Assim, a pr\u00e1tica espiritual n\u00e3o \u00e9 um privil\u00e9gio; \u00e9 uma necessidade, uma responsabilidade b\u00e1sica.<\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\">Mas h\u00e1 um argumento igualmente convincente para se dedicar totalmente ao servi\u00e7o no mundo. S\u00f3 precisaria mencionar os horrores de Darfur (genoc\u00eddio de Darfur, oeste do Sud\u00e3o), a viol\u00eancia atual no Oriente M\u00e9dio, a devasta\u00e7\u00e3o no Haiti \u2013 situa\u00e7\u00f5es nas quais a enormidade do sofrimento \u00e9 quase al\u00e9m da compreens\u00e3o. Somente na \u00cdndia tr\u00eas milh\u00f5es de pessoas vivem em tal pobreza que o trabalho de um dia paga apenas uma refei\u00e7\u00e3o. Certa vez encontrei um homem em Calcut\u00e1 que tinha sessenta e quatro anos e para viver trabalhava puxando a carro\u00e7a t\u00edpica do lugar (jinrikisha, riquix\u00e1). Ele fazia isso h\u00e1 quarenta anos e tinha dez pessoas que dependiam dele. Um ano antes ele tinha ficado doente por dez dias. Em uma semana o dinheiro acabou e eles n\u00e3o tinham nada para comer. Como podemos deixar isso acontecer? In\u00fameras crian\u00e7as morrem de fome a cada minuto enquanto s\u00e3o gastos vinte e cinco milh\u00f5es de d\u00f3lares por minuto em armas. Devemos reagir. N\u00e3o podemos virar as costas ou desviar o olhar.<\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\">Temos dilemas dolorosos a encarar. Onde dever\u00edamos colocar nossa energia? O que dever\u00edamos fazer primeiro? Dever\u00edamos meditar? Nenhuma quantidade de servi\u00e7o ser\u00e1 bastante se n\u00e3o mudarmos a consci\u00eancia do mundo. Precisamos aprender que estamos interconectados. Precisamos de caminhos para encontrar contentamento e paz interior, para meditar e simplificar. Tamb\u00e9m precisamos servir aqueles que est\u00e3o em sofrimento urgente. Precisamos fazer ambas as coisas. Apenas nosso cora\u00e7\u00e3o pode nos dizer qual \u00e9 o equil\u00edbrio e ritmo correto a seguir. Para servir de forma s\u00e1bia e n\u00e3o entrarmos em exaust\u00e3o precisaremos de nossa medita\u00e7\u00e3o e nossa coragem.<\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\"><strong>A Vida Espiritual Requer Coragem<\/strong><\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\">Equanimidade n\u00e3o \u00e9 indiferen\u00e7a e compaix\u00e3o n\u00e3o \u00e9 piedade. A verdadeira espiritualidade requer que estejamos totalmente presentes para a vida. Come\u00e7ar a olhar diretamente para a situa\u00e7\u00e3o do mundo n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de cerimonial ou de religi\u00e3o. A medita\u00e7\u00e3o nos ajuda a olhar profundamente para o pesar que existe agora em nosso mundo, e a olhar para nosso relacionamento individual e coletivo com ele, assumir testemunh\u00e1-lo, reconhec\u00ea-lo em vez de fugir. Sem lucidez e compaix\u00e3o o sofrimento \u00e9 imenso de suportar. Fechamos nossas mentes. Fechamos nossos olhos e cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\">Contudo, se quisermos fazer a diferen\u00e7a \u00e9 necess\u00e1rio nos abrirmos a todos os aspectos da experi\u00eancia. Para olhar o mundo honestamente, diretamente e sem retroceder, \u00e9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m olharmos para n\u00f3s mesmos. Descobrimos que o pesar e a dor n\u00e3o est\u00e3o apenas l\u00e1, externamente, mas tamb\u00e9m est\u00e3o dentro de n\u00f3s mesmos. Temos nosso pr\u00f3prio medo, preconceito, desejo, neurose e ansiedade. \u00c9 o nosso pr\u00f3prio pesar. Ao nos abrirmos ao sofrimento, descobrimos o grande cora\u00e7\u00e3o de compaix\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\">No cora\u00e7\u00e3o de cada um de n\u00f3s existe um potencial para experienciar esta compaix\u00e3o e totalidade. O problema \u00e9 que ficamos t\u00e3o ocupados e perdidos em nosso pr\u00f3prio pensar que perdemos a conex\u00e3o com nossa verdadeira natureza. Quando nos reconectamos com nossa totalidade, nosso ser se expressa por si mesmo tanto na medita\u00e7\u00e3o como no compartilhar n\u00f3s mesmos com os outros.<br \/>\nDediquei a maior parte de meu tempo ensinando medita\u00e7\u00e3o. Anos atr\u00e1s, quando milhares de cambojanos estavam fugindo da viol\u00eancia em sua terra natal somente para se depararem com fome e doen\u00e7as em campos de refugiados na Tail\u00e2ndia, algo em mim falou, \u201cTenho de ir para l\u00e1,\u201d e assim fui. Eu conhecia as pessoas e um pouco da linguagem local. Depois de ficar l\u00e1 tentando ajudar, retornei para conduzir retiros intensos de medita\u00e7\u00e3o. N\u00e3o precisei ponderar muito sobre se deveria ou n\u00e3o ir trabalhar nos campos de refugiados. Senti que aquilo tinha de ser feito, e eu fui e fiz. Foi imediato e pessoal.<\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\">Nos anos seguintes trabalhei na Palestina e Burma, em pris\u00f5es e hospitais, e com crian\u00e7as nas gangs de rua. \u00c9 isto que eu tenho sido chamado a fazer junto com meu ensinamento em medita\u00e7\u00e3o. Este tem sido meu caminho. Mas n\u00e3o \u00e9 correto para todas as pessoas. Alguns monges passam suas vidas em cavernas nos Himalaias incessantemente irradiando compaix\u00e3o para o mundo. Outros administram orfanatos para crian\u00e7as cujos pais morreram de Aids. Qual \u00e9 a forma correta? O caminho espiritual n\u00e3o se apresenta a n\u00f3s como uma prescri\u00e7\u00e3o, uma f\u00f3rmula para cada um seguir. N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de imita\u00e7\u00e3o. N\u00e3o podemos ser Madre Teresa ou Gandhi ou o Buddha. Devemos ser n\u00f3s mesmos. Devemos descobrir e nos conectar com nossa express\u00e3o \u00fanica da verdade. Devemos aprender a ouvir e confiar em n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\"><strong>As Duas Grande For\u00e7as no Mundo<\/strong><\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\">Existem duas grandes for\u00e7as no mundo. Uma \u00e9 matar. As pessoas que n\u00e3o tem medo de matar fazem guerras, governam na\u00e7\u00f5es e controlam muito da atividade de nosso mundo. H\u00e1 uma grande for\u00e7a em n\u00e3o ter medo de matar. A outra fonte de for\u00e7a no mundo \u2013 a verdadeira for\u00e7a \u2013 est\u00e1 nas pessoas que n\u00e3o tem medo de morrer. S\u00e3o pessoas que tocaram a fonte de seu ser, que olharam para si mesmas de forma t\u00e3o profunda que entenderam e reconheceram e aceitaram a morte e, de certo modo, j\u00e1 morreram. Viram al\u00e9m da separatividade da concha do ego, e trouxeram para a vida o destemor e o cuidado nascidos do amor e da verdade. Esta \u00e9 a \u00fanica for\u00e7a que pode se equiparar a algu\u00e9m que n\u00e3o tem medo de matar.<\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\">Este \u00e9 o poder de Nelson Mandela e Aung San Suu Kyi. Gandhi chamava este poder de \u201csatyagraha\u201d, a for\u00e7a da verdade, e foi a for\u00e7a que ele demonstrou em sua pr\u00f3pria vida. Quando a \u00cdndia foi dividida, milh\u00f5es de pessoas ficaram refugiadas \u2013 Mu\u00e7ulmanos e Hindus fugiam de um pa\u00eds para outro. Havia viol\u00eancia e desordens horr\u00edveis. Centenas de tropas foram enviadas ao Paquist\u00e3o Ocidental para tentar reprimir a terr\u00edvel viol\u00eancia, enquanto Gandhi se dirigiu para aquele que era ent\u00e3o o Paquist\u00e3o Oriental. Ele caminhou de vila em vila pedindo \u00e0s pessoas pararem o derramamento de sangue. Ent\u00e3o entrou em jejum. Disse que n\u00e3o ia mais aceitar alimentos at\u00e9 que a viol\u00eancia e a insanidade parassem, mesmo que isso significasse sua pr\u00f3pria morte. E os motins pararam. Pararam por causa do poder de seu amor, por que Gandhi se importava com algo \u2013 chame de verdade ou vida ou o que desejar \u2013 que foi algo muito maior que ele pr\u00f3prio Gandhi, a pessoa. Este \u00e9 o genu\u00edno poder da pr\u00e1tica espiritual, seja qual for a forma que tome. Viver alinhado com a verdade se torna mais importante do que viver ou morrer. Esta compreens\u00e3o \u00e9 a fonte de incr\u00edvel for\u00e7a e energia, e ser\u00e1 manifestada atrav\u00e9s de amor, compaix\u00e3o, alegria e equanimidade.<\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\">Em umas das minhas viagens na \u00cdndia fui para a cidade santa de Benares pelo Rio Ganges. Ao longo do rio existem lugares onde as pessoas se banham num ritual de purifica\u00e7\u00e3o e h\u00e1 tamb\u00e9m lugares onde as pessoas trazem os cad\u00e1veres para serem cremados. Eu tinha ouvido falar sobre estes lugares h\u00e1 anos e sempre tinha pensado que estar l\u00e1 seria uma experi\u00eancia muito forte. Fui levado rio abaixo em um pequeno barco at\u00e9 o lugar em que havia doze fogueiras ardendo. A cada meia hora um novo corpo era levado para o fogo enquanto as pessoas cantavam \u201cRama nama satya hei (a \u00fanica verdade \u00e9 o nome de Deus).\u201d Fiquei surpreso. N\u00e3o era de modo algum terr\u00edvel; era pac\u00edfico, tranquilo e sensato. Havia um reconhecimento de que nascimento e morte s\u00e3o parte do mesmo processo e, portanto a morte n\u00e3o precisa ser temida.<\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\">H\u00e1 uma alegria profunda quando paramos de negar os aspectos dolorosos da vida, e em vez disto permitimos que nossos cora\u00e7\u00f5es se abram e aceitem a extensa gama de experi\u00eancia humana: vida e morte, prazer e dor, luz e escurid\u00e3o. Mesmo diante do tremendo sofrimento no mundo, pode haver uma alegria, que surge n\u00e3o de rejeitar a dor e buscar o prazer, mas de nossa capacidade de meditar e nos abrirmos \u00e0 verdade. Pr\u00e1tica espiritual come\u00e7a permitindo a n\u00f3s mesmos encarar nossa pr\u00f3pria tristeza, medo, ansiedade desespero \u2013 morrer para as ideias do ego, e amar e aceitar a verdade das coisas como elas s\u00e3o. Tendo isto como nossa base, podemos ver a fonte de sofrimento em nossas vidas e no mundo ao nosso redor. Podemos ver a gan\u00e2ncia, \u00f3dio e ignor\u00e2ncia que produzem um senso de separa\u00e7\u00e3o. Podemos tamb\u00e9m ver o fim do sofrimento, um reconhecimento da unidade de luz e escurid\u00e3o, acima e abaixo, pesar e alegria. Podemos ver todas estas coisas sem apego e sem separa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\">Devemos olhar como criamos e impomos a separa\u00e7\u00e3o. Como temos tornado este um mundo do \u201cEu quero isto; eu quero me tornar aquilo; isto me deixar\u00e1 em seguran\u00e7a; isto me far\u00e1 poderoso\u201d. Ra\u00e7a, nacionalidade, idade e religi\u00e3o imp\u00f5em a separa\u00e7\u00e3o. Olhe para si mesmo e veja o que \u00e9 \u201cn\u00f3s\u201d e o que \u00e9 \u201celes\u201d para voc\u00ea. Quando existe um senso de \u201cn\u00f3s\u201d, ent\u00e3o existe um senso de \u201coutro\u201d. Quando podemos desistir disto, ent\u00e3o podemos desistir da ideia de que for\u00e7a vem de termos mais de que os outros ou de termos o poder de matar outros. Quando desistimos disto, desistimos do estereotipo de amor como uma fraqueza.<br \/>\nEsta \u00e9 a nossa aspira\u00e7\u00e3o e nossa tarefa \u2013 romper nossa fixa\u00e7\u00e3o, condena\u00e7\u00e3o, identifica\u00e7\u00e3o, nossas opini\u00f5es, e nosso senso de Eu, Mim, Meu. Precisamos ver que estamos todos juntos, entrela\u00e7ados. Ent\u00e3o podemos agir efetivamente, at\u00e9 radicalmente, sem amargura ou auto justifica\u00e7\u00e3o. Podemos estar motivados por um genu\u00edno senso de cuidado e de perd\u00e3o, e uma determina\u00e7\u00e3o de viver nossas vidas bem.<\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\">Alguns anos atr\u00e1s, participei de uma confer\u00eancia na qual um curador\/xam\u00e3 chamado Mad Bear (Urso Louco), foi convidado para dar uma palestra. Ele disse, \u201cPara minha apresenta\u00e7\u00e3o gostaria que come\u00e7\u00e1ssemos saindo l\u00e1 fora,\u201d e todos sa\u00edmos. Ele nos conduziu a um campo aberto e ent\u00e3o nos pediu que fic\u00e1ssemos de p\u00e9 silenciosamente, em c\u00edrculo. Ficamos por um tempo em sil\u00eancio sob um vasto c\u00e9u azul, circundados por campos de trigo que se estendiam at\u00e9 o horizonte. Ent\u00e3o Mad Bear come\u00e7ou a falar, oferecendo uma ora\u00e7\u00e3o de gratid\u00e3o. Ele come\u00e7ou agradecendo as minhocas por arear o solo de forma que as plantas possam crescer. Ele agradeceu as gramas que cobrem a terra por impedir que a poeira sopre, por amortecer nossos passos, e por mostrar aos nossos olhos o verde e a beleza de sua vida. Ele agradeceu ao vento por trazer chuva, por limpar o ar, por nos dar a respira\u00e7\u00e3o da vida que nos conecta com todos os seres. Ele agradeceu ao sol e a lua e os rios e as pedras. Falou assim por quase uma hora, e ao ouvirmos, sent\u00edamos o vento em nossas faces e a terra sob nossos p\u00e9s, e vimos a grama e as nuvens, tudo com um senso de conectividade, gratid\u00e3o e amor.<br \/>\nEste \u00e9 o esp\u00edrito da aten\u00e7\u00e3o plena. Amor ( em vez de apego), compaix\u00e3o ( em vez de piedade), alegria (em vez de inveja), e equanimidade ( em vez de indiferen\u00e7a) infundem nossa consci\u00eancia. Permitem nos abrirmos e aceitarmos a verdade de cada momento, sentir nossa profunda conectividade com todas as coisas, e ver a totalidade da vida. Quer estejamos sentados em medita\u00e7\u00e3o ou sentados em algum lugar protestando, aquela \u00e9 a nossa pr\u00e1tica espiritual a cada momento.\n<\/p>\n<p style=\"border: 0px; font-family: Roboto, sans-serif; font-size: 18px; line-height: 32.4px; margin-bottom: 1.1em; overflow-wrap: break-word; color: #444444; text-align: justify;\"><strong>Fonte:<br \/>\n<\/strong>JACK KORNFIELD \u2013 Bringing Home the Dharma \u2013 Awakening Right Where You Are. Part II: Taking Up the Spiritual Path. Chap. 10 \u2013The Near Enemies of Awakening: Nonattachment is not Indifference; 102-110.<br \/>\nCortesia da equipe de Tradu\u00e7\u00f5es Contemplativas \u2013 Trad.: Zita Freitas; Revis\u00e3o: Lama Jigme Lhawang<\/p>\n<p><!--vcv no format--><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das quest\u00f5es mais importantes que encontramos na pr\u00e1tica espiritual \u00e9 como conciliar servi\u00e7o e a\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel com uma vida meditativa que promove o n\u00e3o &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/02\/21\/os-inimigos-proximos-jack-kornfield\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">Os inimigos pr\u00f3ximos &#8211; Jack Kornfield<\/span> Leia mais \u00bb<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":8035,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"","site-content-layout":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[6,7],"class_list":["post-8024","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","tag-ciencia-contemplativa","tag-jack-kornfield"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v27.6.1 (Yoast SEO v27.2) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>Os inimigos pr\u00f3ximos - Jack Kornfield - Ci\u00eancia Contemplativa<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/cienciacontemplativa.org\/icc\/2020\/02\/21\/os-inimigos-proximos-jack-kornfield\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Os inimigos pr\u00f3ximos - Jack Kornfield - Ci\u00eancia Contemplativa\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Uma das quest\u00f5es mais importantes que encontramos na pr\u00e1tica espiritual \u00e9 como conciliar servi\u00e7o e a\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel com uma vida meditativa que promove o n\u00e3o &hellip; 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